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terça-feira, 9 de maio de 2017

MAIS UM PARA A COLEÇÃO

Por Amanda Manequini

A impunidade corrói a democracia e deixa um rastro de insegurança na sociedade. A concessão de habeas corpus, dada ao goleiro Bruno Fernandes, acusado no assassinato de Eliza Samudio, virou alvo do debate sobre a funcionalidade da democracia brasileira.

Tecnicamente falando, o regime semiaberto, ao qual ele está submetido atualmente, está preceituado na legislação. Contudo, se levarmos em conta que o tempo para progressão de seu julgamento foi exaurido, percebemos quão desamparada está a justiça. Mesmo com todo o holofote midiático voltado para o envolvimento do ex-goleiro do Flamengo no crime, o Estado não conseguiu apresentar uma decisão num tempo razoável.

A polêmica soltura foi assinada pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que assinou também a liberação de Suzane Von Richthofen (condenada por matar os pais), o que contribuiu mais ainda na discussão. 
Além de uma justiça eficiente, esperava-se que o time, que atualmente está contratando o goleiro, se mostrasse preocupado com sua situação docondenado. Enquanto isso, a família da ex-modelo, observou a declaração do novo goleiro do Boa Esporte. Nela, Bruno disse friamente que uma prisão perpétua não traria a vítima de volta. 
Resta à sociedade mostrar seu inconformismo, e ao Estado, o papel de estimular a denúncia de casos de violência física e psicológica contra a mulher, para que não surjam casos parecidos. A proporção que o fato tomou deveria servir de estímulo e não como mais um exemplo de impunidade para nossa coleção.

AMANDA MANEQUINI é estudante da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Cooperativo de Presidente Prudente e também colaboradora do nosso Blog.

segunda-feira, 21 de março de 2016

NASCEMOS DUAS VEZES



Por Julio César Gonçalves

Aristóteles afirmou certa vez: "O homem é um animal político", um animal social. Evidentemente que ele se referia à natureza coletiva dos seres humanos.
Nós não nascemos para viver isolados, não somos ilhas. Somos arquipélagos.
Desde os primórdios da vida humana o homem se organizou em agrupamentos, mais ou menos vinculados afetivamente. Uma das primeiras formas de associação foi o clã. A primeira família. Aliás, é na família que se busca os elementos-chave para a compreensão da sociedade: as relações interpessoais, o sentimento de pertença, objetivos focados e comuns, dependência mútua compartilhada etc. Depois vieram as tribos, as aldeias (ou genos) e só depois as sociedades complexas.
Ora, nascemos, vivemos e morreremos sempre aptos a CONVIVER, a estar em comunidade, e, conviver é diferente de viver  - não apenas por uma questão de conceito e etimologia -, mas porque estão ligadas à coisas distintas.
Quem vive? Ora, nós vivemos. Nós quem? Nós seres humanos. Mas somente seres humanos vivem? Não... Todo ser vivo vive. Parece óbvia tal resposta.
O que caracteriza a vida em um ser vivo são o conjunto de atributos biológicos presentes em sua constituição. Respirar, movimentar-se, desenvolver-se, reproduzir, envelhecer, morrer. Sob estes aspectos (biológicos), somos tão vivos quanto uma bactéria. Entretanto, quando falamos de convivência, falamos de atributos tipicamente humanos. A própria acepção da palavra já deduz: CONVIVER = VIVER COM o outro. Conviver é ensinar e aprender, é ajudar e ser ajudado, é se tornar melhor com outras experiências compartilhadas. Conviver é ser melhor a cada dia. Nisso nos diferenciamos dos outros seres vivos, porque não são aspectos apenas biológicos de que somos feitos, mas também sociais. 
Então quer dizer que os animais não convivem entre si? Do ponto de vista sociológico não. Essa é uma realidade tipicamente humana. Os animais podem viver em bandos e expressar certas reações muito semelhantes às que apresentamos na convivência diária, entretanto, eles não têm algo que é extremamente importante para caracterizar a convivência: a consciência. Outros seres vivos não agem movidos pela decisão livre e consciente. Agem por impulso, por instintivo. Os animais e plantas se alimentam pelo instinto da fome, por exemplo, nós, além dos instintos, nos alimentamos por outras motivações (ansiedade, gula, para não fazer "disfeita"). Os animais se relacionam sexualmente e se reproduzem para manter a espécie, nós, além deste motivo, nos relacionamos por carências, por prazer, por vingança, por amor. Fazemos controle de natalidade, criamos métodos contraceptivos, abortamos.
Portanto, é-nos evidente que temos duas naturezas. Podemos dizer até que sofremos dois partos: um natural e, portanto, biológico; e, outro social, porque nascemos para a cultura, para os costumes, para o mundo que nos rodeia.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A EDUCAÇÃO É VISTA COMO GASTO PELO GOVERNO


Por Julio César Gonçalves

Estudantes, pais e professores de várias escolas públicas de Presidente Prudente foram às ruas hoje pela manhã, em protesto contra a "reorganização" das escolas, imposta pelo atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na chamada reorganização das escolas, o governador realocará vários estudantes para outras escolas, superlotando as salas de aula, desrespeitando os estudantes que serão obrigados a estudar em escolas fora das proximidades de sua residência, professores ficarão desempregados, pois, sob o discurso de "corte de gastos" (para a gente ver como é considerada a educação pelos gestores deste país - um gasto), existe a intenção de fechar várias escolas em Prudente e região.
De encontro a essa política desmanteladora,  fomos às ruas, paralisamos o trânsito em frente a Diretoria de Ensino (que por sinal, tratou-nos como animais, acionando a polícia e enxotando professores e estudantes que se encontravam pelo lado de dentro dos portões da DE). Assim vamos caminhando, em meio ao descaso político de nossos governantes, a forma desumana com que são tratados os professores e a má qualidade do ensino com que nossos estudantes, nossas crianças e jovens são submetidos sem, sequer, o direito de serem consultados ou levados em conta suas necessidades.
Se essa situação não representar o "fundo do poço" da educação, então não saberia dizer o que mais poderia acontecer-nos. Nossa sociedade caminha, passo a passo, rumo à idiocracia...




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PANDEMÍDIA II

"O médico pensa que é Deus; o jornalista não tem dúvida". (Editorial da Revista Negócios da Comunicação)
 
Tragédia em Santa Maria e o poder da Mídia
Por Flávia Arenales V. Matricardi
 
Neste último domingo, 27/01, veículos de comunicação de todo o país noticiaram a morte de centenas de jovens na boate Kiss em Santa Maria – RS. Intensamente, durante horas a fio, a programação dos canais abertos foi alterada e acompanhamos minuto a minuto o desdobramento do segundo maior incêndio com mortes do país, o desespero dos pais, amigos e familiares das vítimas, além de entrevistas com autoridades que apontavam os possíveis culpados do fato. Ao analisar o fato jornalisticamente por meio dos itens do lead (o que, quem, quando, onde, como e porque), notamos os abusos e excessos de repórteres na ânsia de conseguir o furo e manter a audiência.
Basicamente, o leitor, telespectador e ouvinte precisa conhecer informações que tenham relevância e que, de alguma forma, o ajudará a se precaver sobre um possível incidente. Porém, o que foi revelado e ainda está sendo noticiado são histórias que vão muito além do fato. Jornalistas abordam familiares no momento de dor, durante o velório e enterro dos jovens, com perguntas que muitas vezes, já sabemos a resposta.
Ficamos sabendo também dos trajes das vítimas no dia do acidente, local onde as cinzas das pessoas que foram cremadas serão jogadas, entre outras banalidades. Não tenho dúvida de que leis mais severas serão criadas para proprietários de casas noturnas e que os possíveis culpados serão condenados porque a mídia já os incriminou. Várias notícias também mobilizaram o país durante semanas tais como o casa da menina Isabella Nardoni, Suzana Von Richthofen, Eliza Samudio, Eloá Cristina fazendo com que a população ficasse hipnotizada com a informação e debatesse em rodas de amigos somente o fato pré-determinado pela imprensa.
O que é salutar indagar é porquê fatos de extrema importância para a população como desvios e lavagem de dinheiro, atrasos nas obras para a Copa, milhares de mortes em hospitais públicos são escondidos ou minimamente noticiados pela grande mídia. Fica a dica.
 
 Flávia Arenales V. Matricardi é formada em Jornalismo e atua como Assessora de Imprensa. Também é uma das colaboradoras do nosso Blog.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A TÍTULO DE HOMENAGEM (ATRASADA)



O aniversário de Penápolis passou (25/10) e eu não havia feito uma homenagem à minha cidade natal. Fiquei buscando em minhas lembranças coisas boas que vivi em minha infância e parte da minha juventude... Achei meio clichê fazer uma homenagem a partir das minhas memórias...
Portanto, tomei a liberdade de postar um texto produzido por outro penapolitano como eu, que mais do que homenagear me fez lembrar de uma história que não busquei em minhas lembranças...
Segue o texto escrito por Ulisses de Oliveira da Silva (meu querido primo).

PENÁPOLIS - 104 ANOS - COMEMORAÇÕES E LAMENTAÇÕES

Para se constituir enquanto cidade, índios de diversas tribos, que há séculos ocupavam a região de Penápolis e de todo o Noroeste Paulista, foram dizimados para a construção de estradas de ferro e estações ferroviárias, as quais tinham como principal função escoar a produção de café, produto que virou mania de consumo em todo o mundo capitalista no começo do século passado.
Oti-Xavantes foram perseguidos, Guaranis foram massacrados e Caingangues foram dizimados sob a desculpa de que estavam atravancando o progresso do país. O modo para exterminar a população indígena passava por guerras biológicas como infestação do vírus do sarampo, varíola e influenza nas roupas que os assassinos traziam dos hospitais de isolamento na capital e, posteriormente, colocadas nas trilhas dos indígenas. Além disso, havia o envenenamento das águas dos rios onde pescavam. 
Obviamente que a bala também foi usada por bandeirantes e pistoleiros.
Interessante notar que, 104 anos depois, a violência contra os legítimos donos das terras de nosso país se institucionalizou. Só neste ano, pelo menos mais 30 índios Guarani e Kaiowá se suicidaram no Mato Grosso do Sul, segundo o jornalista Bob Fernandes em consulta ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Dados oficiais, da Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde (Sesai), dizem que de 2000 até 2011, 555 Kaiowá-Guarani tiraram suas próprias vidas. O motivo: estão sendo expulsos de suas terras por meio de decisões judiciais (!!!), encurralados em micro-espaços para dar vazão ao agronegócio (cana, soja, milho, gado), forçados a se misturar com outras etnias, mortos por pistoleiros...
Antes, os Kaiowá-Guarani só pediam para viver em paz nas suas terras. Hoje, eles querem algo a mais e manifestaram o pedido em carta ao Governo e à Justiça Federal:
"Pedimos para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é nosso pedido aos juízes federais."
O aniversário de Penápolis, minha cidade, não é só motivo de comemoração para mim...

ULISSES DE OLIVEIRA DA SILVA é jornalista formado pela UNESP de Bauru, trabalhou em um dos importantes jornais impressos da cidade de Penápolis - Jornal Interior - e hoje é repórter do jornal DIÁRIO DE SÃO PAULO, na capital. 






sábado, 27 de março de 2010

INSTALOU-SE A BARBÁRIE


Na assembleia dos professores estaduais realizada na tarde desta sexta-feira (27) - próximo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo - houve um conflito que demonstra a barbárie em que vive a sociedade atual.
De um lado, com spray de pimenta e bombas de efeito moral, a polícia (quem dera se estas bombas produzisse moral... talvez soltássemos algumas no Senado, no Palácio Central, na Câmara etc), de outro, com pedaços de madeira, pedras e objetos pequenos, os professores.
Na confusão, um repórter foi atingido e saiu carregado por um policial. Clique aqui e assista o momento exato da confusão.
Não podemos deixar passar batido... temos que nos espantar com tais cenas afim de que podemos lutar por mais humanidade.

"Ou aprendamos a viver juntos como irmãos, caso contrário, morreremos todos juntos como idiotas" - Martin Luther King.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

É POSSÍVEL NÃO SENTIR???



EQUILIBRIUM discute características da formação da sociedade e também da natureza humana.



"Nos primeiros anos do século XXI aconteceu a 3ª Guerra Mundial. Aqueles que sobreviveram sabiam que a humanidade jamais poderia sobreviver a uma 4ª guerra e que a natureza volátil dos humanos não podia mais ser exposta. Então uma ramificação da lei foi criada, o Clero Grammaton, cuja única tarefa é procurar e erradicar a real fonte de crueldade entre os humanos: a capacidade de sentir, pois há a crença de que as emoções foram culpadas pelos fracassos das sociedades do passado. Foi decretado que os cidadãos devem tomar diariamente Prozium, uma droga que nivela as emoções. As formas de expressão criativa e emocional são contra a lei, sendo a violação a qualquer regulamento, a não-obediência, passível de punição com pena de morte (sem julgamento). John Preston (Christian Bale) é um Grammaton, um oficial da elite da lei, que caça e pune os “ofensores”, além de ter poder para mandar destruir qualquer obra de arte".
A convivência em sociedade é uma característica própria dos seres humanos, bem como a capacidade de sentir e expressar tais sentimentos. O filme reabre uma discussão bastante importante do ponto de vista sociológico, filosófico, psicológico e antropológico: a supervalorização da racionalidade em detrimento das emoções, dos sentimentos.
Embora o filme não tenha recebido grandes elogios da crítica, ele é bastante pertinente pelas discussões que levanta. A história se passa em um futuro diferente do qual vivemos ou esperamos; após uma terceira, e destruidora, guerra mundial. A sociedade é controlada por um regime totalitário, que obriga a população a tomar uma droga que anestesia emoções, prevenindo tensões sociais. Equilibrium explora muito a capacidade reflexiva do público através da simbologia de suas cenas, de modo a fazer analogias críticas paradoxais como, por exemplo, à maneira pela qual Adolf Hitler conduziu o holocausto. Porém, não deixa de ser um Estado totalitário tal qual o do nazismo.
Podemos perceber nitidamente a dinâmica social acontecendo através dos contatos (primários e secundários), dos processos sociais associativos (principalmente as idéias de acomodação e assimilação) e dissociativos (o conflito está sempre presente nas cenas do filme - do início ao fim). Também é perceptível a formação de agregados como a multidão e a massa (que assiste passivamente a dominação e a manipulação acontecer, anestesiada pela droga - alienação).
Embora o filme traz um desfecho, fica o questionamento a respeito da natureza humana: É possível viver sem emoções? Viver segundo as emoções não significa viver segundo os instintos? Quando a razão deve sobrepor as emoções? Será que o Direito não é uma forma racional de "pôr freios" às emoções humnas?

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