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sábado, 27 de junho de 2015

QUANDO A ÁGUA BATE NA BUNDA É QUE SE APRENDE A NADAR... MAS QUE ÁGUA?

 
 
Por Henrique Mendes
 
A questão é antiga, a novidade é que atualmente atinge cidades grandes, o que não significa que só agora é importante. O tema "falta d'água" é tratado desde muito tempo atrás e sempre soubemos o deveria ser feito e fizemos o contrário. E ao dizer "fizemos", estou incluindo todos nós, governo e cidadãos. Alguns dizem que devemos aprendrer com o fantasma da crise hídrica, mas prefiro acreditar no ditado popular: "quando a água bate na bunda é que se aprende a nadar", ou seja, sem água, sem aprendizado.
Os grandes culpados somos nós, não adianta culpar as questões climáticas. O clima é influenciadopor nossos avanços econômicos e tecnológicos, que demandam destruição do meio ambiente e poluição. O aquecimento global está aí e não me deixa mentir. Em tese, o conceito de sustentabilidade visa buscar alternativas para o desenvolvimento econômico com menos impacto possível no meio ambiente. Mas o que vemos é que na prática a teoria é outra...
Como aprender com a crise quando se tem Estados brasielrios desperdiçando um volume grande de água tratada? Se olharmos para os dados, até mesmo os Estados que desperdiçam menos, ainda desperdiçam muito (daria para abastecer uma região do país somente com a água desperdiçada entre os Estados brasileiros).
Algumas cidades do interior paulista adotaram o sistem a de multa para coibir quem consome mais do que o necessário. Talvez essa medida seria uma saída (em nível nacional), uma vez que mecher no bolso dos brasileiros ainda é uma forma de chamar a atenção para o problema. Ou se aprende pelo amor ou pela dor. 
 
LUIZ HENRIQUE MENDES VEIGA é concluinte do curso de Jornalismo e colaborador do nosso Blog.

domingo, 1 de dezembro de 2013

"SOCIEDADE ATUAL DIFICULTA A VIVÊNCIA DO LUTO", REVELA PESQUISADOR DA USP

 
A entrevista deste mês traz as experiências e os resultados da pesquisa de mestrado (realizado na Universidade de São Paulo - USP), por Rodrigo Feliciano Caputo em três aldeias dos remanescentes Bororos, no Mato Grosso. Caputo tem formação inicial em Psicologia e na entrevista cedida ao SNM relata seus sentimentos e percepções sobre as visitas realizadas  às aldeias e, fala sobre sua experiência na elaboração da dissertação.
 
SNM - Caputo, em que consistiu sua pesquisa de mestrado?
Caputo - O  estudo que realizei procurou contribuir para o aprofundamento conceitual e metodológico, através da análise comparativa entre dois grupos humanos contemporâneos que apresentam características histórico-culturais específicas: os moradores da cidade de Lins-SP (“linenses”) e os remanescentes “bororos” que vivem em três aldeias no estado de Mato Grosso.
 
SNM - Em seu estudo, o que pretendia comparando essas duas realidades diferentes (os linenses e os bororos)?
Caputo - Na realidade, minha intenção era tentar compreender, por meio de revisão da literatura existente e exame de fontes documentais, como esses grupos lidam com a morte. Para tanto, foi necessário entrar em contato com suas estruturas e dinâmica social, sua história de ocupação e transformação dos territórios por eles habitados, seus mitos fundadores, suas instituições, práticas, discursos, técnicas e símbolos.
 
SNM - Por que você quis pesquisar esse assunto?
Caputo - Boa parte (senão todos) os fundamentos culturais de uma sociedade convergem nas suas prescrições técnicas e simbólicas sobre como lidar com a morte, de modo a integrá-la na realidade  social e garantir a continuidade da vida comunitária,  estabelecendo códigos de conduta, modulando relações de parentesco, instituindo papéis profissionais etc. Então, essas diferentes "maneiras" de lidar com a morte, chama a atenção (e é de  grande interesse) da Psicologia Social, que vem sendo estudados cada vem mais.
 
SNM - O que mais te chamou a atenção sobre a pesquisa?
Caputo - O que me impressionou, primeiramente, foi que, apesar do intenso processo de  aculturação dos “bororos”, este grupo ainda guarda diferenças marcantes em relação aos “linenses”, em relação ao modo como lidam com a morte. Entre os linenses, por exemplo, a morte  é mantida à distância, no sentido de que as tarefas funerárias são "terceirizadas" a profissionais e instituições específicas. 
O luto é vivenciado só ou junto à família nuclear e a expressão da dor costuma ser abreviada. Já os bororos geralmente guardam proximidade dos indivíduos adoentados e moribundos, bem como de todo o ritual funerário. A dor é expressa e o luto é vivenciado em comunidade. Por outro lado, em ambos os grupos confirma-se que o conjunto de técnicas e símbolos de lida com a morte representa um importante organizador psicossocial, pois orienta e auxilia as pessoas no enfrentamento individual e coletivo da morte, favorecendo na elaboração dos impactos psíquicos, na reorganização dos papéis e dos vínculos sociais.
 
SNM - Como foi ficar esses dias na aldeia?

Caputo - Foi desafiador e fascinante me integrar no grupo dos Bororos, já que não fazem parte do meu cotidiano. Porém, a inserção ocorreu em um contexto atenuador dos impactos gerados pelo ingresso de um forasteiro no grupo. O ingresso no grupo Bororo ocorreu através de um Projeto de Ação Voluntária feito entre o Centro Católico Salesiano Auxilium (UNISALESIANO), de Lins-SP, local em que trabalho e as aldeias de Meruri (índios Bororo) e Sangradouro (índios Bororo e Xavante). O projeto ocorreu de 11 a 19 de julho de 2012 Nesta ação de voluntariado, eu fui designado para compor o grupo que seguiria para Meruri. Os quatro primeiros dias foram planejados pelos habitantes de Meruri, os quais promoveram algumas danças, rituais, levaram-nos para passeios e visitas acompanhadas pela aldeia, festas, atividades esportivas mesclados com rodas de conversas e palestras realizadas por lideranças Bororo (diretor da escola, cacique, responsáveis pelo Museu Comunitário e Centro de Cultura Bororo. Pe. Rodolfo Lunkenbein); bem como por dois religiosos que estão há décadas na aldeia.
 
SNM - profissionalmente você atua de que modo hoje?
Caputo - Hoje sou psicólogo clínico e atuo com atendimento na cidade de Lins e região. Sou professor universitário e consultor em gestão de pessoas. Desenvolvo pesquisas de mestrado em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de São Paulo - USP.
 
SNM - Essa não foi sua primeira experiência com o tema da morte. Você desenvolveu projetos na sua área com pacientes soropositivos. Conta para a gente como foi esse projeto.
Caputo - Essa experiência se deu em 2006. O trabalho consistiu em formar um grupo de apoio aos soropositivos e seus familiares frequentadores da ONG MOVECA (Movimento Vestindo a Camisa), da cidade de Penápolis-SP, com o objetivos de construir um vínculo com os integrantes desta, estabelecendo, portanto, uma relação de alteridade. No período em que atendi na Ong, um dos integrantes do grupo faleceu, a partir de então passei a investigar as questões relativas à morte e às vivências do luto.
 
SNM - Como é para você trabalhar com pacientes nessa condição?
Caputo - Atendo muitas pessoas que estão vivenciando o luto de entes queridos ou coisas que apreciavam muito, porém vejo que nossa sociedade não facilita a esta vivência. Este é um tema proibido, já que após o funeral, cada vez menos se tolera o choro e o pesar, assim o luto que outrora era uma reação natural e esperada diante de uma perda significativa, passou a ser patologizado e medicalizado. Deste modo, é muito satisfatório poder facilitar a elaboração do luto de pessoas que além de sofrerem as suas perdas, sofrem por não poderem expressar suas dores, suas angústias e medos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

EXERCÍCIO DE ARGUMENTAÇÃO - LÓGICA

 
Aos alunos do 6º termo de Comunicação Social.
 
Queridos, abaixo está um vídeo-documentário intitulado "Evolução versus Deus", onde mostra alguns argumentos à favor da existência de um Deus originador do mundo, contra os argumentos presentes na teoria da evolução da espécies de Charles Darwin.
A princípio, gostaria que vocês assistissem o vídeo para gerar, aqui no blog, uma discussão. Posteriormente, iremos trabalhar com os principais argumentos apresentados no documentário.
A discussão poderá começar por meio das questões sugeridas a seguir:
1. Você acha que o autor do documentário usou de bons argumentos para expressar suas ideias?
2. O que você percebeu sobre a forma como as pessoas responderam as perguntas do entrevistador?
3. Você se sentiu incomodado, em algum momento do vídeo? Qual? Por quê?
4. Deus existe?
5. O que é o discurso científico? Por que acreditamos nele?
 
Bom divertimento!!!


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

MUSEU DE PALEONTOLOGIA DE MARÍLIA RECEBE ALUNOS DO COLÉGIO UNIESP


Na última quarta-feira (29), os alunos da 2ª série do Ensino Médio do Colégio UNIESP, realizaram visita ao Museu de Paleontologia da cidade de  Marília. Inaugurado em 2004, tem a pretensão de promover a pesquisa paleontológica, preservar e divulgar achados junto à população e a comunidade científica. 
O pesquisador William Navas
Os alunos tiveram a oportunidade de estar em contato com ossos de dinossauros, fósseis, ovos de crocodilos e restos de tartarugas, além de peixes e troncos de árvores fossilizados que contam a história geológica da região. Na ocasião, foram recebidos pelo historiador e também curador do museu William Navas que encerrou a visita levando-os a um dos sítios paleontológicos. O passeio foi proposto pelo professor das disciplinas de Filosofia e Sociologia Julio César Gonçalves, que relata a importância deste contato: “A visita ao museu de paleontologia é importante para responder muitos questionamentos dos nossos jovens, bem como suscitar novas perguntas sobre a nossa existência e origem terrena”, diz.
Segue algumas fotos feitas na visita ao museu.


Emoção em tocar ossos de titanossauro

Mapa geológico - regiões propensas à deposição de fósseis


Vale dos dinossauros

Explorando as rochas ricas em concreções carbonáticas

Turma da 2ª série do EM - Colégio UNIESP

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ANTROPOLOGIA E COMUNICAÇÃO - JORNALISMO



Meus queridos alunos do 5º termo de Jornalismo.
Para iniciarmos nossa discussão acerca da disciplina, segue uma frase para pensar e comentar:

"A NATUREZA DOS HOMENS É A MESMA, SÃO SEUS HÁBITOS QUE OS MANTÊM SEPARADOS" - Confúcio.

Devemos concordar com Confúcio sobre esta afirmação?

Segue os links dos textos para discussão em sala.
Abraço a todos

Texto 1 - Antropologia: conceitos e definições

Texto 2 - Natureza, cultura, patrimônio ambiental

terça-feira, 12 de outubro de 2010

UMA CRÔNICA SOBRE A MORTE

MORRA, SEU CRETINO - Por Marco Aurélio



Estava eu perdendo tempo na itnernet quando me deparei com uma homenagem que algumas pessoas fizeram a alguém que morreu, era jovem, por sinal. Fiquei olhando a foto do falecido por algum tempo, calado, apenas olhando. Creio que todos já passaram pela experiência de ver a foto de uma pessoa já falecida e não acreditar que ela morreu, pensando que a pessoa não fosse passível de morte. Meu sentimento ao ver a foto do jovem não foi o escrito nas linhas acima, afinal, eu não conheço o falecido que foi homenageado neste episódio e não fico de luto por quem não conheço. Sim, o luto foi banalizado. Hoje qualquer um está de luto pela morte de qualquer pessoa, mesmo que a conhecesse apenas de vista. Só quem já passou por um luto de verdade sabe o quão ridículo é ficar de luto por alguém que não se conhece ou apenas passa-se a vista.
Ver a foto do garoto que morreu fez-me perceber que não se fala mais na morte, a vida é vivida como se não houvesse morte. Quando eu ainda era uma criança, pensava mais na morte, não na minha morte, mas na morte de outras pessoas. Lembro de estar na 2º ou 3º série do Ensino Fundamental... Eu olhava minha sala de aula, com algo perto de 30 alunos, e pensava: “Quando será, e como será, quando todos aqui nesta sala estiverem mortos? Como eles vão morrer?”. Não deve ser muito comum uma criança pensar sobre a morte. Cresci e continuei com a mesma ideia. Bastava estar presente em qualquer lugar cheio de gente que o mesmo pensamento vinha à mente: “Quando será que todos os presentes estarão mortos? E como morrerão?”.
Já passei pela infelicidade de perder meu pai, meus avós paternos, avós maternos e tios, que eu me lembre. Confesso que, de longe, a dor mais dolorida foi a perda de meu pai. Pude sentir na alma o que é realmente ficar de luto. Meu pai estava em casa, preocupado com uma cirurgia que seria feita em sua barriga. Ainda me lembro das suas palavras: “Eu to com um meeeeedo dessa cirurgia!”. Foi na mesa da cozinha que ele me disse. Eu não estava muito preocupado, afinal, meu pai já havia passado por inúmeras cirurgias na barriga num lapso temporal pequeno. Depois de tantas cirurgias, disto ele não morreria. Engraçado, num dia eu estava conversando com meu pai e, dois ou três dias depois ele era internado na U.T.I. Quando alguém dá a notícia da morte de seu pai, é como levar um soco na “boca do estômago”. É uma dor inenarrável. Falta ar e a visão fica embaçada. Ainda me lembro de alguns que me diziam que um dia a dor passaria. Após 4 anos a dor continua a mesma, apenas me habituei com ela.
Escrevi o parágrafo acima para que o leitor entenda que a morte nos ronda a todo o momento. Ela quer nos levar até quando estamos dormindo. Alguns dizem que seu desejo é morrer dormindo. Morrer dormindo uma ova! Quero morrer bem acordado, consciente do que está acontecendo e de que vou deixar este mundo. Desta maneira, a possibilidade de dizer adeus às pessoas queridas é bem maior. Que sem graça deve ser deitar numa cama e simplesmente não acordar. Posso ser mais romântico com minha morte: Morrer nos braços da mulher amada dizendo a ela que o melhor de minha vida foi viver ao lado da mulher que mais amei, e que esperarei até o momento de nos reencontrarmos.
Mas porque deixaram de pensar na morte? O mundo virou todo materialista? E o transcendental, o além da vida, onde foram parar?
Tenho pouco estudo, por isso, não sei se posso me considerar um Espírita. Mas acredito e sempre acreditei na vida após a morte. A filosofia espírita me esclareceu uma dúvida: “Qual a razão de estudar e trabalhar tanto se vamos morrer?”. O que descobri é que não ficaremos tão mortos quando morrermos. O que fui encontrando me confortou – mas nem por isso deixei de questionar e melhorar a resposta que encontrei – e me fez entender que a razão de estudar e trabalhar tanto é que ainda estudaremos e trabalharemos ainda mais. Por isso, quanto maior for nosso esforço aqui nesta terra, menor será o esforço na vida que teremos depois da morte. E se não pensamos na morte, se não pensam na morte, não poderão ter uma resposta para a questão acima. Sem uma resposta, uma resposta qualquer, a vida fica sem sentido, depressiva. (Não me venha com seus “argumentos científicos”. Não quero ciência neste texto. Não quero provar nada e não quero que provem ou refutem o que escrevo. Deixe o Deus de nosso tempo, a ciência, descansar).
Depois de ver a homenagem ao jovem do primeiro parágrafo, vi que a família e os amigos do mesmo escreveram alguma coisa na homenagem, e fiquei imaginando como seria minha casa e minha roda de amigos sem mim. Estranho, no mínimo! Lembro do meu quarto bagunçado, onde há livros e roupas espalhadas, minha cama, que me aguarda pacientemente todas as noites. Como seria meu quarto sem mim? O quintal de casa, onde, às vezes, jogo bola com meu irmão e com os amigos, como ficará? A mesa do bar, onde me reúno com os amigos para darmos risadas, como ficará? Alguém vai ocupar o meu lugar vazio à mesa? E olhar para o que mais te faz lembrar de mim e saber que eu nunca mais vou aparecer, como será? Espero que demore muito tempo até que eu responda estas indagações. Ou como diria o professor Júlio César, eu não vou respondê-las.
Marco Aurélio é estudante do 4º termo
de Direito
E a lembrança daqueles que morrem, como é? Nos habituamos a construir a imagem de santo do falecido, isto não é correto. Devemos lembrar das pessoas exatamente como elas foram, não importando se foram anjos ou demônios. Lembrar dos erros delas para não cometermos os mesmos erros. A morte é a professora da vida. Se você já passou pela experiência de ver uma pessoa querida morrer, com certeza, parou e pensou um pouquinho na vida, na própria vida, encontrou seus defeitos e aquilo que precisa melhorar. Provavelmente esqueceu tudo depois de três dias, mas tudo bem. É a morte te ensinando a aprender com ela. Afinal, quando você morrer, como gostara de ser lembrado?
Se o ser humano tivesse consciência de sua morte, uma das raras certezas pela qual eu colocaria a mão no fogo, todos seríamos um pouquinho melhor, acredito. Até as figuras mais desprezíveis da história, acredito eu, gostariam de ter deixado uma reputação melhorzinha. Sei que o que vou deixar quando morrer não será uma contribuição significativa para as pessoas, mas empenho-me o máximo que posso tentando deixar exemplos de mim mesmo. Mesmo não sendo um santo em vida, é possível deixar uma contribuição para quem está vivo. Eu mesmo não sou a pessoa que desejava ser, contudo, continuo insistindo em mudar meu caráter, mudar meus hábitos, mudar minha história. Afinal, como disse Rocky Balboa: “Não se lembrarão de você. Se lembrarão da sua reputação”.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O LIMITE DA LEI É O AMOR


Hoje (21/09) aconteceu algo que me levou a questionar sobre o surgimento e o uso das leis em nossa sociedade: Até onde vai o alcance da lei? O que um conjunto de leis indica?
Vamos aos fatos.
Tudo começou quando, pela manhã, vindo do hospital com minha esposa e filha (num daqueles dias em que pensamos: "não devia ter saído da cama hoje"), acidentalmente atropelei um motoqueiro. Eu estava fazendo uma rotatória e o "queridão" simplesmente não respeitou a preferencial. Bati em cheio com a frente do carro em toda a lateral da moto.
Vou dizer algo a vocês... atropelar alguém trás uma sensação muito pior do que a de bater um carro no outro (salvo as dimensões da gravidade do acidente). Lembro-me que, na hora, a única coisa racional e consciente que fiz foi ligar o pisca-alerta... depois disso operei por instinto e emoção.
Desci do carro e fui ver em que estado se encontrava o motoqueiro. Por muita sorte(?) a pouca velocidade em que eu estava fez o impacto não ser tão traumático, de modo que o encontrei se levantando (reclamando dor na perna), porém bastante lúcido para ouvir tudo o que disse (e que agora sou incapaz de repetir), diante do susto e da raiva, ainda que certo perante a lei. Saí com o sentimento de impotência face a imprudência dos outros.
Aliás, em se tratando de cuidado no trânsito, Presidente Prudente deveria se chamar "Presidente Imprudente" (sem nenhuma intenção de manchar a memória do tal presidente em questão), tamanha desordem e desrespeitosa atitude dos transeuntes prudentinos (isso para não falar de que estamos na Semana Nacional de Transito, onde devemos questionar mais sobre nossos hábitos cotidianos, seja no volante, seja enquanto pedestres).
Resumo da ópera, o acidente não foi fatal nem provocou maiores danos que o material, no entanto, não teve um só minuto no meu dia que não se repetia a cena do acidente em minha memória e com ela o sentimento de impotência.
No papel de questionador da realidade jurídica, tratei de problematizar algumas certezas muito presentes no imaginário coletivo acerca das leis e do direito. O que nos faz seres humanos tão dependentes das leis para nos sentir "bem ou mal" quando ela se aplica ou não?, isto é, por que precisamos das leis para nos sentir mais seguros, mais livres?
Dois textos que usei como base para as discussões com os alunos do curso de Comunicação Social na disciplina de Legislação e Ética, me vieram à mente na tentativa de responder tais indagações: "Ter ética é amar"¹ e "Excede a lei onde falta o amor"².
Dado o fato de que faz parte da natureza humana a imaturidade, a falibilidade e a fragilidade, tais características nos torna seres dependentes uns dos outros - reforçando a tese de Aristóteles quando afirma que  "o homem é um ser político" -, ou seja, não podemos fugir da vida em sociedade, da vida coletiva. Ora, sabemos que é na vida coletiva cotidiana que se manifestam nossas diferenças e as dificuldades de conviver com elas, o que gera os conflitos de ordem social.
As leis representam formas artificiais de assegurar, de garantir o bom convívio entre o homem e seus pares. Artificial porque significa que algo "supostamente tido como natural" não tem dado conta de garantir esse estado da convivência. 
Mas o que, afinal, seria esta característica "natural", porém falha?
Senhores, é a capacidade de amar... onde não há a tolerância advinda do amor, surge a lei como tentativa de garantir que o respeito e a dignidade prevaleça, porém, elas não asseguram, nem podem garantir que as pessoas se amem, se respeitem. O que demonstra, então, o montante de leis sendo aprovadas e na fila à espera de aprovação nos órgãos legisladores, diariamente? Mostra que ainda não aprendemos a amar!
Alfonsin diz que "o excesso de leis se deve à diminuição do amor". Entretanto, a quantidade de leis não significa mais paz entre as pessoas. "Nós criamos, no máximo, uma trégua, mas não justiça social. Fazem-se contratos entre as pessoas (de trabalho, de locação etc.), que mais ou menos acomodam seus respectivos egoísmos", diz. O amor ao outro, à vida do outro deve ser o parâmetro fundamental para todas as nossas ações cotidianas. Como devo agir diante do outro? deixa claro a questão central da ética, sobre os critérios que devem embasar nossa postura.
Portanto, gostaria de encerrar esta postagem e não a discussão, com uma frase bastante pertinente à essa reflexão, de Martin Luther King, a respeito da boa convivência humana:

"APRENDAMOS A VIVER JUNTOS COMO IRMÃOS, OU MORREREMOS TODOS JUNTOS COMO IDIOTAS".

Abraço a todos.

___________
¹ AGUIAR, Emerson Barros de. Ter ética é amar. Filosofia, Ciência & Vida, São Paulo, n.14, p.70-72, 2007.
² ALFONSIN, Jacques Távora. Excede a lei onde falta o amor. Mundo Jovem: um jornal de ideias, Porto Alegre, abr. 2006, n.365, Sociologia, p.02.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

CONFISSÕES DE UM FILÓSOFO



- sobre a dor -

Nas grandes ausências do cotidiano ela se apresenta. Não escolhe os dias nublados, nem as manhãs de ressurreição. Sua presença é tão constante na experiência do viver como a brisa serena em uma doce tarde de verão. Não espera elogios, nem mesmo agradecimentos.
 Arthur Schopenhauer assim escreveu sobre ela: "Quem deseja. Quem vive deseja. A vida é dor". Até mesmo Sêneca se aventurou por suas veredas: "Uma dor nova nasce da própria dor”.
Nenhum pensador poderia apagar de minha alma a sua presença desagradável. Queria esquecer-me dela assim como a noite se esquece das trevas dando lugar à luz de um novo dia. Mas ela insistia em querer permanecer ali. Fizera sua morada em terras alheias. Tomara posse de um terreno que não lhe pertencia. Protestei, reinvidiquei meus direitos de proprietário. Lutei pela desocupação de terras. Tudo foi em vão. Só iria embora quando desejasse. Para mim não me restava outra alternativa, a não ser aprender a conviver com ela.
Foi sofrido nossa permanência num mesmo território chamado coração. Pedi muitas vezes que fosse embora. Chorei e implorei para que partisse. Sem nenhuma compaixão pelas minhas suplicas continuava ali. No mesmo lugar. Parecia feliz com o meu padecimento.
Aos poucos ia me definhando. Semelhante às folhas que precisam cair dos galhos de uma árvore para dar lugar a novas existências. Sentia que o inverno que havia chegado seria um dos mais rigorosos dos últimos tempos. Ansiava pela primavera de esperanças.
Éramos guerreiros lutando cada um por sua verdade. Ela de um lado, quieta e resistente; eu do outro, armado e atacando. Lados opostos, estratégias desiguais. Mar agitado e lua cheia, serena e bela.
Dentro de mim buscava razões para vencer uma guerra que não parecia ter fim. Foi buscando as armas da razão que poderia vencê-la que encontrei-me com C. S. Lewis. Ele me disse: "Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido".
A minha razão sempre fora o meu deus. E agora me vinha este tal C.S. Lewis falar-me que Deus gritava a minha consciência através da dor? Que loucura. Quando minha rival soube disso deu um leve sorriso. Este gesto inusitado de sua parte causou-me uma revolta ainda maior.
Mas cada vez que eu ia armado para um novo combate eu via o seu sorriso sereno. E cada vez ele me parecia mais doce. Tão doce como as maças vermelhas e suculentas que havia provado em minha infância.
E foi assim, olhando para o seu sorriso de possibilidades que foi se despertando dentro de minha alma um novo mundo. O deserto que nos separava começou a florescer aos poucos. O orvalho das manhãs frias ia aos poucos dando vida ao que já estava sepultado pelas longas lutas de uma guerra de incompreensões.
E foi assim que em uma manhã de sol, o frio daquela triste estação arrumou as malas e foi embora, dando lugar a primavera que estava chegando. Ela deu-me um abraço. E assim partiu. A primavera de uma nova existência chegou. O que a estação fria do inverno havia sepultado, a primavera da compreensão ressuscitou. Naquele novo jardim de possibilidades coloquei uma linda placa onde ainda hoje se pode ler: "Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar" (Selma Lagerlof).

Flávio Sobreiro
Filósofo pela PUCCAMP, Teólogo pela FACAPA, Escritor, Poeta e colaborador do BLOG SOCIOLOGIA NO MUNDO.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ÉTICA E MORAL - Caso 2

O segundo caso que vamos estudar é bastante conhecido. Trata-se das histórias do "menino selvagem" (como ficou conhecido) e das irmãs Amala e Kamala.
Sobre esse caso vocês irão refleti-lo a partir da afirmação feita por Lilia Pinheiro (no texto trabalhado em sala) a respeito da ética grega. Façam uma análise comparativa entre as histórias e a afirmação abaixo:

"A ética grega entendia que o homem é um animal político (da polis) por natureza. Sendo assim, o homem só se humanizaria, se tornaria verdadeiramente homem, na comunidade. Ela era, pois, uma busca racional por critérios que tornassem possível a vida digna em comum". 

Segue os links dos textos: texto1  e texto2

Bom trabalho! Boa reflexão!!!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"A CULPA É DAS MULHERES!!!"


O líder religioso iraniano Hojatoleslam Kazem Sedighi, em um discurso a respeito dos tremores de terra naquela região, disse: "Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta levam os homens jovens ao mau caminho, corrompem a sua castidade e espalham o adultério pela sociedade. Isso, consequentemente, faz aumentar o número de terremotos".
O líder religioso fez tal afirmação porque as mulheres de sua nação estão ficando "muito ousadas", já estão trajando roupas que mostram a canela... que absurdo!
A localização do Irã, geograficamente, é mais predisposta à ocorrência de fenômenos naturais como os abalos sísmicos e, também, sabemos que uma das causas dos terremotos, dentre tantas, é o movimento das placas tectônicas (não precisa ser geógrafo ou cientista para chegar a esta conclusão).  
Sedighi sugere ainda que, para evitar mais morte e soterramentos, "não há outra solução senão tomar refúgio na religião e adaptar nossas vidas ao código de moralidade do Islã".
Não quero fazer o papel de advogado do diabo, porém não consegui deixar de lado esta notícia quando a ouvi. Não sou totalmente contra as religiões, de modo geral, nem de suas formas de manifestação de fé, mas daí a ter que ouvir coisas desse tipo... 
Onde fica o respeito pela criatura, pelo ser humano? Que deus será este que inspira regras e condutas como estas?
Apesar da minha surpresa diante dessa notícia, descobri que não foi a primeira vez que algo parecido aconteceu.  O Pastor Pat Robertson atribuiu o terremoto do Haiti a um pacto feito pela nação com o diabo. 
É pra acabar!!!

quarta-feira, 24 de março de 2010

ANTROPOLOGIA E DIREITO

A Antropologia (anthropos = homem)  é a ciência que se propõe estudar o homem na sua totalidade, isto é, nos seus aspectos sociais, naturais e históricos – o lhe confere um aspecto de ciência ampla e dependente de outras disciplinas e ciências para compor a análise de seu objeto de estudo (o homem).
Desta forma, sua relação com o Direito se torna imprescindível para entender os processos evolutivos do próprio direito, bem como de sua diversidade, ou seja, um país possui, além do aparato jurídico oficial, o convívio simultâneo com sistemas jurídicos distintos, assegurados pelos indivíduos – como é o caso das regras existentes dentro da aldeia indígena que muitas vezes conflitam com o Direito Oficial. A diversidade jurídica expressa a diversidade cultural e o jurista deve saber lidar com esta realidade.
Para pensarmos um pouco mais sobre a aproximação destas duas Ciências práticas, sugiro a leitura de dois artigos, denominados:  Direito e antropologia: uma aproximação necessária de autoria de Alexsandro Eugenio Pereira e o outro, Antropologia Criminal, do Prof. Ms. João Edisom de Souza.
BOA LEITURA!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DEUS É MESMO BRASILEIRO???



Ultimamente os meios de comunicação de massa, sobretudo a televisão, têm dado grande ênfase aos desastres causados pela “fúria da natureza” em diversas cidades do Brasil. Engraçado, há pouco tempo tínhamos a impressão de que problemas como terremotos, furacões, tempestades estavam bem distantes de nosso país. Falávamos: “Deus é brasileiro”... O que aconteceu? Deus resolveu escolher outro lugar para morar? Acho que não é bem assim...
A discussão que quero fazer com vocês é outra. Na verdade trata-se mais de uma provocação aos nossos conceitos “bem-formados” e acomodados. É também uma crítica ao modo como temos assumido uma visão passiva ao receber informações dos meios de comunicação quando o assunto é desastre da natureza.O meio ambiente é, sem dúvida, um dos assuntos mencionados com grande expressividade nos últimos anos, pelos meios de comunicação, sobretudo no que diz respeito aos problemas de ordem natural ou antrópico – como o superaquecimento global, os furacões e tornados, as chuvas e os alagamentos, os desmatamentos, a desertificação de regiões inteiras, a perda da biodiversidade, a depleção da camada de ozônio, o efeito estufa, a crise da água potável, a cultura consumista, a produção de enormes quantidades de lixo, biopirataria, falta de planejamento urbano, descaso político e tantos outros complicadores.
Da mesma forma, não são raras as vezes em que ao ser noticiadas tais catástrofes, evidencia como grande vilã a fúria da natureza. Mas e o homem? Qual o seu papel diante do cenário ambiental atual? Seria muita ingenuidade acreditar nessa premissa, uma vez que o homem faz parte da natureza, é natureza e com ela interage.
É necessário, antes de tudo, entender o papel da humanidade diante do seu meio, isto é, entender como se dão as relações humanas (de ordem econômica, política, cultural, normativa e outras) com o meio ambiente em que vive.
Dentre todos os problemas que foram referidos acima, nenhum é tão preocupante quanto a falta de envolvimento da população e dos líderes políticos com vistas a erradicá-los. Será que a natureza tem que levar a culpa pelas inúmeras casas submersas ou arrastadas pela lama, pelas águas das enchentes? Será que a natureza é culpada pelas encostas e barrancos deslizarem arrastando tudo o que encontra pela frente? Ora, até quando vamos ficar pondo a culpa na natureza e deixando de chamar a responsabilidade para nós?
Onde estão os prefeitos e planejadores da cidade que não percebem por onde a cidade está crescendo? Onde foi que se formaram os engenheiros e arquitetos que não sabem o óbvio - que construir em fundo de vale e encosta, além de proibido é risco de vida? Cadê nosso compromisso enquanto cidadão que participa das decisões importantes do nosso município e cobra os seus governantes?
Devemos pensar: a quem beneficia ficar apenas lamentando o número de mortos e de casas arrasadas e colocando a natureza como a madrasta má dessas trágicas histórias? Qué é lamentável as mortes e a perda dos bens materiais conquistados, muitas vezes com grandes esforço, isso é fato. O que estou dizendo é que a culpa não é da natureza; ela é natural. O máximo que pode acontecer é ela devolver as agressões que recebe dos seres "racionais" que povoam o planeta!

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