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terça-feira, 9 de maio de 2017

MAIS UM PARA A COLEÇÃO

Por Amanda Manequini

A impunidade corrói a democracia e deixa um rastro de insegurança na sociedade. A concessão de habeas corpus, dada ao goleiro Bruno Fernandes, acusado no assassinato de Eliza Samudio, virou alvo do debate sobre a funcionalidade da democracia brasileira.

Tecnicamente falando, o regime semiaberto, ao qual ele está submetido atualmente, está preceituado na legislação. Contudo, se levarmos em conta que o tempo para progressão de seu julgamento foi exaurido, percebemos quão desamparada está a justiça. Mesmo com todo o holofote midiático voltado para o envolvimento do ex-goleiro do Flamengo no crime, o Estado não conseguiu apresentar uma decisão num tempo razoável.

A polêmica soltura foi assinada pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que assinou também a liberação de Suzane Von Richthofen (condenada por matar os pais), o que contribuiu mais ainda na discussão. 
Além de uma justiça eficiente, esperava-se que o time, que atualmente está contratando o goleiro, se mostrasse preocupado com sua situação docondenado. Enquanto isso, a família da ex-modelo, observou a declaração do novo goleiro do Boa Esporte. Nela, Bruno disse friamente que uma prisão perpétua não traria a vítima de volta. 
Resta à sociedade mostrar seu inconformismo, e ao Estado, o papel de estimular a denúncia de casos de violência física e psicológica contra a mulher, para que não surjam casos parecidos. A proporção que o fato tomou deveria servir de estímulo e não como mais um exemplo de impunidade para nossa coleção.

AMANDA MANEQUINI é estudante da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Cooperativo de Presidente Prudente e também colaboradora do nosso Blog.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

GANHEI NA LOTERIA DA VIDA


Por Carolina Mussolini

Na última quinta-feira, 24 de setembro, o editorial do jornal O Imparcial, veículo impresso de Presidente Prudente, interior de São Paulo discutiu a doação de órgãos. No texto eles afirmam que as pessoas realizam a doação por “ato de amor”.
Hoje, 27 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Doador de Órgãos e eu posso dizer que ganhei na loteria, na loteria da vida. Diferente do que você pode estar pensando eu não precisei de um órgão, eu doei, e para mim foi a sensação de ganhar na “Mega da Virada”.

Ganhar um bilhete na loteria hoje é uma sorte para poucos, e eu ter sido compatível com uma pessoa que necessitava de uma medula foi uma realização.
A compatibilidade de medula ocorre em uma média de 1 para 100 mil. E ainda mais, a combinação de genes entre doador e paciente deve ser entre 90 a 100%, ou seja, muito raro.
Minha doação ocorreu há dois anos. Minha medula hoje está no corpo de alguém que não conheço, não sei o nome e nem onde vive. O sentimento que tenho hoje é alegria, amor, gratidão, pois para mim quem tirou a sorte grande fui eu. Saber que meu órgão pôde proporcionar a saúde e quem sabe a vida a outra pessoa, é indescritível.
Agora, considero que esta pessoa que recebeu minha medula é um filho que Deus colocou em meu caminho ou eu no caminho dele. Como disse, não sei quem é, só espero que esteja com saúde e vivendo feliz, porque eu me sinto plenamente grata por ter tido esta oportunidade.

CAROLINA MUSSOLINI é jornalista, coach de comunicação e professora universitária. Também é uma colaboradora do nosso Blog.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

DESAFIOS EDUCACIONAIS PARA O SÉCULO XXI

 
Aluno amadurecido para buscar soluções
Por Paula Carneiro
 
Uma das metas educacionais do séc. XXI é que o aluno seja capaz de exercer através do seu conhecimento, sua capacidade de escolher entre diferentes opções possíveis para resolver um problema, desenvolvendo assim a habilidade de aprender a aprender.
A formação ética torna-se então, um requisito central para a formação do cidadão. Formar um cidadão com responsabilidade implica em aprender e aceitar que temos uma história comum, valores comuns e um destino comum e segundo o grande educador Paulo Freire, que compreendeu que a teoria é inútil sem a prática, “ninguém educa ninguém. As pessoas se educam entre si, mediatizadas pelo mundo”. O grande projeto de Paulo Freire era “FORMAR PARA TRANSFORMAR”.
Para atingirmos a meta educacional do séc. XXI educadores precisam reavaliar alguns pontos, já que estamos saindo de um processo educativo, onde os modelos pedagógicos e epistemológicos estavam centrados na fala do professor, na qual o professor apenas transmitia para o aluno seu conhecimento, sendo essa uma visão empírica do conhecimento.
Esse comportamento nos retrata ao final da idade média, quando o modelo educativo idealizado pelos jesuítas se transforma em referência pedagógica. Eram aulas cujos objetivos eram manter a ordem da sala e modelar a moral do estudante.
Então como podemos formar um cidadão para atuar no séc. XXI e assim atingir a meta educacional desse século?
Precisamos ressignificar o processo de construção de conceitos pelos sujeitos aprendentes o professor deve estar aberto ao diálogo em sala de aula, ao confronto de idéias, a criar situações que valorizem as experiências de alunos e os aproximem da realidade dando um verdadeiro significado à aprendizagem.
Os estudantes precisam antes de tudo serem desafiados e só atividades práticas e equivalentes à realidade os levarão a construir pontes que os obrigará a envolverem-se em um esforço de compreensão e atuação. A meta educacional do séc. XXI é levar o indivíduo a produzir conhecimento, desenvolver valores e atitudes.
Para Morin, somos cidadãos Planetários e a educação do futuro deve ter como prioridades saberes que deverão estimular os educadores a “saírem do armário” e irem à luta para que as próximas gerações tenham garantia de um mundo belo e sustentável. Assim uma das vocações essenciais da educação do futuro serão o exame e o estudo da complexidade humana que conduziria à tomada de conhecimento, por conseguinte, de consciência da condição comum a todos os humanos e da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas sobre nosso enraizamento como cidadãos da Terra.
O professor é o grande responsável por conseguir fazer esse aluno corresponder a uma proposta tão necessária nesse mundo globalizado e ele deve ser capaz de despertar a consciência crítica do aluno através de sua epistemologia muito bem adequada e direcionada para esse propósito.
 
PAULA CARNEIRO é professora, coordenadora de escola e coach educacional. Também é colaboradora do nosso blog.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

NÃO VAMOS "FALAR" DE ESTUPRO

Já dizia a sabedoria popular: "Uma imagem fala mais que mil palavras". Vamos deixar, então, que essas imagens falem sobre a adolescente que foi estuprada por 33 homens...
 
 


terça-feira, 12 de abril de 2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

NASCEMOS DUAS VEZES



Por Julio César Gonçalves

Aristóteles afirmou certa vez: "O homem é um animal político", um animal social. Evidentemente que ele se referia à natureza coletiva dos seres humanos.
Nós não nascemos para viver isolados, não somos ilhas. Somos arquipélagos.
Desde os primórdios da vida humana o homem se organizou em agrupamentos, mais ou menos vinculados afetivamente. Uma das primeiras formas de associação foi o clã. A primeira família. Aliás, é na família que se busca os elementos-chave para a compreensão da sociedade: as relações interpessoais, o sentimento de pertença, objetivos focados e comuns, dependência mútua compartilhada etc. Depois vieram as tribos, as aldeias (ou genos) e só depois as sociedades complexas.
Ora, nascemos, vivemos e morreremos sempre aptos a CONVIVER, a estar em comunidade, e, conviver é diferente de viver  - não apenas por uma questão de conceito e etimologia -, mas porque estão ligadas à coisas distintas.
Quem vive? Ora, nós vivemos. Nós quem? Nós seres humanos. Mas somente seres humanos vivem? Não... Todo ser vivo vive. Parece óbvia tal resposta.
O que caracteriza a vida em um ser vivo são o conjunto de atributos biológicos presentes em sua constituição. Respirar, movimentar-se, desenvolver-se, reproduzir, envelhecer, morrer. Sob estes aspectos (biológicos), somos tão vivos quanto uma bactéria. Entretanto, quando falamos de convivência, falamos de atributos tipicamente humanos. A própria acepção da palavra já deduz: CONVIVER = VIVER COM o outro. Conviver é ensinar e aprender, é ajudar e ser ajudado, é se tornar melhor com outras experiências compartilhadas. Conviver é ser melhor a cada dia. Nisso nos diferenciamos dos outros seres vivos, porque não são aspectos apenas biológicos de que somos feitos, mas também sociais. 
Então quer dizer que os animais não convivem entre si? Do ponto de vista sociológico não. Essa é uma realidade tipicamente humana. Os animais podem viver em bandos e expressar certas reações muito semelhantes às que apresentamos na convivência diária, entretanto, eles não têm algo que é extremamente importante para caracterizar a convivência: a consciência. Outros seres vivos não agem movidos pela decisão livre e consciente. Agem por impulso, por instintivo. Os animais e plantas se alimentam pelo instinto da fome, por exemplo, nós, além dos instintos, nos alimentamos por outras motivações (ansiedade, gula, para não fazer "disfeita"). Os animais se relacionam sexualmente e se reproduzem para manter a espécie, nós, além deste motivo, nos relacionamos por carências, por prazer, por vingança, por amor. Fazemos controle de natalidade, criamos métodos contraceptivos, abortamos.
Portanto, é-nos evidente que temos duas naturezas. Podemos dizer até que sofremos dois partos: um natural e, portanto, biológico; e, outro social, porque nascemos para a cultura, para os costumes, para o mundo que nos rodeia.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DEVEMOS TOLERAR O INTOLERANTE?


Por Julio César Gonçalves

Sem sombra de dúvida, um dos assuntos mais disseminados pela mídia brasileira hoje, diz respeito, direta ou indiretamente, à intolerância, seja racial, homoafetiva, ideológica, religiosa ou de outras ordens, seguido pelo tema da ética e do preconceito.
Apesar da semelhança conceitual comumente adotada, intolerância e preconceito se distinguem, embora não se excluam. O preconceito leva à intolerância e esta, à discriminação.
Preconceito é ter uma ideia a respeito de algo, antes de conhecê-lo a fundo e, a partir daí estabelecer um juízo de valor. Os preconceitos surgem quando se leva em consideração uma especificidade como sendo a totalidade da realidade, generalizando. Também aparecem cristalizados em frases prontas muito presentes nas conversas informais e ditados populares, como por exemplo, “toda loira é burra”, “mulher no volante, perigo constante”, “todo português é burro”, “baiano é preguiçoso”, “gaúcho é gay” etc.

Intolerar (não tolerar) se caracteriza pela atitude de não admitir, não respeitar
opiniões diferentes de suas próprias, no âmbito social, religioso ou político, sem considerar o outro lado, que as contestam. Desse modo, a intolerância se manifesta sempre que alguém crê em um único ponto de vista ou forma de se fazer algo, antipatizando e hostilizando (discriminação e violência) àqueles que pensam ou defendem outras visões de mundo.
O que fazer, por exemplo, diante da presença de pessoas intolerantes? O que eu tenho percebido muito é uma reação intolerante diante de atitudes também intolerantes. Uma espécie de intolerância à intolerância. O problema se agrava ainda mais, pois se trata de uma “meta-reação-intolerante”, isto é, seria muito próximo do que tentar resolver os problemas de guerra com guerra e gritar para não ficar rouco.
Além de ilógica, violenta e egoísta, tais atitudes nada mais expressam do que a alma da nossa sociedade atual, incapaz de empatia, incapaz de profundidade nas relações, incapaz de compaixão.
Olho por olho e o mundo acabará cego... (Mahatma Gandhi)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

"TUDO QUE ERA SÓLIDO, SE DESMANCHA NO AR" - Karl Marx

ADENTRANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

Por Marcela Pacheco



2,10,12,16,17,18,19... Qual será a próxima sequência? Com certeza você deve estar matutando matematicamente uma solução para este problema, porém, a resposta que você anseia não virá através das ciências exatas, mas sim das ciências humanas. Sim!

Você pode se perguntar por que iniciei esse texto com um raciocínio lógico, a resposta é simples, nem tudo que parece é.
É sabido por nós que, nunca tivemos tanto acesso a informação como nos dias de hoje, mas é perceptível também, que nunca fomos tão superficiais e alheios pelo mesmo motivo. 
Perdemos aos poucos a sensibilidade de ser profundo e inteiro para o outro, passamos a entregar fragmentos de nós mesmo, quando na verdade gostaríamos de nos dar por completo. Não falo especificamente sobre casais, mais sim, em todos os âmbitos dos relacionamentos que construímos com o tempo. 
Com a prioridade do ter, e não do ser, vemos que passamos a possuir o poder de acumular mais e mais, entretanto tudo que se acumula e não exerce sua funcionalidade, tende a estragar ou apodrecer, e é ai que percebemos o quão mesquinhos e hipócritas fomos com nós mesmos.
Acredito que nos falta a receptividade de gastar tempo com aquilo que realmente importa, aquilo que edifica. É tempo de olhar para o próximo, e enxergá-lo, não apenas as dificuldades que nos afastam do outro, mas sim aquilo que ele pode vir a ser além dos defeitos. Vejo que essa é uma das características mais lindas de Jesus, sim, Jesus, o carpinteiro, Ele tinha a capacidade de ver além do que os olhos humanos podiam. Enquanto todos enxergavam uma prostituta, Ele contemplava uma mulher de fibra, uma Santa.


MARCELA PACHECO é Jornalista e colaboradora do nosso blog.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ERA UMA VEZ, UMA SOCIEDADE...


Por Julio César Gonçalves

Um dos diálogos mais impressionantes, presente na obra de Lewis Carroll "Alice no país das maravilhas", segundo minha humilde opinião, está num momento de dúvida da personagem diante de uma bifurcação que leva a dois lugares diferentes e um gato sinistro sobre os galhos de uma árvore da floresta. 
Alice perdida pergunta ao gato: onde "leva esse caminho?", ao que o gato responde: "para onde você deseja ir?". Alice por sua vez revela o motivo da sua dúvida: "não sei, estou perdida" e o gato cruelmente lhe responde que "quem não sabe aonde vai qualquer caminho serve". 
Essa dúvida de Alice, confesso estar me atormentando quando o assunto é a sociedade e seus problemas atuais. Às vezes sinto que não há perspectivas claras para um futuro próximo. A corrupção em várias esferas da vida pública, o desfalque descarado aos cofres públicos por aqueles que devem nos proteger e orientar, e a pior de todas: a letargia a que nos submetemos e como decidimos assistir de braços cruzados o desfile alegórico dos valores distorcidos em nossa sociedade, apresentam-se para nós como bifurcações de um caminho que não termina ou que desconhecemos... Para onde vai nossa sociedade? 
Não sabemos... Não sabemos porque o que era o certo, hoje é errado, e o errado, hoje é o certo. Nem na capacidade da ética, enquanto norteadora das nossas ações para solucionarmos os conflitos da convivência, acreditamos mais.
A intolerância contra as diferenças, os diferentes lutando contra a igualdade sob o discurso de direitos iguais, lei após lei sendo criadas etc. O que isso revela? Que ainda não aprendemos o valor do amor, não aprendemos o que é amar.
Para onde vai nossa sociedade? Não sabemos...
E para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

QUEM? EU?


Por Marina Melz

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve, por todos esses anos, a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê.
Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior. 

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. 


Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. 
Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem. Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social.
Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar. Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.


MARINA MELZ - é jornalista e trabalha com assessoria de imprensa. Escreve no blog entendaoshomens.com.br e colaborou com essa postagem em nosso blog.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A EDUCAÇÃO É VISTA COMO GASTO PELO GOVERNO


Por Julio César Gonçalves

Estudantes, pais e professores de várias escolas públicas de Presidente Prudente foram às ruas hoje pela manhã, em protesto contra a "reorganização" das escolas, imposta pelo atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na chamada reorganização das escolas, o governador realocará vários estudantes para outras escolas, superlotando as salas de aula, desrespeitando os estudantes que serão obrigados a estudar em escolas fora das proximidades de sua residência, professores ficarão desempregados, pois, sob o discurso de "corte de gastos" (para a gente ver como é considerada a educação pelos gestores deste país - um gasto), existe a intenção de fechar várias escolas em Prudente e região.
De encontro a essa política desmanteladora,  fomos às ruas, paralisamos o trânsito em frente a Diretoria de Ensino (que por sinal, tratou-nos como animais, acionando a polícia e enxotando professores e estudantes que se encontravam pelo lado de dentro dos portões da DE). Assim vamos caminhando, em meio ao descaso político de nossos governantes, a forma desumana com que são tratados os professores e a má qualidade do ensino com que nossos estudantes, nossas crianças e jovens são submetidos sem, sequer, o direito de serem consultados ou levados em conta suas necessidades.
Se essa situação não representar o "fundo do poço" da educação, então não saberia dizer o que mais poderia acontecer-nos. Nossa sociedade caminha, passo a passo, rumo à idiocracia...




sexta-feira, 2 de outubro de 2015

SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA...

Mensagem encontrada no bolso de um judeu cuja cidadania e cuja dignidade foram violadas gravemente no período nazista: "Prezado Professor. Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação. 
Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e aritmética só são importantes para fazer nossas crianças mais humanas". 
Para Fensterseifer, tudo indica que esse sujeito tenha presenciado a atuação de pessoas que, com sucesso, passaram por um processo formativo. “Bons alunos” que se transformaram em “especialistas idiotizados”. Quem sabe bons pais de família que cumpriam suas funções religiosas dominicais e, acima de tudo, funcionários exemplares que executavam assassinatos cuidadosamente planejados.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ALZHEIMER


Por Fernando Luiz Teixeira

Números expressivos oferecidos pelo IBGE, no último censo, atestam que a população brasileira está envelhecendo. Sublinham que, ao contrário de décadas anteriores, cada vez mais homens e mulheres têm chegado aos setenta, oitenta anos. As porcentagens mostram-se louváveis. Preocupante mesmo são as condições para atender a esse segmento. Volta e meia, a infraestrutura das metrópoles mais exclui que inclui. O descaso predomina nas ruas. Índices de violência doméstica também saltam aos olhos. E os asilos se tornam espaços privilegiados para que filhos e netos possam, enfim, esquecê-los. Entre os impasses enfrentados, talvez o maior ainda seja a insensibilidade. Há um punhado de piadas que tripudiam os dilemas vivenciados na senectude. A sexualidade quase sempre é abordada a partir de um tom de deboche. Isso sem contar que parte expressiva dos jovens parece menosprezar a capacidade intelectual  do idoso. Por pressa ou pura intolerância, demonstram pouca paciência e atropelam seu tempo para desenvolver certas atividades. Tempo esse que se encontra comprometido em razão das limitações do organismo impostas pela própria idade. 
Os problemas tomam proporções bem mais sérias quando o idoso, pelo fato de não ter conseguido garantir certa estabilidade durante a juventude, se vê à mercê dos familiares. Para se manter, precisa ainda exercer alguma atividade remunerada. O mercado de trabalho, no entanto, ocupa-se em deixar profissionais mais experientes de lado. São praticamente escassas as possibilidades de emprego para aqueles com mais de cinquenta anos.
Lamentáveis são também os casos em que muitos parentes se apropriam da aposentadoria de pais e avós para o benefício próprio. A fim de contornar esse impasse, os atuais processos de interdição revelam-se bastante criteriosos. Ao final de cada ano, devem-se reunir os comprovantes dos gastos do aposentado e encaminhá-los ao advogado para prestação de contas. Tal prática poderá assegurar ao idoso que o dinheiro seja direcionado às suas necessidades básicas, como alimentação, vestuário, higiene e saúde. 
Contudo, o que se vê com certa regularidade é o abandono. Na luta pela sobrevivência, grande parte dos filhos se dedica às carreiras promissoras. E deixam para trás aqueles que mais torceram por eles. Precisam garantir o sustento e a realização profissional. Não há mais tempo para conversa fiada. Vá ver televisão, tiozinho! Meu Deus! O senhor emporcalhou toda a mesa de jantar! Tenho mais o que fazer! Não posso ficar limpando isso toda hora! Ai, não! Gripado de novo! Logo agora!
Sabe-se que o idoso apresenta uma série de problemas que corroboram sua fragilidade biológica. Encontra-se menos protegido contra doenças físicas e psíquicas. Sua visão mostra-se, gradativamente, comprometida. A capacidade de ouvir também. O paladar e o olfato sofrem alterações. O raciocínio apresenta-se mais lento. E a certeza da morte iminente traz quadros depressivos e angustiantes. É o momento de avaliar a própria vida, as escolhas feitas durante a travessia, os momentos em que, muitas vezes, se anulou para satisfazer a vontade alheia. Talvez o maior exemplo acerca das dificuldades de superar todos esses percalços, eu tenha encontrado na minha própria casa. 
Sou professor universitário e cuido, há cinco anos, de minha mãe. Ela chegou aos setenta anos e foi diagnosticada, ainda sem total precisão, com Alzheimer. De lá pra cá, muita coisa mudou na minha casa e, consequentemente, na minha vida. A gente mal fazia ideia de que sua “mania de limpeza”, de que o fato de lavar as mãos cinco, seis, sete vezes, revelar-se-ia mais tarde como o início de um caminho de muito sofrimento.
E a partir daquele momento, eu acompanhei uma transformação nada fácil para qualquer filho. Ela pouco a pouco se anularia, apagaria muita coisa da memória e se transformaria em uma pessoa diferente e distante. O amor permanece, mas permeado de saudade por tudo aquilo que ela havia sido. As mudanças chamam a atenção. Primeiro, o portador de Alzheimer se esquece de palavras que utilizava no cotidiano, como “leite”, “laranja”, “costura”. Os lapsos se tornam constantes. Outras vezes, trocam verbos. Aí é comum ouvi-los dizer que “comiam” um cafezinho ou “bebiam” um gostoso prato de arroz e feijão. E quando tomam consciência de que não conseguem se comunicar direito, sentem-se envergonhados, acuados, e preferem se isolar. Assim, é comum, em festas de família, vê-los correr para um canto ou outro. O silêncio parece menos doloroso. O ato de ter de interagir com o outro se torna um grande peso, um fardo muito difícil de carregar.
A escrita sofre oscilações. A leitura e os cálculos matemáticos também. E pouco a pouco são apagadas informações básicas como o nome do país onde mora, a novela preferida ou a canção que mais agradava.
Mas ainda assim, as características do que foram no passado se mantêm. Por isso é comum vê-los perguntar dos filhos, embora não mais se recordem do nome de nenhum um deles. Recebem os netinhos com um abraço forte e apertado. Fazem questão de presentear um e outro com um mimo qualquer. E vez por outra aquecem a cabeça no nosso colo e nos agradecem por não ter saído naquela noite chuvosa.
Entretanto, nem tudo é um mar de rosas. E nem um poema apaixonado. Com o passar dos anos, a dependência aumenta, a coordenação motora não é mais a mesma. Intensificam-se as dificuldades de trocar de roupa. Requer ajuda no banho. Levantam-se nas madrugadas. Atiram comida na parede. Fingem ter ingerido o remédio e o escondem debaixo da cama. Choram com medo de ir ao médico. E os cuidadores, às vezes, ficam irritados. Mostram-se hostis. Deitam-se magoados. Não com as pessoas cuidadas, mas com a vida e os rumos desconcertantes das tristes histórias que estão testemunhando e que, por mais que não queiram enxergar, sabem como terminam. Dos familiares mais espirituosos que conheço sempre garantiram que logo conseguem se recompor. Voltam, à noite, para cobrir os avós, e se reconfortam com a oportunidade de tê-los ao lado, de poder ajudá-los, de tentar fazer algo de bom – mesmo em meio a tantos tropeços e falta de informação.
E as tentativas para reverter o quadro são muitas. Aqui em casa nos dividimos e nos desdobramos para oferecer uma boa qualidade de vida pra mãe. Caminhadas, conversas diárias, estímulos para enumerar as coisas (ufa! ontem contamos até trinta!)... Vale tudo! 
Decerto muitos leitores se identificaram um pouco com isso. Sabem que, embora persista um discurso virtuoso a respeito da melhor idade, a realidade, na maioria das vezes, revela-se bastante ingrata. A rigor, é importante que o cuidador esteja sempre presente para que o idoso não seja ignorado em lojas, feiras ou consultórios. 
Possivelmente a raiz de todos esses transtornos esteja ainda no preconceito. E o preconceito, via de regra, reflete a ignorância, a concepção de que a velhice é um período infértil e improdutivo. Talvez a resposta mais apropriada para tal questão possa ser encontrada nos estudos do geriatra Luis Eugênio Garcez Leme. Para ele, a melhor forma de combate ao preconceito é o exercício sistemático do RESPEITO. Exercício esse que efetiva por meio da atenção, do trato individualizado, da capacidade de ouvir o outro e, sobretudo, de partilhar suas experiências, seus conselhos, suas histórias. Enfim, suas vidas!  


FERNANDO TEIXEIRA LUIZ é pós-doutorando em Literatura Comparada e Identidades Culturais, Doutor em Letras, Mestre em Educação, Pedagogo e colaborador do nosso blog.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ADEUS AYLAN...

A foto que chocou o mundo, substituída por charges que homenageiam ao mesmo tempo em que despedem e fazem críticas...
"Ou aprendamos a viver juntos como irmãos ou morreremos juntos como idiotas". Martin Luther King.















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