
Até quando, eu me pergunto???
"Ou aprendemos a viver juntos como irmãos, ou morreremos todos juntos como idiotas" - Martin Luther King

Ser um jornalista, escolher essa profissão glamourosa e perigosa é fácil, principalmente porque muitos pensam que essa graduação, se resume em ir a faculdade e falar em frente a câmera. Será que é só isso a preparação profissional desse formador de opinião?
Se na época medieval a questão de Deus era o ponto central, na era moderna
ocorre uma transição, uma passagem da visão cristã de Deus para uma nova
percepção do mundo e do homem, não mais como um ser criado por Deus, mas um ser
dono de si que a tudo investiga com a razão e a experimentação. O Renascimento,
que definiu o início da modernidade, foi marcado pelo uso da razão, pela negação
da visão medieval e pelo surgimento de um novo Deus: a ciência. A modernidade
conseguiu dessacralizar o mundo e não deu ao homem nada em troca, a não ser a
crueza de uma vida sem encantos. O que morreu na modernidade foi a dimensão
mítica e divina que sempre acompanhou todas as grandes culturas. Na era moderna
essa dimensão se esvaiu em nossas investigações filosóficas e científicas.
Como a gastronomia não é uma forma canônica de arte – e há quem diga que se trata de uma não-arte, pois não tem um objeto próprio – muitas vezes nos contentamos com a sua crítica mais elementar: o analista nos diz, diante de um prato, “gosto” ou “não gosto”.
Quando morreu, Ferran Adrià escreveu em seu elogio fúnebre: “ Montalbán é importante porque foi a pessoa que tornou possível que a cozinha tradicional e a contemporânea convivessem sem problemas neste país. Foi autor de livros importantes sobre cozinha tradicional, mas era também um amante da cozinha de vanguarda e nunca se referiu a elas como se fossem mundos contrapostos {...}. Sobre El Bulli, Vázquez Montalbán foi a primeira pessoa que falou do que estávamos fazendo qualificando-o de “cozinha de investigação”. O disse há oito ou dez anos, quando as pessoas ainda não sabiam como qualificar o que fazíamos no restaurante. Era admirável, já que não só em cozinha, mas em tudo, tinha uma grande capacidade de análise e de antecipar-se ao futuro”.
Outra figura de destaque da crítica é Rafael Garcia Santos, embora este se concentre mais na crítica de restaurantes. Ele não é exatamente querido, como Montalbán. Talvez seja mais odiado do que qualquer outra coisa. Seu método partisan consiste em separar o joio do trigo: quem não faz a moderna cozinha espanhola simplesmente não presta! Ele segue uma espécie de decálogo da cozinha moderna, que ele mesmo sintetizou. Como, decadas antes, Gault-Millau havia feito para a nouvelle cuisine. Apesar disso, é inegável que Garcia Santos funcionou como parteiro de um novo ambiente gastronômico na Espanha.