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segunda-feira, 20 de março de 2017

POBRE


Hoje nasce meu filho.
Mas antes de vocês conhecerem o Murilo. Precisam me conhecer.
Então vou contar um pedacinho da minha história adulta. Só um pedacinho pra não tomar muito seu tempo.
Ano: 2001.
Chuva de balas do auge da guerra CV x ADA.
Eu, 17 para 18 anos. Preto, favelado, pobre. Raivoso feito um cão magro de rua. Teimoso, teimoso e teimoso.
Segundo grau completo em escola pública com um ano de antecedência, mas claro, nunca passaria num vestibular pra faculdade pública.
Sem dinheiro, sem emprego.
Duas saídas: escolha fácil, o tráfico de drogas! Direto, rápido, poder batendo na porta. Dinheiro sobrando pra esbanjar. Tava ali, era só querer. 
Ou escolha difícil: projeto social do Governo do Estado para jovens de comunidades carentes. Ser Aux. de Serviços Gerais. Literalmente: faxineiro de órgão público.
Escolha difícil: virei faxineiro do hospital da Polícia Militar.
Enfermaria A. Varria, limpava e lavava todo o corredor, banheiros e todos os apts. No refeitório, só era permitido almoçar por último. Não iam misturar os faxineiros com os enfermeiros, médicos e policiais, né? Sabe o que acontecia? Nunca sobrava carnes. A gente tinha que comer ovo, todos os dias. Ovo frito.
Quer ouvir uma coisa triste? Eu achava que estava bom. Que era suficiente. Era o que eu merecia. Tinha um salário. Consegui comprar um tênis legal. Ajudava minha mãe nas contas de casa. Estava ótimo.
Aí… a polícia invadiu minha casa.
Seja inocente, trabalhador, honesto. Foda-se.
A regra quem faz não é você. Sua mãe no chão, seu sobrinho no chão, tiro de fuzil na sua porta.
De novo, escolha fácil: tráfico, vingança, chapa quente, guerra contras aqueles filhos da puta.
Escolha difícil: consguir um trabalho, ganhar mais e sair do morro.
Claro, escolha difícil: fui juntar dinheiro pra entrar na faculdade. Mãe foi fazer mais e mais plantões pra ajudar a pagar.
Comprei um guia do estudante, li tudo. Teimoso, quis fazer Publicidade.
Me disseram: pobre publicitário? Hahahaha…
Quis ser redator. Me dei conta: aos 22, só tinha lido 3 livros em toda a vida. Hahahahah.
6 meses de faculdade. Não consigo mais pagar.
Escolha fácil: desiste moleque.
Escolhe difícil: desiste moleque.
Ok, sem escolhas.
Mas não dizem que sempre tem escolha?
Dizem… hahahahahahah…
Sou teimoso, se é o que eles querem eu não faço.
Bora ser preto, suspeito na rua, dura da polícia toda semana, segurança de loja mandando abrir a mochila, porta de banco travando.
Mas vão se fuder que vou vencer honesto.
Meritocracia é a puta que pariu.
Oportunidade pra todos é a puta que pariu.
Não existe, chapa, tudo utopia.
Mas pobre não tem nada a perder. “Se você não tem saída, vença!” Foi o que eu fiz.
Fim do primeiro ato.
2016.
Eu, 33 anos. Preto, casa de dois andares, carro. Viagem pra NY. Redator de uma das maiores agências de publicidade do mundo. Leão em Cannes. Em print. Categoria foda. Mais de 200 livros lidos. Tatuaram uma frase minha na pele. Projeto humano com mais de 1500 kits mensais para moradores de rua. Construí uma casa pra minha mãe.
E hoje, vejo nas timelines que só se entra no crime porque quer.
Que a oportunidade está aí. Que é só querer.
Que é só se esforçar. Que meritocracia funciona.
Que bolsa família faz o pobre não trabalhar.
Que ajuda do governo deixa pobre mal acostumado.
Que a polícia tem que invadir a favela e dar tiro.
Com toda serenidade e conhecimento que aprendi ao longo desse tempo, lhes digo: vão tomar no meio dos seus cu!
EU SOU O CARA DA FAXINA, rapaz.
Esse aí que tirou seu lixo hoje.
E esse país só vai melhorar quando você achar certo que que eu divida a mesa do trabalho com você. Que eu frequente o mesmo shopping, faça a mesma viagem, tenha o mesmo carro que você, vá a mesma faculdade que seu filho.
Quando você me der bom dia de verdade e não automático. E agradecer que eu limpei seu café derramado no chão. E ver que eu tenho nome.
Que eu sou gente.
Que eu tenho sonhos.
Que eu fiz escolhas difíceis pra caralho pra ser um faxineiro.
Que eu não quero comer ovo, porra.
Que eu não quero ser parado na rua porque sou preto.
Ser olhado feio porque sou pobre.
Antes de falar de preto, de pobre de favelado. Saibam: todos esses sou eu.
E te digo: viver no morro é uma merda. Ser pobre é uma bosta.
Porque escrevi tudo isso?
Porque hoje nasce o meu filho.
E, afinal, não era justo vocês conhecerem meu filho, se a maioria nem conhece direito o Felipe.
Mas hoje vocês vão poder saber porque eu vou olhar nos olhos dele com a certeza de que não arredei o pé da honestidade.
Não fiz concessões. Não dei um passo atrás. Não falsifiquei 1 porra de carteirinha de estudante sequer.
E fiz tudo isso só pra ele saber que é possível.
Só pra poder contar pra ele que é foda pra caralho, mas é possível.
E tudo isso feito só com motivos.
E que hoje, ele vai me dar uma razão.

Fonte: https://catracalivre.com.br/geral/urbanidade/indicacao/texto-de-publicitario-sobre-pobreza-viraliza/


FELIPE SILVA publicitário, é um dos autores de uma campanha da Natura sobre a beleza real da África. Título "Viva sua beleza, Viva".

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SUGESTÃO DE FILME

Esta semana, ao preparar um bate-papo com os alunos de Enfermagem que vão prestar a prova do ENADE, e meus alunos do Ensino Médio que vão prestar o ENEM, conversamos sobre consumo e consumismo. De toda a reflexão que fizemos, gostaria de deixar (abaixo) algumas sugestões de filmes e documentários que possam ajudá-los a refletir sobre o tema e pensar sobre nossa postura em sociedade.
BOM DIVERTIMENTO!

A HISTÓRIA DAS COISAS
A História das coisas - De maneira simples, a animação conta a verdadeira história da produção, uso e descarte dos bens que consumimos.

SUPER SIZE ME: A DIETA DO PALHAÇO
O divertido e informativo documentário, conta a história de um aventureiro que decide, por 30 dias, só se alimentar de McDonald's. No decorrer do documentário, especialistas da área da saúde vão fornecendo dados que preocupam os países desenvolvidos: a obesidade, por exemplo. Vale a pena assistir.

CRIANÇA: A ALMA DO NEGÓCIO
O documentários produzido pelo Instituto ALANA, trata de um assunto muito importante para a nossa sociedade: o consumo voltado ao público infantil. Será que a criança é influenciada a comprar? Como a criança pode se defender de propagandas abusivas? A criança já é vista como um consumidor? Como funciona a regulação da propaganda voltada a este público? Esta e outras questões são discutidas neste documentário.


TARJA BRANCA

Brincadeira é coisa séria e não é só assunto de criança. É fazer o que se gosta, valorizar o prazer pessoal, colorir os dias. Vivemos em busca da felicidade, mas será que estamos procurando no lugar certo? Com José Simão, Antonio Nóbrega, Wandi Doratiotto e outras personalidades.


Resolvi (re)postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado? Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso. Vamos ver o resultado?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

LIBERDADE, LIBERDADE. ABRE AS ASAS SOBRE NÓS...


OS JOVENS SÃO LIVRES OU DETERMINADOS?
Por Paula Carneiro

Nem sempre agimos conforme nossas vontades. Não podemos voar, correr na velocidade do som, porque temos limitações. Essas são limitações naturais, mas existem outras criadas pela sociedade. O filosofo francês Hippolyte Taine (1828-1893) chamava a atenção, já no século XIX, para o fato de sermos herdeiros diretos de uma raça, de um meio físico e cultural e do tempo histórico.
As leis culturais existem e devemos conviver com elas através da inteligência, da criatividade. O ser humano aproveitou desafios e determinismos das leis naturais para criar maneiras de viver e desenvolveu objetos que aumentaram seu poder de ação como automóvel, avião, máquina.
Isso faz o ser humano sentir-se mais auto determinado, com segurança, sentir-se livre por ser capaz de pensar e decidir por si mesmo dentro de uma sociedade. Com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a palavra liberdade deixou de significar apenas cumprimento de leis e ganhou status de direito do cidadão.
O cidadão deve exercer todas as suas capacidades inclusive a de escolher entre diferentes opções possíveis para resolver um problema. Nesse sentido é importante chamar a atenção para o processo ensino aprendizagem, responsável direto pelo desenvolvimento da capacidade de escolher, de estimular a criatividade, de possibilitar um pensar que propicie uma vida digna ao cidadão.
Jacques Delors (1988) coordenador do “Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o séc.XXI”, no livro Educação: um tesouro a descobrir, aponta como principal consequência da sociedade do conhecimento, a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda a vida e fundada em quatro pilares, pilares da formação continuada e do conhecimento.
Nossos jovens devem ser capazes de aprender a conhecer, aprender a fazer aprender a viver juntos, aprender a ser, aprender, aprender, aprender.
Ensinar a escolher constitui uma tarefa importante da educação, norteada por professores conscientes de que seus métodos estão realmente fundamentados em uma proposta cognitiva para uma educação direcionada ao aprender.
Sem dúvida, a educação é uma âncora para a construção da identidade de nossos jovens.


Paula Carneiro -  É professora, Coach Educacional e Gestora

segunda-feira, 4 de julho de 2016

QUANTO MAIS SOBE O PREÇO DOS ALIMENTOS MAIS VAZIO FICA O PRATO

Por Helena Cararo

De repente o brasileiro se deu conta de que está difícil se alimentar com o básico. Sempre se ouviu dizer que era preciso comer com qualidade e variedade: um prato colorido é a melhor opção dizem os nutricionistas. Mas o arroz com feijão sempre foi a paixão nacional.
Infelizmente todos estão sentindo o gosto ardido na hora de ir às compras, os principais alimentos da mesa dos brasileiros estão cada dia mais caro. Feijão vale ouro e a história virou meme nas redes sociais. Mas a realidade não é de dar risada e sim de chorar, o preço do leite duplicou e quem mais sofre com o aumento de tudo é sempre os mais pobres. São aqueles que já iam ao supermercado com o dinheiro da compra contado ou com o cartão do ticket sempre com o mesmo valor.
No carrinho só era colocado o essencial, agora até isso está sendo cortado ou substituído por produtos inferiores. É difícil trabalhar o mês inteiro faça sol, faça chuva e ter o principal direito usurpado. Alimentar-se com dignidade deveria ser a prioridade de todo governante. E não é só por causa do arroz, do feijão e do leite, tudo está em alta: preço dos alimentos, da gasolina, do desemprego. Se com o mesmo valor já não se compra os mesmos alimentos de antes, imagina quando a renda da família é drasticamente cortada. Muitas pessoas perdendo o emprego, empresas fechando, falindo.
E para quem gritar? A quem recorrer? Como viver?
Se o problema é falta de chuva o jeito é gritar a São Pedro que mande-a. Mas e quando a alta de alguns alimentos é devido a muita chuva ou muito frio ou muito calor?
Sempre haverá uma desculpa, mas quando chegará a solução?



HELENA CARARO é Jornalista e poetiza. Também colabora com o nosso Blog.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

NÃO VAMOS "FALAR" DE ESTUPRO

Já dizia a sabedoria popular: "Uma imagem fala mais que mil palavras". Vamos deixar, então, que essas imagens falem sobre a adolescente que foi estuprada por 33 homens...
 
 


terça-feira, 12 de abril de 2016

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ÁRVORE GENEALÓGICA DO SÉCULO XXI


Por Julio César Gonçalves

Numa dessas zapeadas pelos sites de notícia na internet, uma manchete me chamou a atenção e me fez pensar: "Bebê de SC poderá ter pai, duas mães e seis avós na certidão". A notícia trata de uma liminar da Justiça de Florianópolis que permitiu registro dos nomes na certidão de nascimento (segundo o portal de notícias G1), das mães - duas mulheres em união homoafetiva estável; do pai, que aceitou se relacionar com uma delas para procriar; e dos pais de cada um deles, portanto, dos avós. Tal decisão leva em consideração as novas formas de composição da família na atualidade.
Do ponto de vista jurídico traz desafios novos, tais como a necessidade de repensar o direito sucessório, por exemplo. Também denota que nossa sociedade está, de fato, passando por profundas transformações em suas estruturas mais tradicionais. 
Do ponto de vista social, acredito ainda não ser possível fazer alguma asserção acerca dos resultados dessas mudanças, afinal o passado ainda não passou e o futuro ainda está por vir...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ERA UMA VEZ, UMA SOCIEDADE...


Por Julio César Gonçalves

Um dos diálogos mais impressionantes, presente na obra de Lewis Carroll "Alice no país das maravilhas", segundo minha humilde opinião, está num momento de dúvida da personagem diante de uma bifurcação que leva a dois lugares diferentes e um gato sinistro sobre os galhos de uma árvore da floresta. 
Alice perdida pergunta ao gato: onde "leva esse caminho?", ao que o gato responde: "para onde você deseja ir?". Alice por sua vez revela o motivo da sua dúvida: "não sei, estou perdida" e o gato cruelmente lhe responde que "quem não sabe aonde vai qualquer caminho serve". 
Essa dúvida de Alice, confesso estar me atormentando quando o assunto é a sociedade e seus problemas atuais. Às vezes sinto que não há perspectivas claras para um futuro próximo. A corrupção em várias esferas da vida pública, o desfalque descarado aos cofres públicos por aqueles que devem nos proteger e orientar, e a pior de todas: a letargia a que nos submetemos e como decidimos assistir de braços cruzados o desfile alegórico dos valores distorcidos em nossa sociedade, apresentam-se para nós como bifurcações de um caminho que não termina ou que desconhecemos... Para onde vai nossa sociedade? 
Não sabemos... Não sabemos porque o que era o certo, hoje é errado, e o errado, hoje é o certo. Nem na capacidade da ética, enquanto norteadora das nossas ações para solucionarmos os conflitos da convivência, acreditamos mais.
A intolerância contra as diferenças, os diferentes lutando contra a igualdade sob o discurso de direitos iguais, lei após lei sendo criadas etc. O que isso revela? Que ainda não aprendemos o valor do amor, não aprendemos o que é amar.
Para onde vai nossa sociedade? Não sabemos...
E para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"E AGORA JOSÉ ???"

Por Julio César Gonçalves

Por que ainda me surpreendo com o ser humano e com suas formas brutais e selvagem de resolver as coisas? Hoje me deparei com mais uma atitude dessas (travestida na forma de pesquisa). "50% dos brasileiros acham que 'bandido bom é bandido morto"', "Segundo a pesquisa, 65% das pessoas mais velhas, com 60 anos ou mais, concordam com a morte de criminosos e 30%, não", diziam as manchetes dos principais jornais de hoje. Asserções como estas e muitas outras, revelaram o perfil de alguns brasileiros de hoje, de acordo com pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Muitas questões, nesse e em outros casos, estão em jogo e que eu não gostaria de discutir neste post em específico (guardo a oportunidade para um outro que já está sendo gerado em minhas inconformidades), mas uma em especial gostaria de trazer à baila para nossa reflexão: o anestesiamento das nossas emoções e sentimentos diante das inúmeras atrocidades que o "mundo" tem nos oferecido (Platão que o diga). Encontrei um texto que reflete justamente essa notícia e que me surpreendeu pela linguagem com que foi escrito e pelo teor altamente retórico e verdadeiro com que trouxe seu conteúdo. O texto é de autoria desconhecida, mas vale à pena a leitura, peço licensa de publicá-lo na íntegra.


"Jesus passou a vida arrumando treta por questões sociais. Defendeu assassino, ladrão, puta, pobre e leproso. Juntou uma galera pra defender a causa. Começou a fazer barulho. Conquistou o desafeto da classe média e da elite (ponto pro cara).
Considerado subversivo, foi preso pelo Império. A classe média pedia pena de morte, mas o crime não a justificava. Pôncio Pilatos jogou o B.O. pra Herodes. Herodes se ligou na mesma coisa e devolveu o B.O.
Pilatos deixou pra galera decidir. Bem pensado, porque desde aquele tempo, o povo já tava cheio de dateninha linchador.
O cara foi executado ouvindo piadinha de justiceiro. E não foi morto "entre" bandidos. Foi executado pelo Estado COMO bandido - subversivo, que de fato era. Enfim, o messias cristão foi um sujeito engajado em questões sociais, executado como bandido pelo Estado sob os aplausos dos justiceiros.
Então, Jesus, se você estiver lendo isso e pensando em voltar, fica esperto. Essa 'gente de bem' de hoje em dia vai te matar de novo enquanto come bacalhau e ovo de Páscoa".

A EDUCAÇÃO É VISTA COMO GASTO PELO GOVERNO


Por Julio César Gonçalves

Estudantes, pais e professores de várias escolas públicas de Presidente Prudente foram às ruas hoje pela manhã, em protesto contra a "reorganização" das escolas, imposta pelo atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na chamada reorganização das escolas, o governador realocará vários estudantes para outras escolas, superlotando as salas de aula, desrespeitando os estudantes que serão obrigados a estudar em escolas fora das proximidades de sua residência, professores ficarão desempregados, pois, sob o discurso de "corte de gastos" (para a gente ver como é considerada a educação pelos gestores deste país - um gasto), existe a intenção de fechar várias escolas em Prudente e região.
De encontro a essa política desmanteladora,  fomos às ruas, paralisamos o trânsito em frente a Diretoria de Ensino (que por sinal, tratou-nos como animais, acionando a polícia e enxotando professores e estudantes que se encontravam pelo lado de dentro dos portões da DE). Assim vamos caminhando, em meio ao descaso político de nossos governantes, a forma desumana com que são tratados os professores e a má qualidade do ensino com que nossos estudantes, nossas crianças e jovens são submetidos sem, sequer, o direito de serem consultados ou levados em conta suas necessidades.
Se essa situação não representar o "fundo do poço" da educação, então não saberia dizer o que mais poderia acontecer-nos. Nossa sociedade caminha, passo a passo, rumo à idiocracia...




terça-feira, 8 de setembro de 2015

O MUNDO GRITA POR LIBERDADE DE ESCOLHAS


Por Helena Cararo

Há um grito ecoando em nossos ouvidos. Um grito de dor, de desespero, de angústia. Nossos irmãos estão morrendo sem ter ao menos uma chance de lutar. E por quê? Por preconceito, por prepotência, por hipocrisia. Aylan Kurdi de três anos nasceu ouvindo o som próprio da guerra e morreu tentando fugir para um futuro melhor. Amanheceu na praia, semelhante à um anjo dormindo, mas sem vida como uma árvore que teve suas raízes arrancadas da terra.

Esse menino sírio representa toda a humanidade que sofre a dor de um mundo que julga, que castiga e impõe regras. Homens, mulheres e crianças morrem de frio, de fome ou queimadas em baixo de pontes em grandes centros urbanos. Moram nas ruas não porque querem, mas porque não encontraram uma porta aberta diante da sociedade. Homossexuais são espancados simplesmente por assumiram o que são e porque os hipócritas do mundo dizem que é errado. Os cristãos estão sendo perseguidos por louvar o ao Deus que eles acreditam e escolheram para seguir, mas os juízes da humanidade impõem um deus e querem que todos se ajoelhem diante dele.
Os demônios soltos na terra colocam regras e crucificam aqueles que se afastam delas. Ser gordo é errado, todo gordo é feio. Afirmam que o bonito é ser magro e tantas mulheres buscam ao extremo esse padrão de beleza a ponto de ficar anoréxicas. Os mesmos padrões de beleza dizem que ter cabelo liso é mais belo, então vamos para a progressiva. Vamos ser loira e de olhos azuis, tudo resolvido com tinturas e lentes de contatos. E onde fica a autenticidade de cada ser humano, seus gostos e o livre arbítrio?

Certa vez me deparei com duas crianças negras brigando entre si, brigavam para ver quem tinha a pele mais clara. Acreditavam que o outro era negro e ele não. Por que isso? Quem disse àquelas crianças que ser negro é feio? Onde está a beleza do mundo, a simplicidade da vida, o amor ao próximo? São perguntas que o mundo esqueceu-se de questionar e que o silêncio de um corpo na praia trouxe de volta aos gritos.  

HELENA CARARO é estudante de Jornalismo e escritora (poesias). Também colabora com nosso blog.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ADEUS AYLAN...

A foto que chocou o mundo, substituída por charges que homenageiam ao mesmo tempo em que despedem e fazem críticas...
"Ou aprendamos a viver juntos como irmãos ou morreremos juntos como idiotas". Martin Luther King.















terça-feira, 18 de agosto de 2015

POR QUEM AS PANELAS BATEM...

Por Antonio Prata

Temos toda a razão de bater panelas quando a presidente aparece na TV dizendo que a culpa por nossa pindaíba é da crise internacional. Mas por que não batemos panelas quando Eduardo Cunha, o líder dos "black blocs" brasileiros, vândalo que faz política com pedras, bombas e coquetéis molotov, vai em rede nacional dizer que trabalha "para o povo", "sempre atento à governabilidade do país"?
Temos toda a razão de bater panelas contra a corrupção da Petrobras. Mas por que não batemos panelas contra o mensalão mineiro ou o cartel do metrô paulistano? Por que não batemos panelas contra a compra de votos para a reeleição do FHC? Por acaso pagar apoio na Câmara é mais grave do que pagar emenda na Constituição?
Temos toda a razão de bater panelas contra o retrocesso econômico de 2015. Mas como podemos não bater panelas contra o anel de pobreza que desde sempre engloba as metrópoles brasileiras, essa Faixa de Gaza de tijolo aparente, essa Cabul de laje batida onde se amontoa boa parte da população?
Temos toda a razão de bater panelas quando o governo se cala diante dos descalabros venezuelanos e da ditadura cubana. Mas por que não batemos panelas diante do fato de nosso principal parceiro comercial ser a China, maior ditadura do planeta? O tofu que alimenta aquela tirania é feito com a nossa soja e os fazendeiros, ruralistas e empresários que acusam a "venezualização" do Brasil são os mesmos que lucram com o dinheiro comunista. Ninguém bate woks por causa disso?
Temos toda a razão de bater panelas contra o estelionato eleitoral do PT. Mas por que não batemos panelas contra o estelionato eleitoral do PSDB, que elege repetidamente um governador tipo "gerente", prometendo "e-fi-ci-ên-ci-a" em cada sílaba, mas coloca São Paulo à beira do co-lap-so-hí-dri-co"? Um cristão cuja polícia, não raro, participa de grupos de extermínio, na periferia. Esta semana, foram 18 chacinados em Osasco e Barueri. Imagina se fosse no Iguatemi? E o estelionato das UPPs, no Rio, que prometem paz, mas torturam um cidadão até a morte e somem com o corpo?
"Não, não, isso não! Me mata, mas não faz isso comigo!", gritava o Amarildo, segundo um policial que testemunhou a barbárie, dentro de um contêiner. Como pode a nossa maior preocupação em relação ao Rio, hoje, ser com a qualidade das águas para as Olimpíadas de 2016? Cadê o Amarildo? Cadê as panelas?
Temos toda a razão de sair pra rua, neste domingo, para protestar contra a incompetência, a corrupção e a burrice do governo. Mas por que não sair pra rua para protestar contra a incompetência, a corrupção e a burrice do país como um todo? Um país que mata seus jovens, sonega impostos, polui, compra carteira de motorista, licença ambiental, alvará, dirige pelo acostamento, estupra, espanca e esfaqueia mulher (mas retira a discussão de gênero do currículo escolar), um país onde os negros correspondem a 15% dos alunos universitários e a 67% da população carcerária.
Este ódio cego, esta parcialidade hipócrita, este bombardeio cirúrgico que pretende eliminar o PT –e só o PT– para "libertar o Brasil", empoderando Renan Calheiros e Eduardo Cunha, não é o desabrochar da consciência cívica, é mais um fruto da nossa incompetência, mais uma vitória da corrupção; palmas para a nossa burrice.

ANTONIO PRATA - é escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles "Meio intelectual, meio esquerda". É colunista (escreve aos domingos) na Folha de S. Paulo.

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