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domingo, 27 de setembro de 2015

A LAMENTÁVEL DECADÊNCIA DA HUMANIDADE



Por Julio César Gonçalves


Já falei, em outras postagens, sobre a crise na ética que vivemos hoje em dia.
Suplantamos a crise ética - que seria a inversão de valores, a modificação nas bases morais da sociedade, o "jeitinho" que damos para burlar as leis e os acordos sociais - pela crise NA ética, que é a descrença de que a ética seria capaz de nos orientar. Afirmo isso porque me revoltou ver a nova campanha publicitária da cerveja Antártica Sub zero zombando da determinação do CONAR (Conselho que regulamenta a publicidade brasileira) de proibir o consumo da bebida na propaganda. Na minha opinião, a empresa errou feio, desrespeitou o Conselho e zombou da reflexão ética que, tão desacreditada, tem tentado direcionar nossas vontades selvagens e egoístas. Quanto custa a ética? 
Lamentável...




quarta-feira, 26 de agosto de 2015

NA MÍDIA


Por Julio César Gonçalves


Recentemente tive o prazer de participar de uma entrevista a convite da amiga Juliana Gense em um hangout ao vivo, juntamente com o amigo jornalista Bruno Saia (encontro promovido pelo GEG -  Grupo de Educadores Google - Presidente Prudente). Na ocasião pude contar um pouco da minha experiência, enquanto educador, com o uso do blog.  Foi uma oportunidade e tanto!
Peço licença para reproduzir (na íntegra), o texto que Bruno publicou a respeito desse bate-papo. Também aproveito para divulgar seu blog "SAIA EDUCANDO", que está super legal, com textos, dicas e experiências com a educação. Parabéns Bruno e obrigado Juliana pelo convite carinhoso.

SOCIOLOGIA NO MUNDO - DO COMPARTILHAMENTO DE DADOS A ESPAÇO DE DISCUSSÃO VIRTUAL

Por Bruno G. Saia

Apresentar um exemplo do uso do blog na educação e discutir as vantagens e dificuldades enfrentadas na aplicação prática da ferramenta foram os principais objetivos da conversa, transmitida ao vivo pelo Hangout do Google, no dia 14 de julho. O evento foi promovido pelo GEG (Grupo de Educadores Google de Prudente).
Tive o prazer de participar dessa conversa e também compartilhar minhas ideias sobre o tema, junto com a professora Juliana Maria Cristiano Gense, que leciona no curso de Letras da FAPEPE/ UNIESP em Prudente, e com o professor da área da Filosofia, Julio César Gonçalves, criador e administrador do blog Sociologia no mundo. O blog, criado pelo professor Julio em 2009, teve como objetivo inicial o compartilhamento de materiais com os alunos, para que pudessem ser acessados após a conclusão do trabalho em sala de aula. "A ideia era criar uma base de dados, a princípio, porque o suporte da instituição teve um problema técnico e não estava suportando tudo o que eu gostaria de disponibilizar, aí pensamos na possibilidade de criar um ambiente virtual", conta.
Porém, atualmente, o espaço também apresenta discussões aprofundadas a respeito de temas atuais, em diferentes áreas. "Com o tempo, eu comecei a receber e-mails de colegas com textos para publicar e também senti a necessidade de criar um espaço de bate-papo, nesse ambiente de interação", detalha Julio.
Aos poucos, ele passou a buscar novos gadgets, novas alternativas visuais e novidades nos tutoriais do Blogger, onde o Sociologia no Mundo está inserido. "O blog foi mudando a função inicial e se tornou um espaço de discussão e reflexão, com textos que recebo de pessoas de fora, dos alunos, com foco em temas que estão na sociedade, muitas vezes polêmicos". Ele lembra ainda que, apesar d mudança, o espaço virtual mantém ainda suas características iniciais, de compartilhamento de dados, por meio de links e, até mesmo, para a realização de provas, com formulários online. "Ele é um recurso bastante útil para mim hoje, como técnica para se utilizarem sala de aula". Confira todos os detalhes do Hangout do Google e sobre o blog do professor Julio no vídeo acima.

BRUNO SAIA é repórter do Jornal "O Imparcial" e professor. Também colaborou com nosso blog.

domingo, 18 de maio de 2014

MÍDIA TAMBÉM É RESPONSÁVEL POR AÇÃO DE JUSTICEIROS, DIZ SOCIÓLOGO

Sociólogo argumenta que a excessiva repetição "dessas cenas de barbarismo banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo". Raquel Sheherazade gerou polêmica na web e entre outros jornalistas por defender a ação de um grupo que acorrentou um jovem a um poste no RJ
 Para estudiosos, os recentes casos de “justiça com as próprias mãos”, que vêm acontecendo em todo o país, ganham destaque e são estimulados na mídia. Lalo Leal, sociólogo, professor de comunicação da USP e colunista da Revista do Brasil, afirma que os meios de comunicação de massa têm o dever de elevar o patamar civilizatório da sociedade, mas fazem o contrário e “estimulam a violência”.
Charge: Vitor Teixeira
Após o caso que ganhou grande repercussão na mídia – o de um menor amarrado a um poste, no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano –, aumentou o número de “justiceiros” em todo o país. Do seu ponto de vista, Leal argumenta que a excessiva repetição “dessas cenas de barbarismo banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo”.
Vitor Blotta, pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência na USP, indica que a mídia banaliza a condição moral das pessoas “e não a própria violência”. A reportagem foi ao ar na edição de ontem (13) do Seu Jornal, da TVT. Para Blotta, num Estado de direito, a justiça com as próprias mãos é, por si, uma injustiça. “A imprensa, a forma como ela retrata os casos, pode influenciar atitudes de apoio a resoluções violentas de conflito”, argumenta.
Marcelo Crespo, da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia, da OAB de São Paulo, indica que as redes sociais propagam a ideia de que, para se proteger da violência, precisa haver mais violência.
Os principais crimes cometidos na internet são os crimes contra a hora (calúnia, injúria e difamação) e crimes de ameaça envolvendo preconceito de raça, gênero e religião, além da pornografia infantil. De acordo com o advogado Crespo, não é preciso criar leis mais duras para coibir esses crimes, mas é preciso que se cumpra o que já está na legislação.
 
Matéria retirada do site Pragmatismo Político

sexta-feira, 9 de maio de 2014

BEM-VINDO À SUA NOVA PRIMEIRA TELA

Por Alex Gabriel Sakamoto
 
Recente pesquisa divulgada pela empresa MillwardBrown, a AdReaction 2014, revelou que o tempo diário gasto na utilização de dispositivos móveis está superando pela primeira vez a TV no Brasil.
Os brasileiros estão passando 149 minutos por dia utilizando smartphones, contra 113 minutos na frente da TV, outro dado interessante, que o estudo divulgou, foi que a TV está perdendo espaço até para os laptops, segundo o estudo, o brasileiro gasta 146 minutos do seu dia a frente de seus laptops. Essa diferença chega a ser mais gritantes em outras partes do mundo, no Vietnã por exemplo, os consumidores gastam 168 minutos por dia vidrados em smartphones, mais do que o dobro do tempo que eles passam na TV.A empresa entrevistou mais de 12.000 usuários de celulares, entre as idades de 16 e 44 anos, em 30 países diferentes.

De acordo com os resultados, o smartphone tem emergido como a tela principal no mundo inteiro, o estudo revelou também que os usuários estão utilizando várias telas simultaneamente, isto está se tornando uma tendência mundial que é mais comum no leste asiático. 
Smartphone supera a televisão e se torna a nova
primeira tela do brasileiro
"É um fenômeno recente as pessoas estarem conectados a seus smartphones enquanto assistem TV", segundo Joline McGoldrick, diretor de pesquisa da Millward Brown.
A divulgação dessa pesquisa pode f
azer com que a mídia em geral (principalmente a publicidade), olhe com mais carinho para os dispositivos moveis, ameaçando assim a hegemonia da televisão. Essa mudança no cenário midiático, pode causar uma grande revolução na forma de agir e pensar dos profissionais da mídia, e também, no perfil do público em geral, que vai deixar de ser manipulado por uma únic a mídia de massa, só nos resta a saber até quando?
 
 
Alex Gabriel Sakamoto
Estudante de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda na FAPEPE e Técnico de Informática.

domingo, 8 de dezembro de 2013

A MÍDIA E SEU PODER DESTRUTIVO

Por Sidney Sanches Neto e Alécio de Jesus Oliani

Segundo o código de ética dos jornalistas brasileiros, conforme é citado em seu quarto artigo: “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, devendo pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação”.
Nós jornalistas, temos o compromisso de levar à sociedade, todo tipo de informação, que denuncie os fatos considerados relevantes a sua organização e que não se abstenha de exercer seu maior dever: informar. Porém, estamos diante de uma sociedade que busca o espetáculo... Maus profissionais, praticantes do anti-jornalismo, expõem suas notícias de maneira, no mínimo, questionável. A informação é transformada em um grande show, envolvendo em um mesmo palco acusados e inocentes.
O jornalista, tomado pelo interesse principal dos meios de comunicação atuais – falamos de IBOPE, publicidade, furo jornalístico – não ouve ambas as partes envolvidas nos casos, pois há de se convir que todo escândalo é exaltado pela sociedade do espetáculo, assim promovendo verdadeiros linchamentos, massacres sociais, injustiças que poderão prejudicar eternamente a vida das pessoas acusadas.
Lembremos do caso “escola base”, ocorrido no ano de 1994, na cidade de São Paulo, quando seus proprietários e funcionários foram acusados de abuso sexual por duas crianças, de quatro e cinco anos respectivamente.
Os veículos de comunicação (destacando nomes importantes como TV Globo e revista Veja, por exemplo),  agiram com uma das maiores demonstrações de falta com a ética profissional já registradas por parte da imprensa nacional. Seus repórteres abordavam freneticamente o assunto, sempre revelando um novo fato até então desconhecido. Eram emitidas manchetes como: “Kombi era motel na escolinha do sexo”, ou também “escola de horrores”.
Essas denúncias e acusações infundadas, geraram não espantosamente, uma comoção nacional. Houve uma “histeria coletiva”, onde os acusados foram marginalizados, tidos como culpados, condenados sem que ao menos fossem ouvidos e suas declarações apuradas. O resultado de tamanha barbaridade promovida pela mídia: - uma das maiores injustiças já ocorridas, pois, todos os acusados foram inocentados por falta de provas, e a viril e infalível imprensa nacional teve de retratar-se perante seu erro. Más, será que desculpas são suficientes?
Recordemos que todos os acusados, mesmo após serem absolvidos, sofreram com uma discriminação coletiva, desenvolveram enfermidades como síndrome do pânico, depressão, doenças cardíacas, e assim, foram impostos ao isolamento social. Onze anos após o caso ocorrer, a rede globo foi condenada a pagar indenizações em cerca de 450 mil reais a cada um dos acusados no caso escola base, porém, o dinheiro recebido, não mudou  em nada a catástrofe imposta pela má veiculação de informações tão contundentes, que destruíram a vida de brasileiros inocentes. Devemos nos valer de nosso direito à liberdade de expressão, porém, agindo com ética, seriedade e responsabilidade, lembrando sempre, que a maioria da população molda sua percepção do real segundo a opinião da imprensa.
Devemos informar, entretanto, nunca devemos prejudicar pessoas inocentes com nossa atitude. Devemos ser éticos e verdadeiros.

ALÉCIO e SIDNEY são Jornalistas e colaboradores do Blog Sociologia no Mundo.


 

domingo, 15 de setembro de 2013

CONTRA A FILOSOFIA DO COITADINHO


 
QUANDO A REALIDADE É MELHOR DO QUE A FICÇÃO
Por Flávia Maoli
 
Ontem (09/08/2013), me prestei a ver a novela Amor à vida. Me prestei – porque eu já sabia que não ia gostar do que ia ver, mas mesmo assim resolvi ver. Pra quem não acompanha a novela, ontem foi ao ar a cena em que Nicole (Marina Ruy Barbosa) morre no altar, depois de saber que seu noivo estava de maracutaia com a sua melhor amiga. Mas ela morreu de que? De câncer? Não, ela morreu de desgosto, no melhor estilo me-segura-que-eu-vou-desmaiar. Mas essa não foi a pior cena – a chegada dela ao “Céu” foi tão medonha que só quem assistiu entende, eu tive vergonha alheia pelos envolvidos! Na verdade, a história toda da Nicole foi M E D O N H A.
Nicole morre nos braços de seu noivo, no altar
Em primeiro lugar, a polêmica do raspa-não-raspa a cabeça. Eu entendo todos os motivos da atriz para não raspar a cabeça – eu mesma acho que não cortaria aquele cabelão lindo se fosse ela – mas, a partir do momento que se assina um contrato para viver uma personagem que tem câncer e que vai fazer quimio, é sabido que vai rolar de perder o cabelo! Se não queria/não podia raspar o cabelo, não devia nem ter aceitado o papel, tenho certeza que muitas atrizes raspariam a cabeça rindo. Mas ok, aceitou o papel e não quis raspar a cabeça.
Dizem que, na história original, Nicole (de cabeça raspada) iria se curar e o noivo falcatrua iria se apaixonar de verdade por ela e largar a pilantragem, e eles viveriam felizes para sempre. Com a recusa da atriz ao novo corte, o autor decidiu mudar a trama – escreveu no twitter inclusive que a história seria “muito romântica, uma das mais lindas que já escrevi”. Desde quando morrer no altar, com câncer, virgem e de olho aberto é uma história romântica?? Em que mundo essa gente vive?!
O que eu fiquei pensando foi: essa história foi boa pra quem? Informou as pessoas sobre o câncer? Não, as informações surgiram todas distorcidas. Nicole teve Linfoma de Hodgkin – a mesma doença que eu tenho – um dos cânceres mais curáveis que existe. E, ao contrário do boletim ~médico ~ da personagem, não existe metástase pulmonar nesse tipo de câncer! É tão errado quanto dizer que a garota tinha câncer de próstata! “Ai, tá, mas é só ficção…” Sabe quantas pessoas se informam através da novela? Sabe quantas pessoas que recém foram, ou vão ser diagnosticadas em breve vão entrar em pânico pensando que esse foi o câncer que matou a personagem? Pior ainda, além de passar informações errôneas sobre a doença, a emissora perdeu a chance de passar uma mensagem positiva!
Chega desse clichê tenho-câncer-não-consigo-mais-sorrir. Muitas pessoas, nesse exato momento, estão encarando um tratamento pesado contra o câncer e sorrindo, trabalhando, dormindo, pagando contas, vendo tv, transando, comendo, xingando o grêmio, sabe? A vida não pára só porque se está doente. Ninguém que tenha amor à vida e um diagnóstico de poucos meses restantes vai ficar chorando tanto quanto essa personagem! Se a Nicole fosse minha amiga eu dava de relho pra parar com o mimimi!
Além disso, essa polêmica de raspar ou não a cabeça não faz nenhum sentido. Exceto por algumas poucas quimios que não causam a queda, perder os cabelos não é uma escolha para quem tem câncer. É um momento triste? Sim, é! Para uns mais, para outros menos, mas todos sentimos a diferença na nossa auto imagem. Essa história de a personagem não cortar o cabelo porque queria estar bonita no altar é tenebrosa – ela estaria com o cabelo todo falhado no dia do casamento!  Se tivessem colocado uma touca pra fingir que a atriz estava careca, pelo menos seria mais verossímil. Aí a mensagem que isso tudo passou foi: que ficar careca é feio, que o cabelo define a pessoa, de que quem tem câncer passa o dia choramingo e que o câncer mata.
Pergunto de novo: essa história serviu de inspiração pra quem?! A personagem até poderia morrer, mas que morresse lutando, servindo de inspiração, deixando as pessoas ao redor dela mais felizes, como fizeram o Dr. David Servan-Schreiber, a Hebe, Steve Jobs, e recentemente a querida Talia Castellano, entre tantas outras pessoas que tiveram amor à vida.
 


FLÁVIA MAIOLI é graduada em Arquitetura e Urbanismo. Atualmente trabalhando como autora do blog Além do Cabelo e também é uma colaboradora do Sociologia no Mundo.

sábado, 6 de abril de 2013

LEI CAROLINA DIECKMANN - CRIMES DE VIRTUAIS

A atriz sofreu tentativa de extorsão por hackers
Recentemente, entrou em vigor e tomou o noticiário nacional a Lei 12.737/2012, também conhecida como Lei Carolina Dieckman. A referida Lei trata dos crimes virtuais, com enfoque maior na obtenção, de maneira ilícita, de informações das vítimas.
Importante ressaltar que a Lei já era discutida há vários anos, entretanto, tomou maior visibilidade com a caso da atriz global Carolina Dieckman, após esta sofrer com a publicação indevida de cerca de 36 fotos em que aparece nua. Tendo em vista a repercussão que o caso tomou, apelidou-se a Lei com o nome da atriz.
Sobre o caso: Hackers violaram a caixa de e-mails da atriz para conseguir as fotos. Com as fotos em mãos, os delinquentes tentaram extorquir Carolina a pagar R$ 10.000,00 para que as fotos não fossem divulgadas. Imagino que ela não tenha pago (risos). Entretanto, vem-me à cabeça a seguinte questão: Se ele tivesse pago aqueles que a extorquiam, as fotos realmente não seriam divulgadas? Acompanhe meu raciocínio. A atriz paga a quantidade solicitada para os hackers e espera apenas a boa vontade dos mesmos. Quem poderia garantir que eles realmente apagariam para sempre os arquivos? Já não é mais mistério para ninguém que, uma vez publicado qualquer material na internet – se se tratar de pornografia, a coisa piora – as chances do material desaparecer são praticamente nulas.
A Lei: Fiz uma análise da letra da lei, da legislação seca, e encontrei algumas brechas. O artigo 2º da Lei Carolina Dieckman altera o artigo o Código Penal e acrescenta o artigo 154-A, que terá a seguinte redação:
“Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:”.
 Acredito que caso aconteça de uma pessoa levar o seu computador à assistência técnica e durante o conserto o técnico tiver acesso a informações comprometedoras – inclusive fotos pornográficas – e “subtraí-las”, ele não estaria sujeito às penas da lei. (Faço um parênteses necessário. Observo que em outros tempos quem mais sabia da vida das pessoas era o padre ou o analista psiquiátrico, hoje, amigos, o técnico em informático é quem detém informações preciosas a respeito da vida das pessoas, afinal, confiamos coisas secretíssimas ao nosso HD). Afirmo e explico: O artigo requer que a invasão ao dispositivo seja feita “mediante violação indevida de mecanismo de segurança”, e na situação narrada por mim, o computador pessoal de uma pessoa é confiado ao técnico e este não precisa burlar nenhum sistema de segurança para conseguir arquivos comprometedores. Entendo que a lei visa proteger as vítimas de ataques via internet – como foi o caso da atriz, mas, a meu ver, as situações são equivalentes, uma vez que o espírito dessa lei é proteger as informações sensíveis das pessoas e coibir possíveis subtrações de arquivos.
Outro ponto falho da legislação é criminalizar o uso de programas que sirvam obter senha de outras pessoas. Todavia, os profissionais de segurança da informação usam os mesmos programas para trabalhar. Segunda a lei, os profissionais seriam criminalizados pelo uso dos programas.
Acho totalmente válida a iniciativa do legislador em tentar “colocar ordem” na internet. Também não é segredo que a internet funciona como um lugar sem leis. O tempo inteiro os Direitos Humanos são gritantemente violados; pessoas usam a internet – e mais ainda as redes sociais – para caluniar, injuriar ou difamar seus desafetos. Este tipo de comportamento não deve ser admitido, uma vez que, apesar de se tratar de um ambiente virtual, as regras do mundo real devem ser respeitadas.
A internet é a chance de ouro que a nossa geração possui para fazer a diferença e ser potencialmente melhor em todos os quesitos. Falando por mim, eu uso a internet diariamente para enriquecer meus estudos e aprender cada vez mais sobre os conteúdos ministrados na faculdade. Consigo enriquecer o que me foi passado pelos professores – sem desmerecer o que por eles é ensinado, evidentemente. Mas, infelizmente, o que tem se observado é o mal uso da internet. Esta está sendo utilizada para cometer crimes cada vez mais complexos e, principalmente, está sugando o cérebro dos jovens. Eu fico a imaginar daqui a 15 anos duas pessoas conversando e uma delas recebe a iluminação divina e confessa: - pois é, perdi a minha juventude vendo porcarias na internet.
Para finalizar, teço a crítica no sentido de que é necessário uma discussão mais aprofundada para a elaboração do texto da lei para que não se deixe brechas como as mencionadas acima. Viver em qualquer lugar que não haja regras é impossível e como a internet passou a fazer parte das nossas vidas, necessário se faz que ela também possua regras e que – mais importante ainda – seus usuários as respeitem.
MARCO AURÉLIO DOS SANTOS é estudante do curso de bacharelado em Direito e também colaborador do nosso Blog.

Contatos:
http://www.facebook.com/ocramaurelio
 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

MAMILOS E DEMAIS POLÊMICAS DA NOSSA SOCIEDADE


Por André Mansur*

Deixemos de lado as temáticas desigualdade social, aborto, preconceito religioso, cultural e racial e nos esqueçamos também de política e cidadania. Perder tempo com todas essas besteiras, pra quê? Tem prefeito rico que não gosta de pobre, colocando pedras embaixo de viadutos e querendo ensinar a pegar ônibus? Ah, não importa! Os tempos mudaram e as preocupações são outras! Pra que esquentar a cabeça com assuntos chatos se a maior polêmica dos últimos tempos são os mamilos polêmicos?? Hoje em dia, só mamilos mesmo pra polemizar um pouco as coisas, não é, pequeno Bruno Rodrigues? Você nem deve ter levado uma chinelada… afinal, seus pais provavelmente sabem que temas como mamilos são exatamente aqueles de sucesso garantido! E outra, jovem criatura, em apenas 18 segundos e falando nada com nada – não tem sido necessário mais que isso para que algo se alastre por toda a internet – você virou estrela! E é mamilos pra cá, mamilos pra lá… uma verdadeira polêmica!
Bom… a situação é realmente essa. Não é de se admirar que sucessos como Jeffeson e Suellen, para a “nossa alegria” (pensando bem, na minha não), apareçam todos os dias por aí. A Luíza, que certamente já voltou do Canadá, sabe bem do que estou falando! Pôneis malditos também andaram rondando algumas mentes e quem quem não se lembra dos intermináveis “tro-lo-lo-lós”desenterradados da década de 70? Virais e mais virais, por vão e vêm. Uma grande característica desses virais é que bombam e duram por pouco tempo e da mesma forma que uns caem no esquecimento, outros surgem em seguida na internet. E, confessemos que alguns realmente são engraçados.
Mas o que penso é que a mesma energia que as pessoas, principalmente jovens, gastam divulgando e discutindo a respeito dessas coisas engraçadas e pouco duradoras, deveria também ser usada para defender coisas que realmente valem a pena… Se ontem mudaram o ministro da cultura, por exemplo, e se quem entrou vai dar a assistência necessária à área, poucos falam a respeito ou querem opinar. Mas, se colocarem mamilo no meio, aí sim acabou: a coisa ganha uma proporção imensa! Memes engraçados então… esses são a onda do momento! 
Ah, não posso esquecer que ex assistentes boazudas também geram uma GRANDE polêmica!
Bom, estamos em época de eleições, não é? Questões importantes sempre surgem! Se não surgem, pelo menos vêm à tona! Envolvem mamilos? Eu não sei. O que sei que é ficar esperto nunca é demais! Mas, enfim, não quero polemizar…

*André Mansur (http://andremansur.com/blog/) é colaborador do nosso blog.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PANDEMÍDIA II

"O médico pensa que é Deus; o jornalista não tem dúvida". (Editorial da Revista Negócios da Comunicação)
 
Tragédia em Santa Maria e o poder da Mídia
Por Flávia Arenales V. Matricardi
 
Neste último domingo, 27/01, veículos de comunicação de todo o país noticiaram a morte de centenas de jovens na boate Kiss em Santa Maria – RS. Intensamente, durante horas a fio, a programação dos canais abertos foi alterada e acompanhamos minuto a minuto o desdobramento do segundo maior incêndio com mortes do país, o desespero dos pais, amigos e familiares das vítimas, além de entrevistas com autoridades que apontavam os possíveis culpados do fato. Ao analisar o fato jornalisticamente por meio dos itens do lead (o que, quem, quando, onde, como e porque), notamos os abusos e excessos de repórteres na ânsia de conseguir o furo e manter a audiência.
Basicamente, o leitor, telespectador e ouvinte precisa conhecer informações que tenham relevância e que, de alguma forma, o ajudará a se precaver sobre um possível incidente. Porém, o que foi revelado e ainda está sendo noticiado são histórias que vão muito além do fato. Jornalistas abordam familiares no momento de dor, durante o velório e enterro dos jovens, com perguntas que muitas vezes, já sabemos a resposta.
Ficamos sabendo também dos trajes das vítimas no dia do acidente, local onde as cinzas das pessoas que foram cremadas serão jogadas, entre outras banalidades. Não tenho dúvida de que leis mais severas serão criadas para proprietários de casas noturnas e que os possíveis culpados serão condenados porque a mídia já os incriminou. Várias notícias também mobilizaram o país durante semanas tais como o casa da menina Isabella Nardoni, Suzana Von Richthofen, Eliza Samudio, Eloá Cristina fazendo com que a população ficasse hipnotizada com a informação e debatesse em rodas de amigos somente o fato pré-determinado pela imprensa.
O que é salutar indagar é porquê fatos de extrema importância para a população como desvios e lavagem de dinheiro, atrasos nas obras para a Copa, milhares de mortes em hospitais públicos são escondidos ou minimamente noticiados pela grande mídia. Fica a dica.
 
 Flávia Arenales V. Matricardi é formada em Jornalismo e atua como Assessora de Imprensa. Também é uma das colaboradoras do nosso Blog.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

UMA FÊNIX EM SANTA MARIA (OU O QUE DEVE RENASCER DAS CINZAS DE SANTA MARIA)

Fênix é uma ave da mitologia grega que, antes de morrer entrava em um estágio de auto combustão e, após algum tempo de  sua morte, renascia das próprias cinzas. As estórias míticas nos contam que a fênix é uma das aves de maior longevidade, podendo atingir um ciclo de vida de mais de 97 mil anos.
Mas não é dessa fênix que me refiro hoje, e sim daquela que pode e deve renascer das cinzas provocadas pelo incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), ocorrido na madrugada do último dia 27.
É inenarrável o sentimento que moveu muitos brasileiros voluntários no auxílio aos amigos das mais de duzentas vítimas.
O que pode renascer das cinzas de Santa Maria? Inegavelmente renasce, não só lá na cidade de Santa Maria, mas em todo lugar, no Brasil e no mundo (o caso teve repercussões internacionais): a solidariedade.
As redes sociais a todo momento era ferramenta de transmissão de novas informações, mas sobretudo, um arauto conclamando os internautas a se manifestarem por meio de mensagens de conforto, de revolta, de respeito, também, convocando e organizando passeatas e homenagens às vítimas, familiares e amigos.
O que deve renascer das cinzas de Santa Maria? Não só a discussão, mas também a responsabilização daqueles que provocaram tal desastre. Quando falo de responsabilização, penso na correta investigação e apuração do caso, que vai desde os dirigentes da boate, os músicos, os seguranças até o setor público.
Nos noticiários que acompanhei, o foco está em culpabilizar os "peixes pequenos" (os dirigentes do estabelecimento e os componentes da banda), não quero dizer que se deva isentá-los da investigação. Mas eu me pergunto: nós estamos nos referindo à legislação ou apenas bom senso? De onde saiu o alvará de licença e funcionamento deste estabelecimento? Quem emitiu laudo de segurança e incêndio? Quem fiscalizou o estabelecimento garantindo salubridade para funcionamento?
Infelizmente a vida de todas essas pessoas não vão renascer dos escombros e fumaça... Mas que renasça o desejo ardente de se fazer do Brasil um país com leis que são observadas e fiscalizadas. Que renasça o desejo ardente de lutar contra esse tal "jeitinho brasileiro" que tudo resolve em detrimento da ética e do amor ao próximo!
 
 
"ANEXÉTASTOS BÍOS OÙ BIOTÒS ANTHRÓPOI". (Sócrates - filósofo grego)
"Uma vida sem reflexão não merece ser vivida".
 

terça-feira, 19 de junho de 2012

INDÚSTRIA CULTURAL



Os alunos do 2º termo de Comunicação Social da FAPEPE, Bruno Lemes, Hélio Santana e Vanessa Sanches, produziram um vídeo que ilustra a Indústria cultural e o consumismo em nossa sociedade atual. O vídeo é divertido (tem alguns palavrões em seu conteúdo), e com uma linguagem acessível faz uma crítica ao fetichismo da mercadoria e a cultura do consumo. Assistam!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

"Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser..." (Feuerbach - Prefácio à segunda edição de A Essência do Cristianismo)

Caros alunos de Comunicação Social, segue o link do livro de Guy Debord - A Sociedade do Espetáculo. O texto será trabalhado no segundo bimestre na disciplina de Filosofia. Desde já, vão fazendo o fichamento de citações comentadas para ser entregue no dia da prova do final do semestre. Espero que gostem, apesar de ter sido escrito há mais de 50 anos, o texto é muito atual e faz referência direta à área de atuação profissional que vocês escolheram.
Boa Leitura!


sexta-feira, 17 de junho de 2011

DOCENTE DA FAPEPE PARTICIPA DE SIMPÓSIO INTERNACIONAL NA UNESP DE MARÍLIA

Por Flávia Arenales - Assessora de Imprensa da FAPEPE.


O docente Julio César Gonçalves participou, de 7 a 9 de junho, do IV Simpósio Internacional em Educação e Filosofia: “Biopolítica, arte de viver e educação”.
Na ocasião, Julio César apresentou o trabalho: “O ensino da filosofia em questão: Inquietações e perspectivas para o ensino médio”.
Gonçalves conta que, com periodicidade bianual, o Simpósio Internacional caracteriza-se por discutir temas relacionados à Filosofia da Educação e ao Ensino de Filosofia. “Este ano, grandes nomes de pesquisadores estrangeiros marcaram presença no evento, tais como Gregory Pappas – Texas A&M University; Olga Grau- Universidade de Chile; Eugénia Vilela – Universidade do Porto e Jean Cristopher Merle - Universität des Saarlandes – Saarbrücken”.
O professor explica que o trabalho apresentando está diretamente relacionado a discussão de mestrado que realiza na Unesp de Prudente. “Analiso as condições do ensino de filosofia no ensino médio na cidade depois da obrigatoriedade imposta pelo governo estadual. Acredito que esta pesquisa irá influenciar na futura formação dos docentes de filosofia e apontar possíveis falhas na área”, conclui.

Flávia Arenales é Assessora de Imprensa da FAPEPE e também professora de Assessoria de ?Imprensa e Jornalismo especializado, no curso de Comunicação Social - Jornalismo, na mesma instituição.




sábado, 28 de maio de 2011

A CRIANÇA COMO SUJEITO CONSUMIDOR


Está em fase final o trabalho de conclusão de curso (TCC) da minha aluna orientanda Gabriela Paduan, do curso de Jornalismo, que tem como tema a discussão da formação da criança enquanto sujeito consumidor.
O trabalho buscou analisar a hipótese inicial de que as propagandas veiculadas nos intervalos dos programas infantis influenciam o desejo de compra das crianças, construindo-as como consumidores em potencial.

Para fundamentar suas análises e referências bibliográfica, Paduan utilizou autores de renome da Sociologia e da Comunicação, tais como Juan Dìaz Bordenave e Philippe Ariès.
Suas reflexões ainda contam com textos do jornalista Flávio Paiva, sobre a publicidade abusiva direcionada às crianças.
No final, Paduan faz uma análise sobre a programação da Rede Globo, identificando os tipos de propagandas veiculadas nos comerciais destinados ao público infantil, sobretudo no horário da TV Globinho que vem a ser o programa na qual a pesquisadora utiliza como objeto.
Com a pesquisa, Gabriela Paduan percebe que a relação que as pessoas têm com a televisão é algo adquirido ainda na infância, de modo que o aparelho tende a ser visto como parte da família. "Sabendo que a televisão é uma companhia para os telespectadores, a mídia dedica parte do seu espaço para a publicidade, como maneira de se manter financeiramente, e as propagandas por sua vez, procuram persuadir as pessoas, para que elas consumam determinados produtos", diz.
Para verificar essas hipóteses, Paduan, aplica questionários e realiza entrevistas com crianças da escola Escola Jean Piaget de Pirapozinho, e seus pais.
A defesa de seu trabalho ainda não foi marcada e o trabalho ainda passa pelas últimas revisões. Perguntado sobre o que pode ser concluído na sua observação, Paduan relata que enquanto cidadãos devemos estar atentos às publicidades e ao que rege o Código de Defesa do Consumidor, além do Conselho Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, que regularizam as publicidades destinadas à criança, para que esta seja resguardada (visto que se trata de um público com personalidade ainda em formação). 

Também, "se faz necessária maior atenção dos pais em relação meios que eles utilizam como entretenimento para os filhos, devendo escolher com mais rigor o que eles assistem na televisão, para que eles possam ter acesso a programas educativos que lhes acrescentem valores considerados positivos".
O enfoque à cultura e à leitura crítica de tudo o que a mídia lhes impõe, para que cresçam e se tornem adultos conscientes quanto aos apelos publicitários, foi a sugestão dada como desfecho ao trabalho de pesquisa.
Parabéns Gabriela, pelo esforço e dedicação.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO - Aqui a brincadeira é séria!!!

Texto extraído da Folha S. Paulo 11/08/2010 - 15h21


Caros amigos e alunos... Para quem não leu, ou não ficou sabendo da nova decisão tomada pelo TSE de proibir os comediantes de ridicularizar os políticos em época de campanha (pois ficou entendido que satirizar um candidato na TV pode gerar desigualdade no processo eleitoral), segue abaixo uma crônica de Danilo Gentili sobre o assunto.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) está preocupado, pois entendeu que satirizar um candidato na TV gera desigualdade no processo eleitoral. Ufa! Agora os indefesos candidatos já podem respirar aliviados e se concentrarem na campanha em que, na mesma TV, durante a propaganda eleitoral gratuita, um terá 10 minutos a mais que o outro para expor suas ideias. Isso sim é democrático, igualitário e... Droga... Aqui caberia uma piada, mas não posso fazê-la.
Agora é contra a lei ridicularizar o candidato. Então, lembre-se: por mais ridículo que ele seja, guarde segredo.
DANILO GENTILI é comediante
stand-up e repórter
do CQC da Band
Exemplo: Ainda que Collor ridiculamente ligue pra casa de um jornalista o ameaçando de agressão, por mais tentador que seja não mire sua lupa cômica nisso. Ele é candidato, e candidato aqui não fica exposto, fica blindado. O TSE nao é o feirante japonês que deixa a mercadoria exposta para que possamos apalpar e cheirar antes de levar. Ele é o coreano do Paraguai que a deixa na vitrine. Você não toca, não cheira. Apenas paga. Quando chegar em casa, reze antes de abrir a caixa.
E a discussão se essa censura é ou não constitucional? Tenho fé que em breve teremos uma resposta sensata. Logo após eles chegarem à conclusão de outra discussão que há anos os perturbam: afinal, o fogo é ou não quente?
O humorista pega a verdade e a exagera. Ao contrário do político, a verdade é imprescindivel para o sucesso de seu trabalho.. E esse é o problema. Num país onde culturalmente é bonito lucrar com a mentira, a verdade não diverte. Assusta. Indigna.
Onde já se viu um coronel permitir que manguem de sua cara em sua província? Então censuremos! Por isso, recentemente, tivemos imprensa brasileira censurada, jornalista estrangeiro expulso, repórter agredida e agora, humorista amordaçado. É melhor que o Estado defina o que pode ou não ser passado para o público, assim o público continua passando o que interessa para o Estado.
Aristófanes, pai da comédia antiga, exercia abertamente sua função de fazer o público rir, criticando instituições políticas e seus representantes. Se fosse brasileiro, hoje, Aristófanes não poderia realizar seu ofício. A visão democrática do TSE está mais atrasada que a da Grécia de 400 a.C.
Henri Bergson, filósofo francês, afirmou que "não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. Comicidade dirige-se à inteligência pura". Filosoficamente, o pessoal do TSE não é humano, nem inteligente o bastante para compreender o que foi escrito há quase um século atrás.
Freud, pai da psicanálise, entendeu que "rir estrondosamente, satirizar personagens e acontecimentos fazem parte da nossa experiência cotidiana e é crucial pra nossa condição humana". Um século depois, temos uma lei que impede a manifestação do cômico num evento tão importante pra sociedade como a eleição. Psicossocialmente falando, a democracia brasileira encontra-se retardada.
Estudos observam que primatas riem de boca aberta para manifestar raiva e hostilidade. A evolução preservou o instinto do riso no ser humano para que fosse a válvula de escape substituta à agressão física. A lei eleitoral quer abafar o instinto compulsivo da piada e do riso (e sabe lá Deus aonde isso vai poder explodir). Biologicamente, eles estão forçando um passo atrás na escala evolutiva.
Enquanto o Brasil se orgulha de dialogar com países desenvolvidos o suficiente para que nenhuma forma de comunicação seja restrita, a gente fica aqui rindo das imitações de Silvio Santos, porque é o que se pode fazer no momento. Claro, enquanto o Silvio Santos não for candidato.
Muito político faz chorar. Com a mesma matéria-prima o humorista faz rir. Para o TSE a segunda opção é uma ameaça e precisa ser contida.
A liberdade de expressão aqui tem o mesmo conceito de liberdade do zoológico. Faça e fale o que quiser. Você é livre! Desde que não passe os limites da sua jaula.
Não me multem, por favor. Isso não foi uma piada.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ÉTICA E PUBLICIDADE




Palavrão, calcinha e batom já ‘tiraram’ publicidade do ar

Do G1 - em São Paulo

Uma campanha publicitária da cerveja Devassa estrelada pela socialite norte-americana Paris Hilton (foto abaixo) foi suspensa no mês passado por seu forte “apelo sensual”. No país do carnaval, a decisão do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) – que ainda não é final – causou estranhamento. 
“Quem deu a liminar, deu baseado em reclamações de consumidores, e, a partir daí, da sua própria convicção de que aquilo estaria desrespeitando a moral prevalecente e na maioria da população brasileira”, avalia Ivan Pinto, professor da pós-graduação em Comunicação com o Mercado da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e ex-presidente do Conar. 
As decisões do Conar não são aleatórias mas, muitas vezes (como nesse caso), são subjetivas. A entidade, formada por representantes das agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, baseia suas decisões no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, criado há 32 anos. 
É este código que determina as diretrizes para o que é aceito – e o que pode tirar uma peça publicitária do ar. 


O que diz o código 

O artigo do código que trata de decência é vago: diz apenas que “os anúncios não devem conter afirmações ou apresentações visuais ou auditivas que ofendam os padrões de decência que prevaleçam entre aqueles que a publicidade poderá atingir”, o que pode dar origem a interpretações diversas – e que mudam com o tempo. 
“Os maiôs que a minha avó usava iam até o meio da coxa, não tinham decote. No tempo da minha mãe, já era menor, tinha alças. E depois tem o mais curto, os biquínis. Então o que era considerado ‘moral inaceitável’ em 1930, ou em 1950, na minha adolescência, são mundos completamente diferentes”, exemplifica Ivan. 
O presidente do Conar, Gilberto Leifert, reconhece a dificuldade. “Interpretar padrões morais é um desafio que o Conar enfrenta desde a sua criação. Para isso, contamos com o Código e nosso Conselho de Ética, formado por perto de 180 voluntários representando anunciantes, agências, veículos e sociedade civil”, diz ele. 
A ofensa à moral foi usada como base em um processo contra um anúncio do amaciante Mon Bijou que mostrava dois bebês entre lençóis, que supostamente passaria uma mensagem de erotismo. Esse processo, no entanto, foi arquivado pelo Conar, que considerou que não havia malícia nas imagens. 
Também dão margem a interpretações outros artigos do código, como os que condenam a publicidade que “revele desrespeito à dignidade da pessoa humana e à instituição da família” ou que possa “favorecer ou estimular discriminação racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade”. 
Com base nesses artigos, as secretárias conseguiram a suspensão dos anúncios de um filme que levava o nome da profissional da categoria, “Secretária”. Veiculadas entre 2003 e 2004, as peças, que mostravam uma mulher em posição de submissão, foram acusadas de ofender a dignidade e a honra da profissão, e o Conar determinou a sustação da campanha. 
“O código diz que é preciso ter respeito á sociedade, conformação às leis, ser honesto e verdadeiro. (A publicidade) deve ser preparada com senso de responsabilidade social. Tem que haver leal concorrência, não deve denegrir a atividade publicitária. Decência, honestidade, não apelar para medo, superstição e violência, ter apresentação verdadeira”, diz o professor da ESPM. 
Alguns assuntos, como bebidas alcoólicas e publicidade envolvendo crianças, merecem atenção especial. O código do Conar determina, por exemplo, que anúncios de bebidas levem a frase “beba com moderação” – o que fez com que a Nova Schin “limasse” a frase “experimenta com moderação” de sua publicidade. 



Outros casos 


Ivan Pinto lembra outros casos famosos que resultaram na retirada de campanhas publicitárias. Um deles é o do batom Boka Loka, em que a personagem, depois de derrubar as compras e ser molhada pela água espirrada por um carro, articula, em câmera lenta, um palavrão – cujo som, no entanto, não é ouvido. 
“(Como relator do processo) eu opinei que a maioria das pessoas não se sentiria bem com pessoas articulando palavrões [no intervalo da] na novela”, diz Pinto. Após votação, no entanto, a peça teve parecer favorável do Conar. “Foi informado à tevê que podia ser veiculado. Mas a tevê, com a autoridade que tem, não veiculou”, conta ele. 
“Tem outro caso interessante, de um anúncio com uma fotografia feita quando a Hillary Clinton era esposa do presidente [dos EUA] (...). No ângulo que pegou, acontece aquela coisa que as pernas podem ficar ligeiramente separadas e aparecer a calcinha. Então o anúncio diz: senhor presidente dos Estados Unidos da America, vossa excelência não imagina do que uma Duloren é capaz”, conta. “Obviamente a gente considerou isso, a embaixada protestou, então o relator recomendou a sustação da campanha”. 



Como é o processo 


O Conar avalia as peças publicitárias depois de sua veiculação, a partir de denúncias feitas por qualquer pessoa – consumidores, empresas associadas e autoridades. Em alguns casos, a iniciativa parte de uma equipe do próprio Conar. O consumidor pode fazer uma denúncia diretamente pelo site do Conar (www.conar.org.br) (não são aceitas denúncias anônimas). 
Em casos graves, segundo Leifert, presidente do órgão, uma decisão prévia pode sair em poucas horas, por meio de uma liminar recomendando que a peça publicitária deixe de ser exibida até o seu julgamento. 
Normalmente, no entanto, o processo leva entre 30 e 40 dias. Após recebida a denúncia, um dos membros do Conselho de Ética é nomeado relator do processo e fica responsável por avaliar a denúncia e a defesa, formulando um voto que é levado à votação dos outros membros da Câmara. “Os processados podem estar presentes e se defender de viva voz na sessão de julgamento. Os casos subjetivos, como o são frequentemente aqueles envolvendo moralidade, são dirimidos pelo voto dos conselheiros, havendo duas instâncias de recurso contra a decisão inicial”, explica Leifert. 
“A regra é que tenha sempre a possibilidade de uma segunda câmera, de apelação. Se houve unanimidade, acabou. Se não, vai para um plenário. Então às vezes um processo pode demorar um pouco”, diz Ivan Pinto. 
A decisão do Conar não tem poder de lei. “O anunciante pode não obedecer, mas os veículos, em 99,99% dos casos acatam a recomendação do Conar e retiram do ar o anunciante. Os veículos, palmas pra eles, são os grandes responsáveis pela aplicação das decisões do Conar, diz o professor. 


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