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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SUGESTÃO DE FILME

Esta semana, ao preparar um bate-papo com os alunos de Enfermagem que vão prestar a prova do ENADE, e meus alunos do Ensino Médio que vão prestar o ENEM, conversamos sobre consumo e consumismo. De toda a reflexão que fizemos, gostaria de deixar (abaixo) algumas sugestões de filmes e documentários que possam ajudá-los a refletir sobre o tema e pensar sobre nossa postura em sociedade.
BOM DIVERTIMENTO!

A HISTÓRIA DAS COISAS
A História das coisas - De maneira simples, a animação conta a verdadeira história da produção, uso e descarte dos bens que consumimos.

SUPER SIZE ME: A DIETA DO PALHAÇO
O divertido e informativo documentário, conta a história de um aventureiro que decide, por 30 dias, só se alimentar de McDonald's. No decorrer do documentário, especialistas da área da saúde vão fornecendo dados que preocupam os países desenvolvidos: a obesidade, por exemplo. Vale a pena assistir.

CRIANÇA: A ALMA DO NEGÓCIO
O documentários produzido pelo Instituto ALANA, trata de um assunto muito importante para a nossa sociedade: o consumo voltado ao público infantil. Será que a criança é influenciada a comprar? Como a criança pode se defender de propagandas abusivas? A criança já é vista como um consumidor? Como funciona a regulação da propaganda voltada a este público? Esta e outras questões são discutidas neste documentário.


TARJA BRANCA

Brincadeira é coisa séria e não é só assunto de criança. É fazer o que se gosta, valorizar o prazer pessoal, colorir os dias. Vivemos em busca da felicidade, mas será que estamos procurando no lugar certo? Com José Simão, Antonio Nóbrega, Wandi Doratiotto e outras personalidades.


Resolvi (re)postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado? Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso. Vamos ver o resultado?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

LIBERDADE, LIBERDADE. ABRE AS ASAS SOBRE NÓS...


OS JOVENS SÃO LIVRES OU DETERMINADOS?
Por Paula Carneiro

Nem sempre agimos conforme nossas vontades. Não podemos voar, correr na velocidade do som, porque temos limitações. Essas são limitações naturais, mas existem outras criadas pela sociedade. O filosofo francês Hippolyte Taine (1828-1893) chamava a atenção, já no século XIX, para o fato de sermos herdeiros diretos de uma raça, de um meio físico e cultural e do tempo histórico.
As leis culturais existem e devemos conviver com elas através da inteligência, da criatividade. O ser humano aproveitou desafios e determinismos das leis naturais para criar maneiras de viver e desenvolveu objetos que aumentaram seu poder de ação como automóvel, avião, máquina.
Isso faz o ser humano sentir-se mais auto determinado, com segurança, sentir-se livre por ser capaz de pensar e decidir por si mesmo dentro de uma sociedade. Com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a palavra liberdade deixou de significar apenas cumprimento de leis e ganhou status de direito do cidadão.
O cidadão deve exercer todas as suas capacidades inclusive a de escolher entre diferentes opções possíveis para resolver um problema. Nesse sentido é importante chamar a atenção para o processo ensino aprendizagem, responsável direto pelo desenvolvimento da capacidade de escolher, de estimular a criatividade, de possibilitar um pensar que propicie uma vida digna ao cidadão.
Jacques Delors (1988) coordenador do “Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o séc.XXI”, no livro Educação: um tesouro a descobrir, aponta como principal consequência da sociedade do conhecimento, a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda a vida e fundada em quatro pilares, pilares da formação continuada e do conhecimento.
Nossos jovens devem ser capazes de aprender a conhecer, aprender a fazer aprender a viver juntos, aprender a ser, aprender, aprender, aprender.
Ensinar a escolher constitui uma tarefa importante da educação, norteada por professores conscientes de que seus métodos estão realmente fundamentados em uma proposta cognitiva para uma educação direcionada ao aprender.
Sem dúvida, a educação é uma âncora para a construção da identidade de nossos jovens.


Paula Carneiro -  É professora, Coach Educacional e Gestora

domingo, 27 de março de 2016

ATEU, AGNÓSTICO, FILÓSOFO, CRENTES...


Por Julio César Gonçalves
Estamos (nós cristãos) ainda vivenciando a celebração da Páscoa. A festa maior para o catolicismo. Entretanto, para provocar uma reflexão (e não polêmicas - uma vez que polêmica não tem lugar na filosofia, senão o diálogo e o debate), resolvi postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado?
Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso.
Vamos ver o resultado?





segunda-feira, 21 de março de 2016

NASCEMOS DUAS VEZES



Por Julio César Gonçalves

Aristóteles afirmou certa vez: "O homem é um animal político", um animal social. Evidentemente que ele se referia à natureza coletiva dos seres humanos.
Nós não nascemos para viver isolados, não somos ilhas. Somos arquipélagos.
Desde os primórdios da vida humana o homem se organizou em agrupamentos, mais ou menos vinculados afetivamente. Uma das primeiras formas de associação foi o clã. A primeira família. Aliás, é na família que se busca os elementos-chave para a compreensão da sociedade: as relações interpessoais, o sentimento de pertença, objetivos focados e comuns, dependência mútua compartilhada etc. Depois vieram as tribos, as aldeias (ou genos) e só depois as sociedades complexas.
Ora, nascemos, vivemos e morreremos sempre aptos a CONVIVER, a estar em comunidade, e, conviver é diferente de viver  - não apenas por uma questão de conceito e etimologia -, mas porque estão ligadas à coisas distintas.
Quem vive? Ora, nós vivemos. Nós quem? Nós seres humanos. Mas somente seres humanos vivem? Não... Todo ser vivo vive. Parece óbvia tal resposta.
O que caracteriza a vida em um ser vivo são o conjunto de atributos biológicos presentes em sua constituição. Respirar, movimentar-se, desenvolver-se, reproduzir, envelhecer, morrer. Sob estes aspectos (biológicos), somos tão vivos quanto uma bactéria. Entretanto, quando falamos de convivência, falamos de atributos tipicamente humanos. A própria acepção da palavra já deduz: CONVIVER = VIVER COM o outro. Conviver é ensinar e aprender, é ajudar e ser ajudado, é se tornar melhor com outras experiências compartilhadas. Conviver é ser melhor a cada dia. Nisso nos diferenciamos dos outros seres vivos, porque não são aspectos apenas biológicos de que somos feitos, mas também sociais. 
Então quer dizer que os animais não convivem entre si? Do ponto de vista sociológico não. Essa é uma realidade tipicamente humana. Os animais podem viver em bandos e expressar certas reações muito semelhantes às que apresentamos na convivência diária, entretanto, eles não têm algo que é extremamente importante para caracterizar a convivência: a consciência. Outros seres vivos não agem movidos pela decisão livre e consciente. Agem por impulso, por instintivo. Os animais e plantas se alimentam pelo instinto da fome, por exemplo, nós, além dos instintos, nos alimentamos por outras motivações (ansiedade, gula, para não fazer "disfeita"). Os animais se relacionam sexualmente e se reproduzem para manter a espécie, nós, além deste motivo, nos relacionamos por carências, por prazer, por vingança, por amor. Fazemos controle de natalidade, criamos métodos contraceptivos, abortamos.
Portanto, é-nos evidente que temos duas naturezas. Podemos dizer até que sofremos dois partos: um natural e, portanto, biológico; e, outro social, porque nascemos para a cultura, para os costumes, para o mundo que nos rodeia.

terça-feira, 8 de março de 2016

SENTIDOS

"Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro", diz a sabedoria popular. Eu posso dizer que tenho alguns tesouros que estão espalhados por esse mundão de meu Deus (nem sempre a vida nos faz ficar perto daqueles que amamos). Hoje, mexendo nos meus arquivos publicados, me deparei com um poema filosófico escrito pelo meu amigo  e filósofo Alessandro (o San) e que publiquei no blog em 2010. Bateu a saudade... Então resolvi republicá-lo. E viva a amizade! 

Por Alessandro Pascoal de Brito



Escondeu a sua perfeição em formas tão simples, desprovida de qualquer cuidado e atenção. Não que não mereçam maior atenção, mas por sua simplicidade e fragilidade quase não são notadas. Os olhos se encantam mais com o extraordinário, com o espetáculo e com o brilho. Aos poucos os sentidos nos educam, na busca do bem e do belo. Eles foram atrofiando-se na nossa dura sensação de certeza. A certeza e a dúvida são sentimentos que dão aos sentidos movimento de segurança e insegurança, passos firmes e pernas bambas. O que resta, então, senão bradar a todos: "Ouçam, vocês estão voltando a vossa atenção ao que passa e deixando o que não passa! Cuidado! Um pouco mais de Atenção! A vida precisa de vocês, vocês que estão perdendo o sentido dos seus sentidos!


ALESSANDRO PASCOAL DE BRITO é filósofo e professor de Filosofia e colaborou com esta postagem em nosso blog.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

QUEM? EU?


Por Marina Melz

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve, por todos esses anos, a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê.
Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior. 

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. 


Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. 
Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem. Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social.
Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar. Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.


MARINA MELZ - é jornalista e trabalha com assessoria de imprensa. Escreve no blog entendaoshomens.com.br e colaborou com essa postagem em nosso blog.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"E AGORA JOSÉ ???"

Por Julio César Gonçalves

Por que ainda me surpreendo com o ser humano e com suas formas brutais e selvagem de resolver as coisas? Hoje me deparei com mais uma atitude dessas (travestida na forma de pesquisa). "50% dos brasileiros acham que 'bandido bom é bandido morto"', "Segundo a pesquisa, 65% das pessoas mais velhas, com 60 anos ou mais, concordam com a morte de criminosos e 30%, não", diziam as manchetes dos principais jornais de hoje. Asserções como estas e muitas outras, revelaram o perfil de alguns brasileiros de hoje, de acordo com pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Muitas questões, nesse e em outros casos, estão em jogo e que eu não gostaria de discutir neste post em específico (guardo a oportunidade para um outro que já está sendo gerado em minhas inconformidades), mas uma em especial gostaria de trazer à baila para nossa reflexão: o anestesiamento das nossas emoções e sentimentos diante das inúmeras atrocidades que o "mundo" tem nos oferecido (Platão que o diga). Encontrei um texto que reflete justamente essa notícia e que me surpreendeu pela linguagem com que foi escrito e pelo teor altamente retórico e verdadeiro com que trouxe seu conteúdo. O texto é de autoria desconhecida, mas vale à pena a leitura, peço licensa de publicá-lo na íntegra.


"Jesus passou a vida arrumando treta por questões sociais. Defendeu assassino, ladrão, puta, pobre e leproso. Juntou uma galera pra defender a causa. Começou a fazer barulho. Conquistou o desafeto da classe média e da elite (ponto pro cara).
Considerado subversivo, foi preso pelo Império. A classe média pedia pena de morte, mas o crime não a justificava. Pôncio Pilatos jogou o B.O. pra Herodes. Herodes se ligou na mesma coisa e devolveu o B.O.
Pilatos deixou pra galera decidir. Bem pensado, porque desde aquele tempo, o povo já tava cheio de dateninha linchador.
O cara foi executado ouvindo piadinha de justiceiro. E não foi morto "entre" bandidos. Foi executado pelo Estado COMO bandido - subversivo, que de fato era. Enfim, o messias cristão foi um sujeito engajado em questões sociais, executado como bandido pelo Estado sob os aplausos dos justiceiros.
Então, Jesus, se você estiver lendo isso e pensando em voltar, fica esperto. Essa 'gente de bem' de hoje em dia vai te matar de novo enquanto come bacalhau e ovo de Páscoa".

domingo, 13 de setembro de 2015

HOJE


Por Marcela Pacheco

É PRECISO SABER VIVER...
"A vida é o que acontece enquanto você está fazendo outros planos", já dizia John Lennon.
Por esses dias, me vi parada, novamente, nesse incrível dilema existencial de como é difícil estar no presente, viver no único lugar onde se é possível fazer a diferença - o hoje. Não que a possibilidade de construir, sonhar, deva ser extraída de nós, não! Creio que isso é algo inerente ao homem, tornando impossível essa separação, porém, vejo com muita frequência como perdemos oportunidades únicas pelo simples fato de não saber viver, de estarmos acostumados com o acaso de simplesmente existir, e existir em um mundo tão vasto, e tão cheio de possibilidades, é uma total afronta ao dom da vida.
Viver o presente é, de fato, um grande presente que se renova todos os dias, é como se a cada despertar, tudo se fizesse novo, e de novo!
Com uma mente incontrolável, que está sempre em busca de respostas (mesmo com a consciência que nem sempre as terá), confesso que volta e meia me pergunto de onde vem tamanha dificuldade, e pude perceber que viver a realidade, muitas vezes dura, é um fardo sem tamanho para nós, por isso, a todo tempo buscamos válvulas de escape, meios para fugir daquilo que PRECISAMOS enfrentar (a famosa cruz), porém, mais uma vez, esquecemos que com tudo isso sempre retornaremos a estaca zero, ou seja, estamos com a mente lá, enquanto a vida está aqui, gerando o tão temido ciclo vicioso.

Eu até gostaria de terminar essa reflexão com uma resposta mágica, uma solução jamais vista antes, perdão se frustrei todas as expectativas, mas a resposta pode ser mais simples do que imaginamos... viver a realidade! Você não pode mudar uma realidade inexistente. Assim como minha resposta, a vida não acontece em um passe de mágica, ela precisa ser vivida, senão corre o risco de perder sua utilidade, pois, a vida foi feita pra ser vivida. O mais sensato e coerente é aceitar sua condição atual, e dar passos para melhorar isso que te impede, e me impede de seguir decididamente.


MARCELA PACHECO é jornalista e colaboradora do nosso blog

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

NUVEM DE DÚVIDAS


Por carolina Mussolini

Vivemos em meio a tanta informação que parece mais que estamos imersos em uma nuvem constante de dúvidas. O que será melhor para nossa vida, o que será melhor para nossa família, para nossa carreira... e até os mais decididos sempre tem algo que os faz questionar.
A dúvida é predominante em todo tempo, pois somos confrontados a escolhas, mesmo que mínimas a todo o momento. Seja qual roupa escolher, qual sabor da pizza, qual profissão seguir ou se é o momento ideal de mudar de carreira.
Mas a grande situação é que ficamos, muitas vezes, dentro da “nuvem”, mergulhados nas dúvidas e sem decidir que caminho tomar. O volume de alternativas é tamanho que permanecer na dúvida parece, pelo menos momentaneamente, mais confortável. Mas isso, pode ser um erro, pois o medo ou o conforto, faz a pessoa não arriscar e permanecer, ali eternamente. E as dúvidas continuam, somente em sua cabeça.
E o que eram apenas dúvidas, se tornaram sonhos, mas não lembranças, pois não foram realizadas, devido ao medo de sair da tal “zona de conforto”. Aristóteles dizia que o ignorante afirma, o sábio duvida e o sensato reflete. Então, será que não está na hora de refletirmos nossa atuação na sociedade?

CAROLINA MUSSOLINI é jornalista, assessora de imprensa e professora. Também, colaboradora do nosso blog.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

NADA DO QUE FOI SERÁ IGUAL OU DO JEITO QUE JÁ FOI UM DIA


Por Julio César Gonçalves

Estamos vivendo uma crise na ética atualmente. O que isso significa? Significa que nossa sociedade vem passando por transformações em seu arcabouço moral, de modo que muitas mudanças podem ser percebidas e sentidas diariamente.
Nossos valores estão se transformando e, por consequência, causando tal sensação. O que era, não é mais (ou está deixando de sê-lo) e, substituído por novos valores que ainda não foram assimilados. Completamente pela sociedade.
Estamos no meio dessas mudanças. Exatamente no meio... O passado ainda não passou completamente e o futuro ja chegou, porém, não plenamente (daí a sensação de que o certo é o errado e vice-versa).
Um exemplo claro desta fase crítica que vivemos é a ruptura das sólidas instituições tradicionais de nossa sociedade, tais como: a família, a religião, a economia, a justiça entre outras.
Na família percebemos nitidamente uma reconfiguração estrutural, reflexo da emancipação da mulher, da dissolução dos casamentos (divórcio), da diminuição ou ausência total do número de de filhos, união homoafetiva etc.
A crença também passa por tais reconfigurações quando, para muitos, já não dá conta de responder os conflitos subjetivos de outrora. Do mesmo modo, o sistema judiciário, altamente burocratizado e falho (quando não, contraditório). As crises econômicas globais que nos afeta a todos, uma vez que não somos mais uma ilha isolada das outras ilhas (países desenvolvidos).
Enfim, esta caótica situação nos impõe, sobretudo para nós brasileiros, a sensação de que a própria ética não é mais capaz de nos nortear para a solução dos problemas que nos envolvem e é a participação efetiva na política, nas decisões coletivas, econômicas, religiosas, familiares e na justiça que vai possibilitar a todos nós maior consciência e esperança para se construir e aguardar esse futuro que já se apresenta.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

HOMOFOBIA X CRISTOFOBIA

Uma das ferramentas mais importantes para se construir um bom argumento, com vistas no convencimento, ainda é a lógica, uma vez que ela é capaz de auxiliar a compor argumentos válidos e fugir das falácias que mascaram a verdade. Entretanto, cabe avisar, de pronto, que este post não versa sobre a Lógica enquanto ciência do raciocínio, mas sobre a falta de lógica na argumentação e a falta de respeito em relação à postura dos integrantes do movimento LGBT com as religiões, publicamente demonstrada na última Parada do Orgulho Gay, em São Paulo.
Confesso que fiquei assustado com o que vi e ouvi...
Sexo oral na Parada Gay do Acre
É evidente que a luta do grupo é legítima e necessária, pois também não sou alheio à criminalidade e à violência física, verbal, simbólica e social imposta aos homossexuais que, muitas vezes, morrem ou vivem em condições subumanas às margens da nossa sociedade. Mas até agora estou para entender como é possível querer apagar fogueiras com gasolina... Como pode o movimento levantar a bandeira da paz e da igualdade por meio do desrespeito ao modo de pensar e expressar do outro? Essa é a ideia? Gritar para não ficar rouco? Falta lógica... me falham as faculdades para compreender tais circunstâncias! Aristóteles, filósofo grego, disse certa vez que a ética (leia-se respeito), não se constrói apenas pela imagem que é transmitida. Deve-se construí-la tendo por base um tripé de sustentação formado pelo AGENTE, pela AÇÃO e pela FINALIDADE DO AGIR. As três têm que estar juntas. Eu (enquanto AGENTE), não posso ser ético se as minhas intenções (FINALIDADE DO AGIR) não estiverem intrinsecamente ligadas às minhas AÇÕES. Portanto, penso que não é possível a nenhum movimento buscar a igualdade ou derrubar os preconceitos, se valendo de preconceitos e desrespeito à cultura e religiosidade do seu próximo.
Manifestantes LGBT inserindo
crucifixo no ânus
Vocês acreditam mesmo que é possível conseguir algum respeito com exposições públicas de sexo oral, masturbação e destruindo imagens ou vilipendiar símbolos religiosos?
Espero que nossa sociedade se abra, cada vez mais para discutir, questionar e pensar assuntos como esse sem as armas do preconceito, pois só assim cresceremos e evoluiremos enquanto pessoa. E, quanto ao movimento LGBT, não sei se foi feita alguma avaliação a respeito das conquistas da Parada, mas, para mim, vocês deram um grande passo para trás na história de sua luta...

sábado, 18 de outubro de 2014

MITOLOGIAS - ENFERMAGEM


 Conforme vimos em sala de aula, todos os povos, culturas e religiões possuem seu conjunto de mitos, que e´uma maneira muito peculiar de explicar a origem de alguma coisa. Segue abaixo, alguns vídeos que expressam o pensamento de diversos povos a respeito da origem do Universo.


A origem do Universo - Marcelo Gleiser (Ciência)
O mito da criação - Candomblé (Yorubá)
Origem do Universo - Gregos
A criação do Universo - Cristianismo






terça-feira, 26 de agosto de 2014

‘O ensino médio se reduziu a uma preparação para o vestibular’, diz educadora

Filósofa e professora Viviane Mosé critica modelo educacional do país

Por E (matéria veiculada no O GLOBO)

Para a filósofa Viviane Mosé, educadores precisam refletir sobre as reais demandas dos alunos e adequar o ensino aos novos tempos. Ela participará do encontro internacional “Educação 360”, que será realizado pelos jornais O GLOBO e “Extra” de 5 a 6 de setembro na Escola Sesc de Ensino Médio, no Rio, em parceria com o Sesc e a prefeitura do Rio e apoio do Canal Futura.
 
A sra. já disse que precisa haver uma revolução no ensino médio. Que revolução seria essa?
Se o ensino fundamental tem melhorado, o ensino médio permanece estagnado. Como trata da educação de adolescentes e jovens, é hoje o olho do furacão. Mesmo com oferta de vagas, com a melhora das condições físicas das escolas, muitos jovens abandonam os estudos, fenômeno que já aparece nos anos finais do ensino fundamental. A escola, do modo como está estruturada, não consegue atrair. Se esse fenômeno acontece em muitos países, em função da democratização do saber permitida pela internet, no Brasil se apresenta de modo ainda mais grave, já que o ensino médio se reduziu a uma preparação para o vestibular. Como as escolas públicas não conseguem competir com as particulares, jovens das classes populares não encontram nada na escola: nem acesso à universidade, nem ferramentas que o ajudem a viver melhor, nem acesso ao mercado de trabalho, nem espaço de encontro e experiências lúdicas. Muitas medidas paliativas têm sido tomadas, como as cotas para as escolas públicas nas universidades, mas nada disso resolverá o problema. O Brasil precisa repensar o ensino médio, que deve oferecer diferentes possibilidades, dependendo da vocação e do interesse do aluno.
O que torna um projeto educacional bem-sucedido?
Um projeto é bem sucedido quando as crianças aprendem e não abandonam a escola. Quando encontram na escola um espaço de crescimento não apenas intelectual, mas humano. A escola não deve se sustentar na administração de conteúdos, mas na aquisição de ferramentas para viver melhor. Os conteúdos estão disponíveis na rede, precisamos estimular a capacidade de ler e interpretar dados e sofisticar nossa habilidade de ler o mundo. Essa é uma escola que dá certo, pois permite que a pessoa continue aprendendo.
Qual o novo papel do professor?
Nós, professores, nos sustentávamos nos conteúdos que tínhamos e devíamos passar aos alunos. Hoje, esses conteúdos estão disponíveis, muitas vezes, com mais dinamismo e qualidade nas novas mídias. Então, nosso poder passa a ser o de preparar os alunos para lidar com as mídias. Isso significa incentivar a inteligência, o pensamento e, especialmente, a capacidade de filtrar dados e interpretá-los, para que não sejam levados por uma onda de informação manipulada ou de má qualidade. O professor não é mais quem sabe tudo, mas quem se interessa por tudo. A educação caminha para a formação de pesquisadores, e isso é muito favorável.
As escolas precisam olhar mais para as comunidades ao redor?
Elas devem se abrir para o mundo. Não podem mais se esconder por trás de altos muros. Os desafios do mundo devem ser questões presentes no cotidiano das escolas, não apenas questões acadêmicas abstratas. Mas esse mal, o isolamento, deve começar a ser vencido nas universidades, que nasceram dos conventos, com seus altos muros.
Muitos especialistas associam as manifestações do ano passado ao aumento do acesso à educação. Acredita nesta conexão?
De forma nenhuma. As manifestações são consequência do acesso às novas mídias, que rapidamente reúne pessoas. Mas essa reunião se deu em um momento em que as pessoas ainda não têm uma educação de qualidade, voltada para a vida, para as questões sociais. Sem rumo, elas se perderam, não produziram conquistas, desembocaram em violência. Em breve, teremos outro cenário: manifestações, sim, enormes, mas com direção, sentido, maturidade política e intelectual.
No encontro “Educação 360”, a senhora vai participar de uma mesa sobre as iniciativas de educação que partem do Brasil. As ações brasileiras guardam um diferencial comum?
Não há uma gente mais criativa que a nossa, eu penso. Depois de andar do Oiapoque ao Chui, tenho a honra de conhecer experiências incríveis e inéditas que dão muito certo. Muitas vezes, escolas muito pobres; em outras, mais ricas, sempre com criatividade e vontade, conseguem produzir uma educação de qualidade. Temos de valorizar essas práticas e compartilhá-las, precisamos adotar o modo brasileiro de educar que dá certo, e não importar modelos, o mundo inteiro repensa a educação.

Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/o-ensino-medio-se-reduziu-uma-preparacao-para-vestibular-diz-educadora-13473499#ixzz3BYZzNsky

ATIVIDADE DE LÓGICA

QUERIDOS, segue dois textos explicando o que vem a ser Lógica e seu objeto de estudo. Façam um resumo deles (em até duas laudas)  Texto 1 - Lógica? e Texto 2 - O que é lógica? (da p.19 à 21) - para entregar no dia 03/09.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A TEORIA DO "POLIAMOR" NA PRÁTICA COTIDIANA - Trabalho de Lógica


Um documentário caiu nas graças das rede sociais e está dividindo opiniões. Ele mostra uma tendência contemporânea de relacionamento intitulada "poliamor", isto é, não-monogâmico. No Brasil essa temática começou a ventilar nas mídias já há alguns anos, em programas de debates (Super Pop, por exemplo) e em seriado na TV aberta: Aline (interpretada por Maria Flor) que é uma menina que namora dois rapazes, Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling).
Aline (o seriado) é uma obra ficcional livremente inspirada nas tirinhas do cartunista Adão Iturrusgarai publicadas na Folha se S. Paulo, no período de 1993 a 2009. Em comemoração aos 20 anos da personagem, Adão voltou a publicar no caderno Ilustrada, tirinhas de Aline como se estivesse hoje com 40 anos de idade e com uma filha chamada Luna.
Assista ao Documentário (Clique Aqui).
 
Aos meus alunos de Lógica, segue uma atividade sobre este tema:
 
1. Assistam ao documentário;
2. Pesquisem sobre o tema;
3. Redijam um  texto argumentativo que contemple sua opinião pessoal acerca do tema e os argumentos que fundamentam seu pocisionamento. Entregar na próxima aula! Bom trabalho!

sexta-feira, 7 de março de 2014

TÍTULO DE MESTRE

Segue matéria produzida por Flávia Arenales (Assessora de Imprensa da FAPEPE), sobre a minha defesa no mês passado. Gostaria de agradecer a todos que torceram por mim nesta etapa tão importante em minha carreira acadêmica e profissional.

FAPEPE TEM MAIS UM MESTRE EM SEU CORPO DOCENTE

Júlio César Gonçalves, professor dos Cursos de Comunicação e de Direito da Faculdade de Presidente Prudente - FAPEPE, Instituição de Ensino Superior integrante do Grupo Educacional UNIESP, defendeu em 21/02 passado Mestrado em Educação pela UNESP – Universidade Estadual Paulista. Gonçalves, que ministra as disciplinas de Filosofia, Lógica e Metodologia, conta que o objeto de estudo da dissertação foi “O Ensino de Filosofia e o Filosofar Institucionalizados: um Olhar sobre o Ensino Filosófico no Ensino Médio”. “Decidi refletir sobre esta temática depois que a Filosofia e a Sociologia se tornaram obrigatórias no Ensino Médio. Em 1971, essas disciplinas foram banidas do currículo e substituídas por Educação Moral e Cívica. Mas a lei nº11.684, assinada em 2008 pelo presidente em exercício, José Alencar, incorporou novamente as disciplinas ao currículo”, contou. Júlio conta que, no trabalho, é discutida a possibilidade ou a impossibilidade de se ensinar Filosofia. “Pude identificar a distância que há entre o que é ensinado na Universidade e a prática docente”, aponta. Para o futuro, o agora mestre conta que pretende fazer doutorado na mesma área e aprofundar os estudos. “Gostei muito de refletir sobre esta temática e ainda há diversas lacunas a serem pesquisadas”, garante.



domingo, 8 de dezembro de 2013

A MÍDIA E SEU PODER DESTRUTIVO

Por Sidney Sanches Neto e Alécio de Jesus Oliani

Segundo o código de ética dos jornalistas brasileiros, conforme é citado em seu quarto artigo: “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, devendo pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação”.
Nós jornalistas, temos o compromisso de levar à sociedade, todo tipo de informação, que denuncie os fatos considerados relevantes a sua organização e que não se abstenha de exercer seu maior dever: informar. Porém, estamos diante de uma sociedade que busca o espetáculo... Maus profissionais, praticantes do anti-jornalismo, expõem suas notícias de maneira, no mínimo, questionável. A informação é transformada em um grande show, envolvendo em um mesmo palco acusados e inocentes.
O jornalista, tomado pelo interesse principal dos meios de comunicação atuais – falamos de IBOPE, publicidade, furo jornalístico – não ouve ambas as partes envolvidas nos casos, pois há de se convir que todo escândalo é exaltado pela sociedade do espetáculo, assim promovendo verdadeiros linchamentos, massacres sociais, injustiças que poderão prejudicar eternamente a vida das pessoas acusadas.
Lembremos do caso “escola base”, ocorrido no ano de 1994, na cidade de São Paulo, quando seus proprietários e funcionários foram acusados de abuso sexual por duas crianças, de quatro e cinco anos respectivamente.
Os veículos de comunicação (destacando nomes importantes como TV Globo e revista Veja, por exemplo),  agiram com uma das maiores demonstrações de falta com a ética profissional já registradas por parte da imprensa nacional. Seus repórteres abordavam freneticamente o assunto, sempre revelando um novo fato até então desconhecido. Eram emitidas manchetes como: “Kombi era motel na escolinha do sexo”, ou também “escola de horrores”.
Essas denúncias e acusações infundadas, geraram não espantosamente, uma comoção nacional. Houve uma “histeria coletiva”, onde os acusados foram marginalizados, tidos como culpados, condenados sem que ao menos fossem ouvidos e suas declarações apuradas. O resultado de tamanha barbaridade promovida pela mídia: - uma das maiores injustiças já ocorridas, pois, todos os acusados foram inocentados por falta de provas, e a viril e infalível imprensa nacional teve de retratar-se perante seu erro. Más, será que desculpas são suficientes?
Recordemos que todos os acusados, mesmo após serem absolvidos, sofreram com uma discriminação coletiva, desenvolveram enfermidades como síndrome do pânico, depressão, doenças cardíacas, e assim, foram impostos ao isolamento social. Onze anos após o caso ocorrer, a rede globo foi condenada a pagar indenizações em cerca de 450 mil reais a cada um dos acusados no caso escola base, porém, o dinheiro recebido, não mudou  em nada a catástrofe imposta pela má veiculação de informações tão contundentes, que destruíram a vida de brasileiros inocentes. Devemos nos valer de nosso direito à liberdade de expressão, porém, agindo com ética, seriedade e responsabilidade, lembrando sempre, que a maioria da população molda sua percepção do real segundo a opinião da imprensa.
Devemos informar, entretanto, nunca devemos prejudicar pessoas inocentes com nossa atitude. Devemos ser éticos e verdadeiros.

ALÉCIO e SIDNEY são Jornalistas e colaboradores do Blog Sociologia no Mundo.


 

domingo, 1 de dezembro de 2013

"SOCIEDADE ATUAL DIFICULTA A VIVÊNCIA DO LUTO", REVELA PESQUISADOR DA USP

 
A entrevista deste mês traz as experiências e os resultados da pesquisa de mestrado (realizado na Universidade de São Paulo - USP), por Rodrigo Feliciano Caputo em três aldeias dos remanescentes Bororos, no Mato Grosso. Caputo tem formação inicial em Psicologia e na entrevista cedida ao SNM relata seus sentimentos e percepções sobre as visitas realizadas  às aldeias e, fala sobre sua experiência na elaboração da dissertação.
 
SNM - Caputo, em que consistiu sua pesquisa de mestrado?
Caputo - O  estudo que realizei procurou contribuir para o aprofundamento conceitual e metodológico, através da análise comparativa entre dois grupos humanos contemporâneos que apresentam características histórico-culturais específicas: os moradores da cidade de Lins-SP (“linenses”) e os remanescentes “bororos” que vivem em três aldeias no estado de Mato Grosso.
 
SNM - Em seu estudo, o que pretendia comparando essas duas realidades diferentes (os linenses e os bororos)?
Caputo - Na realidade, minha intenção era tentar compreender, por meio de revisão da literatura existente e exame de fontes documentais, como esses grupos lidam com a morte. Para tanto, foi necessário entrar em contato com suas estruturas e dinâmica social, sua história de ocupação e transformação dos territórios por eles habitados, seus mitos fundadores, suas instituições, práticas, discursos, técnicas e símbolos.
 
SNM - Por que você quis pesquisar esse assunto?
Caputo - Boa parte (senão todos) os fundamentos culturais de uma sociedade convergem nas suas prescrições técnicas e simbólicas sobre como lidar com a morte, de modo a integrá-la na realidade  social e garantir a continuidade da vida comunitária,  estabelecendo códigos de conduta, modulando relações de parentesco, instituindo papéis profissionais etc. Então, essas diferentes "maneiras" de lidar com a morte, chama a atenção (e é de  grande interesse) da Psicologia Social, que vem sendo estudados cada vem mais.
 
SNM - O que mais te chamou a atenção sobre a pesquisa?
Caputo - O que me impressionou, primeiramente, foi que, apesar do intenso processo de  aculturação dos “bororos”, este grupo ainda guarda diferenças marcantes em relação aos “linenses”, em relação ao modo como lidam com a morte. Entre os linenses, por exemplo, a morte  é mantida à distância, no sentido de que as tarefas funerárias são "terceirizadas" a profissionais e instituições específicas. 
O luto é vivenciado só ou junto à família nuclear e a expressão da dor costuma ser abreviada. Já os bororos geralmente guardam proximidade dos indivíduos adoentados e moribundos, bem como de todo o ritual funerário. A dor é expressa e o luto é vivenciado em comunidade. Por outro lado, em ambos os grupos confirma-se que o conjunto de técnicas e símbolos de lida com a morte representa um importante organizador psicossocial, pois orienta e auxilia as pessoas no enfrentamento individual e coletivo da morte, favorecendo na elaboração dos impactos psíquicos, na reorganização dos papéis e dos vínculos sociais.
 
SNM - Como foi ficar esses dias na aldeia?

Caputo - Foi desafiador e fascinante me integrar no grupo dos Bororos, já que não fazem parte do meu cotidiano. Porém, a inserção ocorreu em um contexto atenuador dos impactos gerados pelo ingresso de um forasteiro no grupo. O ingresso no grupo Bororo ocorreu através de um Projeto de Ação Voluntária feito entre o Centro Católico Salesiano Auxilium (UNISALESIANO), de Lins-SP, local em que trabalho e as aldeias de Meruri (índios Bororo) e Sangradouro (índios Bororo e Xavante). O projeto ocorreu de 11 a 19 de julho de 2012 Nesta ação de voluntariado, eu fui designado para compor o grupo que seguiria para Meruri. Os quatro primeiros dias foram planejados pelos habitantes de Meruri, os quais promoveram algumas danças, rituais, levaram-nos para passeios e visitas acompanhadas pela aldeia, festas, atividades esportivas mesclados com rodas de conversas e palestras realizadas por lideranças Bororo (diretor da escola, cacique, responsáveis pelo Museu Comunitário e Centro de Cultura Bororo. Pe. Rodolfo Lunkenbein); bem como por dois religiosos que estão há décadas na aldeia.
 
SNM - profissionalmente você atua de que modo hoje?
Caputo - Hoje sou psicólogo clínico e atuo com atendimento na cidade de Lins e região. Sou professor universitário e consultor em gestão de pessoas. Desenvolvo pesquisas de mestrado em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de São Paulo - USP.
 
SNM - Essa não foi sua primeira experiência com o tema da morte. Você desenvolveu projetos na sua área com pacientes soropositivos. Conta para a gente como foi esse projeto.
Caputo - Essa experiência se deu em 2006. O trabalho consistiu em formar um grupo de apoio aos soropositivos e seus familiares frequentadores da ONG MOVECA (Movimento Vestindo a Camisa), da cidade de Penápolis-SP, com o objetivos de construir um vínculo com os integrantes desta, estabelecendo, portanto, uma relação de alteridade. No período em que atendi na Ong, um dos integrantes do grupo faleceu, a partir de então passei a investigar as questões relativas à morte e às vivências do luto.
 
SNM - Como é para você trabalhar com pacientes nessa condição?
Caputo - Atendo muitas pessoas que estão vivenciando o luto de entes queridos ou coisas que apreciavam muito, porém vejo que nossa sociedade não facilita a esta vivência. Este é um tema proibido, já que após o funeral, cada vez menos se tolera o choro e o pesar, assim o luto que outrora era uma reação natural e esperada diante de uma perda significativa, passou a ser patologizado e medicalizado. Deste modo, é muito satisfatório poder facilitar a elaboração do luto de pessoas que além de sofrerem as suas perdas, sofrem por não poderem expressar suas dores, suas angústias e medos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

VIDA E MORTE DE SÓCRATES

 
Caros alunos de Lógica, Ética, Filosofia e Filosofia aplicada à Saúde.
Certa vez um respeitado professor de Filosofia (Walter Omar Kohan - cujas ideias estudo no mestrado), me disse: "Nenhum professor de Filosofia é bom professor de Filosofia se não tiver, ao menos uma vez, dado uma aula sobre Sócrates".
Ele tem toda razão. Sócrates não é apenas um divisor de águas na história do pensamento filosófico ocidental, mas também um modelo de lucidez e coragem.
 Abaixo encontra-se o link para um vídeo que narra a última parte da vida desse pensador. Aos meus alunos de Filosofia, sugiro que assistam o vídeo pensando em Sócrates como um sábio que entendeu à risca o significado da palavra FILOSOFIA. Aos alunos de ética, bom... o vejam como o grande modelo de postura e sapiência diante das decisões coletivas e leis da cidade. Aos alunos de lógica, prestem muita atenção na capacidade de argumentação e interrogatório que Sócrates desenvolveu (sobretudo na parte de seu julgamento e nos momentos anteriores à sua morte).
Espero que a vida e a morte de Sócrates nos ajude a ser melhores do que este mundo massificador espera que sejamos.
Boa reflexão!  
 
Filme: O final da vida de Sócrates
Texto: Sócrates, a Filosofia e a questão da morte (para entender o início do filme)

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