Pesquisa no Blog

Mostrando postagens com marcador SOCIEDADE DE CONSUMO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SOCIEDADE DE CONSUMO. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

UMA GERAÇÃO DE BOBOS QUE SE ACHA ESPERTA



Por Ícaro de Carvalho

Veja como o nosso ambiente de trabalho é divertido. Te pagaremos mal e não respeitaremos a sua hora de almoço. Hora-extra? Nem pensar! Whatsapp depois do trabalho? Com certeza, afinal de contas, você ainda não tem filhos! Ah, mas te daremos kit kat e café expresso de graça!
O que diabos aconteceu com a GERAÇÃO Y?!
Um texto sobre liberdade, responsabilidades e as misérias de uma geração que está se perdendo no meio do caminho.
Na semana passada eu ouvi de um garoto, ainda na faculdade, o seguinte depoimento:

“Seu texto sobre a subserviência das empresas em relação ao cliente deveria ser pregado na porta de entrada de todas as empresas do país, nas salas de reuniões e ser repetido como mantra em palestras de empreendedorismo para todos os empresários do Brasil. As agências de publicidade, especificamente, estão atingindo um nível de servidão pior do que pastelaria. Na pastelaria ninguém fica acelerando o pasteleiro. Ninguém manda e-mail para o pasteleiro mandando ele entregar o pastel na mesa dele até as 9h da manhã. Para o pasteleiro, quanto mais horas ele trabalhar, mais ele vai ganhar. Falar em hora extra em publicidade só vai fazer as pessoas rirem. Enfim, desculpa o desabafo”.
Somos uma geração de bobos que se acha esperta. Nossos pais davam duro, saiam de casa cedo, trabalhavam como doidos, indo e vindo do centro da cidade, em cartórios, lotéricas e visitas bancárias, muitas vezes em carros sem ar-condicionado, mas ganhavam bem o suficiente para sustentarem uma família com três filhos, carro, cachorro e ainda levavam todos para comerem churrasco aos domingos.
A geração de hoje se deixa enganar pela falsa sensação de divertimento, que nunca tem fim. Transformaram o ambiente de trabalho em um circo, para que você ouça: “Ei, mas aqui é divertido! Dane-se se não te pagamos horas-extra ou se te colocamos para trabalhar por toda a madrugada em troca de pizza. Aqui você pode trabalhar com boné!”.
Quando nossos pais estavam em casa, eles estavam em casa mesmo! Dane-se que o trabalho tinha sido duro, após as 18:00 eles sentavam naquele sofá da Mesbla, abriam a primeira Antártica da noite e era a hora do futebol. Qual foi a última vez que você esteve realmente desconectado do seu trabalho? Você tenta se convencer de que aquele Whatsapp do cliente às 00:00 não é nada demais, que é coisa pequena, que“pega mal” não responder. E aquele inbox no Facebook às 1:35 da manhã?“Ah, eu já estou aqui mesmo, né. Agora ele já viu que eu visualizei…”.
Provavelmente você caiu no mito dohome-office libertador, que te faz perceber, anos depois, que ele só foi capaz de te “libertar” do horário comercial. “Ah, mas você trabalha em casa!” — pronto, é sinal de que receberá demandas ou mensagens a qualquer hora da madrugada.
Provavelmente você ainda não se ligou, mas você produz dezenas de vezes a mais do que o seu pai ou os seus tios conseguiam. Antes, para atender um cliente, você precisava ir na loja ou na casa dele, lá na puta que o pariu. Hoje? Skype. Antes, era FAX ou mandar documentos pelos correios. Hoje? E-mail. Antes, você estava limitado à sua cidade. Hoje? Internet, meu filho!
Entretanto, quanto é que você está ganhando? Acorde para a vida! Agências com mesa de sinuca, totó, chocolates à vontade, cafezinho expresso, pula-pula e vídeo-games significam apenas que você está pagando por tudo aquilo e que o seu salário, ao final do mês, sentirá a pancada.
“Tudo bem, porque eu amo o que eu faço!”.
Na semana retrasada eu ouvi isso. Estava contratando os serviços de umaSTART-UP de tecnologia para um dos meus negócios e havia esquecido de perguntar alguma coisa. Já eram 23:00 horas. Fui ao Skype, me certifiquei de que a menina do suporte estavaOFFLINE e deixei uma mensagem. Poderia ter feito isso pelo Facebook, mas eu sabia que iria apitar lá na casa dela e não queria esse tipo de coisa, ainda mais naquele horário. Enfim, enviei a mensagem e deixei escrito: “Só me responda quando chegar ao escritório!”.
Faltando quinze minutos para uma da manhã, a menina me responde, pelo Facebook. Eu digo: “O que você está fazendo aqui? Te deixei uma mensagem no Skype! Vá dormir, namorar ou assistir aquelas séries no Netflix!” e ela me disse:“Ah, é que eu entrei no meu skype só para ver se estava tudo bem com os clientes. Vi a sua mensagem e retornei. Não custa nada, nem se preocupe. Eu amo o que faço. Rs”.
Eu amo o que faço…erre esse. À uma da manhã de terça feira. Com o teu chefe te pagando, provavelmente, entre dois mil e quinhentos a três mil reais para isso…e somos nós quem somos a geração dos “desapegados, que querem viver a vida”.
Estamos nos tornando uma geração de trintões cujas preocupações são os próximos shows do Artic Monkeys, a cerveja gourmet da moda e a próxima temporada de House of Cards. Uma geração sem filhos, que foge das responsabilidades, se iludindo com a ideia de que o seu chefe é seu amigo e que por isso você “quebra alguns galhos para ele”.
Ouvimos de todo tipo de especialista, que somos a geração livre por excelência, que preza pela mobilidade e pela qualidade no ambiente de trabalho, mas de alguma forma nós erramos o caminho e nos tornamos aquele tipo de gente que fica conversando com o cliente às 20:00 horas, enquanto janta com a mulher. E nos achamos o máximo, quando batemos o pé: “Ai, que saco, o meu chefe não me deixa em paz!”. Que corajoso!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

QUANTO MAIS SOBE O PREÇO DOS ALIMENTOS MAIS VAZIO FICA O PRATO

Por Helena Cararo

De repente o brasileiro se deu conta de que está difícil se alimentar com o básico. Sempre se ouviu dizer que era preciso comer com qualidade e variedade: um prato colorido é a melhor opção dizem os nutricionistas. Mas o arroz com feijão sempre foi a paixão nacional.
Infelizmente todos estão sentindo o gosto ardido na hora de ir às compras, os principais alimentos da mesa dos brasileiros estão cada dia mais caro. Feijão vale ouro e a história virou meme nas redes sociais. Mas a realidade não é de dar risada e sim de chorar, o preço do leite duplicou e quem mais sofre com o aumento de tudo é sempre os mais pobres. São aqueles que já iam ao supermercado com o dinheiro da compra contado ou com o cartão do ticket sempre com o mesmo valor.
No carrinho só era colocado o essencial, agora até isso está sendo cortado ou substituído por produtos inferiores. É difícil trabalhar o mês inteiro faça sol, faça chuva e ter o principal direito usurpado. Alimentar-se com dignidade deveria ser a prioridade de todo governante. E não é só por causa do arroz, do feijão e do leite, tudo está em alta: preço dos alimentos, da gasolina, do desemprego. Se com o mesmo valor já não se compra os mesmos alimentos de antes, imagina quando a renda da família é drasticamente cortada. Muitas pessoas perdendo o emprego, empresas fechando, falindo.
E para quem gritar? A quem recorrer? Como viver?
Se o problema é falta de chuva o jeito é gritar a São Pedro que mande-a. Mas e quando a alta de alguns alimentos é devido a muita chuva ou muito frio ou muito calor?
Sempre haverá uma desculpa, mas quando chegará a solução?



HELENA CARARO é Jornalista e poetiza. Também colabora com o nosso Blog.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

INVERSÃO DE VALORES TEM PROPICIADO PAIXÃO PELO CONSUMO

Publicidade vende a alegria da inserção na sociedade
Por Heloísa Duran

Todos os dias a cena se repete, não há nada de novo, ao voltar da escola, a criança larga a mochila no chão e em seguida liga a TV. Sem nenhum esforço mental e de forma totalmente passiva, absorve o conteúdo dos programas e comerciais publicitários. Bastam 30 segundos, para que esta criança esteja convencida de que será mais feliz se fizer parte do fantástico mundo dos personagens.

De acordo com o Doutor em ciência da comunicação, Clovis de Barros Filho, no documentário, “criança a alma do negocio”, ao se expor aos conteúdos midiáticos a criança desenvolve a idéia de que, o consumo representa uma possibilidade de inserção social em determinados grupos: “A publicidade vende, evidentemente, mais do que alegria da posse, ela promove a alegria da inscrição na sociedade”.
A criança é um ser humano em construção, isso significa que ela está apta a absorver todo o conteúdo ao que for exposta. É na infância que os pequenos passam pelo processo de estruturação e precisam de amparo em seu desenvolvimento.
Ao comprar a ideia de valores expressada pelas propagandas, a criança que ainda não tem amadurecimento suficiente para distinguir os valores sociais humanos dos valores estabelecidos pela imagem midiática, passa a acreditar e viver em função de que é necessário aquele bem para promover sua alegria e até mesmo para que ela seja como as crianças que tem, e assim sintam-se aceitas.
E com a certeza de que precisa ter determinado produto que é representado por personagens animados da telinha, a criança que de forma passiva em apenas 30 segundos se convenceu disso, passa de forma ativa e muitas vezes até autoritária, ou quando não com uso da chantagem a requerer dos pais a posse do produto em questão.
A necessidade deixa de ser uma inevitabilidade e passa a ser agente promotora do desejo pela marca. A criança não pede um tênis qualquer, mas um tênis de determinada marca; ela não quer um celular qualquer, mas aquele de última geração.
No século da fadiga, onde nem sempre a mãe, por exemplo, pode dispor de tempo de qualidade para investir na formação do caráter de seus filhos, a mídia o faz por elas. Segundo dados do IBOPE, as crianças brasileiras passam em média 5 horas diárias em frente da TV e assistem aproximadamente 40 mil propagandas em um ano. 
A grande questão é que, a maior parte dos valores sociais e posse dos bens no Brasil, por exemplo, possuem valores invertidos. O grande poder aquisitivo concentra-se nas mãos de poucos, o que antes era ético, aos poucos se torna imoral, pensar no próximo parece ser atitude egoísta dentro da sociedade do espetáculo. Para ser legal tem que chamar atenção do outro, encher os olhos de quem vê. Ser aplaudido.
No meio desses valores e verdades criadas pela mídia, para satisfazer a necessidade de uma sociedade que parece não se saciar mais com o comum, o
rotineiro, a publicidade e o marketing, na busca do poder pela posse, por ganhar mais, vender mais, utiliza-se da criança como ferramenta para atrair famílias que muitas vezes não tem nem o suficiente para uma alimentação ou educação de qualidade, mas que para alegrar seus filhos, e amenizar a sensação e exclusão social investem do pouco que tem todo o recurso disponível na compra de bens que aparentam suprir seus pequenos.
No documentário Criança, a alma do negócio, uma mãe desabafa dizendo que, satisfazer o desejo dos filhos é na verdade satisfazer de forma impulsionada a gana da mídia na corrida para atrair mais consumidores. O sacrifício financeiro que significou muito para a família, o presente de natal que custou caro, mas sem valor nenhum. “Um robô, que a criança abandonou logo em seguida, depois de brincar com ele três ou quatro dias”. A mãe alega ter entrado o ano sem dinheiro só para satisfazer o desejo da filha, o que caracteriza o assédio crescente das crianças aos pais.
A nova fórmula consumista impresso na sociedade ensina as crianças de que facilmente o velho, que na maioria das vezes não é velho, pode ser trocado pelo novo. O que vale mesmo é ter o que a televisão mostra. Essa realidade acena para o consumo descartável, em que a expectativa da aquisição é mais intensamente vivida do que a própria posse do produto.
A infância divide seu palco entre, a companhia dos pais, que cada vez trabalha mais a fim de dar conta de suprir a necessidade da família, e a escola que educa e em contrapartida quem tem conquistado mesmo o brilho nos olhos dos pequenos é a TV, que através de mecanismos tem ganho lugar de destaque,
ensinado a visão midiática de valores consumistas, deseducando as crianças e desapontado famílias que não podem aderir o que a TV oferta mas que também não tem forças para ir contra.
É necessário analisar qual é a influência de tal exposição na subjetividade e formação da criança. Onde vamos parar? É preciso que as famílias tomem as rédeas da situação, afinal quem governa minha casa? A resposta para essa pergunta é a bússola para um novo norte diante desse cenário degradante, a alma da criança deve ser suprida por valores sociais humanos e não se pode confundir o
sentido da vida e da felicidade com consumismo.

HELOÍSA DURAN é estudante de Jornalismo e colaboradora do nosso Blog.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

NÃO VAMOS "FALAR" DE ESTUPRO

Já dizia a sabedoria popular: "Uma imagem fala mais que mil palavras". Vamos deixar, então, que essas imagens falem sobre a adolescente que foi estuprada por 33 homens...
 
 


terça-feira, 3 de novembro de 2015

"TUDO QUE ERA SÓLIDO, SE DESMANCHA NO AR" - Karl Marx

ADENTRANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

Por Marcela Pacheco



2,10,12,16,17,18,19... Qual será a próxima sequência? Com certeza você deve estar matutando matematicamente uma solução para este problema, porém, a resposta que você anseia não virá através das ciências exatas, mas sim das ciências humanas. Sim!

Você pode se perguntar por que iniciei esse texto com um raciocínio lógico, a resposta é simples, nem tudo que parece é.
É sabido por nós que, nunca tivemos tanto acesso a informação como nos dias de hoje, mas é perceptível também, que nunca fomos tão superficiais e alheios pelo mesmo motivo. 
Perdemos aos poucos a sensibilidade de ser profundo e inteiro para o outro, passamos a entregar fragmentos de nós mesmo, quando na verdade gostaríamos de nos dar por completo. Não falo especificamente sobre casais, mais sim, em todos os âmbitos dos relacionamentos que construímos com o tempo. 
Com a prioridade do ter, e não do ser, vemos que passamos a possuir o poder de acumular mais e mais, entretanto tudo que se acumula e não exerce sua funcionalidade, tende a estragar ou apodrecer, e é ai que percebemos o quão mesquinhos e hipócritas fomos com nós mesmos.
Acredito que nos falta a receptividade de gastar tempo com aquilo que realmente importa, aquilo que edifica. É tempo de olhar para o próximo, e enxergá-lo, não apenas as dificuldades que nos afastam do outro, mas sim aquilo que ele pode vir a ser além dos defeitos. Vejo que essa é uma das características mais lindas de Jesus, sim, Jesus, o carpinteiro, Ele tinha a capacidade de ver além do que os olhos humanos podiam. Enquanto todos enxergavam uma prostituta, Ele contemplava uma mulher de fibra, uma Santa.


MARCELA PACHECO é Jornalista e colaboradora do nosso blog.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ERA UMA VEZ, UMA SOCIEDADE...


Por Julio César Gonçalves

Um dos diálogos mais impressionantes, presente na obra de Lewis Carroll "Alice no país das maravilhas", segundo minha humilde opinião, está num momento de dúvida da personagem diante de uma bifurcação que leva a dois lugares diferentes e um gato sinistro sobre os galhos de uma árvore da floresta. 
Alice perdida pergunta ao gato: onde "leva esse caminho?", ao que o gato responde: "para onde você deseja ir?". Alice por sua vez revela o motivo da sua dúvida: "não sei, estou perdida" e o gato cruelmente lhe responde que "quem não sabe aonde vai qualquer caminho serve". 
Essa dúvida de Alice, confesso estar me atormentando quando o assunto é a sociedade e seus problemas atuais. Às vezes sinto que não há perspectivas claras para um futuro próximo. A corrupção em várias esferas da vida pública, o desfalque descarado aos cofres públicos por aqueles que devem nos proteger e orientar, e a pior de todas: a letargia a que nos submetemos e como decidimos assistir de braços cruzados o desfile alegórico dos valores distorcidos em nossa sociedade, apresentam-se para nós como bifurcações de um caminho que não termina ou que desconhecemos... Para onde vai nossa sociedade? 
Não sabemos... Não sabemos porque o que era o certo, hoje é errado, e o errado, hoje é o certo. Nem na capacidade da ética, enquanto norteadora das nossas ações para solucionarmos os conflitos da convivência, acreditamos mais.
A intolerância contra as diferenças, os diferentes lutando contra a igualdade sob o discurso de direitos iguais, lei após lei sendo criadas etc. O que isso revela? Que ainda não aprendemos o valor do amor, não aprendemos o que é amar.
Para onde vai nossa sociedade? Não sabemos...
E para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

QUEM? EU?


Por Marina Melz

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve, por todos esses anos, a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê.
Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior. 

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. 


Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. 
Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem. Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social.
Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar. Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.


MARINA MELZ - é jornalista e trabalha com assessoria de imprensa. Escreve no blog entendaoshomens.com.br e colaborou com essa postagem em nosso blog.

domingo, 27 de setembro de 2015

A LAMENTÁVEL DECADÊNCIA DA HUMANIDADE



Por Julio César Gonçalves


Já falei, em outras postagens, sobre a crise na ética que vivemos hoje em dia.
Suplantamos a crise ética - que seria a inversão de valores, a modificação nas bases morais da sociedade, o "jeitinho" que damos para burlar as leis e os acordos sociais - pela crise NA ética, que é a descrença de que a ética seria capaz de nos orientar. Afirmo isso porque me revoltou ver a nova campanha publicitária da cerveja Antártica Sub zero zombando da determinação do CONAR (Conselho que regulamenta a publicidade brasileira) de proibir o consumo da bebida na propaganda. Na minha opinião, a empresa errou feio, desrespeitou o Conselho e zombou da reflexão ética que, tão desacreditada, tem tentado direcionar nossas vontades selvagens e egoístas. Quanto custa a ética? 
Lamentável...




segunda-feira, 24 de agosto de 2015

DICAS PARA UM BOM ESTUDO - parte III


Por Julio César Gonçalves

Boa parte das assessorias educacionais que presto, percebo uma dificuldade muito grande na organização do tempo para a efetivação das tarefas. Às vezes tarefas simples deixam de ser realizadas pelo mal aproveitamento do tempo. Sei que receitas prontas muitas vezes não ajudam, mas quando a situação é muito complicada, podem sim dar uma mãozinha.
Conheci esse método há alguns anos quando precisava lutar contra mim mesmo e as distrações que criava para terminar o TCC na graduação. Foi o que me salvou! Com ele consegui focar mais na pesquisa e deixar para segundo plano o que era de segundo plano. Hoje ela não me é mais válida, mas não posso negar sua utilidade.
Bom, sem mais delongas, segue o método conhecido como "Pomodoro".

POMODORO

método Pomodoro de Gerenciamento do Tempo (baixe o livro com o método completo) surgiu no início da década de 1990 com o intuito de auxiliar na execução de tarefas no decorrer do dia, a partir da seleção prévia e o estabelecimento de prioridades. Então, divide-se o tempo total para realizá-las em porções de 25 minutos para ações e intervalos de 5 minutos de pausa (geralmente marcados por um timer de cozinha - muitos, no formato de um tomate que em italiano se diz "pomodoro", explicando o nome do método).
Os pontos fortes dessa técnica, segundo o meu ponto de vista, é a organização de uma lista com as tarefas a serem executadas durante o período de tempo que se dispõe. Muitas pessoas perdem muito tempo por não planejar suas ações, ou pior, se vê desesperado para cumprir tarefas importantes num curto espaço de tempo, porque não estabeleceu prioridades. Outro ponto essencial está em estabelecer uma meta temporal para realizá-las; esse é um fator motivacional imprtante. Talvez 25 minutos não seja o tempo ideal (e aqui está minha crítica a esse método que fixa períodos de tempo uniformes), pode ser que seja necessário a adaptação temporal à cada atividade a ser desenvolvida. O tempo do descanso também é importante. Às vezes na ânsia de terminar logo a atividade, abrimos mão das pausas e intervalos. Estes são necessários, inclusive para a oxigenação do cérebro e o aumento da concentração. Quando damos pausas entre os períodos de realização das tarefas, estamos emitindo uma mensagem ao nosso cérebro de que "quando eu voltar, preciso estar concentrado". 

INDICAÇÃO: Sugiro para quem precisa estudar, mas tem muita dificuldade em se concentrar nos estudos. Essa divisão do tempo se faz necessária e ir aumentando gradativamente conforme a prática, auxilia a aumentar também a quantidade de tempo em que se fica concentrado na leitura.
Bons Estudos!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

VEM PRA RUA PORQUE A RUA É MAIS BARATO QUE A ARQUIBANCADA DO BRSAIL

 
Já faz um tempo que eu venho querendo fazer uma postagem sobre a idologia do discurso da "rua", muito divulgado para a Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil. No ano passado postei um texto (A maior arquibancada?) sobre essa ideia, mas a tônica mais forte eram as manifestações nas ruas e, sobretudo a propaganda produzida pela FIAT convidando o povo para vir para a rua, "pois a rua é a maior arquibancada do Brasil". A propaganda, no entanto saiu do ar após as primeiras manifestações - talvez por instigar(?) o povo a ir para as ruas protestar (como se nós não tivéssemos motivos outros para tal).
O fato é que a Fiat voltou com uma nova campanha chamando o povo para a rua. Desta vez, com moderação. "Vem pra festa, vem, que a alegria continua. Nossa festa é na rua", diz o mote da campanha. A ideia de que estamos sendo convidados para uma festa é muito mais explícita do que na música interpretada pelo Rappa, no ano passado.

Fonte: Uol Copa
Bem, essa conversa renderá ainda outros posts, hoje quero falar sobre os preços dos ingressos para assistir aos jogos aqui no Brasil, aqui em "nossa casa". Será que nosso povo brasileiro tem condições de assistir algum jogo da Copa Mundial de 2014 nos estádios? No infográfico ao lado, temos condições de perceber como está dividido os estádios em categorias por ingressos que vão da categoria 1 (lugares nobres e, portanto, mais caros) até a categoria 4 (atrás das traves, no elevado afastado e, portanto, mais baratos). Adivinha para quem ficou reservado a categoria 4? "Exclusivamente para pessoas que moram no Brasil". E o preço? Bom...
Para o trabalhador assalariado, que todo mês recebe o seu mínimo (R$724,00), talvez reste apenas ir pra rua, a maior arquibancada do Brasil...
 





domingo, 18 de maio de 2014

MÍDIA TAMBÉM É RESPONSÁVEL POR AÇÃO DE JUSTICEIROS, DIZ SOCIÓLOGO

Sociólogo argumenta que a excessiva repetição "dessas cenas de barbarismo banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo". Raquel Sheherazade gerou polêmica na web e entre outros jornalistas por defender a ação de um grupo que acorrentou um jovem a um poste no RJ
 Para estudiosos, os recentes casos de “justiça com as próprias mãos”, que vêm acontecendo em todo o país, ganham destaque e são estimulados na mídia. Lalo Leal, sociólogo, professor de comunicação da USP e colunista da Revista do Brasil, afirma que os meios de comunicação de massa têm o dever de elevar o patamar civilizatório da sociedade, mas fazem o contrário e “estimulam a violência”.
Charge: Vitor Teixeira
Após o caso que ganhou grande repercussão na mídia – o de um menor amarrado a um poste, no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano –, aumentou o número de “justiceiros” em todo o país. Do seu ponto de vista, Leal argumenta que a excessiva repetição “dessas cenas de barbarismo banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo”.
Vitor Blotta, pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência na USP, indica que a mídia banaliza a condição moral das pessoas “e não a própria violência”. A reportagem foi ao ar na edição de ontem (13) do Seu Jornal, da TVT. Para Blotta, num Estado de direito, a justiça com as próprias mãos é, por si, uma injustiça. “A imprensa, a forma como ela retrata os casos, pode influenciar atitudes de apoio a resoluções violentas de conflito”, argumenta.
Marcelo Crespo, da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia, da OAB de São Paulo, indica que as redes sociais propagam a ideia de que, para se proteger da violência, precisa haver mais violência.
Os principais crimes cometidos na internet são os crimes contra a hora (calúnia, injúria e difamação) e crimes de ameaça envolvendo preconceito de raça, gênero e religião, além da pornografia infantil. De acordo com o advogado Crespo, não é preciso criar leis mais duras para coibir esses crimes, mas é preciso que se cumpra o que já está na legislação.
 
Matéria retirada do site Pragmatismo Político

terça-feira, 29 de abril de 2014

$omo$ todo$ macaco$

Ultimamente tem bombado nas redes sociais fotos, posts e comentários a respeito da cena preconceituosa (racismo), contra o jogador de futebol Daniel Alves (que comeu uma banana atirada contra ele no jogo do Campeonato Espanhol).
O apresentador Luciano Huck foi uma das primeiras celebridades a embarcar na campanha #somostodosmacacos, criada por Neymar (?). Bonita seria a postura dele se permanecesse com este ideal de conscientizar fazendo uso de sua imagem, mas...

...Luciano Huck lançou, pela sua grife (a UseHuck), uma camiseta com a hashtag e uma banana estampadas ao preço de R$ 69,00 - não sem ser criticado.
Oportunismo? Tudo é passível de ser transformado em lucro, nesse sistema de louco. Se não cuidarmos, até os valores que consideramos éticos vão ser taxados e vendidos!

domingo, 27 de abril de 2014

NOS TEMPOS DA IDADE MÍDIA

Apesar de ter sido escrito já há algum tempo, segue um texto que achei muito interessante e quis compartilhá-lo com vocês, sobre a força da mídia no cotidiano das pessoas.
 
A mídia em nossas vidas: Informação ou manipulação?
Por Christiane Lima

Semana passada o final de uma novela paralisou o país, em um fenômeno sem precedentes, que levou até a presidente Dilma Rousseff a adiar comício por conta do último capítulo. Particularmente não assisto, mas não dá pra ignorar um fato como esse.
 O “The Washington Post”, um dos jornais norte-americanos mais respeitados e lidos em todo o mundo, relatou o poder de influencia das novelas na vida dos brasileiros, em seu artigo “Brazil’s Novelas May Affect Viewers’Lifes” (Novelas do Brasil podem afetar as vidas dos telespectadores) . Um dos trechos do artigo diz : “No Brazil, um país que, na média, assiste mais à televisão que qualquer outro país, exceto o Reino Unido, novelas tem um efeito mais duradouro ao influenciar escolhas no estilo de vida, dizem os pesquisadores. As novelas se tornaram uma parte muito importante na sociedade brasileira”.
A população é facilmente influenciada pela mídia principalmente quando está relacionada a novelas. Nestas, heróis nacionais são criados – ficcionais ou não. Acaba uma novela e inicia outra e os modelos de comportamentos, beleza, moda e outros vão se alterando. Mudam os personagens, a trama e os assuntos abordados e a sociedade vai respondendo a este estímulo produzido. Os padrões difundidos são copiados e seguidos, porém, as pessoas não conseguem adaptá-los a uma vida real, o que gera ansiedade, angústia e frustração.
Assistir televisão, navegar na Internet, falar ao celular são coisas do cotidiano da maioria da população mundial. Somos, todos os dias, bombardeados por diversas mídias que, em comum, têm o objetivo de nos vender alguma coisa: uma ideia, um produto, um sonho, etc. E essa tecnologia influencia o tempo todo a sociedade e em consequência, a educação, tanto informal quanto formal. Podemos afirmar que a vida e a interação humana são mediadas e controladas pelos meios de comunicação. E é neste ambiente de interação com o mundo e significação que desde pequena a criança é colocada à frente da televisão e esta então se apresenta como parte integrante da família por ser uma boa “babá eletrônica”. Como negar a influência da TV, presente na quase totalidade dos domicílios brasileiros, sobre as formações das identidades sociais ?
Quando ouvimos falar que a mídia representa "o Quarto Poder" em uma nação, é preciso avaliar como isso é verdade e o quanto estamos sujeitos a ela e a todas as suas variáveis. A mídia influencia as pessoas no modo de agir, de pensar e até no modo de se vestir. Ela cria as demandas, orienta os costumes e hábitos da sociedade, além de definir estilos, bordões e discussões sociais. A mídia dita as regras, as tendências, os padrões de beleza, os ídolos a serem adorados e seguidos, impondo padrões de beleza cada vez mais inatingíveis. E impulsiona homens e mulheres em busca daquele corpinho que só o photoshop sabe produzir.
A produção da indústria cultural é direcionada para o retorno de lucros tendo como base padrões de imagem cultural preestabelecida e capazes de conquistar o interesse das massas sem trabalhar o caráter crítico do espectador. Os adolescentes são bombardeados com produções e marcas internacionais e as crianças estão à mercê dos desenhos infantis. Dessa forma, seria impossível a escola, ou os pais das crianças ignorarem os robôs que falam, as naves espaciais que a todos fascinam, a capacidade de voar e de se transformar, de transformas coisas, a magia, o poder e o terror trazido pelos monstros e vampiros; as lutas do bem contra o mal nos desenhos animados, a violência mostrada nos noticiários. Alguns dos programas de TV apresentam constantemente valores questionáveis. Essas mensagens irão determinar como nossos filhos serão? Irão determinar sua honestidade, solidariedade, respeito e outros valores?
Segundo Marilena Chauí : “A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as ideias”.
Contudo, além de não podermos subestimar o poder da influência da mídia na vida das pessoas, também não podemos ignorar a importância desta caso seja utilizada de forma mais ética e consciente. Quero dizer que o poder que os veículos de comunicação têm para mobilizar as pessoas é muito grande e pode ser usado para o bem ou para o mal. Campanhas de doação de sangue, de vacinação, de incentivo à reciclagem, para economizar água, pela paz, para ajudar pessoas, e muitas outras, quando divulgadas e incentivadas pela mídia ganham proporções enormes e trazem resultados muito além do esperado.
Os meios de comunicação em massa devem contribuir para a valorização da diversidade cultural, a promoção dos direitos humanos, no combate a todo tipo de violência, no acesso à informação, entre outros. Esta deveria ser sua função primordial.
 
Christiane Lima - É assistente Social (formada pela Universidade Federal do Maranhão), Psicopedagoga, Especialista em Saúde da Família. Possui um site que divulga suas publicações e atividades profissionais (Clique Aqui), é professora universitária e colaboradora do nosso Blog.

domingo, 15 de dezembro de 2013

QUANDO O NATAL CHEGAR...

Estive fuçando nas postagens antigas do blog  e encontrei uma que me chamou a atenção pela atualidade (mesmo escrita há 4 anos). Trata-se da crônica intitulada "Onde mora o papai Noel?" Como estamos nos aproximando do Natal, achei por bem trazê-la novamente para a leitura e reflexão sobre nossa vida e postura. Espero que gostem...
 
ONDE MORA O PAPAI NOEL?
 
Final de ano, festas, Natal, Ano Novo... que época boa não é mesmo!
Das poucas lembranças que tenho da minha infância a respeito dessa época, a imagem que fica latente em minha mente é a da unidade da família. O povo reunia por dias na casa da vó. Ali revíamos os parentes que há muito não víamos, conversávamos, (nós, os primos, brincávamos e mais nada).
Lembro-me do "forró" no quintal noite adentro... isso pra não falar da comilança! Tinha toda uma magia em torno do final de ano (que demorava um ano inteiro pra chegar). Era gostoso receber cartão dos tios de longe e colocar na árvore de natal...
Pois é! Alegria mesmo era esperar o Bom Velhinho, pegar no sono e acordar no outro dia decepcionado de não tê-lo visto, mas contente com o presente - que nem sempre (no meu caso, nunca) era o que havíamos pedido.
É caros amigos, os tempos mudaram! Longe de mim tecer um discurso saudosista sobre as festas de final de ano, porém, não dá para não notar as transformações a que nossa sociedade vem sendo submetida.
Os dias, hoje em dia, têm passado mais rápido. Será que as horas estão com defeito? Acho que não...
Nossa percepção do tempo e das atividades diárias mudaram radicalmente.
Da mesma forma, mudaram também nossas posturas diante das relações sociais e convivência familiar. E o final de ano não passou incólume à essas transformações.
Vejam que engraçado. Fui brincar de amigo secreto numa confraternização e, antes, correu uma lista de "qual presente você quer ganhar?" (acabei ganhando o presente que pedi...). Achei meio sem magia, sem encantamento. É como se eu comprasse o meu próprio presente e a surpresa fosse apenas a cor e quem me tirou.
Antes fazíamos um "junta panela" na ceia, hoje, "buffet de Natal".
Parei mesmo para refletir sobre esta fase que estamos passando quando minha filha (um ano e sete meses) me respondeu com seu pouco vocabulário onde mora o Papai Noel: "No shop papai, no shop".
Fica, a partir dessas lembranças, um convite a todos a relembrar os momentos vivenciados nos Natais passados e reavaliar os valores que estamos criando e seguindo agora. Por que não aproveitar a oportunidade para voltarmos às nossas raízes? À nossa família?
Não devemos querer voltar no tempo, pois como falei, os tempos são outros, contudo se faz necessário repensar o presente com base no passado para que possamos criar um futuro menos traumático, mais acertivo...
Quem sabe assim, podemos melhor acomodar o Papai Noel entre tantas lojas e escadas rolantes!

domingo, 8 de dezembro de 2013

A MÍDIA E SEU PODER DESTRUTIVO

Por Sidney Sanches Neto e Alécio de Jesus Oliani

Segundo o código de ética dos jornalistas brasileiros, conforme é citado em seu quarto artigo: “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, devendo pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação”.
Nós jornalistas, temos o compromisso de levar à sociedade, todo tipo de informação, que denuncie os fatos considerados relevantes a sua organização e que não se abstenha de exercer seu maior dever: informar. Porém, estamos diante de uma sociedade que busca o espetáculo... Maus profissionais, praticantes do anti-jornalismo, expõem suas notícias de maneira, no mínimo, questionável. A informação é transformada em um grande show, envolvendo em um mesmo palco acusados e inocentes.
O jornalista, tomado pelo interesse principal dos meios de comunicação atuais – falamos de IBOPE, publicidade, furo jornalístico – não ouve ambas as partes envolvidas nos casos, pois há de se convir que todo escândalo é exaltado pela sociedade do espetáculo, assim promovendo verdadeiros linchamentos, massacres sociais, injustiças que poderão prejudicar eternamente a vida das pessoas acusadas.
Lembremos do caso “escola base”, ocorrido no ano de 1994, na cidade de São Paulo, quando seus proprietários e funcionários foram acusados de abuso sexual por duas crianças, de quatro e cinco anos respectivamente.
Os veículos de comunicação (destacando nomes importantes como TV Globo e revista Veja, por exemplo),  agiram com uma das maiores demonstrações de falta com a ética profissional já registradas por parte da imprensa nacional. Seus repórteres abordavam freneticamente o assunto, sempre revelando um novo fato até então desconhecido. Eram emitidas manchetes como: “Kombi era motel na escolinha do sexo”, ou também “escola de horrores”.
Essas denúncias e acusações infundadas, geraram não espantosamente, uma comoção nacional. Houve uma “histeria coletiva”, onde os acusados foram marginalizados, tidos como culpados, condenados sem que ao menos fossem ouvidos e suas declarações apuradas. O resultado de tamanha barbaridade promovida pela mídia: - uma das maiores injustiças já ocorridas, pois, todos os acusados foram inocentados por falta de provas, e a viril e infalível imprensa nacional teve de retratar-se perante seu erro. Más, será que desculpas são suficientes?
Recordemos que todos os acusados, mesmo após serem absolvidos, sofreram com uma discriminação coletiva, desenvolveram enfermidades como síndrome do pânico, depressão, doenças cardíacas, e assim, foram impostos ao isolamento social. Onze anos após o caso ocorrer, a rede globo foi condenada a pagar indenizações em cerca de 450 mil reais a cada um dos acusados no caso escola base, porém, o dinheiro recebido, não mudou  em nada a catástrofe imposta pela má veiculação de informações tão contundentes, que destruíram a vida de brasileiros inocentes. Devemos nos valer de nosso direito à liberdade de expressão, porém, agindo com ética, seriedade e responsabilidade, lembrando sempre, que a maioria da população molda sua percepção do real segundo a opinião da imprensa.
Devemos informar, entretanto, nunca devemos prejudicar pessoas inocentes com nossa atitude. Devemos ser éticos e verdadeiros.

ALÉCIO e SIDNEY são Jornalistas e colaboradores do Blog Sociologia no Mundo.


 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MANIFESTO PELA DIGNIDADE DE UM ENSINO FILOSÓFICO E SOCIOLÓGICO DECENTE



Segue abaixo o Manifesto que circulou pela rede mundial (internet), acerca do ensino das disciplinas de Filosofia e Sociologia nas escolas públicas estaduais. Apesar de ter sido elaborado por grupos específicos e de localidade específica, acredito ser esta uma problemática nacional e, por que não dizer internacional...  "O acesso à educação de qualidade no Brasil tem sido um privilégio histórico de uma parcela muito pequena da população brasileira. Não é recente em nossa história a presença das classes populares nas carteiras das salas de aula. Contudo, a lógica ainda predominante na sociedade capitalista em que vivemos é: existem uns que nascem para pensar, e aí mandar, com formação escolar ampla (de suposta qualidade), e outros para trabalhar, e então obedecer, com acesso à educação precária. Esta divisão não pode continuar.
Atualmente, as disciplinas de Filosofia e Sociologia voltam a sofrer ataques por meio da mídia empresarial que, na disputa dos rumos da educação no Brasil, defendem um ensino voltado desde cedo às demandas pela “fabricação” de mão-de-obra como se a força de trabalho não tivesse direito a uma formação integral, que contemple todas as dimensões do conhecimento e da cultura historicamente produzidos. 
Secretarias de Estado de Educação pelo Brasil vem tentando reduzir a carga horária de Sociologia e Filosofia para apenas uma aula semanal. O Paraná, tristemente aí se inclui: o Parecer 25/12, aprovado em 15/02/12, pelo Conselho Estadual de Educação, instituiu que no curso de Formação de Docentes (antigo magistério), as aulas de Sociologia e Filosofia devem ocupar apenas uma aula semanal cada. Neste parecer, regulamentou-se, também, o ensino de Libras. No entanto, o que nos chama a atenção é que a redução do número de aulas de Sociologia e Filosofia não se deu sob o argumento da inclusão do ensino de Libras, mas, segundo a justificativa do voto da relatora Darci Perugine Gilioli: No momento em que os alunos brasileiros em todas as avaliações externas e internas, vem apresentando índices de desempenho abaixo do esperado, é fundamental que o restante da carga horária para composição da Matriz Curricular, mantenha em nível condizente, a oferta da Língua Portuguesa, Ciências Exatas e Ciências da Natureza.
Chama a atenção na justificativa do voto, o fato das disciplinas de Ciências Humanas, Arte e Filosofia “desaparecerem” diante da necessidade de se “elevar o desempenho dos alunos”. As disciplinas de História e Geografia foram simplesmente ignoradas. Será que esqueceram delas? Será que Filosofia e Sociologia não contribuem para melhorar o desempenho escolar dos alunos? Não servem sequer aos que vão se tornar professores, se formar como docentes?" 

Leia o Manifesto completo - clique aqui
 
Esse manifesto foi redigido pela Coordenação do Coletivo Regional de Filosofia e Sociologia eleita no dia 03/03/2012, no auditório do Núcleo Sindical Curitiba Norte, em reunião que contou com a presença de 94 pessoas. Estiveram presentes dirigentes da APP-Sindicato de três núcleos sindicais (Núcleo Sindical Curitiba Norte, Núcleo Sindical Curitiba Sul e Núcleo Sindical Metropolitano Sul), de um diretor e um assessor da direção estadual da APP-Sindicato, de professores de Sociologia e Filosofia de dezenas de escolas de várias regiões de Curitiba e Região Metropolitana, de membros do NESEF (Núcleo de Estudos e Pesquisa Sobre o Ensino de Filosofia-UFPR), de um professor do ITFPR e estudantes de Licenciatura em Ciências Sociais e Filosofia da UFPR e da PUC-PR. 

DIRETO AO ASSUNTO - TEMAS DO BLOG