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segunda-feira, 27 de junho de 2016

INVERSÃO DE VALORES TEM PROPICIADO PAIXÃO PELO CONSUMO

Publicidade vende a alegria da inserção na sociedade
Por Heloísa Duran

Todos os dias a cena se repete, não há nada de novo, ao voltar da escola, a criança larga a mochila no chão e em seguida liga a TV. Sem nenhum esforço mental e de forma totalmente passiva, absorve o conteúdo dos programas e comerciais publicitários. Bastam 30 segundos, para que esta criança esteja convencida de que será mais feliz se fizer parte do fantástico mundo dos personagens.

De acordo com o Doutor em ciência da comunicação, Clovis de Barros Filho, no documentário, “criança a alma do negocio”, ao se expor aos conteúdos midiáticos a criança desenvolve a idéia de que, o consumo representa uma possibilidade de inserção social em determinados grupos: “A publicidade vende, evidentemente, mais do que alegria da posse, ela promove a alegria da inscrição na sociedade”.
A criança é um ser humano em construção, isso significa que ela está apta a absorver todo o conteúdo ao que for exposta. É na infância que os pequenos passam pelo processo de estruturação e precisam de amparo em seu desenvolvimento.
Ao comprar a ideia de valores expressada pelas propagandas, a criança que ainda não tem amadurecimento suficiente para distinguir os valores sociais humanos dos valores estabelecidos pela imagem midiática, passa a acreditar e viver em função de que é necessário aquele bem para promover sua alegria e até mesmo para que ela seja como as crianças que tem, e assim sintam-se aceitas.
E com a certeza de que precisa ter determinado produto que é representado por personagens animados da telinha, a criança que de forma passiva em apenas 30 segundos se convenceu disso, passa de forma ativa e muitas vezes até autoritária, ou quando não com uso da chantagem a requerer dos pais a posse do produto em questão.
A necessidade deixa de ser uma inevitabilidade e passa a ser agente promotora do desejo pela marca. A criança não pede um tênis qualquer, mas um tênis de determinada marca; ela não quer um celular qualquer, mas aquele de última geração.
No século da fadiga, onde nem sempre a mãe, por exemplo, pode dispor de tempo de qualidade para investir na formação do caráter de seus filhos, a mídia o faz por elas. Segundo dados do IBOPE, as crianças brasileiras passam em média 5 horas diárias em frente da TV e assistem aproximadamente 40 mil propagandas em um ano. 
A grande questão é que, a maior parte dos valores sociais e posse dos bens no Brasil, por exemplo, possuem valores invertidos. O grande poder aquisitivo concentra-se nas mãos de poucos, o que antes era ético, aos poucos se torna imoral, pensar no próximo parece ser atitude egoísta dentro da sociedade do espetáculo. Para ser legal tem que chamar atenção do outro, encher os olhos de quem vê. Ser aplaudido.
No meio desses valores e verdades criadas pela mídia, para satisfazer a necessidade de uma sociedade que parece não se saciar mais com o comum, o
rotineiro, a publicidade e o marketing, na busca do poder pela posse, por ganhar mais, vender mais, utiliza-se da criança como ferramenta para atrair famílias que muitas vezes não tem nem o suficiente para uma alimentação ou educação de qualidade, mas que para alegrar seus filhos, e amenizar a sensação e exclusão social investem do pouco que tem todo o recurso disponível na compra de bens que aparentam suprir seus pequenos.
No documentário “Criança, a alma do negócio”, uma mãe desabafa dizendo que, satisfazer o desejo dos filhos é na verdade satisfazer de forma impulsionada a gana da mídia na corrida para atrair mais consumidores. O sacrifício financeiro que significou muito para a família, o presente de natal que custou caro, mas sem valor nenhum. “Um robô, que a criança abandonou logo em seguida, depois de brincar com ele três ou quatro dias”. A mãe alega ter entrado o ano sem dinheiro só para satisfazer o desejo da filha, o que caracteriza o assédio crescente das crianças aos pais.
A nova fórmula consumista impresso na sociedade ensina as crianças de que facilmente o velho, que na maioria das vezes não é velho, pode ser trocado pelo novo. O que vale mesmo é ter o que a televisão mostra. Essa realidade acena para o consumo descartável, em que a expectativa da aquisição é mais intensamente vivida do que a própria posse do produto.
A infância divide seu palco entre, a companhia dos pais, que cada vez trabalha mais a fim de dar conta de suprir a necessidade da família, e a escola que educa e em contrapartida quem tem conquistado mesmo o brilho nos olhos dos pequenos é a TV, que através de mecanismos tem ganho lugar de destaque,
ensinado a visão midiática de valores consumistas, deseducando as crianças e desapontado famílias que não podem aderir o que a TV oferta mas que também não tem forças para ir contra.
É necessário analisar qual é a influência de tal exposição na subjetividade e formação da criança. Onde vamos parar? É preciso que as famílias tomem as rédeas da situação, afinal quem governa minha casa? A resposta para essa pergunta é a bússola para um novo norte diante desse cenário degradante, a alma da criança deve ser suprida por valores sociais humanos e não se pode confundir o
sentido da vida e da felicidade com consumismo.

HELOÍSA DURAN é estudante de Jornalismo e colaboradora do nosso Blog.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

UM RECADO AOS LÍDERES...


Liderança Poderosa, para chefiar com prestígio
Por Marluy Nogueira


Liderar hoje é um dos grandes requisitos para as pessoas, tanto para empresários, estudantes, independente da profissão. E pode ser simples, porém fundamental para despertar, criar e melhor empregar o poder e alavancar excelentes resultados em todas as áreas de nossa vida. Pois, conhecendo a nossa força e a melhor maneira de empregá-la, nós nos tornamos ainda mais assertivos, evitamos desgastes desnecessários e temos a capacidade de potencializar os resultados.
Tenho visto nas empresas, que muitos líderes atualmente se encontram sobrecarregados, justamente porque não conhecem o tamanho de seu poder, da sua força, e não as utilizam a seu favor ou as utilizam de forma incorreta. E com isso, não alcançam o resultado esperado, e desta forma, desmotivam e dificultam as tomadas de decisões, o agir com competência, se prejudicando e prejudicando toda a sua equipe, afastando cada mais vez mais do resultado esperado.
Provavelmente vocês conhecem alguém que se encontra dessa maneira, talvez até vocês já se viram nessa situação de desanimo geral, juntamente com a sua equipe, vivendo essa impotência diante dos desafios, sem saber o que fazer para reverter uma situação.
E vocês sabem por que isso acontece?
Justamente porque se desconhecem, desconhecem o tamanho de sua força, de seu poder, focam no negativo e deixam de acreditar nas possibilidades, se desanimam, desanimam a sua equipe, não assumem as responsabilidades, não tomam as atitudes necessárias, se acomodam e é claro que isso vai se tornar em um ciclo.
Talvez a partir de agra vocês tenham o desejo de aprimorar seu dom de liderar, para conseguir atingir seus objetivos. Alguns de vocês talvez ainda estejam contaminados com a desmotivação, enraizados em verdades negativas, se sentindo improdutivos, sem força de vontade e por isso não conseguem encontrar a saída necessária para mudar a sua realidade de insucesso.
O importante é vocês saberem que existe uma solução. É preciso despertar o seu potencial e tirar o máximo de resultado através da sua Liderança Poderosa. Essa força vai gerar um impulso que te levará, juntamente com sua equipe, para mais próximo do sucesso. A solução também está em repensar nas suas verdades absolutas, que são as responsáveis pelo seu resultado positivo.

Desta forma, busque aprender a dominar as pressões externas para não se contaminar e continuar ativo em busca do que deseja alcançar, fortalecer o sentido da harmonia no esforço da cooperação e acima de tudo refletir na importância de desenvolver uma personalidade cativante que valida tudo isso.



MARLUY NOGUEIRA é palestrante, master coach, treinadora de líderes e empresária da Total Coaching. Também colaborou com nosso Blog.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

"TUDO QUE ERA SÓLIDO, SE DESMANCHA NO AR" - Karl Marx

ADENTRANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

Por Marcela Pacheco



2,10,12,16,17,18,19... Qual será a próxima sequência? Com certeza você deve estar matutando matematicamente uma solução para este problema, porém, a resposta que você anseia não virá através das ciências exatas, mas sim das ciências humanas. Sim!

Você pode se perguntar por que iniciei esse texto com um raciocínio lógico, a resposta é simples, nem tudo que parece é.
É sabido por nós que, nunca tivemos tanto acesso a informação como nos dias de hoje, mas é perceptível também, que nunca fomos tão superficiais e alheios pelo mesmo motivo. 
Perdemos aos poucos a sensibilidade de ser profundo e inteiro para o outro, passamos a entregar fragmentos de nós mesmo, quando na verdade gostaríamos de nos dar por completo. Não falo especificamente sobre casais, mais sim, em todos os âmbitos dos relacionamentos que construímos com o tempo. 
Com a prioridade do ter, e não do ser, vemos que passamos a possuir o poder de acumular mais e mais, entretanto tudo que se acumula e não exerce sua funcionalidade, tende a estragar ou apodrecer, e é ai que percebemos o quão mesquinhos e hipócritas fomos com nós mesmos.
Acredito que nos falta a receptividade de gastar tempo com aquilo que realmente importa, aquilo que edifica. É tempo de olhar para o próximo, e enxergá-lo, não apenas as dificuldades que nos afastam do outro, mas sim aquilo que ele pode vir a ser além dos defeitos. Vejo que essa é uma das características mais lindas de Jesus, sim, Jesus, o carpinteiro, Ele tinha a capacidade de ver além do que os olhos humanos podiam. Enquanto todos enxergavam uma prostituta, Ele contemplava uma mulher de fibra, uma Santa.


MARCELA PACHECO é Jornalista e colaboradora do nosso blog.

domingo, 15 de dezembro de 2013

QUANDO O NATAL CHEGAR...

Estive fuçando nas postagens antigas do blog  e encontrei uma que me chamou a atenção pela atualidade (mesmo escrita há 4 anos). Trata-se da crônica intitulada "Onde mora o papai Noel?" Como estamos nos aproximando do Natal, achei por bem trazê-la novamente para a leitura e reflexão sobre nossa vida e postura. Espero que gostem...
 
ONDE MORA O PAPAI NOEL?
 
Final de ano, festas, Natal, Ano Novo... que época boa não é mesmo!
Das poucas lembranças que tenho da minha infância a respeito dessa época, a imagem que fica latente em minha mente é a da unidade da família. O povo reunia por dias na casa da vó. Ali revíamos os parentes que há muito não víamos, conversávamos, (nós, os primos, brincávamos e mais nada).
Lembro-me do "forró" no quintal noite adentro... isso pra não falar da comilança! Tinha toda uma magia em torno do final de ano (que demorava um ano inteiro pra chegar). Era gostoso receber cartão dos tios de longe e colocar na árvore de natal...
Pois é! Alegria mesmo era esperar o Bom Velhinho, pegar no sono e acordar no outro dia decepcionado de não tê-lo visto, mas contente com o presente - que nem sempre (no meu caso, nunca) era o que havíamos pedido.
É caros amigos, os tempos mudaram! Longe de mim tecer um discurso saudosista sobre as festas de final de ano, porém, não dá para não notar as transformações a que nossa sociedade vem sendo submetida.
Os dias, hoje em dia, têm passado mais rápido. Será que as horas estão com defeito? Acho que não...
Nossa percepção do tempo e das atividades diárias mudaram radicalmente.
Da mesma forma, mudaram também nossas posturas diante das relações sociais e convivência familiar. E o final de ano não passou incólume à essas transformações.
Vejam que engraçado. Fui brincar de amigo secreto numa confraternização e, antes, correu uma lista de "qual presente você quer ganhar?" (acabei ganhando o presente que pedi...). Achei meio sem magia, sem encantamento. É como se eu comprasse o meu próprio presente e a surpresa fosse apenas a cor e quem me tirou.
Antes fazíamos um "junta panela" na ceia, hoje, "buffet de Natal".
Parei mesmo para refletir sobre esta fase que estamos passando quando minha filha (um ano e sete meses) me respondeu com seu pouco vocabulário onde mora o Papai Noel: "No shop papai, no shop".
Fica, a partir dessas lembranças, um convite a todos a relembrar os momentos vivenciados nos Natais passados e reavaliar os valores que estamos criando e seguindo agora. Por que não aproveitar a oportunidade para voltarmos às nossas raízes? À nossa família?
Não devemos querer voltar no tempo, pois como falei, os tempos são outros, contudo se faz necessário repensar o presente com base no passado para que possamos criar um futuro menos traumático, mais acertivo...
Quem sabe assim, podemos melhor acomodar o Papai Noel entre tantas lojas e escadas rolantes!

sábado, 6 de abril de 2013

LEI CAROLINA DIECKMANN - CRIMES DE VIRTUAIS

A atriz sofreu tentativa de extorsão por hackers
Recentemente, entrou em vigor e tomou o noticiário nacional a Lei 12.737/2012, também conhecida como Lei Carolina Dieckman. A referida Lei trata dos crimes virtuais, com enfoque maior na obtenção, de maneira ilícita, de informações das vítimas.
Importante ressaltar que a Lei já era discutida há vários anos, entretanto, tomou maior visibilidade com a caso da atriz global Carolina Dieckman, após esta sofrer com a publicação indevida de cerca de 36 fotos em que aparece nua. Tendo em vista a repercussão que o caso tomou, apelidou-se a Lei com o nome da atriz.
Sobre o caso: Hackers violaram a caixa de e-mails da atriz para conseguir as fotos. Com as fotos em mãos, os delinquentes tentaram extorquir Carolina a pagar R$ 10.000,00 para que as fotos não fossem divulgadas. Imagino que ela não tenha pago (risos). Entretanto, vem-me à cabeça a seguinte questão: Se ele tivesse pago aqueles que a extorquiam, as fotos realmente não seriam divulgadas? Acompanhe meu raciocínio. A atriz paga a quantidade solicitada para os hackers e espera apenas a boa vontade dos mesmos. Quem poderia garantir que eles realmente apagariam para sempre os arquivos? Já não é mais mistério para ninguém que, uma vez publicado qualquer material na internet – se se tratar de pornografia, a coisa piora – as chances do material desaparecer são praticamente nulas.
A Lei: Fiz uma análise da letra da lei, da legislação seca, e encontrei algumas brechas. O artigo 2º da Lei Carolina Dieckman altera o artigo o Código Penal e acrescenta o artigo 154-A, que terá a seguinte redação:
“Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:”.
 Acredito que caso aconteça de uma pessoa levar o seu computador à assistência técnica e durante o conserto o técnico tiver acesso a informações comprometedoras – inclusive fotos pornográficas – e “subtraí-las”, ele não estaria sujeito às penas da lei. (Faço um parênteses necessário. Observo que em outros tempos quem mais sabia da vida das pessoas era o padre ou o analista psiquiátrico, hoje, amigos, o técnico em informático é quem detém informações preciosas a respeito da vida das pessoas, afinal, confiamos coisas secretíssimas ao nosso HD). Afirmo e explico: O artigo requer que a invasão ao dispositivo seja feita “mediante violação indevida de mecanismo de segurança”, e na situação narrada por mim, o computador pessoal de uma pessoa é confiado ao técnico e este não precisa burlar nenhum sistema de segurança para conseguir arquivos comprometedores. Entendo que a lei visa proteger as vítimas de ataques via internet – como foi o caso da atriz, mas, a meu ver, as situações são equivalentes, uma vez que o espírito dessa lei é proteger as informações sensíveis das pessoas e coibir possíveis subtrações de arquivos.
Outro ponto falho da legislação é criminalizar o uso de programas que sirvam obter senha de outras pessoas. Todavia, os profissionais de segurança da informação usam os mesmos programas para trabalhar. Segunda a lei, os profissionais seriam criminalizados pelo uso dos programas.
Acho totalmente válida a iniciativa do legislador em tentar “colocar ordem” na internet. Também não é segredo que a internet funciona como um lugar sem leis. O tempo inteiro os Direitos Humanos são gritantemente violados; pessoas usam a internet – e mais ainda as redes sociais – para caluniar, injuriar ou difamar seus desafetos. Este tipo de comportamento não deve ser admitido, uma vez que, apesar de se tratar de um ambiente virtual, as regras do mundo real devem ser respeitadas.
A internet é a chance de ouro que a nossa geração possui para fazer a diferença e ser potencialmente melhor em todos os quesitos. Falando por mim, eu uso a internet diariamente para enriquecer meus estudos e aprender cada vez mais sobre os conteúdos ministrados na faculdade. Consigo enriquecer o que me foi passado pelos professores – sem desmerecer o que por eles é ensinado, evidentemente. Mas, infelizmente, o que tem se observado é o mal uso da internet. Esta está sendo utilizada para cometer crimes cada vez mais complexos e, principalmente, está sugando o cérebro dos jovens. Eu fico a imaginar daqui a 15 anos duas pessoas conversando e uma delas recebe a iluminação divina e confessa: - pois é, perdi a minha juventude vendo porcarias na internet.
Para finalizar, teço a crítica no sentido de que é necessário uma discussão mais aprofundada para a elaboração do texto da lei para que não se deixe brechas como as mencionadas acima. Viver em qualquer lugar que não haja regras é impossível e como a internet passou a fazer parte das nossas vidas, necessário se faz que ela também possua regras e que – mais importante ainda – seus usuários as respeitem.
MARCO AURÉLIO DOS SANTOS é estudante do curso de bacharelado em Direito e também colaborador do nosso Blog.

Contatos:
http://www.facebook.com/ocramaurelio
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

DEUS ESTÁ MORTO !

 
QUAL DEUS ESTÁ MORTO?
Por Alfredo Carneiro
 
Uma das frases mais controversas de Nietzsche é  ”Deus está morto”, no entanto, ela não corresponde a um ataque ao Deus cristão, como pensa a grande maioria das pessoas. De fato, Nietzsche fez severas críticas ao cristianismo em suas obras, contudo, esta frase é na verdade um ataque à era moderna.
Se na época medieval a questão de Deus era o ponto central, na era moderna ocorre uma transição, uma passagem da visão cristã de Deus para uma nova percepção do mundo e do homem, não mais como um ser criado por Deus, mas um ser dono de si que a tudo investiga com a razão e a experimentação. O Renascimento, que definiu o início da modernidade, foi marcado pelo uso da razão, pela negação da visão medieval e pelo surgimento de um novo Deus: a ciência. A modernidade conseguiu dessacralizar o mundo e não deu ao homem nada em troca, a não ser a crueza de uma vida sem encantos.  O que morreu na modernidade foi a dimensão mítica e divina que sempre acompanhou todas as grandes culturas. Na era moderna essa dimensão se esvaiu em nossas investigações filosóficas e científicas.
Para Nietzsche a era moderna criou uma expectativa desmedida e ingênua, baseada na razão e na ciência, que tirou do homem sua profundidade, legando apenas um conjunto de objetivos mesquinhos e fúteis. “Deus está morto” é também um ataque à própria filosofia de seu tempo, influenciada por Descartes, pai da filosofia moderna que colocou o homem (o “eu”) no centro da investigação filosófica e definiu a natureza como um mecanismo sem mistérios. Nietzsche afirma então que o homem moderno não sabe mais para o que se voltar. A modernidade falhou em dar um significado à vida e  nossa dimensão divina morreu com nossas falsas expectativas, com nossa “busca pela verdade”. A modernidade matou nossa dimensão divina e nos tornou seres pequenos,  egoístas, covardes e assustados. Nesta perspectiva, Deus está morto.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A LINGUAGEM POLÍTICO-ECONOMÊS


Por Luciane Carvalho

A leitura do caderno econômico de determinado jornal do interior paulista frustrou-me a tentativa de prosseguir.
“O  IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) encerrou o mês de abril em alta de 0,43%, ficando acima dos 0,25% apurados em abril, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).”
Ufa, conclui o primeiro parágrafo! O texto do economista e articulista Luís Nassif tratava da variação dos preços durante um ano, entre 2011 e 2012, tendo abril por mês base.
E não apenas as escritas de economia que assustam os pobres mortais leigos no assunto. A linguagem política é outra menina dos olhos dos dificultadores do entendimento mor. Como lembra Orwell, esse tipo de escrita “destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. Dessa forma fica mais fácil a manipulação pública com meia dúzia de “embromações” de especialistas na área.
Se já é difícil a compreensão para quem tem um mínimo de conhecimento acadêmico, imagino para a dona de casa, com o estudo muitas vezes defasado das escolas públicas, mas que precisa educar e alimentar sua família com os produtos da cesta básica.
Cadê o compromisso com o princípio jornalístico de proximidade com todos os públicos dos nobres colegas? As Marias e Josés da Silva questionam se eles têm o mesmo direito à informação dos principais assuntos que movimentam as diretrizes administrativas do país. É quase uma falta de “austeridade”, que é o respeito ao próximo.
Por qual motivo os especialistas de determinadas editorias necessitam expor suas habilidades de maneira tão complexa em que seja necessária a ajuda de um dicionário?
Os índios não conheciam pão quando foram evangelizados, então os jesuítas tiveram que explicar por analogias. Assim, Jesus foi o “aipim da terra.” Não é apenas explicando as siglas que o texto se faz entendível, mas com a aproximação de uma realidade brasileira, de um povo trabalhador que faz a economia, bem como a política, circular as riquezas do nosso país. 

LUCIANE CARVALHO é estudante de Comunicação Social - Jornalismo, pela FAPEPE e também colaboradora do nosso Blog.

terça-feira, 19 de junho de 2012

INDÚSTRIA CULTURAL



Os alunos do 2º termo de Comunicação Social da FAPEPE, Bruno Lemes, Hélio Santana e Vanessa Sanches, produziram um vídeo que ilustra a Indústria cultural e o consumismo em nossa sociedade atual. O vídeo é divertido (tem alguns palavrões em seu conteúdo), e com uma linguagem acessível faz uma crítica ao fetichismo da mercadoria e a cultura do consumo. Assistam!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

"Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser..." (Feuerbach - Prefácio à segunda edição de A Essência do Cristianismo)

Caros alunos de Comunicação Social, segue o link do livro de Guy Debord - A Sociedade do Espetáculo. O texto será trabalhado no segundo bimestre na disciplina de Filosofia. Desde já, vão fazendo o fichamento de citações comentadas para ser entregue no dia da prova do final do semestre. Espero que gostem, apesar de ter sido escrito há mais de 50 anos, o texto é muito atual e faz referência direta à área de atuação profissional que vocês escolheram.
Boa Leitura!


sábado, 28 de maio de 2011

A CRIANÇA COMO SUJEITO CONSUMIDOR


Está em fase final o trabalho de conclusão de curso (TCC) da minha aluna orientanda Gabriela Paduan, do curso de Jornalismo, que tem como tema a discussão da formação da criança enquanto sujeito consumidor.
O trabalho buscou analisar a hipótese inicial de que as propagandas veiculadas nos intervalos dos programas infantis influenciam o desejo de compra das crianças, construindo-as como consumidores em potencial.

Para fundamentar suas análises e referências bibliográfica, Paduan utilizou autores de renome da Sociologia e da Comunicação, tais como Juan Dìaz Bordenave e Philippe Ariès.
Suas reflexões ainda contam com textos do jornalista Flávio Paiva, sobre a publicidade abusiva direcionada às crianças.
No final, Paduan faz uma análise sobre a programação da Rede Globo, identificando os tipos de propagandas veiculadas nos comerciais destinados ao público infantil, sobretudo no horário da TV Globinho que vem a ser o programa na qual a pesquisadora utiliza como objeto.
Com a pesquisa, Gabriela Paduan percebe que a relação que as pessoas têm com a televisão é algo adquirido ainda na infância, de modo que o aparelho tende a ser visto como parte da família. "Sabendo que a televisão é uma companhia para os telespectadores, a mídia dedica parte do seu espaço para a publicidade, como maneira de se manter financeiramente, e as propagandas por sua vez, procuram persuadir as pessoas, para que elas consumam determinados produtos", diz.
Para verificar essas hipóteses, Paduan, aplica questionários e realiza entrevistas com crianças da escola Escola Jean Piaget de Pirapozinho, e seus pais.
A defesa de seu trabalho ainda não foi marcada e o trabalho ainda passa pelas últimas revisões. Perguntado sobre o que pode ser concluído na sua observação, Paduan relata que enquanto cidadãos devemos estar atentos às publicidades e ao que rege o Código de Defesa do Consumidor, além do Conselho Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, que regularizam as publicidades destinadas à criança, para que esta seja resguardada (visto que se trata de um público com personalidade ainda em formação). 

Também, "se faz necessária maior atenção dos pais em relação meios que eles utilizam como entretenimento para os filhos, devendo escolher com mais rigor o que eles assistem na televisão, para que eles possam ter acesso a programas educativos que lhes acrescentem valores considerados positivos".
O enfoque à cultura e à leitura crítica de tudo o que a mídia lhes impõe, para que cresçam e se tornem adultos conscientes quanto aos apelos publicitários, foi a sugestão dada como desfecho ao trabalho de pesquisa.
Parabéns Gabriela, pelo esforço e dedicação.

domingo, 28 de março de 2010

QUEM É A FAMÍLIA DE HOJE?

Acho incrível como acontece a dinâmica social, como a sociedade vai se moldando, se fazendo e se desfazendo, se renovando! Dias atrás um aluno me procurou com a intenção de que eu o orientasse em sua monografia que, inicialmente, abordará a influência das telenovelas "globais" na construção de novos conceitos de família.
Achei bacana a abordagem! Parei para pensar a concepção de família de hoje e a de anos atrás... como mudou... desde as primeiras sociedades (primitivas), organizadas matriarcalmente (porque as mulheres tinham filhos de vários maridos a ponto de não ser possível identificar a paternidade), a tradicional (que chamo de "família porta-retrato" - pai, mãe e filhos), até as famílias dos dias de hoje.
Mas espere um pouco: Quem é a família de hoje? Quais são os elementos que a compõe?
Não precisa fazer nenhum estudo sociológico para percebermos a transição da "família porta-retrato" para uma família nuclear de estruturação diferenciada. 
Estamos falando, não de um, mas de vários modelos de composição familiar, como é o caso das famílias onde os pais são separados, ou a mãe decidiu fazer uma "produção independente" (não gosto deste termo), o pai cria os filhos sozinho, família com dois pais e filhos (ou duas mães), filhos criados pela avó, a família single (composta de pessoas que moram só) entre outros tantos...
O que aconteceu? É uma crise no sistema familiar tradicional? É o resultado de mudanças maléficas da sociedade?
Humm... não sei!
Na verdade não parei para tentar responder tais questionamentos, entretanto, uma coisa é fato: a estrutura familiar, assim como a própria sociedade, é dinâmica, se adapta às realidades diferentes impostas pelo sistema de organização social. 
A emancipação feminina, por exemplo, permitiu que a mulher saísse de casa para trabalhar, para tornar mais independente. Ora, a  mãe que em nossa sociedade representa a base da família. Também as condições financeiras mudaram: antes o salário do marido supria todas as necessidades da casa.
O resultado dessas transformações todas? Os filhos estão indo muito cedo para escolas, creches. Alguns pais não se dão conta de que renegam a educação informal para outros (pois sentem culpa em corrigir os filhos, uma vez que já ficam longe deles muito tempo...). 
O que fazer então? Aspirar os tempos de outrora? Não... a sociedade mudou, os problemas mudaram também.
O que nos resta então? Analisar, estudar, observar e tentar se adaptar à essas novas transformações sem renegar à outras pessoas aquilo que é responsabilidade nossa!
Clique aqui e leia uma reportagem sobre a inversão de papéis tradicionais na sociedade.

PARA APROFUNDAR - Friedrich Engels escreveu uma obra (um clássico) a respeito desse assunto. Trata-se do livro A ORIGEM DA FAMÍLIA, DA PROPRIEDADE PRIVADA E DO ESTADO. Logo nos primeiros capítulos, o autor traça um retrato da família desde o seu surgimento. Clique no link e leia a obra.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ONDE MORA O PAPAI NOEL?



Final de ano, festas, Natal, Ano Novo... que época boa não é mesmo!
Das poucas lembranças que tenho da minha infância a respeito dessa época, a imagem que fica latente em minha mente é a da unidade da família. O povo reunia por dias na casa da vó. Ali revíamos os parentes que há muito não víamos, conversávamos, (nós, os primos, brincávamos e mais nada).
Lembro-me do "forró" no quintal noite adentro... isso pra não falar da comilança! Tinha toda uma magia em torno do final de ano (que demorava um ano inteiro pra chegar).
Era gostoso receber cartão dos tios de longe e colocar na árvore de natal...
Pois é! Alegria mesmo era esperar o Bom Velhinho, pegar no sono e acordar no outro dia decepcionado de não tê-lo visto, mas contente com o presente - que nem sempre (no meu caso, nunca) era o que havíamos pedido.
É caros amigos, os tempos mudaram! Longe de mim tecer um discurso saudosista sobre as festas de final de ano, porém, não dá para não notar as transformações a que nossa sociedade vem sendo submetida.
Os dias, hoje em dia, têm passado mais rápido. Será que as horas estão com defeito? Acho que não...
Nossa percepção do tempo e das atividades diárias mudaram radicalmente.
Da mesma forma, mudaram também nossas posturas diante das relações sociais e convivência familiar. E o final de ano não passou incólume à essas tranformações.
Vejam que engraçado. Fui brincar de amigo secreto numa confraternização e, antes, correu uma lista de "qual presente você quer ganhar?" (acabei ganhando o presente que pedi...). Achei meio sem magia, sem encantamento. É como se eu comprasse o meu próprio presente e a surpresa fosse apenas a cor e quem me tirou.
Antes fazíamos um "junta panela" na ceia, hoje, "buffet de Natal".
Parei mesmo para refletir sobre esta fase que estamos passando quando minha filha (um ano e sete meses) me respondeu com seu pouco vocabulário onde mora o Papai Noel: "No shop papi, no shop".
Fica, a partir dessas lembranças, um convite a todos a relembrar os momentos vivenciados nos Natais passados e reavaliar os valores que estamos criando e seguindo agora. Por que não aproveitar a oportunidade para voltarmos às nossas raízes? À nossa família?
Não devemos querer voltar no tempo, pois como falei, os tempos são outros, contudo se faz necessário repensar o presente com base no passado para que possamos criar um futuro menos traumático, mais acertivo...
Quem sabe assim, podemos melhor acomodar o Papai Noel entre tantas lojas e escadas rolantes!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

É "DELIVERY" ESPONTÂNEA VONTADE???

UMA CRÔNICA...


Tá com algum problema? Disque soluções e não precisa nem sair de casa!
A onda agora é pedir, comprar, vender, anunciar, rezar, conversar, namorar e, acreditem senhores, até fazer sexo on line. Tá ligado?
É a modernidade que bate à nossa porta. É a praticidade que nos vem servida de
bandeja.
Chique não? Vejam. Percebam. Atentem para isso! Que tipo de seres estamos nos tornando?
Disque pizza, disque vídeo (disque “programa de índio” para o sábado à noite), disque gás, água, disque confissão (oh, não!). Disque compras, disque vendas, disque aulas, disque sexo, namoro, amizade. Disque todo tipo de ajuda, disque narcótico, disque neurótico, disque tudo.
Não precisamos mais sair de casa. Aliás, não precisamos sequer nos levantar do
sofá, se assim preferirmos, pois o controle remoto (ou remoto controle?), nos serve o “que queremos ver”, para que não precisemos nos desgastar com o percurso do sofá até a TV.
Casamento grego talvez fosse uma boa definição para explicar esse relacionamento entre o TRADICIONAL e a PÓS-MODERNIDADE, cujos filhos já estão sendo gerados: o condicionamento, a impessoalidade, o ostracismo, o sedentarismo e, não por menos, a queridinha praticidade.
Tudo o que queremos temos! Basta um simples discar ou clicar e, como que num passe de mágica, o mundo estará ao nosso dispor. Disponha!
Mas será que verdadeiramente temos o que queremos?
Com a tal praticidade, acho que acabamos por engolir sem mastigar, aceitando sem questionar, sei lá...
Só sei que às vezes dá saudades de sentar num banco de praça, rir, conversar de verdade, ler um bom livro, olhar os olhares de pessoas que são reais – sem os megapixels para incomodar. Sentir, tocar, cheirar... A vida não está restrita a um conjunto de teclas! Também existe vida inteligente fora do computador – embora nem sempre tal vida inteligente seja a que opera o computador.
A vida é muito mais que um simples “click”, que um simples “disk”!
Precisamos acordar! Fazer da praticidade uma aliada para ganhar mais tempo com nossos filhos (e saber o que eles andam fazendo na escola). Fazer da praticidade nossa aliada para reconquistar nossas esposas e relembrar que são nossas eternas namoradas.
Fazer da praticidade nossa aliada para rever os velhos amigos (aqueles que deixamos para trás enquanto nossa rotina nos sufoca) e, principalmente, fazer da praticidade nossa aliada para redescobrir a pessoa maravilhosa e tão desconhecida (por falta de tempo bem gasto) que somos NÓS!



Publicado originalmente na coluna 2ª página, do  JORNAL DE ASSIS (JA) de 22 de maio de 2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

BOI SONSO!


Até aonde pode chegar a ganância dos homens???
Esses dias estava lendo um artigo sobre o desmatamento da Amazônia e resolvi entrar na internet para pesquisar um pouco mais a respeito do tema. Que o homem está, cada vez mais, se destruindo, isto não é novidade para ninguém, o que tem me assustado é a passividade com que estamos aceitando as agressões, não só ao meio natural, mas também nas relações sociais.
Enfim. Como protesto e indignação, segue abaixo a crônica de uma adolescente de 14 anos, ganhadora de um concurso de redação em Joinville. Ela se inspirou exatamente na letra de nosso Hino Nacional para redigir um texto, que demonstra que nós (principalmente nós brasileiros) precisamos perceber o verdadeiro sentido de patriotismo.




'Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil chorar: O que houve, meu Brasil brasileiro? Perguntei-lhe! E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas:
Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo... Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.
Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim.
Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado. Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais... Quem nos devolverá agrandeza que a Pátria nos traz?
Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.'

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ANTIGO, MAS ATUAL


Infelismente, não tivemos tempo para assistir um clássico como Tempos Modernos - de Charles Chaplin... A nossa intenção era fazer uma análise das teorias de Karl Marx, ilustradas pela preciosíssima obra deste dramaturgo.
Ao contrário do que tenho percebido, há em torno desta e de outras obras deste gênero, um preconceito muito grande. Quando aviso que vamos assistir Chaplin, sempre ouço um ou outro comentário "Ai, ninguém merece assistir filme preto e branco e ainda por cima mudo", "O que é que tem a ver assistir filme de comédia dentro da disciplina de Sociologia", e outros comentários mais.
Confesso que dá vontade de justificar e explicar os "porquês", mas deixo que o próprio filme fale por si próprio. No final percebo que as pessoas se emocionam com a riqueza, com a beleza e, sobretudo com a crítica contida nesta obra.
Enfim, gostaria de, mais uma vez, recomendá-lo a todos que ainda não tiveram a oportunidade de ver... Junte a turma na sala (é um ótimo filme para assistir com a família) Pipoca é im prescindível (rs) e boa sessão.
Ao lado, algumas outras sugestões de filmes do Chales Chaplin.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O FUTURO COMEÇA AGORA




Quem nunca parou um instante sequer e planejou o seu futuro? Esta é uma característica inerente ao ser humano: projetar-se no mundo. Também, quando planejamos, muitas vezes não temos a imaginação de pensar como será nossa vida diante das evoluções tecnológicas. Claro que a indústria cinematográfica cumpre esse papel por nós, é só olhar as diversas obras de ficção que trabalha com o imaginário futurista do público em geral: desde a dominação da Terra por alienígenas, passando pela desolação ambiental do planeta, até a convivência rotineira com andróides e nanotecnologias implantadas nas casas, nos carros, nas roupas e até no próprio corpo.
O avanço das tecnologias em nossa sociedade, de modo geral, tem causado questionamento, no mínimo paradoxal. Ao mesmo tempo é uma conquista dos cientistas que auxilia na cura de doenças, acessibilidade para portadores de deficiências (como as próteses, por exemplo), e outros recursos que vêm tornar ainda mais prática nossa rotina diária, mas, tem se tornado (muitas vezes) uma arma contra o próprio homem, tornando-o seu escravo, causando desemprego, afastando as pessoas dos relacionamentos sociais, impactos ambientais, cobiça etc. O que fazer diante dessa situação? Pode uma sociedade viver sem as tecnologias? Devemos abrir mão dos avanços tecnológicos? O podemos fazer para minimizar os impactos negativos da influência tecnológica em nossas vidas? Enfim... alguns questionamentos! Abaixo um texto para nos auxiliar a pensar estas e outras questões. Pensar a Sociedade atual sem esquecer do amanhã 01/04/2009 - 15:40 - Agência Estado - Por Bruno Galo e Juliana Rocha São Paulo
William Gibson, autor do clássico "Neuromancer", que fundou o gênero cyberpunk, sempre esteve atento às mudanças em nosso mundo. Ele notou - não por acaso em uma entrevista dada em 1999 - que o futuro havia chegado. "Apenas não está igualmente distribuído". Enquanto a distribuição à qual ele se refere continua em processo dez anos após sua declaração, Gibson leva à excelência o papel da ficção científica de tornar inteligível não só o futuro, mas, especialmente, o presente.
Em seu último livro, "Spook Country", ele imagina um mundo onde uma nova arte mistura o real e o virtual e reflete sobre a disseminação das tecnologias sem fio. Familiar? "Especular sobre a realidade é sempre desafiador, pois o cotidiano nos arrasta para formas fixas de pensamento", afirmou o escritor e pesquisador de ficção científica Roberto Causo. "Embora desde a chegada do homem à Lua se diga que a ficção científica morreu, ela não é definida pelas novidades tecnológicas. Onde houver criatividade pujante, haverá ficção.
Além de servir como paródia ou metáfora da realidade humana e seu desenrolar possível, a ficção científica também tem a nobre função de inspirar. "É muitas vezes ela quem mostra os caminhos para a ciência seguir", disse a pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas Raquel Recuero. FUTURO APOCALÍPTICO? - Coincidência ou não, o fato é que o filósofo e pensador do futuro tecnológico da humanidade Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, trabalha com a possibilidade de um dia criarmos máquinas que tenham consciência.
Perguntado sobre a ameaça que máquinas inteligentes representariam, ele afirmou que "quando e se isso acontecer, existirá um grande risco inerente para os humanos. Tudo dependerá da nossa habilidade em conceber as sementes da inteligência artificial de tal forma que elas permaneçam favoráveis aos nossos interesses". Bostrom se alinha a uma corrente de gurus que prega o aperfeiçoamento humano através da tecnologia. Kurzweil é até mais radical do que Bostrom. Ele defende que no futuro remédios serão compostos por espécies de robôs inteligentes capazes de reparar o DNA, impedir o processo de envelhecimento e até copiar a memória de uma pessoa para um outro suporte.Assim, caso haja um acidente com o nosso corpo, por exemplo, teríamos um "back-up" e viveríamos em um corpo robótico, uma simulação ou saiba lá que outra alternativa, para sempre. (Texto adaptado).

“O homem vive no meio da multidão, mas não convive com ninguém”.




Uma das grandes contradições da nossa sociedade contemporânea se dá pelo fato de que o homem tem desenvolvido alta capacidade no que diz respeito às tecnologias e aos meios de comunicação, em contrapartida, tem gerado uma tendência muito forte ao isolamento, ao “ostracismo”, empobrecendo, portanto, os contatos sociais. Esse paradoxo é analisado por Delfim Soares, no trecho selecionado a seguir.


“O convívio humano que resulta de contatos primários é a característica dominante das sociedades pouco industrializadas, das zonas rurais ou de pequenos grupos sociais. A industrialização e a urbanização estabeleceram um modo de vida no qual o contato primário, interpessoal, foi reduzido, favorecendo a generalização dos contatos secundários e das relações impessoais. Observa-se, assim, uma tendência inversa entre a formação de grandes aglomerados populacionais e o convívio humano. A instauração da sociedade de consumo e da sociedade de massa se constitui num marco decisivo para o surgimento de um ser humano massificado. Nesse modelo social, o ser humano deixa de ser considerado pessoa e passa a ser encarado como máquina devoradora de produtos, idéias ou mercadorias. [...] Na sociedade pós-industrial, o contato em geral entre as pessoas é apenas físico; o significado das interações sociais fica reduzido a seus papéis sociais formais e suas funções profissionais. À medida que os contatos meramente formais se generalizam, expande-se o anonimato. O homem vive no meio da multidão, mas não convive com ninguém, como pessoa; a multidão nas ruas, o congestionamento no trânsito, a moradia em apartamentos superpostos, as turbas nos estádios esportivos e os enxames humanos nas praias são manifestações sociais frequentes. Nelas, raramente se verifica convívio humano. [...] Os indivíduos não se encaram mais como pessoas, mas como objetos. Nesse contexto, cresce a sensação de solidão”.

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