Quer saber que Estado queremos para nossa sociedade? Analise o investimento que se faz em educação. Analise o investimento que se faz em cultura. Uma sociedade que negligencia seus jovens e crianças não pode esperar ser bem cuidado quando a idade chegar.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Atividade Guiada - Enfermagem (Relacionamento Interpessoal e Terapêutico)

Queridos estudantes.
Vamos trabalhar o texto do Rubem Alves, entitulado: "Escutatória".
Boa reflexão!
segunda-feira, 11 de junho de 2018
NA-MORADA
Por Reinaldo Cruz
“Pós-modernidade” (Maffesoli, 2003), “modernidade líquida” (Bauman, 2001), “hipermodernidade” (Lipovetsky, 2004) são termos utilizados pelos analistas sociais para se referirem aos tempos atuais. Muito embora guardem em si diferenças conceituais convergem em apontar que vivemos a decadência da época moderna marcada, sobretudo, pela estabilidade, pela perenidade e assimetria das relações e instituições, pelo conhecimento concentrado e por uma economia de produção. Em contrapartida, com o colapso desses valores emerge uma organização sócio-econômica-cultural em que há uma aceleração do tempo, o alargamento de espaço e um nomadismo humano sem precedentes, economia de consumo, que promovem uma extrema dificuldade de vinculações prolongadas (Justo, 2005). A sociedade, como há de se esperar, transformou-se ao longo dos anos, tornando-se cada vez mais comuns relações humanas efêmeras em todas as suas esferas, desde relações de trabalho até os relacionamentos afetivos. (Bauman 2003; Justo, 2005; Zanetti, 2012).
O reposicionamento do feminino, os métodos contraceptivos, a ascensão da legalidade dos divórcios, a amplitude das configurações familiares e dos relacionamentos amorosos atuais foram importantes acontecimentos com seu auge em meados do século XX e trouxeram significativas e positivas mudanças sociais, tal como a possibilidade da emergência de outras e diversas condições desejantes (há pertinência em ressaltar a possibilidade das mulheres assumirem seu lugar de sujeitos com desejo, para além da condição de mãe e dona de casa a que eram relegadas, e também à expressão das orientações sexuais fora dos padrões hegemônicos) além de permitirem a passagem paradigmática do “Amor romântico” com seus relacionamentos duradouros, mas idealizados e nem sempre pautados no afeto e sim nos “bons costumes” tradicionalistas, para o “amor confluente”, de relações pautadas na satisfação e no prazer particular dos sujeitos. No entanto, prevalecem atualmente relacionamentos fluidos marcados pela fragilidade dos laços e velocidade das ligações e dos desligamentos dessas relações.
De acordo com Justo (2005), paira no ar uma instantaneidade que não contempla possibilidades de frustração, ou seja, tudo é imediato e nenhum desejo ou necessidade precisa ser postergado. Há uma disponibilidade psicológica para o descarte, a efemeridade e o imediatismo, “trata-se, portanto, de um mundo que não favorece a aproximação entre as pessoas, a criação de vínculos duradouros, a associatividade e a grupalização (Justo, 2005, p.70), em que “a distância não é mais obstáculo para se entrar em contato – mas entrar em contato não é obstáculo para se permanecer à parte.” (BAUMAN, 2003, p.82).
O psicanalista contemporâneo Joel Birman (2000), postula que, atualmente, o destino dos desejos pode assumir uma direção que é autocentrada e marcada pelo exibicionismo, em que reafirma-se uma cultura de narcisismo e a sociedade do espetáculo. O horizonte intersubjetivo dos sujeitos pode estar, então, esvaziado e desinvestido das trocas inter-humanas. Ainda de acordo com o autor, os sujeitos são regulados por uma performatividade lançada em direção à sedução do outro, este, por sua vez, como um objeto predatório para o gozo e enaltecimento de si. Diante de tal contexto os relacionamentos se tornam descartáveis, os outros e a relação com eles tendem ao esvaziamento.
Mas essa não seria uma leitura bastante sombria e talvez um pouco inadequada para propor logo no dia 12 de junho, quando no Brasil comemoramos o “Dia dos namorados”?Sim. Talvez. Não.
- Sim, porque de fato, embora pertinente, revela características atuais que podem não ser de tanta estima e, principalmente, porque os apaixonados podem não se interessar por uma prosa como essa logo no dia de hoje.
- Talvez, pois, é uma provocação importante tanto para quem celebra esse dia sozinho, quanto para quem está em um relacionamento amoroso, tal como para quem pensa em encerrar ou iniciar uma relação tão logo.
- E não, uma vez que, para além das justificativas anteriores, abre-se a possibilidade de se pensar os namoros nos dias atuais como relações de resistência. Em tempos de “gadinhos”, “crush’s” e do demodê “ficantes”, a experiência do namoro está contracorrente, já não bastasse a difícil convivência com a diferença que as relações impõe, uma vez que: se a fluidez é resistência ao tradicionalismo das instituições modernas, por outro, levado ao seu extremo, como pode se ver, a inclinação a vinculação pode ser resistência à lógica de relações de essência capitalística de consumo.Nos vínculos, e no caso específico que tratamos aqui: no namoro, há um convite para permanência, para o abrigo, é chamar o outro para estar na-morada, onde habitam as diferenças, as desidealizações, o sofrimento inerente às paixões, mas que pode oferecer também hospitalidade ao sentimento tão fundamental, como alertava Freud (1914): O AMOR.
Nos relacionamentos amorosos há possibilidade de recordar, tal como propõe Galeano (2016) – “Recordar: Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração” - as experiências de fundação do Eu, as tramas inconscientes que alicerçam a estruturação subjetiva de cada sujeito. Como propõe poeticamente Rubem Alves, a pessoa amada é metáfora de tempos primitivos, e na gênese do amor está o reflexo da memória afetiva que o amante vê no rosto da amada. Por todas essas recordações, essa bela nostalgia, nos namoros fazem-se presentes também as inseguranças, angústias, incertezas. É uma morada que mesmo acolhedora, confortante, maternal e nutritiva, por essas mesmas característica, pode por vezes ser intranquila, uma vez que contempla a insegurança da finitude, as frustrações e limites inexoráveis ao encontro com alguém diferente.
Apresenta – se inicialmente uma sensação de completude semelhante ao aconchego materno: a sensação de ser tudo para alguém. Condição da ordem do impossível, por isso passageira. Tão logo defrontamo-nos com a realidade que convoca nossa condição de sujeitos da falta, a frutuosa condição desejante, de sujeitos incompletos e insatisfeitos com essa incompletude. (Lacan, 1999).
Em outras palavras, embora um sentimento maravilhoso, no amor, alimento dos namoros, não hão de ser só flores, entretanto bem como alerta Freud (1914): “devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência da frustração, formos incapazes de amar.” (FREUD, 1914, p. 92)
Mas e quando termina? Não obstante, obriga-se então a ressalva de que, mesmo quando um relacionamento se encerra, há que permanecer o amor, o amor de si sobretudo. Por conseguinte, a importância de se estabelecer relacionamentos não tóxicos, aqueles em que a singularidade dos amantes é respeitada (Eiguer, 2013) a fim de que haja como consequência relações não de consumo, mas de produção, de potencialização.
Sejam os namoros, conjugalidades, as relações que recusam nomeações, há uma inexorável constatação: o amor é ainda combustível para toda vivência humana. A causuística psicanalítica encontra como maior justificativa da encomenda de tratamentos os sofrimentos originados nos relacionamentos de amor ou de desamor, e comprova tal aforisma (Gomes, 2007; Lins, 2013). Afinal, alegre ou triste, já dizia Adélia Prado, amor é tudo que queremos.
Em palavras finais, fica a lembrança à legitimidade de todas as expressões de amor, a valorização à diversidade e o desejo e estima de que tenhas um feliz dia dos (as) namorados (as) e também de que um dia possas, quem sabe, afortunado, repetir Vinícius nessas palavras
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinícius de Moraes, 2009, p. 116)
Referências
BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
______. Amor Liquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.
BIRMAN, J. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
EIGUER, A. Nunca Eu sem Ti. Lisboa: Parsifal, 2013.
FREUD, S. (1914). Sobre o narcisismo: uma introdução. In: FREUD, S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. 14. Rio de Janeiro: Imago, 1990, p. 83-119.
GALEANO, E. O livro dos abraços. Porto Alegre – L&PM, 2016.
GOMES, I.C. Uma clínica específica com casais: Contribuições teóricas e técnicas. São Paulo: Escuta/Fapesp, 2007.
JUSTO, J. S. O “ficar” na adolescência e paradigmas de relacionamento amoroso na contemporaneidade. Revista do Departamento de Psicologia – UFF, 2005, v. 17, n. 1, p. 61-77.
LACAN, Jacques. (1957-1958). Livro 5: As formações do inconsciente. Rio de Janeiro, Zahar, 1999.
LINS, R. N. O Livro do Amor, Volume 2: Do Iluminismo à Atualidade), São Paulo: Best Seller, 2012.
LIPOVETSKY, G. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2004.
AFFESOLI, M. Representação e complexidade / Candido Mendes (org.);
Enrique Larreta (ed.). – Rio de Janeiro: Garamond, 2003.
Reinaldo Pereira da Cruz – Praticante da Psicanálise; Psicólogo Clínico (Unesp-Assis); Mestrando em Psicologia e Sociedade (Unesp-Assis); Agregado ao Núcleo de Psicanálise de Marília e Região - NPMR; Participante do Serviço de Orientação e Encaminhamento – SOE.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
TEXTOS PARA A PROVA
Queridos, segue links dos textos para estudar para prova de Relacionamentos Interpessoais e Terapêutica. Bons Estudos!
1. Escutatória
2. Relacionamentos Interpessoais
3. Slides
1. Escutatória
2. Relacionamentos Interpessoais
3. Slides
terça-feira, 9 de maio de 2017
MAIS UM PARA A COLEÇÃO
Por Amanda Manequini
A impunidade corrói a democracia e deixa um rastro de insegurança na sociedade. A concessão de habeas corpus, dada ao goleiro Bruno Fernandes, acusado no assassinato de Eliza Samudio, virou alvo do debate sobre a funcionalidade da democracia brasileira.
Tecnicamente falando, o regime semiaberto, ao qual ele está submetido atualmente, está preceituado na legislação. Contudo, se levarmos em conta que o tempo para progressão de seu julgamento foi exaurido, percebemos quão desamparada está a justiça. Mesmo com todo o holofote midiático voltado para o envolvimento do ex-goleiro do Flamengo no crime, o Estado não conseguiu apresentar uma decisão num tempo razoável.
A polêmica soltura foi assinada pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que assinou também a liberação de Suzane Von Richthofen (condenada por matar os pais), o que contribuiu mais ainda na discussão.
Além de uma justiça eficiente, esperava-se que o time, que atualmente está contratando o goleiro, se mostrasse preocupado com sua situação docondenado. Enquanto isso, a família da ex-modelo, observou a declaração do novo goleiro do Boa Esporte. Nela, Bruno disse friamente que uma prisão perpétua não traria a vítima de volta.
Resta à sociedade mostrar seu inconformismo, e ao Estado, o papel de estimular a denúncia de casos de violência física e psicológica contra a mulher, para que não surjam casos parecidos. A proporção que o fato tomou deveria servir de estímulo e não como mais um exemplo de impunidade para nossa coleção.
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quinta-feira, 13 de abril de 2017
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segunda-feira, 20 de março de 2017
POBRE
Hoje nasce meu filho.
Mas antes de vocês conhecerem o Murilo. Precisam me conhecer.
Então vou contar um pedacinho da minha história adulta. Só um pedacinho pra não tomar muito seu tempo.
Ano: 2001.
Chuva de balas do auge da guerra CV x ADA.
Eu, 17 para 18 anos. Preto, favelado, pobre. Raivoso feito um cão magro de rua. Teimoso, teimoso e teimoso.
Segundo grau completo em escola pública com um ano de antecedência, mas claro, nunca passaria num vestibular pra faculdade pública.
Sem dinheiro, sem emprego.
Duas saídas: escolha fácil, o tráfico de drogas! Direto, rápido, poder batendo na porta. Dinheiro sobrando pra esbanjar. Tava ali, era só querer.
Ou escolha difícil: projeto social do Governo do Estado para jovens de comunidades carentes. Ser Aux. de Serviços Gerais. Literalmente: faxineiro de órgão público.
Escolha difícil: virei faxineiro do hospital da Polícia Militar.
Enfermaria A. Varria, limpava e lavava todo o corredor, banheiros e todos os apts. No refeitório, só era permitido almoçar por último. Não iam misturar os faxineiros com os enfermeiros, médicos e policiais, né? Sabe o que acontecia? Nunca sobrava carnes. A gente tinha que comer ovo, todos os dias. Ovo frito.
Quer ouvir uma coisa triste? Eu achava que estava bom. Que era suficiente. Era o que eu merecia. Tinha um salário. Consegui comprar um tênis legal. Ajudava minha mãe nas contas de casa. Estava ótimo.
Aí… a polícia invadiu minha casa.
Seja inocente, trabalhador, honesto. Foda-se.
A regra quem faz não é você. Sua mãe no chão, seu sobrinho no chão, tiro de fuzil na sua porta.
De novo, escolha fácil: tráfico, vingança, chapa quente, guerra contras aqueles filhos da puta.
Escolha difícil: consguir um trabalho, ganhar mais e sair do morro.
Claro, escolha difícil: fui juntar dinheiro pra entrar na faculdade. Mãe foi fazer mais e mais plantões pra ajudar a pagar.
Comprei um guia do estudante, li tudo. Teimoso, quis fazer Publicidade.
Me disseram: pobre publicitário? Hahahaha…
Quis ser redator. Me dei conta: aos 22, só tinha lido 3 livros em toda a vida. Hahahahah.
6 meses de faculdade. Não consigo mais pagar.
Escolha fácil: desiste moleque.
Escolhe difícil: desiste moleque.
Ok, sem escolhas.
Mas não dizem que sempre tem escolha?
Dizem… hahahahahahah…
Sou teimoso, se é o que eles querem eu não faço.
Bora ser preto, suspeito na rua, dura da polícia toda semana, segurança de loja mandando abrir a mochila, porta de banco travando.
Mas vão se fuder que vou vencer honesto.
Meritocracia é a puta que pariu.
Oportunidade pra todos é a puta que pariu.
Não existe, chapa, tudo utopia.
Mas pobre não tem nada a perder. “Se você não tem saída, vença!” Foi o que eu fiz.
Fim do primeiro ato.
2016.
Eu, 33 anos. Preto, casa de dois andares, carro. Viagem pra NY. Redator de uma das maiores agências de publicidade do mundo. Leão em Cannes. Em print. Categoria foda. Mais de 200 livros lidos. Tatuaram uma frase minha na pele. Projeto humano com mais de 1500 kits mensais para moradores de rua. Construí uma casa pra minha mãe.
E hoje, vejo nas timelines que só se entra no crime porque quer.
Que a oportunidade está aí. Que é só querer.
Que bolsa família faz o pobre não trabalhar.
Que ajuda do governo deixa pobre mal acostumado.
Que a polícia tem que invadir a favela e dar tiro.
Com toda serenidade e conhecimento que aprendi ao longo desse tempo, lhes digo: vão tomar no meio dos seus cu!
EU SOU O CARA DA FAXINA, rapaz.
Esse aí que tirou seu lixo hoje.
E esse país só vai melhorar quando você achar certo que que eu divida a mesa do trabalho com você. Que eu frequente o mesmo shopping, faça a mesma viagem, tenha o mesmo carro que você, vá a mesma faculdade que seu filho.
Quando você me der bom dia de verdade e não automático. E agradecer que eu limpei seu café derramado no chão. E ver que eu tenho nome.
Que eu sou gente.
Que eu tenho sonhos.
Que eu fiz escolhas difíceis pra caralho pra ser um faxineiro.
Que eu não quero comer ovo, porra.
Que eu não quero ser parado na rua porque sou preto.
Antes de falar de preto, de pobre de favelado. Saibam: todos esses sou eu.
E te digo: viver no morro é uma merda. Ser pobre é uma bosta.
Porque escrevi tudo isso?
Porque hoje nasce o meu filho.
E, afinal, não era justo vocês conhecerem meu filho, se a maioria nem conhece direito o Felipe.
Mas hoje vocês vão poder saber porque eu vou olhar nos olhos dele com a certeza de que não arredei o pé da honestidade.
Não fiz concessões. Não dei um passo atrás. Não falsifiquei 1 porra de carteirinha de estudante sequer.
E fiz tudo isso só pra ele saber que é possível.
Só pra poder contar pra ele que é foda pra caralho, mas é possível.
E tudo isso feito só com motivos.
E que hoje, ele vai me dar uma razão.
Fonte: https://catracalivre.com.br/geral/urbanidade/indicacao/texto-de-publicitario-sobre-pobreza-viraliza/
FELIPE SILVA publicitário, é um dos autores de uma campanha da Natura sobre a beleza real da África. Título "Viva sua beleza, Viva".
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
SUGESTÃO DE FILME
Esta semana, ao preparar um bate-papo com os alunos de Enfermagem que vão prestar a prova do ENADE, e meus alunos do Ensino Médio que vão prestar o ENEM, conversamos sobre consumo e consumismo. De toda a reflexão que fizemos, gostaria de deixar (abaixo) algumas sugestões de filmes e documentários que possam ajudá-los a refletir sobre o tema e pensar sobre nossa postura em sociedade.
BOM DIVERTIMENTO!
A HISTÓRIA DAS COISAS
A História das coisas - De maneira simples, a animação conta a verdadeira história da produção, uso e descarte dos bens que consumimos.
SUPER SIZE ME: A DIETA DO PALHAÇO
O divertido e informativo documentário, conta a história de um aventureiro que decide, por 30 dias, só se alimentar de McDonald's. No decorrer do documentário, especialistas da área da saúde vão fornecendo dados que preocupam os países desenvolvidos: a obesidade, por exemplo. Vale a pena assistir.
CRIANÇA: A ALMA DO NEGÓCIO
O documentários produzido pelo Instituto ALANA, trata de um assunto muito importante para a nossa sociedade: o consumo voltado ao público infantil. Será que a criança é influenciada a comprar? Como a criança pode se defender de propagandas abusivas? A criança já é vista como um consumidor? Como funciona a regulação da propaganda voltada a este público? Esta e outras questões são discutidas neste documentário.
TARJA BRANCA
Brincadeira é coisa séria e não é só assunto de criança. É fazer o que se gosta, valorizar o prazer pessoal, colorir os dias. Vivemos em busca da felicidade, mas será que estamos procurando no lugar certo? Com José Simão, Antonio Nóbrega, Wandi Doratiotto e outras personalidades.
Resolvi (re)postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado? Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso. Vamos ver o resultado?
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
LIBERDADE, LIBERDADE. ABRE AS ASAS SOBRE NÓS...
OS JOVENS SÃO LIVRES OU DETERMINADOS?
Por Paula Carneiro
Nem sempre agimos conforme nossas vontades. Não podemos voar, correr na velocidade do som, porque temos limitações. Essas são limitações naturais, mas existem outras criadas pela sociedade. O filosofo francês Hippolyte Taine (1828-1893) chamava a atenção, já no século XIX, para o fato de sermos herdeiros diretos de uma raça, de um meio físico e cultural e do tempo histórico.
As leis culturais existem e devemos conviver com elas através da inteligência, da criatividade. O ser humano aproveitou desafios e determinismos das leis naturais para criar maneiras de viver e desenvolveu objetos que aumentaram seu poder de ação como automóvel, avião, máquina.
Isso faz o ser humano sentir-se mais auto determinado, com segurança, sentir-se livre por ser capaz de pensar e decidir por si mesmo dentro de uma sociedade. Com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a palavra liberdade deixou de significar apenas cumprimento de leis e ganhou status de direito do cidadão.
O cidadão deve exercer todas as suas capacidades inclusive a de escolher entre diferentes opções possíveis para resolver um problema. Nesse sentido é importante chamar a atenção para o processo ensino aprendizagem, responsável direto pelo desenvolvimento da capacidade de escolher, de estimular a criatividade, de possibilitar um pensar que propicie uma vida digna ao cidadão.
Jacques Delors (1988) coordenador do “Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o séc.XXI”, no livro Educação: um tesouro a descobrir, aponta como principal consequência da sociedade do conhecimento, a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda a vida e fundada em quatro pilares, pilares da formação continuada e do conhecimento.
Nossos jovens devem ser capazes de aprender a conhecer, aprender a fazer aprender a viver juntos, aprender a ser, aprender, aprender, aprender.
Ensinar a escolher constitui uma tarefa importante da educação, norteada por professores conscientes de que seus métodos estão realmente fundamentados em uma proposta cognitiva para uma educação direcionada ao aprender.
Sem dúvida, a educação é uma âncora para a construção da identidade de nossos jovens.
Paula Carneiro - É professora, Coach Educacional e Gestora
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
QUEM SOU EU?
Por Julio César Gonçalves
John Joseph Powell, em seu livro Arrancar máscaras, abandonar papeis, disse: "A viagem mais longa que podemos fazer é a viagem para dentro de si". Em sua afirmação quis mostrar o que muitos filósofos, no transcorrer dos anos tentaram responder e que é considerada uma das principais questões ontológicas: QUEM SOU EU?
A resposta a esta questão é muito complexa, devido a natureza de seu sujeito de estudo (o ser humano), ser tão complexa e indefinível. O que não significa que devemos abrir mão de tentar respondê-la.
No último sábado (15/10), um grupo de estudantes caminharam alguns passos em direção à descoberta de si mesmos, nesta longa viagem. Participaram da primeira etapa do curso "Formação Humana - Gerenciando Personalidades", onde puderam entrar em contato com estudos de personalidades humanas que remontam mais de dois mil anos e, ainda assim, são atuais e auxiliam-nos no autoconhecimento e na gestão de conflitos na vida cotidiana.
O curso de extensão foi ministrado por mim e teve duração de 12h, incluindo os testes de padrões tipológicos.
Parabéns a todos que se lançaram neste intrigante desafio!!!
sábado, 8 de outubro de 2016
CURSO DE FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO HUMANO
Fala meus queridos, td bem?
Hoje estou passando por aqui para informá-los que vou passar um curso de Formação e Desenvolvimento Humano, com técnicas para a auto avaliação e ferramentas que auxiliam a integração e a gestão de pessoas. O curso tem vagas limitadas e estou disponibilizando algumas fichas de inscrição para os leitores do Blog. Mas serão apenas para os primeiros que entrarem em contato comigo preenchendo a ficha de interesse até quinta-feira (13/10).
Hoje estou passando por aqui para informá-los que vou passar um curso de Formação e Desenvolvimento Humano, com técnicas para a auto avaliação e ferramentas que auxiliam a integração e a gestão de pessoas. O curso tem vagas limitadas e estou disponibilizando algumas fichas de inscrição para os leitores do Blog. Mas serão apenas para os primeiros que entrarem em contato comigo preenchendo a ficha de interesse até quinta-feira (13/10).
O curso acontecerá no dia 15 de Outubro aqui em Prudente, com início as 7h30 e término às 17h30. O valor do investimento é de R$50,00.
Abraço a todos.
Abraço a todos.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
GANHEI NA LOTERIA DA VIDA
Por Carolina Mussolini
Na última quinta-feira, 24 de setembro, o editorial do jornal O Imparcial, veículo impresso de Presidente Prudente, interior de São Paulo discutiu a doação de órgãos. No texto eles afirmam que as pessoas realizam a doação por “ato de amor”.
Hoje, 27 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Doador de Órgãos e eu posso dizer que ganhei na loteria, na loteria da vida. Diferente do que você pode estar pensando eu não precisei de um órgão, eu doei, e para mim foi a sensação de ganhar na “Mega da Virada”.
Ganhar um bilhete na loteria hoje é uma sorte para poucos, e eu ter sido compatível com uma pessoa que necessitava de uma medula foi uma realização.
A compatibilidade de medula ocorre em uma média de 1 para 100 mil. E ainda mais, a combinação de genes entre doador e paciente deve ser entre 90 a 100%, ou seja, muito raro.
Minha doação ocorreu há dois anos. Minha medula hoje está no corpo de alguém que não conheço, não sei o nome e nem onde vive. O sentimento que tenho hoje é alegria, amor, gratidão, pois para mim quem tirou a sorte grande fui eu. Saber que meu órgão pôde proporcionar a saúde e quem sabe a vida a outra pessoa, é indescritível.
Agora, considero que esta pessoa que recebeu minha medula é um filho que Deus colocou em meu caminho ou eu no caminho dele. Como disse, não sei quem é, só espero que esteja com saúde e vivendo feliz, porque eu me sinto plenamente grata por ter tido esta oportunidade.
CAROLINA MUSSOLINI é jornalista, coach de comunicação e professora universitária. Também é uma colaboradora do nosso Blog.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
UMA GERAÇÃO DE BOBOS QUE SE ACHA ESPERTA

Por Ícaro de Carvalho
Veja como o nosso ambiente de trabalho é divertido. Te pagaremos mal e não respeitaremos a sua hora de almoço. Hora-extra? Nem pensar! Whatsapp depois do trabalho? Com certeza, afinal de contas, você ainda não tem filhos! Ah, mas te daremos kit kat e café expresso de graça!
O que diabos aconteceu com a GERAÇÃO Y?!
Um texto sobre liberdade, responsabilidades e as misérias de uma geração que está se perdendo no meio do caminho.
Na semana passada eu ouvi de um garoto, ainda na faculdade, o seguinte depoimento:
“Seu texto sobre a subserviência das empresas em relação ao cliente deveria ser pregado na porta de entrada de todas as empresas do país, nas salas de reuniões e ser repetido como mantra em palestras de empreendedorismo para todos os empresários do Brasil. As agências de publicidade, especificamente, estão atingindo um nível de servidão pior do que pastelaria. Na pastelaria ninguém fica acelerando o pasteleiro. Ninguém manda e-mail para o pasteleiro mandando ele entregar o pastel na mesa dele até as 9h da manhã. Para o pasteleiro, quanto mais horas ele trabalhar, mais ele vai ganhar. Falar em hora extra em publicidade só vai fazer as pessoas rirem. Enfim, desculpa o desabafo”.
Somos uma geração de bobos que se acha esperta. Nossos pais davam duro, saiam de casa cedo, trabalhavam como doidos, indo e vindo do centro da cidade, em cartórios, lotéricas e visitas bancárias, muitas vezes em carros sem ar-condicionado, mas ganhavam bem o suficiente para sustentarem uma família com três filhos, carro, cachorro e ainda levavam todos para comerem churrasco aos domingos.
A geração de hoje se deixa enganar pela falsa sensação de divertimento, que nunca tem fim. Transformaram o ambiente de trabalho em um circo, para que você ouça: “Ei, mas aqui é divertido! Dane-se se não te pagamos horas-extra ou se te colocamos para trabalhar por toda a madrugada em troca de pizza. Aqui você pode trabalhar com boné!”.
Quando nossos pais estavam em casa, eles estavam em casa mesmo! Dane-se que o trabalho tinha sido duro, após as 18:00 eles sentavam naquele sofá da Mesbla, abriam a primeira Antártica da noite e era a hora do futebol. Qual foi a última vez que você esteve realmente desconectado do seu trabalho? Você tenta se convencer de que aquele Whatsapp do cliente às 00:00 não é nada demais, que é coisa pequena, que“pega mal” não responder. E aquele inbox no Facebook às 1:35 da manhã?“Ah, eu já estou aqui mesmo, né. Agora ele já viu que eu visualizei…”.
Provavelmente você caiu no mito dohome-office libertador, que te faz perceber, anos depois, que ele só foi capaz de te “libertar” do horário comercial. “Ah, mas você trabalha em casa!” — pronto, é sinal de que receberá demandas ou mensagens a qualquer hora da madrugada.
Provavelmente você ainda não se ligou, mas você produz dezenas de vezes a mais do que o seu pai ou os seus tios conseguiam. Antes, para atender um cliente, você precisava ir na loja ou na casa dele, lá na puta que o pariu. Hoje? Skype. Antes, era FAX ou mandar documentos pelos correios. Hoje? E-mail. Antes, você estava limitado à sua cidade. Hoje? Internet, meu filho!
Entretanto, quanto é que você está ganhando? Acorde para a vida! Agências com mesa de sinuca, totó, chocolates à vontade, cafezinho expresso, pula-pula e vídeo-games significam apenas que você está pagando por tudo aquilo e que o seu salário, ao final do mês, sentirá a pancada.
“Tudo bem, porque eu amo o que eu faço!”.
Na semana retrasada eu ouvi isso. Estava contratando os serviços de umaSTART-UP de tecnologia para um dos meus negócios e havia esquecido de perguntar alguma coisa. Já eram 23:00 horas. Fui ao Skype, me certifiquei de que a menina do suporte estavaOFFLINE e deixei uma mensagem. Poderia ter feito isso pelo Facebook, mas eu sabia que iria apitar lá na casa dela e não queria esse tipo de coisa, ainda mais naquele horário. Enfim, enviei a mensagem e deixei escrito: “Só me responda quando chegar ao escritório!”.
Faltando quinze minutos para uma da manhã, a menina me responde, pelo Facebook. Eu digo: “O que você está fazendo aqui? Te deixei uma mensagem no Skype! Vá dormir, namorar ou assistir aquelas séries no Netflix!” e ela me disse:“Ah, é que eu entrei no meu skype só para ver se estava tudo bem com os clientes. Vi a sua mensagem e retornei. Não custa nada, nem se preocupe. Eu amo o que faço. Rs”.
Eu amo o que faço…erre esse. À uma da manhã de terça feira. Com o teu chefe te pagando, provavelmente, entre dois mil e quinhentos a três mil reais para isso…e somos nós quem somos a geração dos “desapegados, que querem viver a vida”.
Estamos nos tornando uma geração de trintões cujas preocupações são os próximos shows do Artic Monkeys, a cerveja gourmet da moda e a próxima temporada de House of Cards. Uma geração sem filhos, que foge das responsabilidades, se iludindo com a ideia de que o seu chefe é seu amigo e que por isso você “quebra alguns galhos para ele”.
Ouvimos de todo tipo de especialista, que somos a geração livre por excelência, que preza pela mobilidade e pela qualidade no ambiente de trabalho, mas de alguma forma nós erramos o caminho e nos tornamos aquele tipo de gente que fica conversando com o cliente às 20:00 horas, enquanto janta com a mulher. E nos achamos o máximo, quando batemos o pé: “Ai, que saco, o meu chefe não me deixa em paz!”. Que corajoso!
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
DESAFIOS EDUCACIONAIS PARA O SÉCULO XXI
Aluno amadurecido para buscar soluções
Por Paula Carneiro
Uma das metas educacionais do séc. XXI é que o aluno seja capaz de exercer através do seu conhecimento, sua capacidade de escolher entre diferentes opções possíveis para resolver um problema, desenvolvendo assim a habilidade de aprender a aprender.
A formação ética torna-se então, um requisito central para a formação do cidadão. Formar um cidadão com responsabilidade implica em aprender e aceitar que temos uma história comum, valores comuns e um destino comum e segundo o grande educador Paulo Freire, que compreendeu que a teoria é inútil sem a prática, “ninguém educa ninguém. As pessoas se educam entre si, mediatizadas pelo mundo”. O grande projeto de Paulo Freire era “FORMAR PARA TRANSFORMAR”.
Para atingirmos a meta educacional do séc. XXI educadores precisam reavaliar alguns pontos, já que estamos saindo de um processo educativo, onde os modelos pedagógicos e epistemológicos estavam centrados na fala do professor, na qual o professor apenas transmitia para o aluno seu conhecimento, sendo essa uma visão empírica do conhecimento.
Esse comportamento nos retrata ao final da idade média, quando o modelo educativo idealizado pelos jesuítas se transforma em referência pedagógica. Eram aulas cujos objetivos eram manter a ordem da sala e modelar a moral do estudante.
Então como podemos formar um cidadão para atuar no séc. XXI e assim atingir a meta educacional desse século?
Precisamos ressignificar o processo de construção de conceitos pelos sujeitos aprendentes o professor deve estar aberto ao diálogo em sala de aula, ao confronto de idéias, a criar situações que valorizem as experiências de alunos e os aproximem da realidade dando um verdadeiro significado à aprendizagem.
Os estudantes precisam antes de tudo serem desafiados e só atividades práticas e equivalentes à realidade os levarão a construir pontes que os obrigará a envolverem-se em um esforço de compreensão e atuação. A meta educacional do séc. XXI é levar o indivíduo a produzir conhecimento, desenvolver valores e atitudes.
Para Morin, somos cidadãos Planetários e a educação do futuro deve ter como prioridades saberes que deverão estimular os educadores a “saírem do armário” e irem à luta para que as próximas gerações tenham garantia de um mundo belo e sustentável. Assim uma das vocações essenciais da educação do futuro serão o exame e o estudo da complexidade humana que conduziria à tomada de conhecimento, por conseguinte, de consciência da condição comum a todos os humanos e da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas sobre nosso enraizamento como cidadãos da Terra.
O professor é o grande responsável por conseguir fazer esse aluno corresponder a uma proposta tão necessária nesse mundo globalizado e ele deve ser capaz de despertar a consciência crítica do aluno através de sua epistemologia muito bem adequada e direcionada para esse propósito.
PAULA CARNEIRO é professora, coordenadora de escola e coach educacional. Também é colaboradora do nosso blog.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
QUANTO MAIS SOBE O PREÇO DOS ALIMENTOS MAIS VAZIO FICA O PRATO
Por Helena Cararo
De repente o brasileiro se deu conta de que está difícil se alimentar com o básico. Sempre se ouviu dizer que era preciso comer com qualidade e variedade: um prato colorido é a melhor opção dizem os nutricionistas. Mas o arroz com feijão sempre foi a paixão nacional.
Infelizmente todos estão sentindo o gosto ardido na hora de ir às compras, os principais alimentos da mesa dos brasileiros estão cada dia mais caro. Feijão vale ouro e a história virou meme nas redes sociais. Mas a realidade não é de dar risada e sim de chorar, o preço do leite duplicou e quem mais sofre com o aumento de tudo é sempre os mais pobres. São aqueles que já iam ao supermercado com o dinheiro da compra contado ou com o cartão do ticket sempre com o mesmo valor.
Infelizmente todos estão sentindo o gosto ardido na hora de ir às compras, os principais alimentos da mesa dos brasileiros estão cada dia mais caro. Feijão vale ouro e a história virou meme nas redes sociais. Mas a realidade não é de dar risada e sim de chorar, o preço do leite duplicou e quem mais sofre com o aumento de tudo é sempre os mais pobres. São aqueles que já iam ao supermercado com o dinheiro da compra contado ou com o cartão do ticket sempre com o mesmo valor.
No carrinho só era colocado o essencial, agora até isso está sendo cortado ou substituído por produtos inferiores. É difícil trabalhar o mês inteiro faça sol, faça chuva e ter o principal direito usurpado. Alimentar-se com dignidade deveria ser a prioridade de todo governante. E não é só por causa do arroz, do feijão e do leite, tudo está em alta: preço dos alimentos, da gasolina, do desemprego. Se com o mesmo valor já não se compra os mesmos alimentos de antes, imagina quando a renda da família é drasticamente cortada. Muitas pessoas perdendo o emprego, empresas fechando, falindo.E para quem gritar? A quem recorrer? Como viver?
Se o problema é falta de chuva o jeito é gritar a São Pedro que mande-a. Mas e quando a alta de alguns alimentos é devido a muita chuva ou muito frio ou muito calor?
Sempre haverá uma desculpa, mas quando chegará a solução?
segunda-feira, 27 de junho de 2016
INVERSÃO DE VALORES TEM PROPICIADO PAIXÃO PELO CONSUMO
Publicidade vende a alegria da inserção na sociedade
Por Heloísa Duran
Todos os dias a cena se repete, não há nada de novo, ao voltar da escola, a criança larga a mochila no chão e em seguida liga a TV. Sem nenhum esforço mental e de forma totalmente passiva, absorve o conteúdo dos programas e comerciais publicitários. Bastam 30 segundos, para que esta criança esteja convencida de que será mais feliz se fizer parte do fantástico mundo dos personagens.


De acordo com o Doutor em ciência da comunicação, Clovis de Barros Filho, no documentário, “criança a alma do negocio”, ao se expor aos conteúdos midiáticos a criança desenvolve a idéia de que, o consumo representa uma possibilidade de inserção social em determinados grupos: “A publicidade vende, evidentemente, mais do que alegria da posse, ela promove a alegria da inscrição na sociedade”.
A criança é um ser humano em construção, isso significa que ela está apta a absorver todo o conteúdo ao que for exposta. É na infância que os pequenos passam pelo processo de estruturação e precisam de amparo em seu desenvolvimento.
Ao comprar a ideia de valores expressada pelas propagandas, a criança que ainda não tem amadurecimento suficiente para distinguir os valores sociais humanos dos valores estabelecidos pela imagem midiática, passa a acreditar e viver em função de que é necessário aquele bem para promover sua alegria e até mesmo para que ela seja como as crianças que tem, e assim sintam-se aceitas.
E com a certeza de que precisa ter determinado produto que é representado por personagens animados da telinha, a criança que de forma passiva em apenas 30 segundos se convenceu disso, passa de forma ativa e muitas vezes até autoritária, ou quando não com uso da chantagem a requerer dos pais a posse do produto em questão.
A necessidade deixa de ser uma inevitabilidade e passa a ser agente promotora do desejo pela marca. A criança não pede um tênis qualquer, mas um tênis de determinada marca; ela não quer um celular qualquer, mas aquele de última geração.
No século da fadiga, onde nem sempre a mãe, por exemplo, pode dispor de tempo de qualidade para investir na formação do caráter de seus filhos, a mídia o faz por elas. Segundo dados do IBOPE, as crianças brasileiras passam em média 5 horas diárias em frente da TV e assistem aproximadamente 40 mil propagandas em um ano.
A grande questão é que, a maior parte dos valores sociais e posse dos bens no Brasil, por exemplo, possuem valores invertidos. O grande poder aquisitivo concentra-se nas mãos de poucos, o que antes era ético, aos poucos se torna imoral, pensar no próximo parece ser atitude egoísta dentro da sociedade do espetáculo. Para ser legal tem que chamar atenção do outro, encher os olhos de quem vê. Ser aplaudido.
No meio desses valores e verdades criadas pela mídia, para satisfazer a necessidade de uma sociedade que parece não se saciar mais com o comum, o
rotineiro, a publicidade e o marketing, na busca do poder pela posse, por ganhar mais, vender mais, utiliza-se da criança como ferramenta para atrair famílias que muitas vezes não tem nem o suficiente para uma alimentação ou educação de qualidade, mas que para alegrar seus filhos, e amenizar a sensação e exclusão social investem do pouco que tem todo o recurso disponível na compra de bens que aparentam suprir seus pequenos.
No documentário “Criança, a alma do negócio”, uma mãe desabafa dizendo que, satisfazer o desejo dos filhos é na verdade satisfazer de forma impulsionada a gana da mídia na corrida para atrair mais consumidores. O sacrifício financeiro que significou muito para a família, o presente de natal que custou caro, mas sem valor nenhum. “Um robô, que a criança abandonou logo em seguida, depois de brincar com ele três ou quatro dias”. A mãe alega ter entrado o ano sem dinheiro só para satisfazer o desejo da filha, o que caracteriza o assédio crescente das crianças aos pais.
A nova fórmula consumista impresso na sociedade ensina as crianças de que facilmente o velho, que na maioria das vezes não é velho, pode ser trocado pelo novo. O que vale mesmo é ter o que a televisão mostra. Essa realidade acena para o consumo descartável, em que a expectativa da aquisição é mais intensamente vivida do que a própria posse do produto.
A infância divide seu palco entre, a companhia dos pais, que cada vez trabalha mais a fim de dar conta de suprir a necessidade da família, e a escola que educa e em contrapartida quem tem conquistado mesmo o brilho nos olhos dos pequenos é a TV, que através de mecanismos tem ganho lugar de destaque,
ensinado a visão midiática de valores consumistas, deseducando as crianças e desapontado famílias que não podem aderir o que a TV oferta mas que também não tem forças para ir contra.
É necessário analisar qual é a influência de tal exposição na subjetividade e formação da criança. Onde vamos parar? É preciso que as famílias tomem as rédeas da situação, afinal quem governa minha casa? A resposta para essa pergunta é a bússola para um novo norte diante desse cenário degradante, a alma da criança deve ser suprida por valores sociais humanos e não se pode confundir o
sentido da vida e da felicidade com consumismo.
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