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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SUICÍDIO


Por Patrícia Castilho

O suicídio veicula o desejo de uma pessoa em escapar, ou terminar com seu sofrimento. Também, por outro lado, o desejo em comunicar o seu sofrimento aos outros - um pedido, as vezes, de ajuda. Além disso, cada pessoa tem seus próprios motivos muito particulares, profundos e extremamente dolorosos que o levam a ponderar desistir de viver.

A maioria das pessoas que pensam, tentam ou cometeram o suicídio, escolheriam outra forma de solucionar seus problemas e conflitos, se não se encontrassem em "tal angústia" que as incapacitam de avaliarem as suas opções objetivamente.
A sua intenção é para a sua imensurável dor psicológica e não por fim a sua vida. Querem simplesmente "fugir" da dura realidade e tensões que não conseguem lidar, onde não percebem mais solução possível, nem perspectiva de melhora ou mudança no futuro.
Devemos sempre estar atentos aos nossos sentimentos, emoções e sensações. E também observar as pessoas ao nosso redor.


PATRÍCIA CASTILHO é psicóloga e técnica de enfermagem. Também colabora com nosso blog.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ALZHEIMER


Por Fernando Luiz Teixeira

Números expressivos oferecidos pelo IBGE, no último censo, atestam que a população brasileira está envelhecendo. Sublinham que, ao contrário de décadas anteriores, cada vez mais homens e mulheres têm chegado aos setenta, oitenta anos. As porcentagens mostram-se louváveis. Preocupante mesmo são as condições para atender a esse segmento. Volta e meia, a infraestrutura das metrópoles mais exclui que inclui. O descaso predomina nas ruas. Índices de violência doméstica também saltam aos olhos. E os asilos se tornam espaços privilegiados para que filhos e netos possam, enfim, esquecê-los. Entre os impasses enfrentados, talvez o maior ainda seja a insensibilidade. Há um punhado de piadas que tripudiam os dilemas vivenciados na senectude. A sexualidade quase sempre é abordada a partir de um tom de deboche. Isso sem contar que parte expressiva dos jovens parece menosprezar a capacidade intelectual  do idoso. Por pressa ou pura intolerância, demonstram pouca paciência e atropelam seu tempo para desenvolver certas atividades. Tempo esse que se encontra comprometido em razão das limitações do organismo impostas pela própria idade. 
Os problemas tomam proporções bem mais sérias quando o idoso, pelo fato de não ter conseguido garantir certa estabilidade durante a juventude, se vê à mercê dos familiares. Para se manter, precisa ainda exercer alguma atividade remunerada. O mercado de trabalho, no entanto, ocupa-se em deixar profissionais mais experientes de lado. São praticamente escassas as possibilidades de emprego para aqueles com mais de cinquenta anos.
Lamentáveis são também os casos em que muitos parentes se apropriam da aposentadoria de pais e avós para o benefício próprio. A fim de contornar esse impasse, os atuais processos de interdição revelam-se bastante criteriosos. Ao final de cada ano, devem-se reunir os comprovantes dos gastos do aposentado e encaminhá-los ao advogado para prestação de contas. Tal prática poderá assegurar ao idoso que o dinheiro seja direcionado às suas necessidades básicas, como alimentação, vestuário, higiene e saúde. 
Contudo, o que se vê com certa regularidade é o abandono. Na luta pela sobrevivência, grande parte dos filhos se dedica às carreiras promissoras. E deixam para trás aqueles que mais torceram por eles. Precisam garantir o sustento e a realização profissional. Não há mais tempo para conversa fiada. Vá ver televisão, tiozinho! Meu Deus! O senhor emporcalhou toda a mesa de jantar! Tenho mais o que fazer! Não posso ficar limpando isso toda hora! Ai, não! Gripado de novo! Logo agora!
Sabe-se que o idoso apresenta uma série de problemas que corroboram sua fragilidade biológica. Encontra-se menos protegido contra doenças físicas e psíquicas. Sua visão mostra-se, gradativamente, comprometida. A capacidade de ouvir também. O paladar e o olfato sofrem alterações. O raciocínio apresenta-se mais lento. E a certeza da morte iminente traz quadros depressivos e angustiantes. É o momento de avaliar a própria vida, as escolhas feitas durante a travessia, os momentos em que, muitas vezes, se anulou para satisfazer a vontade alheia. Talvez o maior exemplo acerca das dificuldades de superar todos esses percalços, eu tenha encontrado na minha própria casa. 
Sou professor universitário e cuido, há cinco anos, de minha mãe. Ela chegou aos setenta anos e foi diagnosticada, ainda sem total precisão, com Alzheimer. De lá pra cá, muita coisa mudou na minha casa e, consequentemente, na minha vida. A gente mal fazia ideia de que sua “mania de limpeza”, de que o fato de lavar as mãos cinco, seis, sete vezes, revelar-se-ia mais tarde como o início de um caminho de muito sofrimento.
E a partir daquele momento, eu acompanhei uma transformação nada fácil para qualquer filho. Ela pouco a pouco se anularia, apagaria muita coisa da memória e se transformaria em uma pessoa diferente e distante. O amor permanece, mas permeado de saudade por tudo aquilo que ela havia sido. As mudanças chamam a atenção. Primeiro, o portador de Alzheimer se esquece de palavras que utilizava no cotidiano, como “leite”, “laranja”, “costura”. Os lapsos se tornam constantes. Outras vezes, trocam verbos. Aí é comum ouvi-los dizer que “comiam” um cafezinho ou “bebiam” um gostoso prato de arroz e feijão. E quando tomam consciência de que não conseguem se comunicar direito, sentem-se envergonhados, acuados, e preferem se isolar. Assim, é comum, em festas de família, vê-los correr para um canto ou outro. O silêncio parece menos doloroso. O ato de ter de interagir com o outro se torna um grande peso, um fardo muito difícil de carregar.
A escrita sofre oscilações. A leitura e os cálculos matemáticos também. E pouco a pouco são apagadas informações básicas como o nome do país onde mora, a novela preferida ou a canção que mais agradava.
Mas ainda assim, as características do que foram no passado se mantêm. Por isso é comum vê-los perguntar dos filhos, embora não mais se recordem do nome de nenhum um deles. Recebem os netinhos com um abraço forte e apertado. Fazem questão de presentear um e outro com um mimo qualquer. E vez por outra aquecem a cabeça no nosso colo e nos agradecem por não ter saído naquela noite chuvosa.
Entretanto, nem tudo é um mar de rosas. E nem um poema apaixonado. Com o passar dos anos, a dependência aumenta, a coordenação motora não é mais a mesma. Intensificam-se as dificuldades de trocar de roupa. Requer ajuda no banho. Levantam-se nas madrugadas. Atiram comida na parede. Fingem ter ingerido o remédio e o escondem debaixo da cama. Choram com medo de ir ao médico. E os cuidadores, às vezes, ficam irritados. Mostram-se hostis. Deitam-se magoados. Não com as pessoas cuidadas, mas com a vida e os rumos desconcertantes das tristes histórias que estão testemunhando e que, por mais que não queiram enxergar, sabem como terminam. Dos familiares mais espirituosos que conheço sempre garantiram que logo conseguem se recompor. Voltam, à noite, para cobrir os avós, e se reconfortam com a oportunidade de tê-los ao lado, de poder ajudá-los, de tentar fazer algo de bom – mesmo em meio a tantos tropeços e falta de informação.
E as tentativas para reverter o quadro são muitas. Aqui em casa nos dividimos e nos desdobramos para oferecer uma boa qualidade de vida pra mãe. Caminhadas, conversas diárias, estímulos para enumerar as coisas (ufa! ontem contamos até trinta!)... Vale tudo! 
Decerto muitos leitores se identificaram um pouco com isso. Sabem que, embora persista um discurso virtuoso a respeito da melhor idade, a realidade, na maioria das vezes, revela-se bastante ingrata. A rigor, é importante que o cuidador esteja sempre presente para que o idoso não seja ignorado em lojas, feiras ou consultórios. 
Possivelmente a raiz de todos esses transtornos esteja ainda no preconceito. E o preconceito, via de regra, reflete a ignorância, a concepção de que a velhice é um período infértil e improdutivo. Talvez a resposta mais apropriada para tal questão possa ser encontrada nos estudos do geriatra Luis Eugênio Garcez Leme. Para ele, a melhor forma de combate ao preconceito é o exercício sistemático do RESPEITO. Exercício esse que efetiva por meio da atenção, do trato individualizado, da capacidade de ouvir o outro e, sobretudo, de partilhar suas experiências, seus conselhos, suas histórias. Enfim, suas vidas!  


FERNANDO TEIXEIRA LUIZ é pós-doutorando em Literatura Comparada e Identidades Culturais, Doutor em Letras, Mestre em Educação, Pedagogo e colaborador do nosso blog.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ÉTICA E MORAL - Caso 2

O segundo caso que vamos estudar é bastante conhecido. Trata-se das histórias do "menino selvagem" (como ficou conhecido) e das irmãs Amala e Kamala.
Sobre esse caso vocês irão refleti-lo a partir da afirmação feita por Lilia Pinheiro (no texto trabalhado em sala) a respeito da ética grega. Façam uma análise comparativa entre as histórias e a afirmação abaixo:

"A ética grega entendia que o homem é um animal político (da polis) por natureza. Sendo assim, o homem só se humanizaria, se tornaria verdadeiramente homem, na comunidade. Ela era, pois, uma busca racional por critérios que tornassem possível a vida digna em comum". 

Segue os links dos textos: texto1  e texto2

Bom trabalho! Boa reflexão!!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CONFISSÕES DE UM FILÓSOFO


- sobre a velhice -

Conhecemos-nos em uma tarde de outono, onde as folhas que caiam das arvores eram o anuncio de um inverno rigoroso que se aproximava. Sozinha e triste lá estava ela. Outono era a estação que transbordava de seu olhar. O fim de uma vida pode ser tão triste quanto à de uma flor que morre seca por falta de água em um jardim mal cuidado.
Os detalhes de suas palavras eram tão verdadeiros quanto ao céu nublado que prenuncia uma tempestade. Lá estava ela. Em um banco daquela praça. Lia o seu jornal. Sentei-me ao seu lado. Olhou-me profundamente nos olhos. Senti meu coração se rasgando pelas dores não pronunciadas daquela alma sofrida.
Contou-me de sua vida. Falou longamente sobre sua juventude. Dos sonhos realizados e daqueles esquecidos pelo tempo. Sim, ela teve família. Hoje, não mais. O que não se cuida com amor acaba sendo esquecido pelo tempo.
Naquela tarde descobri o que minha razão nunca poderia ensinar-me. A velhice pode ser tão dolorida como a dor da perda de alguém querido. Hoje minha mais nova amiga recordava as suas manhãs de vigor e sonhos. Tudo o que sonhou um dia hoje se encontrava sepultado em um coração esquecido por quem um dia se dizia amado.
Certo estava Michel de Montaigne quando disse: ”A velhice faz-nos mais rugas no espírito do que na cara”. Minha amiga não tinha tantas rugas na face. Mas seu coração era a dor aberta, em feridas que nunca poderão ser cicatrizadas pelo tempo.
Hoje ela vivia só. Foi abandonada em uma Casa de Repouso para pessoas que estão no processo de esquecimento familiar. Teve muitos filhos e netos. Recordou-se com lágrimas do primeiro sorriso de seus filhos. Das noites mal dormidas pelos resfriados que as crianças pegaram andando na chuva. Teve dias que deixou de se alimentar para que seus filhos tivessem o que comer. Sua dor era uma mistura de saudade e sofrimento.
Ao fim daquela tarde, perguntei-lhe se não sentia mágoa por estar naquela situação. Com um leve sorriso entre os lábios olhou-me profundamente nos olhos e me disse: Quando amamos verdadeiramente, a saudade de um passado de lutas é apenas uma maneira de mostramos que valeu ter lutado para fazer outras pessoas felizes.
Não concordei! Entre lágrimas abraçou-me e disse: Ser esquecido é a pior dor que até hoje senti em toda minha vida. Sinto falta de quem me amou, mas continuo amando cada filho. Queria apenas cuidar desta doença que hoje eles têm, e que se chama: desumanidade.
Assim nos despedimos. Na certeza de que a vida não é tão doce e bela para todas as pessoas. Retornando para minha casa recordei-me de Jean Jacques Rousseau: “Quem viveu mais não é aquele que viveu até uma idade avançada, mas aquele que mais sentiu na vida”.

Flávio Sobreiro Filósofo pela PUCCAMP, Teólogo pela FACAPA, Estudante de Filosofia Clínica, Poeta, Escritor e colaborador do Blog: SOCIOLOGIA NO MUNDO.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SOLITÁRIO E SOLIDÁRIO


Meus caros...
No link abaixo vocês poderão encontrar um belíssimo artigo sobre a solidão e a necessidade de ser coletivo que faz parte da natureza do homem. O presente artigo, intitulado SOLITÁRIO E SOLIDÁRIO, de autoria do amigo Fernando Batistuzo, tratará, justamente deste antagonismo (posição defendida pelo autor), isto é, a impossibilidade de ser solidário quando se é solitário. 




Leia o resumo do artigo:



Expressão comum, utilizada e ouvida desde os primeiros anos da graduação, sobretudo em Filosofia e Sociologia do Direito, é a de ser o homem um “ser gregário”.por natureza, ou seja, que não vive só.
Por detrás da referida expressão, que comumente é desacompanhada de maiores e aprofundadas explanações, situa-se o fenômeno do inter-relacionamento humano, ocorrente pelas mais diversas razões, as quais levam o ser humano a deixar sua individualidade para tornar-se um ser social, um ser gregário.
Apoiado em dois artigos com pautas diversas, o presente trabalho propõe-se brevemente a uni-los, intentando demonstrar até mesmo que o objeto de estudo em um deles é condição para a existência do objeto do outro.
Assim, tentar-se-á demonstrar que o ser solitário não pode – e aqui já se destaca - pelo menos ativamente, ser solidário.

Abraços a todos e boa leitura!



FERNANDO BATISTUZO é graduado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino - ITE, Especialista em Direito Civil e em Direito Processual Civil e Mestrando em Direito Constitucional pela mesma instituição. É professor de Direito do Trabalho na Toledo de Presidente Prudente(SP); de Direito Constitucional e Direito Processual Civil na UNIESP de Presidente Epitácio(SP); Professor em Cursos Preparatórios para Concursos Públicos; Advogado.








quinta-feira, 16 de julho de 2009

MENINO OU MENINA???


Antigamente os pais sabiam o sexo de seus filhos no momento do seu nascimento. Com o advento das novas tecnologias, a possibilidade de identificar doenças congênitas e a curiosidade dos pais, já é possível (na maioria dos casos), identificar o sexo a partir do 4º mês.
Há algumas semanas recebi um e-mail que me deixou chocado... Um casal sueco decidiu não revelar o sexo do seu filho de dois anos e meio. “Queremos que Pop cresça com maior liberdade e que não seja forçado a um gênero que o/a moldará”, disse a mãe.
A criança ora usa vestidos, ora roupas masculinas, assim como o seu cabelo - muda do estilo feminino para o masculino a cada manhã. A controversa atitude do casal gerou um intenso debate no país.
O jornal sueco que entrevistou os pais, The Local, conversou com a pediatra sueca Anna Nodenström do Instituto Karolinska sobre os efeitos em longo prazo no comportamento da criança. “Afetará a criança, mas é difícil de dizer se fará mal a ela”, diz a pediatra. “Não sei o que os pais querem com isso, mas certamente ela será diferente”, completou. Anna ainda afirmou que quando Pop entrar na escola, se seu gênero ainda for desconhecido, ela chamará muito a atenção dos coleguinhas. A psicóloga canadense Susan Pinker autora do livro The Sexual Paradox, também entrevistada pelo jornal sueco, disse que será difícil manter incógnito o sexo da criança por muito mais tempo. “As crianças são curiosas sobre suas identidades e tendem a gravitar em torno das de mesmo sexo no começo da infância”. Pop logo ganhará um irmãozinho ou irmãzinha, porque a mãe está grávida. Ela afirmou que irão revelar o gênero “quando Pop quiser”.Fico pensando: até que ponto esta atitude dos pais estão corretas? É possível criar uma criança sem gênero?
Só tenho certeza de uma coisa: A gente vai morrer e ainda não vai ver tudo...

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