Estudantes, pais e professores de várias escolas públicas de Presidente Prudente foram às ruas hoje pela manhã, em protesto contra a "reorganização" das escolas, imposta pelo atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na chamada reorganização das escolas, o governador realocará vários estudantes para outras escolas, superlotando as salas de aula, desrespeitando os estudantes que serão obrigados a estudar em escolas fora das proximidades de sua residência, professores ficarão desempregados, pois, sob o discurso de "corte de gastos" (para a gente ver como é considerada a educação pelos gestores deste país - um gasto), existe a intenção de fechar várias escolas em Prudente e região.
De encontro a essa política desmanteladora, fomos às ruas, paralisamos o trânsito em frente a Diretoria de Ensino (que por sinal, tratou-nos como animais, acionando a polícia e enxotando professores e estudantes que se encontravam pelo lado de dentro dos portões da DE). Assim vamos caminhando, em meio ao descaso político de nossos governantes, a forma desumana com que são tratados os professores e a má qualidade do ensino com que nossos estudantes, nossas crianças e jovens são submetidos sem, sequer, o direito de serem consultados ou levados em conta suas necessidades.
Se essa situação não representar o "fundo do poço" da educação, então não saberia dizer o que mais poderia acontecer-nos. Nossa sociedade caminha, passo a passo, rumo à idiocracia...
Mensagem encontrada no bolso de um judeu cuja cidadania e cuja dignidade foram violadas gravemente no período nazista: "Prezado Professor. Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação. Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e aritmética só são importantes para fazer nossas crianças mais humanas". Para Fensterseifer, tudo indica que esse sujeito tenha presenciado a atuação de pessoas que, com sucesso, passaram por um processo formativo. “Bons alunos” que se transformaram em “especialistas idiotizados”. Quem sabe bons pais de família que cumpriam suas funções religiosas dominicais e, acima de tudo, funcionários exemplares que executavam assassinatos cuidadosamente planejados.
Recentemente tive o prazer de participar de uma entrevista a convite da amiga Juliana Genseem um hangout ao vivo, juntamente com o amigo jornalista Bruno Saia(encontropromovido pelo GEG - Grupo de Educadores Google - Presidente Prudente). Na ocasião pude contar um pouco da minha experiência, enquanto educador, com o uso do blog. Foi uma oportunidade e tanto!
Peço licença para reproduzir (na íntegra), o texto que Bruno publicou a respeito desse bate-papo. Também aproveito para divulgar seu blog "SAIA EDUCANDO", que está super legal, com textos, dicas e experiências com a educação. Parabéns Bruno e obrigado Juliana pelo convite carinhoso.
SOCIOLOGIA NO MUNDO - DO COMPARTILHAMENTO DE DADOS A ESPAÇO DE DISCUSSÃO VIRTUAL
Por Bruno G. Saia
Apresentar um exemplo do uso do blog na educação e discutir as vantagens e dificuldades enfrentadas na aplicação prática da ferramenta foram os principais objetivos da conversa, transmitida ao vivo pelo Hangout do Google, no dia 14 de julho. O evento foi promovido pelo GEG (Grupo de Educadores Google de Prudente).
Tive o prazer de participar dessa conversa e também compartilhar minhas ideias sobre o tema, junto com a professora Juliana Maria Cristiano Gense, que leciona no curso de Letras da FAPEPE/ UNIESP em Prudente, e com o professor da área da Filosofia, Julio César Gonçalves, criador e administrador do blog Sociologia no mundo. O blog, criado pelo professor Julio em 2009, teve como objetivo inicial o compartilhamento de materiais com os alunos, para que pudessem ser acessados após a conclusão do trabalho em sala de aula. "A ideia era criar uma base de dados, a princípio, porque o suporte da instituição teve um problema técnico e não estava suportando tudo o que eu gostaria de disponibilizar, aí pensamos na possibilidade de criar um ambiente virtual", conta.
Porém, atualmente, o espaço também apresenta discussões aprofundadas a respeito de temas atuais, em diferentes áreas. "Com o tempo, eu comecei a receber e-mails de colegas com textos para publicar e também senti a necessidade de criar um espaço de bate-papo, nesse ambiente de interação", detalha Julio.
Aos poucos, ele passou a buscar novos gadgets, novas alternativas visuais e novidades nos tutoriais do Blogger, onde o Sociologia no Mundo está inserido. "O blog foi mudando a função inicial e se tornou um espaço de discussão e reflexão, com textos que recebo de pessoas de fora, dos alunos, com foco em temas que estão na sociedade, muitas vezes polêmicos". Ele lembra ainda que, apesar d mudança, o espaço virtual mantém ainda suas características iniciais, de compartilhamento de dados, por meio de links e, até mesmo, para a realização de provas, com formulários online. "Ele é um recurso bastante útil para mim hoje, como técnica para se utilizarem sala de aula". Confira todos os detalhes do Hangout do Google e sobre o blog do professor Julio no vídeo acima.
BRUNO SAIA é repórter do Jornal "O Imparcial" e professor. Também colaborou com nosso blog.
No decorrer do ano, nos deparamos com datas esdrúxulas. O calendário todo é preenchido por comemorações vazias que pouco acrescentam ao cotidiano, senão na mais indigesta arte de parabenizar a esmo, sem qualquer convite a reflexões. Neste 15 de outubro, será diferente. Apesar de, injustamente, não ser respeitado como um feriado nacional, trata-se de um dia especial. Uma das profissões mais importantes do planeta, regente de mestres e norteadora para grandes estudiosos, será lembrada pelos que valorizam a classe de professores. A cultura luta para não ser extinta e o saber já respira por aparelhos, temendo o desaparecimento. Há algumas décadas, logo que surgiu o contestado método de progressão continuada, rotulado como um avanço no ensino para que os alunos não reprovassem mais pelo desempenho ruim, senti um pesado declínio. Mais do que isso, um golpe letal nas articulações dos colegas docentes. A função, antes avaliatória, se restringiu ao simples manuseio da caneta para comprovar ausência ou presença dos alunos. Não tardou para que os efeitos fossem alarmantes. Posto que, se o estudante comparecesse a um percentual x de aulas, poderia deixar de se aplicar nas tarefas, na compreensão e nas respostas para exercícios. O desafio de ser professor tornou-se cada vez mais desgastante e, sobretudo, prejudicado pelo cerceamento do seu controle. Lutando, também, contra um baixo salário, o 15 de outubro quase teve outro significado: a memória de uma batalha como a de Canudos, Malvinas e Farrapos. Pois a guerra fria tem transformado indivíduos de potencial em meros coadjuvantes de uma educação miserável. Caso sejam exigentes, são taxados de ditadores. No mais brando comportamento, chamados de omissos. Ser professor no Brasil, com o desinteresse apoiado pela política preguiçosa de retrocessos, compromete a formação de pessoas mais críticas e cumpridoras de dever cívico. O mestre perdeu o giz, a lousa, a régua e grande parte do respeito da sociedade. Ao passo, ironicamente, que sua responsabilidade como pai, mãe, psicólogo, autodefensor e terapeuta, aumenta. Precisamos não só parabenizar pelo dia, um a mais no ano. Mas pela resistência em acordar e levar para dentro das salas o que já foi prestigiado: a arte de passar e corrigir lições, antes que a vida faça o mesmo, porém, sem amor.
Tenho amigos professores e agentes penitenciários, há alguns comentários parecidos na gestão de ambas competências. Os estudantes cumprem a rotina letiva como se fossem enjaulados (sentenciados), já os docentes têm que se preocupar mais com a segurança do que com a metodologia de ensino. Cada um na sua esfera de atuação, como se não fossem parte alavanca de um todo, ameaçado pela desordem dos que são eleitos para não pensar na educação.
A categoria específica é professor e, em alguns países mais evoluídos culturalmente, se restringe realmente a dar aulas. Porém, aqui no Brasil, se exige uma versatilidade incrível, pois o mesmo mestre precisa entender de psicologia para decifrar questões de comportamento, de assistência social para resolver conflitos familiares que refletem num mau aprendizado do aluno, de sexualidade (cada vez mais aflorada) nas salas de aula e corredores, de segurança pessoal para ameaças à integridade física, de direito para possíveis processos de pais que acham que filhos são sinônimos de anjos, de caligrafia para absorver letras como a minha, de engenharia para planejar, alicerçar e construir o futuro e de ciências políticas para cobrar melhores condições e reajustes, que ainda são vistos como migalhas pelo poder executivo federal.
O dom é único e merece ser pontificado. É complicado atrair a atenção dos alunos a aula inteira sem megafone para combater conversas paralelas. O vendedor de pamonha sofre desse mal mesmo tendo o instrumento citado. Na minha época (indicativo de velhice), o nobre professor deveria até ter noções de fisiologia para saber se o estudante queria ir ao banheiro ou passear lá fora.
Enfim, parabéns para todos os professores experientes, imaturos, promissores, alternativos, esporádicos e árbitros de futebol.
Sintam-se abraçados e congratulados pelo 15 de outubro.
PS: Vai cair na prova?
FERNANDO RODRIGUES GARRIDO é estudante do 6º termo de Comunicação Social com habilitação para Jornalismo. Também é colaborador do nosso Blog.