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segunda-feira, 25 de abril de 2016

DESCARTE DE EMBRIÕES: UM DILEMA ÉTICO DO NOSSO TEMPO



Por Julio César Gonçalves

Já é sabido que nunca falamos tanto sobre ética e falta de ética quanto nas últimas décadas, seja pelos meios de comunicação de massa, seja em discussões nas Universidades, seja no "senso comum nosso do dia a dia".
Hoje gostaria de trazer à tona um dentre tantos temas debatidos pela sociedade e que faz parte de uma área da ética denominada BIOÉTICA. Trata-se das discussões sobre a fertilização in vitro e o descarte dos embriões excedentes.
O problema ético central dessa discussão está em definir uma destinação aos embriões que não foram implantados no útero, ou seja, aqueles embriões que foram fecundados em laboratórios e que estão congelados (criopreservados) aguardando um destino. E que destino poderia ser este? Doá-los para pesquisa com células-tronco? Descartá-los? Mantê-los congelados? Doá-los para outros casais?
Estas são questões difíceis de serem resolvidas, mas que precisam ser pensadas. Seria muito fácil resolvê-las caso houvesse um consenso entre as verdades científicas, as verdades de fé e as verdades jurídicas. Mais precisamente sobre quando se considera o início da vida.
Muitos filósofos se embrenharam nesta difícil tarefa. 
Hipócrates (pai da medicina) defendia a tese de que é na concepção que se inicia a vida, portanto, qualquer remédio que colocasse em risco à vida intrauterina não deveria ser administrado. Platão pensava ser no ato do nascimento o exato momento em que a alma se fundia ao corpo. Aristóteles, a partir da "teoria da animação imediata", argumentou explicando que alma e corpo se unem semanas após a fecundação, afirmando que o feto tem vida e, pelos primeiros movimentos do bebê ainda no útero de sua mãe, se provará o início da vida. Também outros se posicionaram a este respeito.
Na próxima postagem veremos o posicionamento das religiões e da ciência.
Mas, fica para ecoar em nosso pensar, a questão: "Em que momento surge a vida?".

(Continua...)


terça-feira, 12 de abril de 2016

domingo, 27 de março de 2016

ATEU, AGNÓSTICO, FILÓSOFO, CRENTES...


Por Julio César Gonçalves
Estamos (nós cristãos) ainda vivenciando a celebração da Páscoa. A festa maior para o catolicismo. Entretanto, para provocar uma reflexão (e não polêmicas - uma vez que polêmica não tem lugar na filosofia, senão o diálogo e o debate), resolvi postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado?
Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso.
Vamos ver o resultado?





segunda-feira, 21 de março de 2016

NASCEMOS DUAS VEZES



Por Julio César Gonçalves

Aristóteles afirmou certa vez: "O homem é um animal político", um animal social. Evidentemente que ele se referia à natureza coletiva dos seres humanos.
Nós não nascemos para viver isolados, não somos ilhas. Somos arquipélagos.
Desde os primórdios da vida humana o homem se organizou em agrupamentos, mais ou menos vinculados afetivamente. Uma das primeiras formas de associação foi o clã. A primeira família. Aliás, é na família que se busca os elementos-chave para a compreensão da sociedade: as relações interpessoais, o sentimento de pertença, objetivos focados e comuns, dependência mútua compartilhada etc. Depois vieram as tribos, as aldeias (ou genos) e só depois as sociedades complexas.
Ora, nascemos, vivemos e morreremos sempre aptos a CONVIVER, a estar em comunidade, e, conviver é diferente de viver  - não apenas por uma questão de conceito e etimologia -, mas porque estão ligadas à coisas distintas.
Quem vive? Ora, nós vivemos. Nós quem? Nós seres humanos. Mas somente seres humanos vivem? Não... Todo ser vivo vive. Parece óbvia tal resposta.
O que caracteriza a vida em um ser vivo são o conjunto de atributos biológicos presentes em sua constituição. Respirar, movimentar-se, desenvolver-se, reproduzir, envelhecer, morrer. Sob estes aspectos (biológicos), somos tão vivos quanto uma bactéria. Entretanto, quando falamos de convivência, falamos de atributos tipicamente humanos. A própria acepção da palavra já deduz: CONVIVER = VIVER COM o outro. Conviver é ensinar e aprender, é ajudar e ser ajudado, é se tornar melhor com outras experiências compartilhadas. Conviver é ser melhor a cada dia. Nisso nos diferenciamos dos outros seres vivos, porque não são aspectos apenas biológicos de que somos feitos, mas também sociais. 
Então quer dizer que os animais não convivem entre si? Do ponto de vista sociológico não. Essa é uma realidade tipicamente humana. Os animais podem viver em bandos e expressar certas reações muito semelhantes às que apresentamos na convivência diária, entretanto, eles não têm algo que é extremamente importante para caracterizar a convivência: a consciência. Outros seres vivos não agem movidos pela decisão livre e consciente. Agem por impulso, por instintivo. Os animais e plantas se alimentam pelo instinto da fome, por exemplo, nós, além dos instintos, nos alimentamos por outras motivações (ansiedade, gula, para não fazer "disfeita"). Os animais se relacionam sexualmente e se reproduzem para manter a espécie, nós, além deste motivo, nos relacionamos por carências, por prazer, por vingança, por amor. Fazemos controle de natalidade, criamos métodos contraceptivos, abortamos.
Portanto, é-nos evidente que temos duas naturezas. Podemos dizer até que sofremos dois partos: um natural e, portanto, biológico; e, outro social, porque nascemos para a cultura, para os costumes, para o mundo que nos rodeia.

terça-feira, 8 de março de 2016

SENTIDOS

"Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro", diz a sabedoria popular. Eu posso dizer que tenho alguns tesouros que estão espalhados por esse mundão de meu Deus (nem sempre a vida nos faz ficar perto daqueles que amamos). Hoje, mexendo nos meus arquivos publicados, me deparei com um poema filosófico escrito pelo meu amigo  e filósofo Alessandro (o San) e que publiquei no blog em 2010. Bateu a saudade... Então resolvi republicá-lo. E viva a amizade! 

Por Alessandro Pascoal de Brito



Escondeu a sua perfeição em formas tão simples, desprovida de qualquer cuidado e atenção. Não que não mereçam maior atenção, mas por sua simplicidade e fragilidade quase não são notadas. Os olhos se encantam mais com o extraordinário, com o espetáculo e com o brilho. Aos poucos os sentidos nos educam, na busca do bem e do belo. Eles foram atrofiando-se na nossa dura sensação de certeza. A certeza e a dúvida são sentimentos que dão aos sentidos movimento de segurança e insegurança, passos firmes e pernas bambas. O que resta, então, senão bradar a todos: "Ouçam, vocês estão voltando a vossa atenção ao que passa e deixando o que não passa! Cuidado! Um pouco mais de Atenção! A vida precisa de vocês, vocês que estão perdendo o sentido dos seus sentidos!


ALESSANDRO PASCOAL DE BRITO é filósofo e professor de Filosofia e colaborou com esta postagem em nosso blog.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DEVEMOS TOLERAR O INTOLERANTE?


Por Julio César Gonçalves

Sem sombra de dúvida, um dos assuntos mais disseminados pela mídia brasileira hoje, diz respeito, direta ou indiretamente, à intolerância, seja racial, homoafetiva, ideológica, religiosa ou de outras ordens, seguido pelo tema da ética e do preconceito.
Apesar da semelhança conceitual comumente adotada, intolerância e preconceito se distinguem, embora não se excluam. O preconceito leva à intolerância e esta, à discriminação.
Preconceito é ter uma ideia a respeito de algo, antes de conhecê-lo a fundo e, a partir daí estabelecer um juízo de valor. Os preconceitos surgem quando se leva em consideração uma especificidade como sendo a totalidade da realidade, generalizando. Também aparecem cristalizados em frases prontas muito presentes nas conversas informais e ditados populares, como por exemplo, “toda loira é burra”, “mulher no volante, perigo constante”, “todo português é burro”, “baiano é preguiçoso”, “gaúcho é gay” etc.

Intolerar (não tolerar) se caracteriza pela atitude de não admitir, não respeitar
opiniões diferentes de suas próprias, no âmbito social, religioso ou político, sem considerar o outro lado, que as contestam. Desse modo, a intolerância se manifesta sempre que alguém crê em um único ponto de vista ou forma de se fazer algo, antipatizando e hostilizando (discriminação e violência) àqueles que pensam ou defendem outras visões de mundo.
O que fazer, por exemplo, diante da presença de pessoas intolerantes? O que eu tenho percebido muito é uma reação intolerante diante de atitudes também intolerantes. Uma espécie de intolerância à intolerância. O problema se agrava ainda mais, pois se trata de uma “meta-reação-intolerante”, isto é, seria muito próximo do que tentar resolver os problemas de guerra com guerra e gritar para não ficar rouco.
Além de ilógica, violenta e egoísta, tais atitudes nada mais expressam do que a alma da nossa sociedade atual, incapaz de empatia, incapaz de profundidade nas relações, incapaz de compaixão.
Olho por olho e o mundo acabará cego... (Mahatma Gandhi)

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