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terça-feira, 24 de maio de 2016

OUTRAS 20 COISAS QUE NÃO TE CONTARAM SOBRE A PATERNIDADE

Em 2013, pela ocasião do nascimento do meu sobrinho e afilhado Henrique, escrevi e dediquei ao meu irmão um texto que intitulei de "20 coisas que não te contaram sobre ser pai". Hoje, em homenagem ao meu grande amigo-irmão André A. Souza, que será pai em alguns meses pela primeira vez, dedico este texto que leva o título de "Outras 20 coisas que não te contaram sobre a paternidade". Te amo amigo!

OUTRAS 20 COISAS QUE NÃO TE CONTARAM SOBRE A PATERNIDADE

Por Julio César Gonçalves

  1. Viver a experiência de participar da "criação" é algo que não tem como explicar... Essa ideia vai passar pela sua cabeça em algum momento da sua vida a partir de agora e a sensação é inexplicável.
  2. Pode ser que você descubra uma outra pessoa em você mesmo: mais sensível, mais atento, mais carinhoso, com outras prioridades.
  3. Seu sono vai mudar. Qualquer barulhinho te deixará em estado de alerta (agora alguém depende de você).
  4. O tempo, para realmente entender o que está acontecendo, parece ser muito diferente em relação ao tempo das mamães (talvez porque elas sentem fisicamente as mudanças). Não se torture... a paternidade chega mais tarde do que a maternidade.
  5. Com certeza você teve mais sorte do que todos os outros papais... você terá 20 dias de licença paternidade segundo nova legislação (cf. Projeto Empresa Cidadã).
  6. É incrível como sua visão de mundo se transforma... A impressão que terá é que você enxergará grávidas, bebês e coisas de bebês, mais do que o normal.
  7. Você vai se pegar lendo revistas, pesquisando sites e blogs especializados em comportamentos, sobre como agir. Informações são sempre bem-vindas, mas não pire a cabeça... não há receitas prontas.
  8. A natureza é perfeita! Nas semanas finais da gestação, poderão surgir os chamados "alarmes falsos" - pequenas e leves contrações, para preparar você e sua esposa para a corrida até o hospital.
  9. Talvez perceba momentos de mudanças no seu humor após o nascimento do baby, que podem estar relacionadas a diversos fatores, como a falta de privacidade, noites mal-dormidas nas primeiras semanas, o estresse gerado pelas novas mudanças... 
  10. Sabe aquele medo de não dar conta de arcar com os gastos de uma criança, com a qualidade que você e sua esposa sonhou? Bem... esse medo parece que está incluso no pacote da paternidade... ele não vai embora. 
  11. Planejar o futuro, planejar o futuro, planejar o futuro... (palavras de ordem).
  12. Fique em paz. Nossos filhos são o melhor de nós. 
  13. Um turbilhão de emoções e sentimentos novos podem surgir durante a gravidez e nos primeiros anos após o nascimento do bebê. Pode ser que o ciúmes da relação entre o bebê e a mãe apareça. Muitos pais sentem que sua parceira não confia nele para cuidar do bebê. Essa confiança vai surgir conforme você se inteirar das atividades da rotina do bebê (como trocar fraudas, esquentar mamadeiras, preparar o ambiente para as mamadas). Participar desse processo ainda é a melhor forma de se incluir e se sentir incluído na relação.
  14. Pode ser que passe pela sua cabeça algumas dúvidas: "Será que um dia vou conseguir amar este pequeno ser tanto quanto a mãe o ama?".  O dialogo entre o casal é fundamental para evitar que pequenas crises isoladas se transformem em grandes crises no casamento e minar a relação. Leia mais em chegada do primeiro filho é prova de fogo para casamento.
  15. Tudo é educação... você vai perceber que terá que ensinar TUDO, desde amamentar, mastigar, fazer xixi no lugar certo, falar, expressar sentimentos e sensações, ler e escrever, respeitar, lidar com as frustrações... não se preocupe. Elas vêm em doses suportáveis (à tempo de aprender também).
  16. Sabe aqueles vegetais que você não gosta ou não faz questão de comer? Farão parte da sua dieta de agora em diante. Em contrapartida, vai abrir mão das besteiras (o bom é que você vai se reeducar-se para uma alimentação melhor).
  17. Você vai sentir, alguma vez, vontade de estar no lugar da criança, quando as fases das doenças chegarem. Essa já é uma prova definitiva de que você ama.
  18. Seu coração vai partir ao meio (talvez até chore) depois de corrigir, proibir, ou ser enérgico com seu filhote...
  19. Ser acordado domingo de manhãzinha a galopes é muito bom (verdade!). Criança não conhece calendário, nem horas...
  20. Talvez nada disso aconteça de fato. Talvez, apenas alguns itens desta lista... o fato é que vocês três descobrirão, da melhor maneira possível, um jeito de lidar com todas as situações. Ah... o melhor de tudo é que, ainda assim, pode continuar contando com a ajuda e o carinho dos amigos que torcem por vocês.


segunda-feira, 25 de abril de 2016

DESCARTE DE EMBRIÕES: UM DILEMA ÉTICO DO NOSSO TEMPO



Por Julio César Gonçalves

Já é sabido que nunca falamos tanto sobre ética e falta de ética quanto nas últimas décadas, seja pelos meios de comunicação de massa, seja em discussões nas Universidades, seja no "senso comum nosso do dia a dia".
Hoje gostaria de trazer à tona um dentre tantos temas debatidos pela sociedade e que faz parte de uma área da ética denominada BIOÉTICA. Trata-se das discussões sobre a fertilização in vitro e o descarte dos embriões excedentes.
O problema ético central dessa discussão está em definir uma destinação aos embriões que não foram implantados no útero, ou seja, aqueles embriões que foram fecundados em laboratórios e que estão congelados (criopreservados) aguardando um destino. E que destino poderia ser este? Doá-los para pesquisa com células-tronco? Descartá-los? Mantê-los congelados? Doá-los para outros casais?
Estas são questões difíceis de serem resolvidas, mas que precisam ser pensadas. Seria muito fácil resolvê-las caso houvesse um consenso entre as verdades científicas, as verdades de fé e as verdades jurídicas. Mais precisamente sobre quando se considera o início da vida.
Muitos filósofos se embrenharam nesta difícil tarefa. 
Hipócrates (pai da medicina) defendia a tese de que é na concepção que se inicia a vida, portanto, qualquer remédio que colocasse em risco à vida intrauterina não deveria ser administrado. Platão pensava ser no ato do nascimento o exato momento em que a alma se fundia ao corpo. Aristóteles, a partir da "teoria da animação imediata", argumentou explicando que alma e corpo se unem semanas após a fecundação, afirmando que o feto tem vida e, pelos primeiros movimentos do bebê ainda no útero de sua mãe, se provará o início da vida. Também outros se posicionaram a este respeito.
Na próxima postagem veremos o posicionamento das religiões e da ciência.
Mas, fica para ecoar em nosso pensar, a questão: "Em que momento surge a vida?".

(Continua...)


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O NOIVO JÁ PODE BEIJAR SUAS NOIVAS


Esta semana que passou o portal Terra Notícias publicou uma reportagem sobre o registro em cartório da união entre um homem e duas mulheres como união estável. Pronto! Está instaurada a polêmica! Para que possamos melhor entender o fato, peço licença aos leitores para publicar na íntegra o texto do Terra.
Segue.

Poliamor em terras brasileiras: homem e 2 mulheres registram em cartório união a 3

O heterossexual Klinger de Souza, de 31 anos, e as bissexuais Paula Gracielly, 31, e Angélica Tedesco, 24, vivem um incomum relacionamento a três e conseguiram registrar a união poliafetiva em cartório, em Jundiaí (SP), onde moram.
Esta seria a terceira vez que um casamento a três é registrado em cartório no Brasil, nos moldes da União Estável. Mais para frente, eles querem também oficializar o casamento formal, assim como já fazem culturalmente os demais casais formados apenas por um homem e uma mulher e estão reivindicando os casais homossexuais. “Elas de noiva e eu de smoking, com festa e tudo mais”, planeja Klinger.
Os três são mato-grossenses, mas vivem em Jundiaí, onde garantem que levam vida normal, trabalham, passeiam e também pensam em ter um filho, gerado na barriga de "Paulinha", dentro de cerca de 2 anos.
 Além do filho, outro projeto do "trisal" é escrever um livro mais amplo sobre esta forma de se relacionar que ainda assusta, mas que eles garantem ser possível, natural, ética, verdadeira, honesta e amorosa. Trata-se do poliamor.
O reconhecimento em cartório deste romance atípico é importante, segundo eles, não somente em relação à divisão de patrimônio, mas também para que não sejam excluídos dos direitos civis, como outros cidadãos quaisquer. Além disso, eles já pensam também no registro do filho, que querem que seja feito em nome dos três: um pai e duas mães.
Para fazer o registro da união em cartório, Klinger explicou ao portal iG que declarou em texto escrito de próprio punho, com dados de pessoa física dos três, que vive junto com Paula e Angélica. Os três assinaram o documento, que precisou ser validado por duas testemunhas. Após as assinaturas, tudo acontece com o tempo de reconhecimento de firma que gira em torno de 30 minutos em qualquer cartório.
Se algum dos três resolver sair do relacionamento, terá o direito a 33% do patrimônio. Para Klinger, o mundo mudou e muita gente ainda fica assustada com essa forma de se relacionar. Mas a diversidade dos tipos de família é fato irreversível.
Fonte: noticias.terra.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ÁRVORE GENEALÓGICA DO SÉCULO XXI


Por Julio César Gonçalves

Numa dessas zapeadas pelos sites de notícia na internet, uma manchete me chamou a atenção e me fez pensar: "Bebê de SC poderá ter pai, duas mães e seis avós na certidão". A notícia trata de uma liminar da Justiça de Florianópolis que permitiu registro dos nomes na certidão de nascimento (segundo o portal de notícias G1), das mães - duas mulheres em união homoafetiva estável; do pai, que aceitou se relacionar com uma delas para procriar; e dos pais de cada um deles, portanto, dos avós. Tal decisão leva em consideração as novas formas de composição da família na atualidade.
Do ponto de vista jurídico traz desafios novos, tais como a necessidade de repensar o direito sucessório, por exemplo. Também denota que nossa sociedade está, de fato, passando por profundas transformações em suas estruturas mais tradicionais. 
Do ponto de vista social, acredito ainda não ser possível fazer alguma asserção acerca dos resultados dessas mudanças, afinal o passado ainda não passou e o futuro ainda está por vir...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOBRE DISCURSOS SEM FUNDAMENTOS

Por Julio César Gonçalves

Um aluno me parou no corredor dia desses e sapecou uma pergunta: "professor o senhor é contra ou à favor da descriminalização do aborto no Brasil?". Respirei fundo, escolhi bem algumas dúzias de palavras e já ia respondendo quando ele interrompeu dizendo: "mas não vale usar fundamentos religiosos, porque nem embasamento científico tem..."
Então, mais uma vez respirei fundo e resolvi não envolver Deus na referida situação. 
Como todo filósofo que se preza, respondi-lhe com outra pergunta: "Pois bem, me responda cientificamente: quais são os argumentos que sustentam TODOS OS BENEFÍCIOS trazidos pela interrupção de uma vida?".

O engraçado é que até agora não o encontrei com uma resposta...



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SUICÍDIO


Por Patrícia Castilho

O suicídio veicula o desejo de uma pessoa em escapar, ou terminar com seu sofrimento. Também, por outro lado, o desejo em comunicar o seu sofrimento aos outros - um pedido, as vezes, de ajuda. Além disso, cada pessoa tem seus próprios motivos muito particulares, profundos e extremamente dolorosos que o levam a ponderar desistir de viver.

A maioria das pessoas que pensam, tentam ou cometeram o suicídio, escolheriam outra forma de solucionar seus problemas e conflitos, se não se encontrassem em "tal angústia" que as incapacitam de avaliarem as suas opções objetivamente.
A sua intenção é para a sua imensurável dor psicológica e não por fim a sua vida. Querem simplesmente "fugir" da dura realidade e tensões que não conseguem lidar, onde não percebem mais solução possível, nem perspectiva de melhora ou mudança no futuro.
Devemos sempre estar atentos aos nossos sentimentos, emoções e sensações. E também observar as pessoas ao nosso redor.


PATRÍCIA CASTILHO é psicóloga e técnica de enfermagem. Também colabora com nosso blog.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ALZHEIMER


Por Fernando Luiz Teixeira

Números expressivos oferecidos pelo IBGE, no último censo, atestam que a população brasileira está envelhecendo. Sublinham que, ao contrário de décadas anteriores, cada vez mais homens e mulheres têm chegado aos setenta, oitenta anos. As porcentagens mostram-se louváveis. Preocupante mesmo são as condições para atender a esse segmento. Volta e meia, a infraestrutura das metrópoles mais exclui que inclui. O descaso predomina nas ruas. Índices de violência doméstica também saltam aos olhos. E os asilos se tornam espaços privilegiados para que filhos e netos possam, enfim, esquecê-los. Entre os impasses enfrentados, talvez o maior ainda seja a insensibilidade. Há um punhado de piadas que tripudiam os dilemas vivenciados na senectude. A sexualidade quase sempre é abordada a partir de um tom de deboche. Isso sem contar que parte expressiva dos jovens parece menosprezar a capacidade intelectual  do idoso. Por pressa ou pura intolerância, demonstram pouca paciência e atropelam seu tempo para desenvolver certas atividades. Tempo esse que se encontra comprometido em razão das limitações do organismo impostas pela própria idade. 
Os problemas tomam proporções bem mais sérias quando o idoso, pelo fato de não ter conseguido garantir certa estabilidade durante a juventude, se vê à mercê dos familiares. Para se manter, precisa ainda exercer alguma atividade remunerada. O mercado de trabalho, no entanto, ocupa-se em deixar profissionais mais experientes de lado. São praticamente escassas as possibilidades de emprego para aqueles com mais de cinquenta anos.
Lamentáveis são também os casos em que muitos parentes se apropriam da aposentadoria de pais e avós para o benefício próprio. A fim de contornar esse impasse, os atuais processos de interdição revelam-se bastante criteriosos. Ao final de cada ano, devem-se reunir os comprovantes dos gastos do aposentado e encaminhá-los ao advogado para prestação de contas. Tal prática poderá assegurar ao idoso que o dinheiro seja direcionado às suas necessidades básicas, como alimentação, vestuário, higiene e saúde. 
Contudo, o que se vê com certa regularidade é o abandono. Na luta pela sobrevivência, grande parte dos filhos se dedica às carreiras promissoras. E deixam para trás aqueles que mais torceram por eles. Precisam garantir o sustento e a realização profissional. Não há mais tempo para conversa fiada. Vá ver televisão, tiozinho! Meu Deus! O senhor emporcalhou toda a mesa de jantar! Tenho mais o que fazer! Não posso ficar limpando isso toda hora! Ai, não! Gripado de novo! Logo agora!
Sabe-se que o idoso apresenta uma série de problemas que corroboram sua fragilidade biológica. Encontra-se menos protegido contra doenças físicas e psíquicas. Sua visão mostra-se, gradativamente, comprometida. A capacidade de ouvir também. O paladar e o olfato sofrem alterações. O raciocínio apresenta-se mais lento. E a certeza da morte iminente traz quadros depressivos e angustiantes. É o momento de avaliar a própria vida, as escolhas feitas durante a travessia, os momentos em que, muitas vezes, se anulou para satisfazer a vontade alheia. Talvez o maior exemplo acerca das dificuldades de superar todos esses percalços, eu tenha encontrado na minha própria casa. 
Sou professor universitário e cuido, há cinco anos, de minha mãe. Ela chegou aos setenta anos e foi diagnosticada, ainda sem total precisão, com Alzheimer. De lá pra cá, muita coisa mudou na minha casa e, consequentemente, na minha vida. A gente mal fazia ideia de que sua “mania de limpeza”, de que o fato de lavar as mãos cinco, seis, sete vezes, revelar-se-ia mais tarde como o início de um caminho de muito sofrimento.
E a partir daquele momento, eu acompanhei uma transformação nada fácil para qualquer filho. Ela pouco a pouco se anularia, apagaria muita coisa da memória e se transformaria em uma pessoa diferente e distante. O amor permanece, mas permeado de saudade por tudo aquilo que ela havia sido. As mudanças chamam a atenção. Primeiro, o portador de Alzheimer se esquece de palavras que utilizava no cotidiano, como “leite”, “laranja”, “costura”. Os lapsos se tornam constantes. Outras vezes, trocam verbos. Aí é comum ouvi-los dizer que “comiam” um cafezinho ou “bebiam” um gostoso prato de arroz e feijão. E quando tomam consciência de que não conseguem se comunicar direito, sentem-se envergonhados, acuados, e preferem se isolar. Assim, é comum, em festas de família, vê-los correr para um canto ou outro. O silêncio parece menos doloroso. O ato de ter de interagir com o outro se torna um grande peso, um fardo muito difícil de carregar.
A escrita sofre oscilações. A leitura e os cálculos matemáticos também. E pouco a pouco são apagadas informações básicas como o nome do país onde mora, a novela preferida ou a canção que mais agradava.
Mas ainda assim, as características do que foram no passado se mantêm. Por isso é comum vê-los perguntar dos filhos, embora não mais se recordem do nome de nenhum um deles. Recebem os netinhos com um abraço forte e apertado. Fazem questão de presentear um e outro com um mimo qualquer. E vez por outra aquecem a cabeça no nosso colo e nos agradecem por não ter saído naquela noite chuvosa.
Entretanto, nem tudo é um mar de rosas. E nem um poema apaixonado. Com o passar dos anos, a dependência aumenta, a coordenação motora não é mais a mesma. Intensificam-se as dificuldades de trocar de roupa. Requer ajuda no banho. Levantam-se nas madrugadas. Atiram comida na parede. Fingem ter ingerido o remédio e o escondem debaixo da cama. Choram com medo de ir ao médico. E os cuidadores, às vezes, ficam irritados. Mostram-se hostis. Deitam-se magoados. Não com as pessoas cuidadas, mas com a vida e os rumos desconcertantes das tristes histórias que estão testemunhando e que, por mais que não queiram enxergar, sabem como terminam. Dos familiares mais espirituosos que conheço sempre garantiram que logo conseguem se recompor. Voltam, à noite, para cobrir os avós, e se reconfortam com a oportunidade de tê-los ao lado, de poder ajudá-los, de tentar fazer algo de bom – mesmo em meio a tantos tropeços e falta de informação.
E as tentativas para reverter o quadro são muitas. Aqui em casa nos dividimos e nos desdobramos para oferecer uma boa qualidade de vida pra mãe. Caminhadas, conversas diárias, estímulos para enumerar as coisas (ufa! ontem contamos até trinta!)... Vale tudo! 
Decerto muitos leitores se identificaram um pouco com isso. Sabem que, embora persista um discurso virtuoso a respeito da melhor idade, a realidade, na maioria das vezes, revela-se bastante ingrata. A rigor, é importante que o cuidador esteja sempre presente para que o idoso não seja ignorado em lojas, feiras ou consultórios. 
Possivelmente a raiz de todos esses transtornos esteja ainda no preconceito. E o preconceito, via de regra, reflete a ignorância, a concepção de que a velhice é um período infértil e improdutivo. Talvez a resposta mais apropriada para tal questão possa ser encontrada nos estudos do geriatra Luis Eugênio Garcez Leme. Para ele, a melhor forma de combate ao preconceito é o exercício sistemático do RESPEITO. Exercício esse que efetiva por meio da atenção, do trato individualizado, da capacidade de ouvir o outro e, sobretudo, de partilhar suas experiências, seus conselhos, suas histórias. Enfim, suas vidas!  


FERNANDO TEIXEIRA LUIZ é pós-doutorando em Literatura Comparada e Identidades Culturais, Doutor em Letras, Mestre em Educação, Pedagogo e colaborador do nosso blog.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO E A FAMÍLIA

A família por ordem de natureza é a primeira célula de organização social, mais antiga que as ciências e o Direito e mais preciosa que a descoberta mais revolucionária. Passou pelas organizações matriarcais, patriarcais, pagã até o advento da Revelação onde o Cristianismo elevou o casamento a sacramento. O homem e a mulher selam a sua união sob as bênçãos do céu, transformando-se numa só entidade física e esperitual e de maneira indissolúvel. O sacramento do casamento não pode ser desfeito pelas partes, somente a morte separa a união entre um homem e uma mulher (por isso indissolúvel), simbolizada pela troca de alianças. 
Esta, portanto, trata-se de uma perspectiva Cristã da família. O “tempo”, por outro lado, foi
sentenciando evoluções para este projeto de Deus. Em 1977entrou em vigor a Lei 6.515 no Brasil, conhecida como a Lei do Divórcio, permitindo a apartação da união entre o homem e a mulher que juraram diante de Deus uma união até a morte. Tornando dissolúvel juridicamente o indissolúvel aos olhos de Deus.
Em 2013, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os cartórios civis Brasileiros foram obrigados a aceitar a celebração de casamentos gays. Posição ante-evangélico-Cristã.
Agora, porém, vivemos mais um ataque aos princípios Cristãos e a vontade de Deus, o “tempo” que outrora se levantou contra família hoje se levanta contra a própria natureza humana. Não é preciso ser um gênio para saber que o sistema XY de determinação de sexo é biológico, e, portanto divino.
A Ideologia de gênero, na verdade é uma ausência de gênero, onde o sexo feminino e masculino se torna uma das construções culturais e sociais do individual; em poucos miúdos o ‘cabra’ decide se é homem ou mulher.
Diante o exposto, cabe lembrar que o grande idealizador do gênero homem e mulher foi o Criador, o Grande e Verdadeiro Arquiteto do mundo, o Senhor dos Exércitos, o Autor da Vida, o Senhor da paz, o Deus absoluto, o Senhor das montanhas, a Luz da Luz, o Deus de Israel, e nada que se inicia nas mãos deste Todo Poderoso pode acabar nas mãos de uma pobre criatura.
A Lei Natural é a vontade divina já se manifestada na revelação; o Santo Padre Papa Francisco se manifestou dizendo que a Ideologia de Gênero é um “erro na mente humana” além de “Contrária aos planos de Deus”. O Bispo de Córdoba (Espanha) Dom Demétrio Fernández adverte que “a ideologia de gênero destroça a família, rompe todo o laço do homem com Deus através da sua própria natureza”. O Papa Emérito Bento XVI se pronunciou em 2012.
"De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Deixou de ser válido aquilo que se lê  na narração da criação: 'Ele os criou homem e mulher' (Gn 1,27). Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação".
A lei natural deve  ser a diretriz dos pensamentos de um cristão, sendo mais efetiva que a Lei dos homens e mais bem guardada que as vontades humanas. Não é preciso ser um grande cristão para entender que a ideologia de gênero destroça a família e distancia o amor, fazendo-nos perder contato com nossa primeira sociedade, destruindo a sensibilidade, condenados a uma solidão de morte.
 

CAUÊ VIÚDES é aspirante ao sacerdócio. É crstão Católico Apostólico Romano e colabora com nosso blog.

domingo, 15 de dezembro de 2013

QUANDO O NATAL CHEGAR...

Estive fuçando nas postagens antigas do blog  e encontrei uma que me chamou a atenção pela atualidade (mesmo escrita há 4 anos). Trata-se da crônica intitulada "Onde mora o papai Noel?" Como estamos nos aproximando do Natal, achei por bem trazê-la novamente para a leitura e reflexão sobre nossa vida e postura. Espero que gostem...
 
ONDE MORA O PAPAI NOEL?
 
Final de ano, festas, Natal, Ano Novo... que época boa não é mesmo!
Das poucas lembranças que tenho da minha infância a respeito dessa época, a imagem que fica latente em minha mente é a da unidade da família. O povo reunia por dias na casa da vó. Ali revíamos os parentes que há muito não víamos, conversávamos, (nós, os primos, brincávamos e mais nada).
Lembro-me do "forró" no quintal noite adentro... isso pra não falar da comilança! Tinha toda uma magia em torno do final de ano (que demorava um ano inteiro pra chegar). Era gostoso receber cartão dos tios de longe e colocar na árvore de natal...
Pois é! Alegria mesmo era esperar o Bom Velhinho, pegar no sono e acordar no outro dia decepcionado de não tê-lo visto, mas contente com o presente - que nem sempre (no meu caso, nunca) era o que havíamos pedido.
É caros amigos, os tempos mudaram! Longe de mim tecer um discurso saudosista sobre as festas de final de ano, porém, não dá para não notar as transformações a que nossa sociedade vem sendo submetida.
Os dias, hoje em dia, têm passado mais rápido. Será que as horas estão com defeito? Acho que não...
Nossa percepção do tempo e das atividades diárias mudaram radicalmente.
Da mesma forma, mudaram também nossas posturas diante das relações sociais e convivência familiar. E o final de ano não passou incólume à essas transformações.
Vejam que engraçado. Fui brincar de amigo secreto numa confraternização e, antes, correu uma lista de "qual presente você quer ganhar?" (acabei ganhando o presente que pedi...). Achei meio sem magia, sem encantamento. É como se eu comprasse o meu próprio presente e a surpresa fosse apenas a cor e quem me tirou.
Antes fazíamos um "junta panela" na ceia, hoje, "buffet de Natal".
Parei mesmo para refletir sobre esta fase que estamos passando quando minha filha (um ano e sete meses) me respondeu com seu pouco vocabulário onde mora o Papai Noel: "No shop papai, no shop".
Fica, a partir dessas lembranças, um convite a todos a relembrar os momentos vivenciados nos Natais passados e reavaliar os valores que estamos criando e seguindo agora. Por que não aproveitar a oportunidade para voltarmos às nossas raízes? À nossa família?
Não devemos querer voltar no tempo, pois como falei, os tempos são outros, contudo se faz necessário repensar o presente com base no passado para que possamos criar um futuro menos traumático, mais acertivo...
Quem sabe assim, podemos melhor acomodar o Papai Noel entre tantas lojas e escadas rolantes!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

20 COISAS QUE NÃO TE CONTARAM SOBRE SER PAI

Certa vez, zapeando pela net, me deparei com um texto intitulado: "20 coisas que não te contaram antes de ter um filho" no site da Babycenter. O texto (clique no link anterior), escrito por uma mulher e direcionado para as mamães de primeira viagem, em linguagem informal e descontraída, traz algumas dicas muito úteis e que geralmente ninguém se atenta a dizer para as mamães.
Pensei comigo... e os papais??? A partir da minha experiência de ser pai (há cinco anos), decidi escrever um texto, nos moldes do que eu li, porém dedicado ao papai de primeira viagem, em especial ao meu irmão Élcio, que será papai dentro em breve. Espero que gostem.
20 COISAS QUE NÃO TE CONTARAM SOBRE SER PAI

Por Julio César Gonçalves
1. Você vai descobrir que é possível sim amar outra mulher além da sua, e ao mesmo tempo. Também pode ser que descubra que é possível amar um homem...
2. Seu instinto por sobrevivência ficará mais aguçado. Defesa, proteção e subsistência, serão as palavras de ordem.
3. Sua concepção de "caro e barato" vai mudar radicalmente.
4. Uma dúvida te acompanhará durante a gravidez: será que terei condições financeiras para garantir o futuro desse novo ser? (Te digo mais, essa dúvida não vai embora com o nascimento...).
5. Em algum momento da gravidez você sentirá ao menos uma pontinha de ciúmes da ligação entre mãe e filho (até mesmo porque o bebê não é parte do seu corpo). É óbvio que você não deixará isso transparecer.
6. Muitos amigos (de balada, de bebedeira, de curtição...), deixarão de fazer parte integrante semanalmente da sua rotina, assim como as festas e os churrascos ficarão em segundo plano.
7. Você vai desejar abrir uma empresa: ou de fraldas descartáveis ou de leite.
8. A primeira vez que você trocar uma fralda, vai perceber que até um robô enferrujado possui mais habilidades que você, mas você se acostumará e até vai querer fazer isso outras vezes.
9. Uma nuvem de criatividade te acompanhará toda vez que estiver sozinho com seu filho há duas horas chorando sem parar (se isso não funcionar é bom saber cantar ou rezar).
10. Dormir oito horas ininterruptas por dia, já não te pertence mais. E isso não se dará somente enquanto seu filho for recém-nascido. Não se esqueça que tem as fases da cólica, do medo de dormir sozinho, dos tombos da cama, xixi, vômitos e febre, preocupação quando for dormir na casa dos amiguinhos do colégio, ter que acordar de madrugada para buscar na balada etc.
11. Dia dos pais nunca mais vai ser uma data vaga na sua memória e no seu calendário (principalmente quando receber o primeiro desenho/homenagem feito pelo seu filhote).
12. Você vai se irritar muito nos primeiros dias, com o monte de gente que vai visitar sua casa. Vai dizendo adeus à privacidade. É incrível, todos terão um momento com seu filho - você não.
13. Você vai desejar muito morar no Canadá, onde a licença paternidade é de 9 meses e não 5 dias.
14. Sexo? Bom... com hora marcada. Você vai sentir uma diminuição na sua libido. Por um bom tempo você vai olhar para sua esposa com olhar maternal. Você não verá os seios dela da mesma maneira, pois agora eles amamentam (esse "afastamento" pode gerar insegurança nela, que, a essa altura estará se sentindo feia e gorda, pelas transformações do corpo). Você terá que ter paciência e sabedoria para administrar os seus sentimentos e os dela.
15. Você se tornará mais caseiro.
16. Não espere que o corpo de sua mulher volte ao normal assim que a gravidez acabar. Demora um tempão para esse retorno. Não vai soltar um fora e dizer que ela ainda continua grávida!
17. Você vai encontrar um monte de gente pra te colocar medo e poucas pessoas dispostas te orientar de fato. Acalme-se! As pessoas não fazem isso por maldade... é uma mistura de ansiedade, alegria e desejo de que você saiba o que fazer.
18. Você vai descobrir que algumas orientações dos médicos não surtem tanto efeito quanto as da sua mãe e as da sua sogra.
19. Suas prioridades serão outras. Você não comprará uma bala sem antes pensar na sua "nova" família. Esse é o maior sinal de que você entendeu que casamento é muito mais do que república de duas pessoas. Se cada um era responsável por pagar as suas contas, comprar as suas coisas e ter seu próprio espaço na casa, isso vai mudar.
20. Relaxa! Você vai perceber que não existem receitas e macetes para pais de primeira viagem. É a vida que vai te ensinar tudo, esteja atento para aprender.
Tudo vai dar certo!


sábado, 10 de dezembro de 2011

CYBERBULLYING - NOVA MODALIDADE DO BULLYING


Cyberbullying é a utilização de tecnologias de informação e comunicação para hostilizar outras pessoas. De acordo com a “National Crime Prevention”  esse pratica se define “quando a internet, telefones celulares ou outros dispositivos são utilizados para enviar textos ou imagens com a intenção de ferir ou constranger outra pessoa.”
A professora do ensino infantil de Estrela do Norte, Maria Aparecida Bezerra, comenta que essa pratica vem acontecendo cada vez mais cedo. Ela também conta sobre a dificuldade na luta contra o cyberbullying, o que deixa quem o pratica mais livre para continuar.
Tabita Rocha, estudante de direito da Universidade Toledo, nos contou que as pessoas que praticam o bullying virtual primeiro se aproximam para ter conhecimento geral sobre a vida da vitima, depois através de chantagens mal sucedidas expõem a vida delas na internet.
Crianças e adolescentes são facilmente enganadas na internet, como é o caso dessa garota que terá seu nome ocultado, de apenas 15 anos que teve toda sua vida exposta na internet e como morava em uma cidade pequena teve que se mudar por preconceito de seus próprios vizinhos e colegas de sala.
Não dificulte ainda mais a luta contra o bullying virtual, a qualquer indicio procure uma delegacia de policia e com as provas na mão, denuncie a ocorrência. Se preserve; a internet NÃO é um mundo paralelo, viva sua verdadeira vida.

WESLEY BEZERRA DOS SANTOS é aluno do curso de Comunicação Social - Jornalismo da Faculdade de  Presidente Prudente e também colabora com o Blog Sociologia no Mundo.

sábado, 28 de maio de 2011

A CRIANÇA COMO SUJEITO CONSUMIDOR


Está em fase final o trabalho de conclusão de curso (TCC) da minha aluna orientanda Gabriela Paduan, do curso de Jornalismo, que tem como tema a discussão da formação da criança enquanto sujeito consumidor.
O trabalho buscou analisar a hipótese inicial de que as propagandas veiculadas nos intervalos dos programas infantis influenciam o desejo de compra das crianças, construindo-as como consumidores em potencial.

Para fundamentar suas análises e referências bibliográfica, Paduan utilizou autores de renome da Sociologia e da Comunicação, tais como Juan Dìaz Bordenave e Philippe Ariès.
Suas reflexões ainda contam com textos do jornalista Flávio Paiva, sobre a publicidade abusiva direcionada às crianças.
No final, Paduan faz uma análise sobre a programação da Rede Globo, identificando os tipos de propagandas veiculadas nos comerciais destinados ao público infantil, sobretudo no horário da TV Globinho que vem a ser o programa na qual a pesquisadora utiliza como objeto.
Com a pesquisa, Gabriela Paduan percebe que a relação que as pessoas têm com a televisão é algo adquirido ainda na infância, de modo que o aparelho tende a ser visto como parte da família. "Sabendo que a televisão é uma companhia para os telespectadores, a mídia dedica parte do seu espaço para a publicidade, como maneira de se manter financeiramente, e as propagandas por sua vez, procuram persuadir as pessoas, para que elas consumam determinados produtos", diz.
Para verificar essas hipóteses, Paduan, aplica questionários e realiza entrevistas com crianças da escola Escola Jean Piaget de Pirapozinho, e seus pais.
A defesa de seu trabalho ainda não foi marcada e o trabalho ainda passa pelas últimas revisões. Perguntado sobre o que pode ser concluído na sua observação, Paduan relata que enquanto cidadãos devemos estar atentos às publicidades e ao que rege o Código de Defesa do Consumidor, além do Conselho Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, que regularizam as publicidades destinadas à criança, para que esta seja resguardada (visto que se trata de um público com personalidade ainda em formação). 

Também, "se faz necessária maior atenção dos pais em relação meios que eles utilizam como entretenimento para os filhos, devendo escolher com mais rigor o que eles assistem na televisão, para que eles possam ter acesso a programas educativos que lhes acrescentem valores considerados positivos".
O enfoque à cultura e à leitura crítica de tudo o que a mídia lhes impõe, para que cresçam e se tornem adultos conscientes quanto aos apelos publicitários, foi a sugestão dada como desfecho ao trabalho de pesquisa.
Parabéns Gabriela, pelo esforço e dedicação.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DO TÉDIO AO RESPEITO DE SI - EDUCAÇÃO MORAL E FORMAÇÃO ÉTICA


Palestra sobre a‘cultura do tédio’, a falta de sentido existencial que comprometem
a realização ética de uma ‘vida boa’

Segue link de uma palestra que Yves de la Taille dá ao Café Filosófico da TV Cultura, intitulada:

Do tédio ao respeito de si - educação moral e formação ética

Abraço a todos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

STF RECONHECE UNIÃO HOMOAFETIVA POR UNANIMIDADE


Por Felipe Recondo, estadao.com.br, Atualizado: 5/5/2011 20:47

BRASÍLIA - Os casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que a legislação brasileira já estabelece para os casais heterossexuais. A partir da decisão de hoje do Supremo Tribunal Federal (STF), o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo será permitido e as uniões homoafetivas passam a ser tratadas como um novo tipo de família.
O julgamento do Supremo, que aprovou por unanimidade o reconhecimento legal da união homoafetiva, torna praticamente automáticos os direitos que hoje são obtidos com dificuldades na Justiça e põe fim à discriminação legal dos homossexuais. 'O reconhecimento, portanto, pelo tribunal, hoje, desses direitos, responde a um grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida', afirmou a ministra Ellen Gracie.
Pela decisão do Supremo, os homossexuais passam a ter reconhecido o direito de receber pensão alimentícia, ter acesso à herança de seu companheiro em caso de morte, podem ser incluídos como dependentes nos planos de saúde, poderão adotar filhos e registrá-los em seus nomes, dentre outros direitos.
As uniões homoafetivas serão colocadas com a decisão do tribunal ao lado dos três tipos de família já reconhecidos pela Constituição: a família convencional formada com o casamento, a família decorrente da união estável e a família formada, por exemplo, pela mãe solteira e seus filhos. E como entidade familiar, as uniões de pessoas do mesmo sexo passam a merecer a mesma proteção do Estado.
Facilidade. A decisão do STF deve simplificar a extensão desses direitos. Por ser uma decisão em duas ações diretas de inconstitucionalidade - uma de autoria do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e outra pela vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat -, o entendimento do STF deve ser seguido por todos os tribunais do país.
Os casais homossexuais estarão submetidos às mesmas obrigações e cautelas impostas para os casais heterossexuais. Por exemplo: para ter direito à pensão por morte, terá de comprovar que mantinha com o companheiro que morreu uma união em regime estável.
Pela legislação atual e por decisões de alguns tribunais, as uniões de pessoas de mesmo sexo eram tratadas como uma sociedade de fato, como se fosse um negócio. Assim, em caso de separação, não havia direito a pensão, por exemplo. E a partilha de bens era feita medindo-se o esforço de cada um para a formação do patrimônio adquirido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CONFISSÕES DE UM FILÓSOFO


- sobre a velhice -

Conhecemos-nos em uma tarde de outono, onde as folhas que caiam das arvores eram o anuncio de um inverno rigoroso que se aproximava. Sozinha e triste lá estava ela. Outono era a estação que transbordava de seu olhar. O fim de uma vida pode ser tão triste quanto à de uma flor que morre seca por falta de água em um jardim mal cuidado.
Os detalhes de suas palavras eram tão verdadeiros quanto ao céu nublado que prenuncia uma tempestade. Lá estava ela. Em um banco daquela praça. Lia o seu jornal. Sentei-me ao seu lado. Olhou-me profundamente nos olhos. Senti meu coração se rasgando pelas dores não pronunciadas daquela alma sofrida.
Contou-me de sua vida. Falou longamente sobre sua juventude. Dos sonhos realizados e daqueles esquecidos pelo tempo. Sim, ela teve família. Hoje, não mais. O que não se cuida com amor acaba sendo esquecido pelo tempo.
Naquela tarde descobri o que minha razão nunca poderia ensinar-me. A velhice pode ser tão dolorida como a dor da perda de alguém querido. Hoje minha mais nova amiga recordava as suas manhãs de vigor e sonhos. Tudo o que sonhou um dia hoje se encontrava sepultado em um coração esquecido por quem um dia se dizia amado.
Certo estava Michel de Montaigne quando disse: ”A velhice faz-nos mais rugas no espírito do que na cara”. Minha amiga não tinha tantas rugas na face. Mas seu coração era a dor aberta, em feridas que nunca poderão ser cicatrizadas pelo tempo.
Hoje ela vivia só. Foi abandonada em uma Casa de Repouso para pessoas que estão no processo de esquecimento familiar. Teve muitos filhos e netos. Recordou-se com lágrimas do primeiro sorriso de seus filhos. Das noites mal dormidas pelos resfriados que as crianças pegaram andando na chuva. Teve dias que deixou de se alimentar para que seus filhos tivessem o que comer. Sua dor era uma mistura de saudade e sofrimento.
Ao fim daquela tarde, perguntei-lhe se não sentia mágoa por estar naquela situação. Com um leve sorriso entre os lábios olhou-me profundamente nos olhos e me disse: Quando amamos verdadeiramente, a saudade de um passado de lutas é apenas uma maneira de mostramos que valeu ter lutado para fazer outras pessoas felizes.
Não concordei! Entre lágrimas abraçou-me e disse: Ser esquecido é a pior dor que até hoje senti em toda minha vida. Sinto falta de quem me amou, mas continuo amando cada filho. Queria apenas cuidar desta doença que hoje eles têm, e que se chama: desumanidade.
Assim nos despedimos. Na certeza de que a vida não é tão doce e bela para todas as pessoas. Retornando para minha casa recordei-me de Jean Jacques Rousseau: “Quem viveu mais não é aquele que viveu até uma idade avançada, mas aquele que mais sentiu na vida”.

Flávio Sobreiro Filósofo pela PUCCAMP, Teólogo pela FACAPA, Estudante de Filosofia Clínica, Poeta, Escritor e colaborador do Blog: SOCIOLOGIA NO MUNDO.

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