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segunda-feira, 25 de abril de 2016

DESCARTE DE EMBRIÕES: UM DILEMA ÉTICO DO NOSSO TEMPO



Por Julio César Gonçalves

Já é sabido que nunca falamos tanto sobre ética e falta de ética quanto nas últimas décadas, seja pelos meios de comunicação de massa, seja em discussões nas Universidades, seja no "senso comum nosso do dia a dia".
Hoje gostaria de trazer à tona um dentre tantos temas debatidos pela sociedade e que faz parte de uma área da ética denominada BIOÉTICA. Trata-se das discussões sobre a fertilização in vitro e o descarte dos embriões excedentes.
O problema ético central dessa discussão está em definir uma destinação aos embriões que não foram implantados no útero, ou seja, aqueles embriões que foram fecundados em laboratórios e que estão congelados (criopreservados) aguardando um destino. E que destino poderia ser este? Doá-los para pesquisa com células-tronco? Descartá-los? Mantê-los congelados? Doá-los para outros casais?
Estas são questões difíceis de serem resolvidas, mas que precisam ser pensadas. Seria muito fácil resolvê-las caso houvesse um consenso entre as verdades científicas, as verdades de fé e as verdades jurídicas. Mais precisamente sobre quando se considera o início da vida.
Muitos filósofos se embrenharam nesta difícil tarefa. 
Hipócrates (pai da medicina) defendia a tese de que é na concepção que se inicia a vida, portanto, qualquer remédio que colocasse em risco à vida intrauterina não deveria ser administrado. Platão pensava ser no ato do nascimento o exato momento em que a alma se fundia ao corpo. Aristóteles, a partir da "teoria da animação imediata", argumentou explicando que alma e corpo se unem semanas após a fecundação, afirmando que o feto tem vida e, pelos primeiros movimentos do bebê ainda no útero de sua mãe, se provará o início da vida. Também outros se posicionaram a este respeito.
Na próxima postagem veremos o posicionamento das religiões e da ciência.
Mas, fica para ecoar em nosso pensar, a questão: "Em que momento surge a vida?".

(Continua...)


domingo, 27 de março de 2016

ATEU, AGNÓSTICO, FILÓSOFO, CRENTES...


Por Julio César Gonçalves
Estamos (nós cristãos) ainda vivenciando a celebração da Páscoa. A festa maior para o catolicismo. Entretanto, para provocar uma reflexão (e não polêmicas - uma vez que polêmica não tem lugar na filosofia, senão o diálogo e o debate), resolvi postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado?
Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso.
Vamos ver o resultado?





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DEVEMOS TOLERAR O INTOLERANTE?


Por Julio César Gonçalves

Sem sombra de dúvida, um dos assuntos mais disseminados pela mídia brasileira hoje, diz respeito, direta ou indiretamente, à intolerância, seja racial, homoafetiva, ideológica, religiosa ou de outras ordens, seguido pelo tema da ética e do preconceito.
Apesar da semelhança conceitual comumente adotada, intolerância e preconceito se distinguem, embora não se excluam. O preconceito leva à intolerância e esta, à discriminação.
Preconceito é ter uma ideia a respeito de algo, antes de conhecê-lo a fundo e, a partir daí estabelecer um juízo de valor. Os preconceitos surgem quando se leva em consideração uma especificidade como sendo a totalidade da realidade, generalizando. Também aparecem cristalizados em frases prontas muito presentes nas conversas informais e ditados populares, como por exemplo, “toda loira é burra”, “mulher no volante, perigo constante”, “todo português é burro”, “baiano é preguiçoso”, “gaúcho é gay” etc.

Intolerar (não tolerar) se caracteriza pela atitude de não admitir, não respeitar
opiniões diferentes de suas próprias, no âmbito social, religioso ou político, sem considerar o outro lado, que as contestam. Desse modo, a intolerância se manifesta sempre que alguém crê em um único ponto de vista ou forma de se fazer algo, antipatizando e hostilizando (discriminação e violência) àqueles que pensam ou defendem outras visões de mundo.
O que fazer, por exemplo, diante da presença de pessoas intolerantes? O que eu tenho percebido muito é uma reação intolerante diante de atitudes também intolerantes. Uma espécie de intolerância à intolerância. O problema se agrava ainda mais, pois se trata de uma “meta-reação-intolerante”, isto é, seria muito próximo do que tentar resolver os problemas de guerra com guerra e gritar para não ficar rouco.
Além de ilógica, violenta e egoísta, tais atitudes nada mais expressam do que a alma da nossa sociedade atual, incapaz de empatia, incapaz de profundidade nas relações, incapaz de compaixão.
Olho por olho e o mundo acabará cego... (Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O NOIVO JÁ PODE BEIJAR SUAS NOIVAS


Esta semana que passou o portal Terra Notícias publicou uma reportagem sobre o registro em cartório da união entre um homem e duas mulheres como união estável. Pronto! Está instaurada a polêmica! Para que possamos melhor entender o fato, peço licença aos leitores para publicar na íntegra o texto do Terra.
Segue.

Poliamor em terras brasileiras: homem e 2 mulheres registram em cartório união a 3

O heterossexual Klinger de Souza, de 31 anos, e as bissexuais Paula Gracielly, 31, e Angélica Tedesco, 24, vivem um incomum relacionamento a três e conseguiram registrar a união poliafetiva em cartório, em Jundiaí (SP), onde moram.
Esta seria a terceira vez que um casamento a três é registrado em cartório no Brasil, nos moldes da União Estável. Mais para frente, eles querem também oficializar o casamento formal, assim como já fazem culturalmente os demais casais formados apenas por um homem e uma mulher e estão reivindicando os casais homossexuais. “Elas de noiva e eu de smoking, com festa e tudo mais”, planeja Klinger.
Os três são mato-grossenses, mas vivem em Jundiaí, onde garantem que levam vida normal, trabalham, passeiam e também pensam em ter um filho, gerado na barriga de "Paulinha", dentro de cerca de 2 anos.
 Além do filho, outro projeto do "trisal" é escrever um livro mais amplo sobre esta forma de se relacionar que ainda assusta, mas que eles garantem ser possível, natural, ética, verdadeira, honesta e amorosa. Trata-se do poliamor.
O reconhecimento em cartório deste romance atípico é importante, segundo eles, não somente em relação à divisão de patrimônio, mas também para que não sejam excluídos dos direitos civis, como outros cidadãos quaisquer. Além disso, eles já pensam também no registro do filho, que querem que seja feito em nome dos três: um pai e duas mães.
Para fazer o registro da união em cartório, Klinger explicou ao portal iG que declarou em texto escrito de próprio punho, com dados de pessoa física dos três, que vive junto com Paula e Angélica. Os três assinaram o documento, que precisou ser validado por duas testemunhas. Após as assinaturas, tudo acontece com o tempo de reconhecimento de firma que gira em torno de 30 minutos em qualquer cartório.
Se algum dos três resolver sair do relacionamento, terá o direito a 33% do patrimônio. Para Klinger, o mundo mudou e muita gente ainda fica assustada com essa forma de se relacionar. Mas a diversidade dos tipos de família é fato irreversível.
Fonte: noticias.terra.com.br

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOBRE DISCURSOS SEM FUNDAMENTOS

Por Julio César Gonçalves

Um aluno me parou no corredor dia desses e sapecou uma pergunta: "professor o senhor é contra ou à favor da descriminalização do aborto no Brasil?". Respirei fundo, escolhi bem algumas dúzias de palavras e já ia respondendo quando ele interrompeu dizendo: "mas não vale usar fundamentos religiosos, porque nem embasamento científico tem..."
Então, mais uma vez respirei fundo e resolvi não envolver Deus na referida situação. 
Como todo filósofo que se preza, respondi-lhe com outra pergunta: "Pois bem, me responda cientificamente: quais são os argumentos que sustentam TODOS OS BENEFÍCIOS trazidos pela interrupção de uma vida?".

O engraçado é que até agora não o encontrei com uma resposta...



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA...

Mensagem encontrada no bolso de um judeu cuja cidadania e cuja dignidade foram violadas gravemente no período nazista: "Prezado Professor. Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação. 
Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e aritmética só são importantes para fazer nossas crianças mais humanas". 
Para Fensterseifer, tudo indica que esse sujeito tenha presenciado a atuação de pessoas que, com sucesso, passaram por um processo formativo. “Bons alunos” que se transformaram em “especialistas idiotizados”. Quem sabe bons pais de família que cumpriam suas funções religiosas dominicais e, acima de tudo, funcionários exemplares que executavam assassinatos cuidadosamente planejados.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ADEUS AYLAN...

A foto que chocou o mundo, substituída por charges que homenageiam ao mesmo tempo em que despedem e fazem críticas...
"Ou aprendamos a viver juntos como irmãos ou morreremos juntos como idiotas". Martin Luther King.















quarta-feira, 29 de julho de 2015

NADA DO QUE FOI SERÁ IGUAL OU DO JEITO QUE JÁ FOI UM DIA


Por Julio César Gonçalves

Estamos vivendo uma crise na ética atualmente. O que isso significa? Significa que nossa sociedade vem passando por transformações em seu arcabouço moral, de modo que muitas mudanças podem ser percebidas e sentidas diariamente.
Nossos valores estão se transformando e, por consequência, causando tal sensação. O que era, não é mais (ou está deixando de sê-lo) e, substituído por novos valores que ainda não foram assimilados. Completamente pela sociedade.
Estamos no meio dessas mudanças. Exatamente no meio... O passado ainda não passou completamente e o futuro ja chegou, porém, não plenamente (daí a sensação de que o certo é o errado e vice-versa).
Um exemplo claro desta fase crítica que vivemos é a ruptura das sólidas instituições tradicionais de nossa sociedade, tais como: a família, a religião, a economia, a justiça entre outras.
Na família percebemos nitidamente uma reconfiguração estrutural, reflexo da emancipação da mulher, da dissolução dos casamentos (divórcio), da diminuição ou ausência total do número de de filhos, união homoafetiva etc.
A crença também passa por tais reconfigurações quando, para muitos, já não dá conta de responder os conflitos subjetivos de outrora. Do mesmo modo, o sistema judiciário, altamente burocratizado e falho (quando não, contraditório). As crises econômicas globais que nos afeta a todos, uma vez que não somos mais uma ilha isolada das outras ilhas (países desenvolvidos).
Enfim, esta caótica situação nos impõe, sobretudo para nós brasileiros, a sensação de que a própria ética não é mais capaz de nos nortear para a solução dos problemas que nos envolvem e é a participação efetiva na política, nas decisões coletivas, econômicas, religiosas, familiares e na justiça que vai possibilitar a todos nós maior consciência e esperança para se construir e aguardar esse futuro que já se apresenta.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO E A FAMÍLIA

A família por ordem de natureza é a primeira célula de organização social, mais antiga que as ciências e o Direito e mais preciosa que a descoberta mais revolucionária. Passou pelas organizações matriarcais, patriarcais, pagã até o advento da Revelação onde o Cristianismo elevou o casamento a sacramento. O homem e a mulher selam a sua união sob as bênçãos do céu, transformando-se numa só entidade física e esperitual e de maneira indissolúvel. O sacramento do casamento não pode ser desfeito pelas partes, somente a morte separa a união entre um homem e uma mulher (por isso indissolúvel), simbolizada pela troca de alianças. 
Esta, portanto, trata-se de uma perspectiva Cristã da família. O “tempo”, por outro lado, foi
sentenciando evoluções para este projeto de Deus. Em 1977entrou em vigor a Lei 6.515 no Brasil, conhecida como a Lei do Divórcio, permitindo a apartação da união entre o homem e a mulher que juraram diante de Deus uma união até a morte. Tornando dissolúvel juridicamente o indissolúvel aos olhos de Deus.
Em 2013, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os cartórios civis Brasileiros foram obrigados a aceitar a celebração de casamentos gays. Posição ante-evangélico-Cristã.
Agora, porém, vivemos mais um ataque aos princípios Cristãos e a vontade de Deus, o “tempo” que outrora se levantou contra família hoje se levanta contra a própria natureza humana. Não é preciso ser um gênio para saber que o sistema XY de determinação de sexo é biológico, e, portanto divino.
A Ideologia de gênero, na verdade é uma ausência de gênero, onde o sexo feminino e masculino se torna uma das construções culturais e sociais do individual; em poucos miúdos o ‘cabra’ decide se é homem ou mulher.
Diante o exposto, cabe lembrar que o grande idealizador do gênero homem e mulher foi o Criador, o Grande e Verdadeiro Arquiteto do mundo, o Senhor dos Exércitos, o Autor da Vida, o Senhor da paz, o Deus absoluto, o Senhor das montanhas, a Luz da Luz, o Deus de Israel, e nada que se inicia nas mãos deste Todo Poderoso pode acabar nas mãos de uma pobre criatura.
A Lei Natural é a vontade divina já se manifestada na revelação; o Santo Padre Papa Francisco se manifestou dizendo que a Ideologia de Gênero é um “erro na mente humana” além de “Contrária aos planos de Deus”. O Bispo de Córdoba (Espanha) Dom Demétrio Fernández adverte que “a ideologia de gênero destroça a família, rompe todo o laço do homem com Deus através da sua própria natureza”. O Papa Emérito Bento XVI se pronunciou em 2012.
"De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Deixou de ser válido aquilo que se lê  na narração da criação: 'Ele os criou homem e mulher' (Gn 1,27). Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação".
A lei natural deve  ser a diretriz dos pensamentos de um cristão, sendo mais efetiva que a Lei dos homens e mais bem guardada que as vontades humanas. Não é preciso ser um grande cristão para entender que a ideologia de gênero destroça a família e distancia o amor, fazendo-nos perder contato com nossa primeira sociedade, destruindo a sensibilidade, condenados a uma solidão de morte.
 

CAUÊ VIÚDES é aspirante ao sacerdócio. É crstão Católico Apostólico Romano e colabora com nosso blog.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

AFINAL, O PAPA ACEITOU OU NÃO O PRESENTE DE EVO MORALES?

UM TEXTO SEM CONTEXTO VIRA UM PRETEXTO...

Por Julio César Gonçalves
 
Desde pequeno ouvi dizer que a palavra tem poder. Desde então, cresci acreditando que a palavra possui uma força superior transcendental, benigna ou maligna, mas, não somente; também há outro tipo de força (do qual trata este post). Me recordo que as mulheres da minha casa (avós, tias e tia-avós) não gostavam que nós falássemos da possibilidade de nossa própria morte, ou de acidentes (às vezes mandava a gente bater na boca 3 vezes antes de falar). Também, até hoje minha avó evita pronunciar a palavra "C.Â.N.C.E.R", por medo da própria doença. Ela diz: "aquela doença ruim", evitando atrair a maldição da palavra. Mas a reflexão que venho propor hoje, não trata desse poder sobrenatural da palavra, mas antes, de outro tipo de poder: o poder ideológico que ela carrega consigo.
Nenhuma palavra é neutra ou destituída de significados, justamente porque uma palavra sem sentido não tem serventia. A palavra está a serviço da comunicação humana. Por esse motivo, sempre que uma palavra é escrita, ou dita, ela traz consigo uma ideia ou um conjunto de ideias (ideologia) que muitas vezes não está explícita, mas discreta, escondida na própria palavra. Outras vezes, a carga de significados que a palavra porta consigo é tão forte que nem cabe nela própria...

O fato é que, num caso ou noutro, a palavra por si só de nada valeria se não existisse aqueles que a dizem ou a escrevem (conferindo-a um sentido), e àqueles que vão resignificá-la ao ler o que foi escrito ou escutar o que foi dito.
O ressignificar também não pode ser neutro ou destituído de intenção, posto que vem de alguém, de uma cultura, de um padrão linguístico e emocional. E é exatamente por isso que a linguagem carrega suas ambiguidades na comunicação.
O que dizer então, das palavras que não são ditas nem escritas? Das palavras sob a forma de  expressões corporais?
Será o Papa um comunista?
Hoje, fiquei incomodado com os vários posts que li sobre a notícia do polêmico presente de Evo Morales ao Papa. Vi postagens bastantes divergentes e comentários prá lá de extremistas e fundamentalistas, e outras babaquices acerca da postura do Papa... 
Assisti ao vídeo do momento em que Sua Santidade recebe os presentes das mãos de Evo Morales... Bem, penso que não podemos apenas julgar os fatos pelo que se vê, afinal, nem sempre aquilo que se vemos, de fato é, realmente. Em nenhuma das postagens e comentários que li, levou em consideração o lugar de onde está o Papa e o que ele estava fazendo naquele momento. Ora, se faz necessário entendermos o contexto em que as palavras foram ditas (ou não ditas - no caso de expressões fisionômicas), entendermos o porquê dos gestos e ações, para só então tirarmos algumas conclusões. Na ocasião, Morales presenteou o Papa com uma imagem de Cristo crucificado sobre uma foice e um martelo (símbolo do comunismo); entretanto, este símbolo seria uma reprodução do objeto criado pelo padre jesuíta espanhol Espinal, morto em 1980 por paramilitares contrários às suas lutas sociais, por quem o Papa rezou até pouco antes do polêmico encontro.
É evidente que Evo Morales lhe entregou presentes comunistas, uma vez que acredita e vive esta ideologia. Mas daí a colocar o Papa como adepto dessa corrente de pensamento com base na atitude de aceitar um presente-símbolo do comunismo, acho um pouco exagerado...
A primeira pergunta que me vem à mente (e encerro essa reflexão com possíveis respostas a ela)  é: Francisco aceitou mesmo o crucifixo comunista? Penso que pouco provável... Pouco provável por três motivos: primeiro porque o comunismo foi responsável por uma das maiores perseguições contra o catolicismo na década de 1920; segundo  pelas expressões faciais e corporais do Papa (demonstrou, ao menos um desconforto com aquela situação); e, pouco provável também, pelas parcas palavras que saíram de sua boca, num áudio em que quase nada dá para entender: “No está bien eso”  ("Isto não está bem"). "A comparação possível é tentar unir a cruz de Davi com uma suástica nazista e presenteá-la a um rabino" (Igor Gielow - Diretor da Sucursal da Folha de S. Paulo em Brasília).
Gosto de acreditar que naquele momento ele estava recebendo das mãos de Morales, palavras esculpidas em madeira, de um padre torturado e morto por lutar por um ideal de justiça...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

HOMOFOBIA X CRISTOFOBIA

Uma das ferramentas mais importantes para se construir um bom argumento, com vistas no convencimento, ainda é a lógica, uma vez que ela é capaz de auxiliar a compor argumentos válidos e fugir das falácias que mascaram a verdade. Entretanto, cabe avisar, de pronto, que este post não versa sobre a Lógica enquanto ciência do raciocínio, mas sobre a falta de lógica na argumentação e a falta de respeito em relação à postura dos integrantes do movimento LGBT com as religiões, publicamente demonstrada na última Parada do Orgulho Gay, em São Paulo.
Confesso que fiquei assustado com o que vi e ouvi...
Sexo oral na Parada Gay do Acre
É evidente que a luta do grupo é legítima e necessária, pois também não sou alheio à criminalidade e à violência física, verbal, simbólica e social imposta aos homossexuais que, muitas vezes, morrem ou vivem em condições subumanas às margens da nossa sociedade. Mas até agora estou para entender como é possível querer apagar fogueiras com gasolina... Como pode o movimento levantar a bandeira da paz e da igualdade por meio do desrespeito ao modo de pensar e expressar do outro? Essa é a ideia? Gritar para não ficar rouco? Falta lógica... me falham as faculdades para compreender tais circunstâncias! Aristóteles, filósofo grego, disse certa vez que a ética (leia-se respeito), não se constrói apenas pela imagem que é transmitida. Deve-se construí-la tendo por base um tripé de sustentação formado pelo AGENTE, pela AÇÃO e pela FINALIDADE DO AGIR. As três têm que estar juntas. Eu (enquanto AGENTE), não posso ser ético se as minhas intenções (FINALIDADE DO AGIR) não estiverem intrinsecamente ligadas às minhas AÇÕES. Portanto, penso que não é possível a nenhum movimento buscar a igualdade ou derrubar os preconceitos, se valendo de preconceitos e desrespeito à cultura e religiosidade do seu próximo.
Manifestantes LGBT inserindo
crucifixo no ânus
Vocês acreditam mesmo que é possível conseguir algum respeito com exposições públicas de sexo oral, masturbação e destruindo imagens ou vilipendiar símbolos religiosos?
Espero que nossa sociedade se abra, cada vez mais para discutir, questionar e pensar assuntos como esse sem as armas do preconceito, pois só assim cresceremos e evoluiremos enquanto pessoa. E, quanto ao movimento LGBT, não sei se foi feita alguma avaliação a respeito das conquistas da Parada, mas, para mim, vocês deram um grande passo para trás na história de sua luta...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

SOBRE FERIADOS RELIGIOSOS NO BRASIL

 Já não é de hoje que eu ouço algumas pessoas (sobretudo juristas), reclamarem sobre os feriados religiosos no Brasil e sua inconstitucionalidade. Hoje é um deles. Sexta-feira Santa, ou sexta-feira da Paixão, dia em que se celebra a morte de um dos maiores homens da História e das religiões cristãs: Jesus Cristo.
O "feriadão" - como é conhecido no Brasil - esse ano ficou ainda maior por integrar também o feriado de Tiradentes (na segunda-feira após a Páscoa cristã). Resultado: quatro dias livres de trabalho, boa oportunidade para um descanso maior, quem sabe até pegar uma praia ou fazer aquela viagem tão esperada há meses ou anos, não é mesmo? Pois é... para aqueles que não são cristãos. Ao contrário, para os cristãos, este dia deveria ser de recolhimento e reflexão... Mas, como é possível refletir sobre a morte e a mensagem de vida que a sexta-feira santa traz, da praia?
O fato é que para muitos cristãos os feriados religiosos perderam sua essência e são vistos como uma pausa oportuna no trabalho e são esperados desde o início do ano quando se planejam as viagens e os lazeres. A ausência de atividades e obrigações com o trabalho, nestes feriados, eram para possibilitar maiores condições para se vivenciar tais dias religiosos, no entanto, a coisa degringolou de vez...
Penso que, do ponto de vista laico (característica do Estado e política de nossa nação), esses feriados deveriam acabar (ou então inserir outros feriados como, por exemplo, o dia de Oxum, de Buda, ou ainda, um dos 330 milhões de divindades hindus), e assim, ninguém seria "condenado" a ter o dia livre do trabalho por uma celebração religiosa diferente da sua.
Do ponto de vista cristão, (como disse Padre Silvio Oliveira), também concordo com o fim de feriados como esse, uma vez que muitos cristãos já não vêem sentido a não ser como oportunidade de descanso e férias. Quem sabe assim teremos, de fato, provocações verdadeiras para refletir e melhor vivenciar o sentido que tais datas representam...
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

"SOCIEDADE ATUAL DIFICULTA A VIVÊNCIA DO LUTO", REVELA PESQUISADOR DA USP

 
A entrevista deste mês traz as experiências e os resultados da pesquisa de mestrado (realizado na Universidade de São Paulo - USP), por Rodrigo Feliciano Caputo em três aldeias dos remanescentes Bororos, no Mato Grosso. Caputo tem formação inicial em Psicologia e na entrevista cedida ao SNM relata seus sentimentos e percepções sobre as visitas realizadas  às aldeias e, fala sobre sua experiência na elaboração da dissertação.
 
SNM - Caputo, em que consistiu sua pesquisa de mestrado?
Caputo - O  estudo que realizei procurou contribuir para o aprofundamento conceitual e metodológico, através da análise comparativa entre dois grupos humanos contemporâneos que apresentam características histórico-culturais específicas: os moradores da cidade de Lins-SP (“linenses”) e os remanescentes “bororos” que vivem em três aldeias no estado de Mato Grosso.
 
SNM - Em seu estudo, o que pretendia comparando essas duas realidades diferentes (os linenses e os bororos)?
Caputo - Na realidade, minha intenção era tentar compreender, por meio de revisão da literatura existente e exame de fontes documentais, como esses grupos lidam com a morte. Para tanto, foi necessário entrar em contato com suas estruturas e dinâmica social, sua história de ocupação e transformação dos territórios por eles habitados, seus mitos fundadores, suas instituições, práticas, discursos, técnicas e símbolos.
 
SNM - Por que você quis pesquisar esse assunto?
Caputo - Boa parte (senão todos) os fundamentos culturais de uma sociedade convergem nas suas prescrições técnicas e simbólicas sobre como lidar com a morte, de modo a integrá-la na realidade  social e garantir a continuidade da vida comunitária,  estabelecendo códigos de conduta, modulando relações de parentesco, instituindo papéis profissionais etc. Então, essas diferentes "maneiras" de lidar com a morte, chama a atenção (e é de  grande interesse) da Psicologia Social, que vem sendo estudados cada vem mais.
 
SNM - O que mais te chamou a atenção sobre a pesquisa?
Caputo - O que me impressionou, primeiramente, foi que, apesar do intenso processo de  aculturação dos “bororos”, este grupo ainda guarda diferenças marcantes em relação aos “linenses”, em relação ao modo como lidam com a morte. Entre os linenses, por exemplo, a morte  é mantida à distância, no sentido de que as tarefas funerárias são "terceirizadas" a profissionais e instituições específicas. 
O luto é vivenciado só ou junto à família nuclear e a expressão da dor costuma ser abreviada. Já os bororos geralmente guardam proximidade dos indivíduos adoentados e moribundos, bem como de todo o ritual funerário. A dor é expressa e o luto é vivenciado em comunidade. Por outro lado, em ambos os grupos confirma-se que o conjunto de técnicas e símbolos de lida com a morte representa um importante organizador psicossocial, pois orienta e auxilia as pessoas no enfrentamento individual e coletivo da morte, favorecendo na elaboração dos impactos psíquicos, na reorganização dos papéis e dos vínculos sociais.
 
SNM - Como foi ficar esses dias na aldeia?

Caputo - Foi desafiador e fascinante me integrar no grupo dos Bororos, já que não fazem parte do meu cotidiano. Porém, a inserção ocorreu em um contexto atenuador dos impactos gerados pelo ingresso de um forasteiro no grupo. O ingresso no grupo Bororo ocorreu através de um Projeto de Ação Voluntária feito entre o Centro Católico Salesiano Auxilium (UNISALESIANO), de Lins-SP, local em que trabalho e as aldeias de Meruri (índios Bororo) e Sangradouro (índios Bororo e Xavante). O projeto ocorreu de 11 a 19 de julho de 2012 Nesta ação de voluntariado, eu fui designado para compor o grupo que seguiria para Meruri. Os quatro primeiros dias foram planejados pelos habitantes de Meruri, os quais promoveram algumas danças, rituais, levaram-nos para passeios e visitas acompanhadas pela aldeia, festas, atividades esportivas mesclados com rodas de conversas e palestras realizadas por lideranças Bororo (diretor da escola, cacique, responsáveis pelo Museu Comunitário e Centro de Cultura Bororo. Pe. Rodolfo Lunkenbein); bem como por dois religiosos que estão há décadas na aldeia.
 
SNM - profissionalmente você atua de que modo hoje?
Caputo - Hoje sou psicólogo clínico e atuo com atendimento na cidade de Lins e região. Sou professor universitário e consultor em gestão de pessoas. Desenvolvo pesquisas de mestrado em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de São Paulo - USP.
 
SNM - Essa não foi sua primeira experiência com o tema da morte. Você desenvolveu projetos na sua área com pacientes soropositivos. Conta para a gente como foi esse projeto.
Caputo - Essa experiência se deu em 2006. O trabalho consistiu em formar um grupo de apoio aos soropositivos e seus familiares frequentadores da ONG MOVECA (Movimento Vestindo a Camisa), da cidade de Penápolis-SP, com o objetivos de construir um vínculo com os integrantes desta, estabelecendo, portanto, uma relação de alteridade. No período em que atendi na Ong, um dos integrantes do grupo faleceu, a partir de então passei a investigar as questões relativas à morte e às vivências do luto.
 
SNM - Como é para você trabalhar com pacientes nessa condição?
Caputo - Atendo muitas pessoas que estão vivenciando o luto de entes queridos ou coisas que apreciavam muito, porém vejo que nossa sociedade não facilita a esta vivência. Este é um tema proibido, já que após o funeral, cada vez menos se tolera o choro e o pesar, assim o luto que outrora era uma reação natural e esperada diante de uma perda significativa, passou a ser patologizado e medicalizado. Deste modo, é muito satisfatório poder facilitar a elaboração do luto de pessoas que além de sofrerem as suas perdas, sofrem por não poderem expressar suas dores, suas angústias e medos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

EXERCÍCIO DE ARGUMENTAÇÃO - LÓGICA

 
Aos alunos do 6º termo de Comunicação Social.
 
Queridos, abaixo está um vídeo-documentário intitulado "Evolução versus Deus", onde mostra alguns argumentos à favor da existência de um Deus originador do mundo, contra os argumentos presentes na teoria da evolução da espécies de Charles Darwin.
A princípio, gostaria que vocês assistissem o vídeo para gerar, aqui no blog, uma discussão. Posteriormente, iremos trabalhar com os principais argumentos apresentados no documentário.
A discussão poderá começar por meio das questões sugeridas a seguir:
1. Você acha que o autor do documentário usou de bons argumentos para expressar suas ideias?
2. O que você percebeu sobre a forma como as pessoas responderam as perguntas do entrevistador?
3. Você se sentiu incomodado, em algum momento do vídeo? Qual? Por quê?
4. Deus existe?
5. O que é o discurso científico? Por que acreditamos nele?
 
Bom divertimento!!!


terça-feira, 30 de abril de 2013

MÁRTIR PAGÃO

Fiquei surpreso ao ver, no início da semana, estampada na primeira página dos principais sites de notícias, a foto de um dos melhores professores que tive na faculdade, envolvido em "polêmica religiosa".
Trata-se do Padre Roberto Francisco Daniel (Pe. Beto) da Diocese de Bauru. Ele foi meu professor da disciplina de Estética no tempo em que me preparava para a licenciatura em Filosofia.
O fato é que a Diocese de Bauru divulgou em seu site oficial, nesta segunda-feira (29), nota comunicando a excomunhão do sacerdote após o mesmo ter pedido de desligamento de suas atividades sacerdotais, por conceder entrevista "polêmica" publicada na internet (assista o vídeo na íntegra).
Na entrevista, Beto fala sobre a fidelidade e o amor entre pessoas do mesmo sexo e questiona a estrutura hierárquica da Igreja Católica. Após o vídeo circular pela rede (mais de 60.000 views), a Diocese expediu pedido de retratação pública por parte do, até então padre, que se pronunciaria "confessando humildemente" a culpa por ter errado "quanto a sua intepretação e exposição da doutrina, da moral e dos bons costumes ensinados pela igreja".
Em nota, o Bispo da Diocese, Dom Caetano Ferrari, afirma que Beto "traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal".
Em entrevista concedida ao G1, Beto afirma estar "tranquilo por estar do lado do ser humano, do desenvolvimento e da liberdade de expressão”.
PEGOU MAL - Se era o caso para excomunhão, não convém julgarmos aqui, porém, a atitude da Igreja local chamou a atenção para o fato de que ainda não há espaço para esse tipo de discussão dentro da Igreja, enquanto possuir o discurso de retratação pública e confissão humilde de culpa por erro de interpretação da doutrina. Quando li as reportagens diretamente me reportei ao caso de Galileu Galilei que só não morreu na santa fogueira por se retratar em público... Penso que a Igreja age certa quando não se contradiz, mas fico a me perguntar: "O QUE SERÁ QUE JESUS DIRIA"...
 
ALGUMAS AFIRMAÇÕES DO EX-PADRE:
 
Seção Entre AspasSó posso dizer que dou Graças a Deus que não existe mais fogueira.
 
Se refletir é um pecado, eu sou um pecador e sempre serei. Não vou negar ser uma pessoa reflexiva e uma pessoa que pensa.
 
Acho impossível seguir o evangelho de Jesus Cristo em uma instituição que, no momento, não respeita a liberdade de reflexão e de expressão.
 
O modelo que nós temos que seguir se chama Jesus Cristo e esse modelo viveu plenamente essa liberdade e fez com que as pessoas refletissem.
 
Eu me sinto honrado em pertencer à lista de muitas pessoas humanas que foram assassinadas e queimadas vivas por pensarem e buscarem o conhecimento
 
Fui levado a uma espécie de tribunal. Não entendi. Questionei: ‘estou numa  cadeira de réus?’ Responderam que sim...
 
 

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