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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

QUAL O LUGAR DO BRASIL NO CENÁRIO INTERNACIONAL DA PESQUISA?

Por Julio César Gonçalves
 
Apesar da dimensão continental, o Brasil ("gigante pela própria natureza"), ainda não atingiu sua maioridade no que tange a pesquisa no geral e, de modo peculiar, na área da saúde.
O parâmetro é posto com base nas nações desenvolvidas, tais como os Estados Unidos, a França, Alemanha etc. É um pouco injusta essa comparação se levarmos em consideração o fato de o nosso país estar ainda engatinhando, isto é, o Brasil ainda é um país muito jovem - pouco mais de 500 anos. Está agora aprendendo a ser autônomo tanto econômica quanto politicamente. Em contrapartida, países como a Coreia apresentou um comportamento de desenvolvimento científico muito rápido e eficiente, se levarmos em consideração que até a década de 1990 os dois países possuíam características semelhantes no quesito educação.
Os três textos sugeridos como base da reflexão que aqui pretendemos fazer (segue link ao final da postagem), expõe de maneira muito clara este processo de desenvolvimento econômico (ou seria crescimento econômico?) de nosso país. Se pensarmos que somente há pouco tempo ele deu um salto nesse rumo, podemos também vislumbrar um futuro mais otimista para as pesquisas.
O que mais me chamou a atenção nos textos foi o fato de que, nos países desenvolvidos o índice de crescimento do país está intimamente ligado com os resultados e fomentos à produção Científico-tecnológica e em Educação. Só neste quesito, já sabemos que o Brasil precisa mudar, e muito. A educação ainda não é prioridade para a gestão nacional, tampouco a ciência. E isso é reflexo do modo como educamos as crianças e os jovens dentro das escolas.
Não só o ensino, mas a formação cultural em nosso país é medíocre, uma vez que está atrelada a interesses classistas e imediatistas. No Ensino Fundamental, ensinamos as crianças para que possam passar nas provas e exames nacionais e municipais. No Ensino Médio, quem norteia os conteúdos ensinados e a metodologia de ensino, já não é o professor e a equipe escolar há muito tempo. Essa tarefa fica a cargo das Universidades pela exigência do que se cobra nos vestibulares.
Esse diagnóstico está nos mostrando que a educação brasileira não possui um fim em si mesma, mas um meio que visa a absorção rápida dos sujeitos pelo mercado de trabalho. Ora, que incentivos recebemos, em nossa formação básica para gostar de ciência? Muitos estudantes chegam à faculdade e vai descobrir no final do curso (quando se tem sorte), de que a pesquisa, inclusive em outras áreas do conhecimento (Ciências Humanas, Sociais Aplicadas, Naturais, Matemáticas etc), são produções científicas... A ideia que povoa o imaginário popular é de que o cientista é um cara com a cara de louco, cabelos despenteados, óculos, bloco de papel e caneta à mão, de jaleco branco e fechado em seu mundinho chamado laboratório.
Os números trazidos nos textos, de fato são tímidos, porém, revelam uma ascendência constante ano a ano. Na década de 1950, o Brasil era, em grande parte, ruralista. Getúlio Vargas, Juscelino kubitschek e até mesmo os militares da ditadura (apesar das atrocidades realizadas), já vislumbravam um desenvolvimento econômico brasileiro. Nos dias de hoje também percebemos alguns relampejos de preocupações com essa temática por parte de alguns representantes políticos, como é o caso do projeto de lei do Senador Cristóvam Buarque, de passar para o Ministério da Ciência e Tecnologia, a regulação e a supervisão da educação superior, hoje sob a responsabilidade do Ministério da Educação. (Veja reportagem). Nosso país tem dado claros sinais (porém, ainda tímido) de um avanço tecnológico, científico e de estabilidade econômica e social. Apesar de ainda figurarmos como consumidores no mercado internacional de pesquisa em saúde, essa realidade é totalmente passível de mudança. Só que gradativa.

Textos
Sistema mundial: um universo em expansão
A pesquisa medica e biomédica no Brasil
Pesquisa em saúde no Brasil - contextos e desafios

 
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