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terça-feira, 9 de maio de 2017

MAIS UM PARA A COLEÇÃO

Por Amanda Manequini

A impunidade corrói a democracia e deixa um rastro de insegurança na sociedade. A concessão de habeas corpus, dada ao goleiro Bruno Fernandes, acusado no assassinato de Eliza Samudio, virou alvo do debate sobre a funcionalidade da democracia brasileira.

Tecnicamente falando, o regime semiaberto, ao qual ele está submetido atualmente, está preceituado na legislação. Contudo, se levarmos em conta que o tempo para progressão de seu julgamento foi exaurido, percebemos quão desamparada está a justiça. Mesmo com todo o holofote midiático voltado para o envolvimento do ex-goleiro do Flamengo no crime, o Estado não conseguiu apresentar uma decisão num tempo razoável.

A polêmica soltura foi assinada pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que assinou também a liberação de Suzane Von Richthofen (condenada por matar os pais), o que contribuiu mais ainda na discussão. 
Além de uma justiça eficiente, esperava-se que o time, que atualmente está contratando o goleiro, se mostrasse preocupado com sua situação docondenado. Enquanto isso, a família da ex-modelo, observou a declaração do novo goleiro do Boa Esporte. Nela, Bruno disse friamente que uma prisão perpétua não traria a vítima de volta. 
Resta à sociedade mostrar seu inconformismo, e ao Estado, o papel de estimular a denúncia de casos de violência física e psicológica contra a mulher, para que não surjam casos parecidos. A proporção que o fato tomou deveria servir de estímulo e não como mais um exemplo de impunidade para nossa coleção.

AMANDA MANEQUINI é estudante da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Cooperativo de Presidente Prudente e também colaboradora do nosso Blog.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SUGESTÃO DE FILME

Esta semana, ao preparar um bate-papo com os alunos de Enfermagem que vão prestar a prova do ENADE, e meus alunos do Ensino Médio que vão prestar o ENEM, conversamos sobre consumo e consumismo. De toda a reflexão que fizemos, gostaria de deixar (abaixo) algumas sugestões de filmes e documentários que possam ajudá-los a refletir sobre o tema e pensar sobre nossa postura em sociedade.
BOM DIVERTIMENTO!

A HISTÓRIA DAS COISAS
A História das coisas - De maneira simples, a animação conta a verdadeira história da produção, uso e descarte dos bens que consumimos.

SUPER SIZE ME: A DIETA DO PALHAÇO
O divertido e informativo documentário, conta a história de um aventureiro que decide, por 30 dias, só se alimentar de McDonald's. No decorrer do documentário, especialistas da área da saúde vão fornecendo dados que preocupam os países desenvolvidos: a obesidade, por exemplo. Vale a pena assistir.

CRIANÇA: A ALMA DO NEGÓCIO
O documentários produzido pelo Instituto ALANA, trata de um assunto muito importante para a nossa sociedade: o consumo voltado ao público infantil. Será que a criança é influenciada a comprar? Como a criança pode se defender de propagandas abusivas? A criança já é vista como um consumidor? Como funciona a regulação da propaganda voltada a este público? Esta e outras questões são discutidas neste documentário.


TARJA BRANCA

Brincadeira é coisa séria e não é só assunto de criança. É fazer o que se gosta, valorizar o prazer pessoal, colorir os dias. Vivemos em busca da felicidade, mas será que estamos procurando no lugar certo? Com José Simão, Antonio Nóbrega, Wandi Doratiotto e outras personalidades.


Resolvi (re)postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado? Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso. Vamos ver o resultado?

segunda-feira, 27 de junho de 2016

INVERSÃO DE VALORES TEM PROPICIADO PAIXÃO PELO CONSUMO

Publicidade vende a alegria da inserção na sociedade
Por Heloísa Duran

Todos os dias a cena se repete, não há nada de novo, ao voltar da escola, a criança larga a mochila no chão e em seguida liga a TV. Sem nenhum esforço mental e de forma totalmente passiva, absorve o conteúdo dos programas e comerciais publicitários. Bastam 30 segundos, para que esta criança esteja convencida de que será mais feliz se fizer parte do fantástico mundo dos personagens.

De acordo com o Doutor em ciência da comunicação, Clovis de Barros Filho, no documentário, “criança a alma do negocio”, ao se expor aos conteúdos midiáticos a criança desenvolve a idéia de que, o consumo representa uma possibilidade de inserção social em determinados grupos: “A publicidade vende, evidentemente, mais do que alegria da posse, ela promove a alegria da inscrição na sociedade”.
A criança é um ser humano em construção, isso significa que ela está apta a absorver todo o conteúdo ao que for exposta. É na infância que os pequenos passam pelo processo de estruturação e precisam de amparo em seu desenvolvimento.
Ao comprar a ideia de valores expressada pelas propagandas, a criança que ainda não tem amadurecimento suficiente para distinguir os valores sociais humanos dos valores estabelecidos pela imagem midiática, passa a acreditar e viver em função de que é necessário aquele bem para promover sua alegria e até mesmo para que ela seja como as crianças que tem, e assim sintam-se aceitas.
E com a certeza de que precisa ter determinado produto que é representado por personagens animados da telinha, a criança que de forma passiva em apenas 30 segundos se convenceu disso, passa de forma ativa e muitas vezes até autoritária, ou quando não com uso da chantagem a requerer dos pais a posse do produto em questão.
A necessidade deixa de ser uma inevitabilidade e passa a ser agente promotora do desejo pela marca. A criança não pede um tênis qualquer, mas um tênis de determinada marca; ela não quer um celular qualquer, mas aquele de última geração.
No século da fadiga, onde nem sempre a mãe, por exemplo, pode dispor de tempo de qualidade para investir na formação do caráter de seus filhos, a mídia o faz por elas. Segundo dados do IBOPE, as crianças brasileiras passam em média 5 horas diárias em frente da TV e assistem aproximadamente 40 mil propagandas em um ano. 
A grande questão é que, a maior parte dos valores sociais e posse dos bens no Brasil, por exemplo, possuem valores invertidos. O grande poder aquisitivo concentra-se nas mãos de poucos, o que antes era ético, aos poucos se torna imoral, pensar no próximo parece ser atitude egoísta dentro da sociedade do espetáculo. Para ser legal tem que chamar atenção do outro, encher os olhos de quem vê. Ser aplaudido.
No meio desses valores e verdades criadas pela mídia, para satisfazer a necessidade de uma sociedade que parece não se saciar mais com o comum, o
rotineiro, a publicidade e o marketing, na busca do poder pela posse, por ganhar mais, vender mais, utiliza-se da criança como ferramenta para atrair famílias que muitas vezes não tem nem o suficiente para uma alimentação ou educação de qualidade, mas que para alegrar seus filhos, e amenizar a sensação e exclusão social investem do pouco que tem todo o recurso disponível na compra de bens que aparentam suprir seus pequenos.
No documentário Criança, a alma do negócio, uma mãe desabafa dizendo que, satisfazer o desejo dos filhos é na verdade satisfazer de forma impulsionada a gana da mídia na corrida para atrair mais consumidores. O sacrifício financeiro que significou muito para a família, o presente de natal que custou caro, mas sem valor nenhum. “Um robô, que a criança abandonou logo em seguida, depois de brincar com ele três ou quatro dias”. A mãe alega ter entrado o ano sem dinheiro só para satisfazer o desejo da filha, o que caracteriza o assédio crescente das crianças aos pais.
A nova fórmula consumista impresso na sociedade ensina as crianças de que facilmente o velho, que na maioria das vezes não é velho, pode ser trocado pelo novo. O que vale mesmo é ter o que a televisão mostra. Essa realidade acena para o consumo descartável, em que a expectativa da aquisição é mais intensamente vivida do que a própria posse do produto.
A infância divide seu palco entre, a companhia dos pais, que cada vez trabalha mais a fim de dar conta de suprir a necessidade da família, e a escola que educa e em contrapartida quem tem conquistado mesmo o brilho nos olhos dos pequenos é a TV, que através de mecanismos tem ganho lugar de destaque,
ensinado a visão midiática de valores consumistas, deseducando as crianças e desapontado famílias que não podem aderir o que a TV oferta mas que também não tem forças para ir contra.
É necessário analisar qual é a influência de tal exposição na subjetividade e formação da criança. Onde vamos parar? É preciso que as famílias tomem as rédeas da situação, afinal quem governa minha casa? A resposta para essa pergunta é a bússola para um novo norte diante desse cenário degradante, a alma da criança deve ser suprida por valores sociais humanos e não se pode confundir o
sentido da vida e da felicidade com consumismo.

HELOÍSA DURAN é estudante de Jornalismo e colaboradora do nosso Blog.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

NÃO VAMOS "FALAR" DE ESTUPRO

Já dizia a sabedoria popular: "Uma imagem fala mais que mil palavras". Vamos deixar, então, que essas imagens falem sobre a adolescente que foi estuprada por 33 homens...
 
 


segunda-feira, 25 de abril de 2016

DESCARTE DE EMBRIÕES: UM DILEMA ÉTICO DO NOSSO TEMPO



Por Julio César Gonçalves

Já é sabido que nunca falamos tanto sobre ética e falta de ética quanto nas últimas décadas, seja pelos meios de comunicação de massa, seja em discussões nas Universidades, seja no "senso comum nosso do dia a dia".
Hoje gostaria de trazer à tona um dentre tantos temas debatidos pela sociedade e que faz parte de uma área da ética denominada BIOÉTICA. Trata-se das discussões sobre a fertilização in vitro e o descarte dos embriões excedentes.
O problema ético central dessa discussão está em definir uma destinação aos embriões que não foram implantados no útero, ou seja, aqueles embriões que foram fecundados em laboratórios e que estão congelados (criopreservados) aguardando um destino. E que destino poderia ser este? Doá-los para pesquisa com células-tronco? Descartá-los? Mantê-los congelados? Doá-los para outros casais?
Estas são questões difíceis de serem resolvidas, mas que precisam ser pensadas. Seria muito fácil resolvê-las caso houvesse um consenso entre as verdades científicas, as verdades de fé e as verdades jurídicas. Mais precisamente sobre quando se considera o início da vida.
Muitos filósofos se embrenharam nesta difícil tarefa. 
Hipócrates (pai da medicina) defendia a tese de que é na concepção que se inicia a vida, portanto, qualquer remédio que colocasse em risco à vida intrauterina não deveria ser administrado. Platão pensava ser no ato do nascimento o exato momento em que a alma se fundia ao corpo. Aristóteles, a partir da "teoria da animação imediata", argumentou explicando que alma e corpo se unem semanas após a fecundação, afirmando que o feto tem vida e, pelos primeiros movimentos do bebê ainda no útero de sua mãe, se provará o início da vida. Também outros se posicionaram a este respeito.
Na próxima postagem veremos o posicionamento das religiões e da ciência.
Mas, fica para ecoar em nosso pensar, a questão: "Em que momento surge a vida?".

(Continua...)


terça-feira, 12 de abril de 2016

domingo, 27 de março de 2016

ATEU, AGNÓSTICO, FILÓSOFO, CRENTES...


Por Julio César Gonçalves
Estamos (nós cristãos) ainda vivenciando a celebração da Páscoa. A festa maior para o catolicismo. Entretanto, para provocar uma reflexão (e não polêmicas - uma vez que polêmica não tem lugar na filosofia, senão o diálogo e o debate), resolvi postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado?
Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso.
Vamos ver o resultado?





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DEVEMOS TOLERAR O INTOLERANTE?


Por Julio César Gonçalves

Sem sombra de dúvida, um dos assuntos mais disseminados pela mídia brasileira hoje, diz respeito, direta ou indiretamente, à intolerância, seja racial, homoafetiva, ideológica, religiosa ou de outras ordens, seguido pelo tema da ética e do preconceito.
Apesar da semelhança conceitual comumente adotada, intolerância e preconceito se distinguem, embora não se excluam. O preconceito leva à intolerância e esta, à discriminação.
Preconceito é ter uma ideia a respeito de algo, antes de conhecê-lo a fundo e, a partir daí estabelecer um juízo de valor. Os preconceitos surgem quando se leva em consideração uma especificidade como sendo a totalidade da realidade, generalizando. Também aparecem cristalizados em frases prontas muito presentes nas conversas informais e ditados populares, como por exemplo, “toda loira é burra”, “mulher no volante, perigo constante”, “todo português é burro”, “baiano é preguiçoso”, “gaúcho é gay” etc.

Intolerar (não tolerar) se caracteriza pela atitude de não admitir, não respeitar
opiniões diferentes de suas próprias, no âmbito social, religioso ou político, sem considerar o outro lado, que as contestam. Desse modo, a intolerância se manifesta sempre que alguém crê em um único ponto de vista ou forma de se fazer algo, antipatizando e hostilizando (discriminação e violência) àqueles que pensam ou defendem outras visões de mundo.
O que fazer, por exemplo, diante da presença de pessoas intolerantes? O que eu tenho percebido muito é uma reação intolerante diante de atitudes também intolerantes. Uma espécie de intolerância à intolerância. O problema se agrava ainda mais, pois se trata de uma “meta-reação-intolerante”, isto é, seria muito próximo do que tentar resolver os problemas de guerra com guerra e gritar para não ficar rouco.
Além de ilógica, violenta e egoísta, tais atitudes nada mais expressam do que a alma da nossa sociedade atual, incapaz de empatia, incapaz de profundidade nas relações, incapaz de compaixão.
Olho por olho e o mundo acabará cego... (Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O NOIVO JÁ PODE BEIJAR SUAS NOIVAS


Esta semana que passou o portal Terra Notícias publicou uma reportagem sobre o registro em cartório da união entre um homem e duas mulheres como união estável. Pronto! Está instaurada a polêmica! Para que possamos melhor entender o fato, peço licença aos leitores para publicar na íntegra o texto do Terra.
Segue.

Poliamor em terras brasileiras: homem e 2 mulheres registram em cartório união a 3

O heterossexual Klinger de Souza, de 31 anos, e as bissexuais Paula Gracielly, 31, e Angélica Tedesco, 24, vivem um incomum relacionamento a três e conseguiram registrar a união poliafetiva em cartório, em Jundiaí (SP), onde moram.
Esta seria a terceira vez que um casamento a três é registrado em cartório no Brasil, nos moldes da União Estável. Mais para frente, eles querem também oficializar o casamento formal, assim como já fazem culturalmente os demais casais formados apenas por um homem e uma mulher e estão reivindicando os casais homossexuais. “Elas de noiva e eu de smoking, com festa e tudo mais”, planeja Klinger.
Os três são mato-grossenses, mas vivem em Jundiaí, onde garantem que levam vida normal, trabalham, passeiam e também pensam em ter um filho, gerado na barriga de "Paulinha", dentro de cerca de 2 anos.
 Além do filho, outro projeto do "trisal" é escrever um livro mais amplo sobre esta forma de se relacionar que ainda assusta, mas que eles garantem ser possível, natural, ética, verdadeira, honesta e amorosa. Trata-se do poliamor.
O reconhecimento em cartório deste romance atípico é importante, segundo eles, não somente em relação à divisão de patrimônio, mas também para que não sejam excluídos dos direitos civis, como outros cidadãos quaisquer. Além disso, eles já pensam também no registro do filho, que querem que seja feito em nome dos três: um pai e duas mães.
Para fazer o registro da união em cartório, Klinger explicou ao portal iG que declarou em texto escrito de próprio punho, com dados de pessoa física dos três, que vive junto com Paula e Angélica. Os três assinaram o documento, que precisou ser validado por duas testemunhas. Após as assinaturas, tudo acontece com o tempo de reconhecimento de firma que gira em torno de 30 minutos em qualquer cartório.
Se algum dos três resolver sair do relacionamento, terá o direito a 33% do patrimônio. Para Klinger, o mundo mudou e muita gente ainda fica assustada com essa forma de se relacionar. Mas a diversidade dos tipos de família é fato irreversível.
Fonte: noticias.terra.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ÁRVORE GENEALÓGICA DO SÉCULO XXI


Por Julio César Gonçalves

Numa dessas zapeadas pelos sites de notícia na internet, uma manchete me chamou a atenção e me fez pensar: "Bebê de SC poderá ter pai, duas mães e seis avós na certidão". A notícia trata de uma liminar da Justiça de Florianópolis que permitiu registro dos nomes na certidão de nascimento (segundo o portal de notícias G1), das mães - duas mulheres em união homoafetiva estável; do pai, que aceitou se relacionar com uma delas para procriar; e dos pais de cada um deles, portanto, dos avós. Tal decisão leva em consideração as novas formas de composição da família na atualidade.
Do ponto de vista jurídico traz desafios novos, tais como a necessidade de repensar o direito sucessório, por exemplo. Também denota que nossa sociedade está, de fato, passando por profundas transformações em suas estruturas mais tradicionais. 
Do ponto de vista social, acredito ainda não ser possível fazer alguma asserção acerca dos resultados dessas mudanças, afinal o passado ainda não passou e o futuro ainda está por vir...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOBRE DISCURSOS SEM FUNDAMENTOS

Por Julio César Gonçalves

Um aluno me parou no corredor dia desses e sapecou uma pergunta: "professor o senhor é contra ou à favor da descriminalização do aborto no Brasil?". Respirei fundo, escolhi bem algumas dúzias de palavras e já ia respondendo quando ele interrompeu dizendo: "mas não vale usar fundamentos religiosos, porque nem embasamento científico tem..."
Então, mais uma vez respirei fundo e resolvi não envolver Deus na referida situação. 
Como todo filósofo que se preza, respondi-lhe com outra pergunta: "Pois bem, me responda cientificamente: quais são os argumentos que sustentam TODOS OS BENEFÍCIOS trazidos pela interrupção de uma vida?".

O engraçado é que até agora não o encontrei com uma resposta...



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

QUEM? EU?


Por Marina Melz

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve, por todos esses anos, a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê.
Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior. 

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. 


Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. 
Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem. Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social.
Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar. Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.


MARINA MELZ - é jornalista e trabalha com assessoria de imprensa. Escreve no blog entendaoshomens.com.br e colaborou com essa postagem em nosso blog.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"E AGORA JOSÉ ???"

Por Julio César Gonçalves

Por que ainda me surpreendo com o ser humano e com suas formas brutais e selvagem de resolver as coisas? Hoje me deparei com mais uma atitude dessas (travestida na forma de pesquisa). "50% dos brasileiros acham que 'bandido bom é bandido morto"', "Segundo a pesquisa, 65% das pessoas mais velhas, com 60 anos ou mais, concordam com a morte de criminosos e 30%, não", diziam as manchetes dos principais jornais de hoje. Asserções como estas e muitas outras, revelaram o perfil de alguns brasileiros de hoje, de acordo com pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Muitas questões, nesse e em outros casos, estão em jogo e que eu não gostaria de discutir neste post em específico (guardo a oportunidade para um outro que já está sendo gerado em minhas inconformidades), mas uma em especial gostaria de trazer à baila para nossa reflexão: o anestesiamento das nossas emoções e sentimentos diante das inúmeras atrocidades que o "mundo" tem nos oferecido (Platão que o diga). Encontrei um texto que reflete justamente essa notícia e que me surpreendeu pela linguagem com que foi escrito e pelo teor altamente retórico e verdadeiro com que trouxe seu conteúdo. O texto é de autoria desconhecida, mas vale à pena a leitura, peço licensa de publicá-lo na íntegra.


"Jesus passou a vida arrumando treta por questões sociais. Defendeu assassino, ladrão, puta, pobre e leproso. Juntou uma galera pra defender a causa. Começou a fazer barulho. Conquistou o desafeto da classe média e da elite (ponto pro cara).
Considerado subversivo, foi preso pelo Império. A classe média pedia pena de morte, mas o crime não a justificava. Pôncio Pilatos jogou o B.O. pra Herodes. Herodes se ligou na mesma coisa e devolveu o B.O.
Pilatos deixou pra galera decidir. Bem pensado, porque desde aquele tempo, o povo já tava cheio de dateninha linchador.
O cara foi executado ouvindo piadinha de justiceiro. E não foi morto "entre" bandidos. Foi executado pelo Estado COMO bandido - subversivo, que de fato era. Enfim, o messias cristão foi um sujeito engajado em questões sociais, executado como bandido pelo Estado sob os aplausos dos justiceiros.
Então, Jesus, se você estiver lendo isso e pensando em voltar, fica esperto. Essa 'gente de bem' de hoje em dia vai te matar de novo enquanto come bacalhau e ovo de Páscoa".

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O MUNDO GRITA POR LIBERDADE DE ESCOLHAS


Por Helena Cararo

Há um grito ecoando em nossos ouvidos. Um grito de dor, de desespero, de angústia. Nossos irmãos estão morrendo sem ter ao menos uma chance de lutar. E por quê? Por preconceito, por prepotência, por hipocrisia. Aylan Kurdi de três anos nasceu ouvindo o som próprio da guerra e morreu tentando fugir para um futuro melhor. Amanheceu na praia, semelhante à um anjo dormindo, mas sem vida como uma árvore que teve suas raízes arrancadas da terra.

Esse menino sírio representa toda a humanidade que sofre a dor de um mundo que julga, que castiga e impõe regras. Homens, mulheres e crianças morrem de frio, de fome ou queimadas em baixo de pontes em grandes centros urbanos. Moram nas ruas não porque querem, mas porque não encontraram uma porta aberta diante da sociedade. Homossexuais são espancados simplesmente por assumiram o que são e porque os hipócritas do mundo dizem que é errado. Os cristãos estão sendo perseguidos por louvar o ao Deus que eles acreditam e escolheram para seguir, mas os juízes da humanidade impõem um deus e querem que todos se ajoelhem diante dele.
Os demônios soltos na terra colocam regras e crucificam aqueles que se afastam delas. Ser gordo é errado, todo gordo é feio. Afirmam que o bonito é ser magro e tantas mulheres buscam ao extremo esse padrão de beleza a ponto de ficar anoréxicas. Os mesmos padrões de beleza dizem que ter cabelo liso é mais belo, então vamos para a progressiva. Vamos ser loira e de olhos azuis, tudo resolvido com tinturas e lentes de contatos. E onde fica a autenticidade de cada ser humano, seus gostos e o livre arbítrio?

Certa vez me deparei com duas crianças negras brigando entre si, brigavam para ver quem tinha a pele mais clara. Acreditavam que o outro era negro e ele não. Por que isso? Quem disse àquelas crianças que ser negro é feio? Onde está a beleza do mundo, a simplicidade da vida, o amor ao próximo? São perguntas que o mundo esqueceu-se de questionar e que o silêncio de um corpo na praia trouxe de volta aos gritos.  

HELENA CARARO é estudante de Jornalismo e escritora (poesias). Também colabora com nosso blog.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

POR QUEM AS PANELAS BATEM...

Por Antonio Prata

Temos toda a razão de bater panelas quando a presidente aparece na TV dizendo que a culpa por nossa pindaíba é da crise internacional. Mas por que não batemos panelas quando Eduardo Cunha, o líder dos "black blocs" brasileiros, vândalo que faz política com pedras, bombas e coquetéis molotov, vai em rede nacional dizer que trabalha "para o povo", "sempre atento à governabilidade do país"?
Temos toda a razão de bater panelas contra a corrupção da Petrobras. Mas por que não batemos panelas contra o mensalão mineiro ou o cartel do metrô paulistano? Por que não batemos panelas contra a compra de votos para a reeleição do FHC? Por acaso pagar apoio na Câmara é mais grave do que pagar emenda na Constituição?
Temos toda a razão de bater panelas contra o retrocesso econômico de 2015. Mas como podemos não bater panelas contra o anel de pobreza que desde sempre engloba as metrópoles brasileiras, essa Faixa de Gaza de tijolo aparente, essa Cabul de laje batida onde se amontoa boa parte da população?
Temos toda a razão de bater panelas quando o governo se cala diante dos descalabros venezuelanos e da ditadura cubana. Mas por que não batemos panelas diante do fato de nosso principal parceiro comercial ser a China, maior ditadura do planeta? O tofu que alimenta aquela tirania é feito com a nossa soja e os fazendeiros, ruralistas e empresários que acusam a "venezualização" do Brasil são os mesmos que lucram com o dinheiro comunista. Ninguém bate woks por causa disso?
Temos toda a razão de bater panelas contra o estelionato eleitoral do PT. Mas por que não batemos panelas contra o estelionato eleitoral do PSDB, que elege repetidamente um governador tipo "gerente", prometendo "e-fi-ci-ên-ci-a" em cada sílaba, mas coloca São Paulo à beira do co-lap-so-hí-dri-co"? Um cristão cuja polícia, não raro, participa de grupos de extermínio, na periferia. Esta semana, foram 18 chacinados em Osasco e Barueri. Imagina se fosse no Iguatemi? E o estelionato das UPPs, no Rio, que prometem paz, mas torturam um cidadão até a morte e somem com o corpo?
"Não, não, isso não! Me mata, mas não faz isso comigo!", gritava o Amarildo, segundo um policial que testemunhou a barbárie, dentro de um contêiner. Como pode a nossa maior preocupação em relação ao Rio, hoje, ser com a qualidade das águas para as Olimpíadas de 2016? Cadê o Amarildo? Cadê as panelas?
Temos toda a razão de sair pra rua, neste domingo, para protestar contra a incompetência, a corrupção e a burrice do governo. Mas por que não sair pra rua para protestar contra a incompetência, a corrupção e a burrice do país como um todo? Um país que mata seus jovens, sonega impostos, polui, compra carteira de motorista, licença ambiental, alvará, dirige pelo acostamento, estupra, espanca e esfaqueia mulher (mas retira a discussão de gênero do currículo escolar), um país onde os negros correspondem a 15% dos alunos universitários e a 67% da população carcerária.
Este ódio cego, esta parcialidade hipócrita, este bombardeio cirúrgico que pretende eliminar o PT –e só o PT– para "libertar o Brasil", empoderando Renan Calheiros e Eduardo Cunha, não é o desabrochar da consciência cívica, é mais um fruto da nossa incompetência, mais uma vitória da corrupção; palmas para a nossa burrice.

ANTONIO PRATA - é escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles "Meio intelectual, meio esquerda". É colunista (escreve aos domingos) na Folha de S. Paulo.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

"SÓ A EDUCAÇÃO E A ARTE PODEM MUDAR O FUTURO DO BRASIL"


Por José Roberto Oliveira

Se eu sou contra a redução da maioridade penal? Não tenho certeza se isso seria a solução, mas não consigo dizer hoje se sou contra. Então vou mudar o rumo do meu discurso. Eu trabalho com adolescentes na faixa etária de 14 a 17 anos (às vezes, 12 ou 13 ou maiores de idade). Eu acredito em algo que vai além, eu acredito que só a EDUCAÇÃO e a ARTE podem mudar o futuro do Brasil...
E eu REALMENTE ACREDITO NISSO, caso contrário, não trabalharia com a ARTE e ADOLESCENTES! Mas a questão vai além de siglas partidárias e políticos corruptos que temos. É uma questão de MUDANÇA CULTURAL e IDEOLÓGICA. Isso tem jeito? Sim, se não acreditar nisso, eu morro. Mas não digo que é FÁCIL. E eu sou apenas 0,000000001% da mudança que pode acontecer, porém busco com afinco fazer minha parte porque ACREDITO num BRASIL ao menos um pouco MELHOR!
Obrigado a todos os professores que me inspiram dia-a-dia. Obrigado às pessoas que acreditam na MUDANÇA.
Abaixo uma pequenina amostra do trabalho feito pelos alunos de FOTOGRAFIA em Ouro Verde atendidos pelo Cras Ouroverde, onde já conseguimos enxergar mudanças significativas.
Foto: João Carvalho
Foto: Laira Mazzaro
Modelo: Kamilla Dos Saantos


JOSÉ ROBERTO OLIVEIRA é produtor de áudio visual (Zero Fotografia & Cine Zero), faz faculdade de Arte, ministra cursos de fotografia junto ao CRAS de Ouro Verde e São João do Pau D'Alho e é um colaborador do nosso blog.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO E A FAMÍLIA

A família por ordem de natureza é a primeira célula de organização social, mais antiga que as ciências e o Direito e mais preciosa que a descoberta mais revolucionária. Passou pelas organizações matriarcais, patriarcais, pagã até o advento da Revelação onde o Cristianismo elevou o casamento a sacramento. O homem e a mulher selam a sua união sob as bênçãos do céu, transformando-se numa só entidade física e esperitual e de maneira indissolúvel. O sacramento do casamento não pode ser desfeito pelas partes, somente a morte separa a união entre um homem e uma mulher (por isso indissolúvel), simbolizada pela troca de alianças. 
Esta, portanto, trata-se de uma perspectiva Cristã da família. O “tempo”, por outro lado, foi
sentenciando evoluções para este projeto de Deus. Em 1977entrou em vigor a Lei 6.515 no Brasil, conhecida como a Lei do Divórcio, permitindo a apartação da união entre o homem e a mulher que juraram diante de Deus uma união até a morte. Tornando dissolúvel juridicamente o indissolúvel aos olhos de Deus.
Em 2013, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os cartórios civis Brasileiros foram obrigados a aceitar a celebração de casamentos gays. Posição ante-evangélico-Cristã.
Agora, porém, vivemos mais um ataque aos princípios Cristãos e a vontade de Deus, o “tempo” que outrora se levantou contra família hoje se levanta contra a própria natureza humana. Não é preciso ser um gênio para saber que o sistema XY de determinação de sexo é biológico, e, portanto divino.
A Ideologia de gênero, na verdade é uma ausência de gênero, onde o sexo feminino e masculino se torna uma das construções culturais e sociais do individual; em poucos miúdos o ‘cabra’ decide se é homem ou mulher.
Diante o exposto, cabe lembrar que o grande idealizador do gênero homem e mulher foi o Criador, o Grande e Verdadeiro Arquiteto do mundo, o Senhor dos Exércitos, o Autor da Vida, o Senhor da paz, o Deus absoluto, o Senhor das montanhas, a Luz da Luz, o Deus de Israel, e nada que se inicia nas mãos deste Todo Poderoso pode acabar nas mãos de uma pobre criatura.
A Lei Natural é a vontade divina já se manifestada na revelação; o Santo Padre Papa Francisco se manifestou dizendo que a Ideologia de Gênero é um “erro na mente humana” além de “Contrária aos planos de Deus”. O Bispo de Córdoba (Espanha) Dom Demétrio Fernández adverte que “a ideologia de gênero destroça a família, rompe todo o laço do homem com Deus através da sua própria natureza”. O Papa Emérito Bento XVI se pronunciou em 2012.
"De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Deixou de ser válido aquilo que se lê  na narração da criação: 'Ele os criou homem e mulher' (Gn 1,27). Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação".
A lei natural deve  ser a diretriz dos pensamentos de um cristão, sendo mais efetiva que a Lei dos homens e mais bem guardada que as vontades humanas. Não é preciso ser um grande cristão para entender que a ideologia de gênero destroça a família e distancia o amor, fazendo-nos perder contato com nossa primeira sociedade, destruindo a sensibilidade, condenados a uma solidão de morte.
 

CAUÊ VIÚDES é aspirante ao sacerdócio. É crstão Católico Apostólico Romano e colabora com nosso blog.

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