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terça-feira, 9 de maio de 2017

MAIS UM PARA A COLEÇÃO

Por Amanda Manequini

A impunidade corrói a democracia e deixa um rastro de insegurança na sociedade. A concessão de habeas corpus, dada ao goleiro Bruno Fernandes, acusado no assassinato de Eliza Samudio, virou alvo do debate sobre a funcionalidade da democracia brasileira.

Tecnicamente falando, o regime semiaberto, ao qual ele está submetido atualmente, está preceituado na legislação. Contudo, se levarmos em conta que o tempo para progressão de seu julgamento foi exaurido, percebemos quão desamparada está a justiça. Mesmo com todo o holofote midiático voltado para o envolvimento do ex-goleiro do Flamengo no crime, o Estado não conseguiu apresentar uma decisão num tempo razoável.

A polêmica soltura foi assinada pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que assinou também a liberação de Suzane Von Richthofen (condenada por matar os pais), o que contribuiu mais ainda na discussão. 
Além de uma justiça eficiente, esperava-se que o time, que atualmente está contratando o goleiro, se mostrasse preocupado com sua situação docondenado. Enquanto isso, a família da ex-modelo, observou a declaração do novo goleiro do Boa Esporte. Nela, Bruno disse friamente que uma prisão perpétua não traria a vítima de volta. 
Resta à sociedade mostrar seu inconformismo, e ao Estado, o papel de estimular a denúncia de casos de violência física e psicológica contra a mulher, para que não surjam casos parecidos. A proporção que o fato tomou deveria servir de estímulo e não como mais um exemplo de impunidade para nossa coleção.

AMANDA MANEQUINI é estudante da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Cooperativo de Presidente Prudente e também colaboradora do nosso Blog.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SUGESTÃO DE FILME

Esta semana, ao preparar um bate-papo com os alunos de Enfermagem que vão prestar a prova do ENADE, e meus alunos do Ensino Médio que vão prestar o ENEM, conversamos sobre consumo e consumismo. De toda a reflexão que fizemos, gostaria de deixar (abaixo) algumas sugestões de filmes e documentários que possam ajudá-los a refletir sobre o tema e pensar sobre nossa postura em sociedade.
BOM DIVERTIMENTO!

A HISTÓRIA DAS COISAS
A História das coisas - De maneira simples, a animação conta a verdadeira história da produção, uso e descarte dos bens que consumimos.

SUPER SIZE ME: A DIETA DO PALHAÇO
O divertido e informativo documentário, conta a história de um aventureiro que decide, por 30 dias, só se alimentar de McDonald's. No decorrer do documentário, especialistas da área da saúde vão fornecendo dados que preocupam os países desenvolvidos: a obesidade, por exemplo. Vale a pena assistir.

CRIANÇA: A ALMA DO NEGÓCIO
O documentários produzido pelo Instituto ALANA, trata de um assunto muito importante para a nossa sociedade: o consumo voltado ao público infantil. Será que a criança é influenciada a comprar? Como a criança pode se defender de propagandas abusivas? A criança já é vista como um consumidor? Como funciona a regulação da propaganda voltada a este público? Esta e outras questões são discutidas neste documentário.


TARJA BRANCA

Brincadeira é coisa séria e não é só assunto de criança. É fazer o que se gosta, valorizar o prazer pessoal, colorir os dias. Vivemos em busca da felicidade, mas será que estamos procurando no lugar certo? Com José Simão, Antonio Nóbrega, Wandi Doratiotto e outras personalidades.


Resolvi (re)postar um vídeo que está circulando pelas redes sociais. O que será que aconteceria se juntássemos num mesmo lugar um filósofo, um ateu, um pastor protestante, um agnóstico e um católico, para discutirem sobre fé e religião?
Muitos entre nós aderem à ideia de que RELIGIÃO, futebol e política não se discutem... Seria talvez por medo de descobrir algo de suas convicções que não faz sentido? Ou por medo de se deparar com uma realidade dura e cruel? Ou ainda por medo de enfrentar suas próprias sombras do passado? Acontece que o Prof. e Filósofo Luiz Pondé neste vídeo, faz exatamente isso. Vamos ver o resultado?

terça-feira, 8 de março de 2016

SENTIDOS

"Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro", diz a sabedoria popular. Eu posso dizer que tenho alguns tesouros que estão espalhados por esse mundão de meu Deus (nem sempre a vida nos faz ficar perto daqueles que amamos). Hoje, mexendo nos meus arquivos publicados, me deparei com um poema filosófico escrito pelo meu amigo  e filósofo Alessandro (o San) e que publiquei no blog em 2010. Bateu a saudade... Então resolvi republicá-lo. E viva a amizade! 

Por Alessandro Pascoal de Brito



Escondeu a sua perfeição em formas tão simples, desprovida de qualquer cuidado e atenção. Não que não mereçam maior atenção, mas por sua simplicidade e fragilidade quase não são notadas. Os olhos se encantam mais com o extraordinário, com o espetáculo e com o brilho. Aos poucos os sentidos nos educam, na busca do bem e do belo. Eles foram atrofiando-se na nossa dura sensação de certeza. A certeza e a dúvida são sentimentos que dão aos sentidos movimento de segurança e insegurança, passos firmes e pernas bambas. O que resta, então, senão bradar a todos: "Ouçam, vocês estão voltando a vossa atenção ao que passa e deixando o que não passa! Cuidado! Um pouco mais de Atenção! A vida precisa de vocês, vocês que estão perdendo o sentido dos seus sentidos!


ALESSANDRO PASCOAL DE BRITO é filósofo e professor de Filosofia e colaborou com esta postagem em nosso blog.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DEVEMOS TOLERAR O INTOLERANTE?


Por Julio César Gonçalves

Sem sombra de dúvida, um dos assuntos mais disseminados pela mídia brasileira hoje, diz respeito, direta ou indiretamente, à intolerância, seja racial, homoafetiva, ideológica, religiosa ou de outras ordens, seguido pelo tema da ética e do preconceito.
Apesar da semelhança conceitual comumente adotada, intolerância e preconceito se distinguem, embora não se excluam. O preconceito leva à intolerância e esta, à discriminação.
Preconceito é ter uma ideia a respeito de algo, antes de conhecê-lo a fundo e, a partir daí estabelecer um juízo de valor. Os preconceitos surgem quando se leva em consideração uma especificidade como sendo a totalidade da realidade, generalizando. Também aparecem cristalizados em frases prontas muito presentes nas conversas informais e ditados populares, como por exemplo, “toda loira é burra”, “mulher no volante, perigo constante”, “todo português é burro”, “baiano é preguiçoso”, “gaúcho é gay” etc.

Intolerar (não tolerar) se caracteriza pela atitude de não admitir, não respeitar
opiniões diferentes de suas próprias, no âmbito social, religioso ou político, sem considerar o outro lado, que as contestam. Desse modo, a intolerância se manifesta sempre que alguém crê em um único ponto de vista ou forma de se fazer algo, antipatizando e hostilizando (discriminação e violência) àqueles que pensam ou defendem outras visões de mundo.
O que fazer, por exemplo, diante da presença de pessoas intolerantes? O que eu tenho percebido muito é uma reação intolerante diante de atitudes também intolerantes. Uma espécie de intolerância à intolerância. O problema se agrava ainda mais, pois se trata de uma “meta-reação-intolerante”, isto é, seria muito próximo do que tentar resolver os problemas de guerra com guerra e gritar para não ficar rouco.
Além de ilógica, violenta e egoísta, tais atitudes nada mais expressam do que a alma da nossa sociedade atual, incapaz de empatia, incapaz de profundidade nas relações, incapaz de compaixão.
Olho por olho e o mundo acabará cego... (Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O NOIVO JÁ PODE BEIJAR SUAS NOIVAS


Esta semana que passou o portal Terra Notícias publicou uma reportagem sobre o registro em cartório da união entre um homem e duas mulheres como união estável. Pronto! Está instaurada a polêmica! Para que possamos melhor entender o fato, peço licença aos leitores para publicar na íntegra o texto do Terra.
Segue.

Poliamor em terras brasileiras: homem e 2 mulheres registram em cartório união a 3

O heterossexual Klinger de Souza, de 31 anos, e as bissexuais Paula Gracielly, 31, e Angélica Tedesco, 24, vivem um incomum relacionamento a três e conseguiram registrar a união poliafetiva em cartório, em Jundiaí (SP), onde moram.
Esta seria a terceira vez que um casamento a três é registrado em cartório no Brasil, nos moldes da União Estável. Mais para frente, eles querem também oficializar o casamento formal, assim como já fazem culturalmente os demais casais formados apenas por um homem e uma mulher e estão reivindicando os casais homossexuais. “Elas de noiva e eu de smoking, com festa e tudo mais”, planeja Klinger.
Os três são mato-grossenses, mas vivem em Jundiaí, onde garantem que levam vida normal, trabalham, passeiam e também pensam em ter um filho, gerado na barriga de "Paulinha", dentro de cerca de 2 anos.
 Além do filho, outro projeto do "trisal" é escrever um livro mais amplo sobre esta forma de se relacionar que ainda assusta, mas que eles garantem ser possível, natural, ética, verdadeira, honesta e amorosa. Trata-se do poliamor.
O reconhecimento em cartório deste romance atípico é importante, segundo eles, não somente em relação à divisão de patrimônio, mas também para que não sejam excluídos dos direitos civis, como outros cidadãos quaisquer. Além disso, eles já pensam também no registro do filho, que querem que seja feito em nome dos três: um pai e duas mães.
Para fazer o registro da união em cartório, Klinger explicou ao portal iG que declarou em texto escrito de próprio punho, com dados de pessoa física dos três, que vive junto com Paula e Angélica. Os três assinaram o documento, que precisou ser validado por duas testemunhas. Após as assinaturas, tudo acontece com o tempo de reconhecimento de firma que gira em torno de 30 minutos em qualquer cartório.
Se algum dos três resolver sair do relacionamento, terá o direito a 33% do patrimônio. Para Klinger, o mundo mudou e muita gente ainda fica assustada com essa forma de se relacionar. Mas a diversidade dos tipos de família é fato irreversível.
Fonte: noticias.terra.com.br

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SUICÍDIO


Por Patrícia Castilho

O suicídio veicula o desejo de uma pessoa em escapar, ou terminar com seu sofrimento. Também, por outro lado, o desejo em comunicar o seu sofrimento aos outros - um pedido, as vezes, de ajuda. Além disso, cada pessoa tem seus próprios motivos muito particulares, profundos e extremamente dolorosos que o levam a ponderar desistir de viver.

A maioria das pessoas que pensam, tentam ou cometeram o suicídio, escolheriam outra forma de solucionar seus problemas e conflitos, se não se encontrassem em "tal angústia" que as incapacitam de avaliarem as suas opções objetivamente.
A sua intenção é para a sua imensurável dor psicológica e não por fim a sua vida. Querem simplesmente "fugir" da dura realidade e tensões que não conseguem lidar, onde não percebem mais solução possível, nem perspectiva de melhora ou mudança no futuro.
Devemos sempre estar atentos aos nossos sentimentos, emoções e sensações. E também observar as pessoas ao nosso redor.


PATRÍCIA CASTILHO é psicóloga e técnica de enfermagem. Também colabora com nosso blog.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA...

Mensagem encontrada no bolso de um judeu cuja cidadania e cuja dignidade foram violadas gravemente no período nazista: "Prezado Professor. Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação. 
Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e aritmética só são importantes para fazer nossas crianças mais humanas". 
Para Fensterseifer, tudo indica que esse sujeito tenha presenciado a atuação de pessoas que, com sucesso, passaram por um processo formativo. “Bons alunos” que se transformaram em “especialistas idiotizados”. Quem sabe bons pais de família que cumpriam suas funções religiosas dominicais e, acima de tudo, funcionários exemplares que executavam assassinatos cuidadosamente planejados.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ALZHEIMER


Por Fernando Luiz Teixeira

Números expressivos oferecidos pelo IBGE, no último censo, atestam que a população brasileira está envelhecendo. Sublinham que, ao contrário de décadas anteriores, cada vez mais homens e mulheres têm chegado aos setenta, oitenta anos. As porcentagens mostram-se louváveis. Preocupante mesmo são as condições para atender a esse segmento. Volta e meia, a infraestrutura das metrópoles mais exclui que inclui. O descaso predomina nas ruas. Índices de violência doméstica também saltam aos olhos. E os asilos se tornam espaços privilegiados para que filhos e netos possam, enfim, esquecê-los. Entre os impasses enfrentados, talvez o maior ainda seja a insensibilidade. Há um punhado de piadas que tripudiam os dilemas vivenciados na senectude. A sexualidade quase sempre é abordada a partir de um tom de deboche. Isso sem contar que parte expressiva dos jovens parece menosprezar a capacidade intelectual  do idoso. Por pressa ou pura intolerância, demonstram pouca paciência e atropelam seu tempo para desenvolver certas atividades. Tempo esse que se encontra comprometido em razão das limitações do organismo impostas pela própria idade. 
Os problemas tomam proporções bem mais sérias quando o idoso, pelo fato de não ter conseguido garantir certa estabilidade durante a juventude, se vê à mercê dos familiares. Para se manter, precisa ainda exercer alguma atividade remunerada. O mercado de trabalho, no entanto, ocupa-se em deixar profissionais mais experientes de lado. São praticamente escassas as possibilidades de emprego para aqueles com mais de cinquenta anos.
Lamentáveis são também os casos em que muitos parentes se apropriam da aposentadoria de pais e avós para o benefício próprio. A fim de contornar esse impasse, os atuais processos de interdição revelam-se bastante criteriosos. Ao final de cada ano, devem-se reunir os comprovantes dos gastos do aposentado e encaminhá-los ao advogado para prestação de contas. Tal prática poderá assegurar ao idoso que o dinheiro seja direcionado às suas necessidades básicas, como alimentação, vestuário, higiene e saúde. 
Contudo, o que se vê com certa regularidade é o abandono. Na luta pela sobrevivência, grande parte dos filhos se dedica às carreiras promissoras. E deixam para trás aqueles que mais torceram por eles. Precisam garantir o sustento e a realização profissional. Não há mais tempo para conversa fiada. Vá ver televisão, tiozinho! Meu Deus! O senhor emporcalhou toda a mesa de jantar! Tenho mais o que fazer! Não posso ficar limpando isso toda hora! Ai, não! Gripado de novo! Logo agora!
Sabe-se que o idoso apresenta uma série de problemas que corroboram sua fragilidade biológica. Encontra-se menos protegido contra doenças físicas e psíquicas. Sua visão mostra-se, gradativamente, comprometida. A capacidade de ouvir também. O paladar e o olfato sofrem alterações. O raciocínio apresenta-se mais lento. E a certeza da morte iminente traz quadros depressivos e angustiantes. É o momento de avaliar a própria vida, as escolhas feitas durante a travessia, os momentos em que, muitas vezes, se anulou para satisfazer a vontade alheia. Talvez o maior exemplo acerca das dificuldades de superar todos esses percalços, eu tenha encontrado na minha própria casa. 
Sou professor universitário e cuido, há cinco anos, de minha mãe. Ela chegou aos setenta anos e foi diagnosticada, ainda sem total precisão, com Alzheimer. De lá pra cá, muita coisa mudou na minha casa e, consequentemente, na minha vida. A gente mal fazia ideia de que sua “mania de limpeza”, de que o fato de lavar as mãos cinco, seis, sete vezes, revelar-se-ia mais tarde como o início de um caminho de muito sofrimento.
E a partir daquele momento, eu acompanhei uma transformação nada fácil para qualquer filho. Ela pouco a pouco se anularia, apagaria muita coisa da memória e se transformaria em uma pessoa diferente e distante. O amor permanece, mas permeado de saudade por tudo aquilo que ela havia sido. As mudanças chamam a atenção. Primeiro, o portador de Alzheimer se esquece de palavras que utilizava no cotidiano, como “leite”, “laranja”, “costura”. Os lapsos se tornam constantes. Outras vezes, trocam verbos. Aí é comum ouvi-los dizer que “comiam” um cafezinho ou “bebiam” um gostoso prato de arroz e feijão. E quando tomam consciência de que não conseguem se comunicar direito, sentem-se envergonhados, acuados, e preferem se isolar. Assim, é comum, em festas de família, vê-los correr para um canto ou outro. O silêncio parece menos doloroso. O ato de ter de interagir com o outro se torna um grande peso, um fardo muito difícil de carregar.
A escrita sofre oscilações. A leitura e os cálculos matemáticos também. E pouco a pouco são apagadas informações básicas como o nome do país onde mora, a novela preferida ou a canção que mais agradava.
Mas ainda assim, as características do que foram no passado se mantêm. Por isso é comum vê-los perguntar dos filhos, embora não mais se recordem do nome de nenhum um deles. Recebem os netinhos com um abraço forte e apertado. Fazem questão de presentear um e outro com um mimo qualquer. E vez por outra aquecem a cabeça no nosso colo e nos agradecem por não ter saído naquela noite chuvosa.
Entretanto, nem tudo é um mar de rosas. E nem um poema apaixonado. Com o passar dos anos, a dependência aumenta, a coordenação motora não é mais a mesma. Intensificam-se as dificuldades de trocar de roupa. Requer ajuda no banho. Levantam-se nas madrugadas. Atiram comida na parede. Fingem ter ingerido o remédio e o escondem debaixo da cama. Choram com medo de ir ao médico. E os cuidadores, às vezes, ficam irritados. Mostram-se hostis. Deitam-se magoados. Não com as pessoas cuidadas, mas com a vida e os rumos desconcertantes das tristes histórias que estão testemunhando e que, por mais que não queiram enxergar, sabem como terminam. Dos familiares mais espirituosos que conheço sempre garantiram que logo conseguem se recompor. Voltam, à noite, para cobrir os avós, e se reconfortam com a oportunidade de tê-los ao lado, de poder ajudá-los, de tentar fazer algo de bom – mesmo em meio a tantos tropeços e falta de informação.
E as tentativas para reverter o quadro são muitas. Aqui em casa nos dividimos e nos desdobramos para oferecer uma boa qualidade de vida pra mãe. Caminhadas, conversas diárias, estímulos para enumerar as coisas (ufa! ontem contamos até trinta!)... Vale tudo! 
Decerto muitos leitores se identificaram um pouco com isso. Sabem que, embora persista um discurso virtuoso a respeito da melhor idade, a realidade, na maioria das vezes, revela-se bastante ingrata. A rigor, é importante que o cuidador esteja sempre presente para que o idoso não seja ignorado em lojas, feiras ou consultórios. 
Possivelmente a raiz de todos esses transtornos esteja ainda no preconceito. E o preconceito, via de regra, reflete a ignorância, a concepção de que a velhice é um período infértil e improdutivo. Talvez a resposta mais apropriada para tal questão possa ser encontrada nos estudos do geriatra Luis Eugênio Garcez Leme. Para ele, a melhor forma de combate ao preconceito é o exercício sistemático do RESPEITO. Exercício esse que efetiva por meio da atenção, do trato individualizado, da capacidade de ouvir o outro e, sobretudo, de partilhar suas experiências, seus conselhos, suas histórias. Enfim, suas vidas!  


FERNANDO TEIXEIRA LUIZ é pós-doutorando em Literatura Comparada e Identidades Culturais, Doutor em Letras, Mestre em Educação, Pedagogo e colaborador do nosso blog.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

DICAS PARA UM BOM ESTUDO - parte III


Por Julio César Gonçalves

Boa parte das assessorias educacionais que presto, percebo uma dificuldade muito grande na organização do tempo para a efetivação das tarefas. Às vezes tarefas simples deixam de ser realizadas pelo mal aproveitamento do tempo. Sei que receitas prontas muitas vezes não ajudam, mas quando a situação é muito complicada, podem sim dar uma mãozinha.
Conheci esse método há alguns anos quando precisava lutar contra mim mesmo e as distrações que criava para terminar o TCC na graduação. Foi o que me salvou! Com ele consegui focar mais na pesquisa e deixar para segundo plano o que era de segundo plano. Hoje ela não me é mais válida, mas não posso negar sua utilidade.
Bom, sem mais delongas, segue o método conhecido como "Pomodoro".

POMODORO

O método Pomodoro de Gerenciamento do Tempo (baixe o livro com o método completo) surgiu no início da década de 1990 com o intuito de auxiliar na execução de tarefas no decorrer do dia, a partir da seleção prévia e o estabelecimento de prioridades. Então, divide-se o tempo total para realizá-las em porções de 25 minutos para ações e intervalos de 5 minutos de pausa (geralmente marcados por um timer de cozinha - muitos, no formato de um tomate que em italiano se diz "pomodoro", explicando o nome do método).
Os pontos fortes dessa técnica, segundo o meu ponto de vista, é a organização de uma lista com as tarefas a serem executadas durante o período de tempo que se dispõe. Muitas pessoas perdem muito tempo por não planejar suas ações, ou pior, se vê desesperado para cumprir tarefas importantes num curto espaço de tempo, porque não estabeleceu prioridades. Outro ponto essencial está em estabelecer uma meta temporal para realizá-las; esse é um fator motivacional imprtante. Talvez 25 minutos não seja o tempo ideal (e aqui está minha crítica a esse método que fixa períodos de tempo uniformes), pode ser que seja necessário a adaptação temporal à cada atividade a ser desenvolvida. O tempo do descanso também é importante. Às vezes na ânsia de terminar logo a atividade, abrimos mão das pausas e intervalos. Estes são necessários, inclusive para a oxigenação do cérebro e o aumento da concentração. Quando damos pausas entre os períodos de realização das tarefas, estamos emitindo uma mensagem ao nosso cérebro de que "quando eu voltar, preciso estar concentrado". 

INDICAÇÃO: Sugiro para quem precisa estudar, mas tem muita dificuldade em se concentrar nos estudos. Essa divisão do tempo se faz necessária e ir aumentando gradativamente conforme a prática, auxilia a aumentar também a quantidade de tempo em que se fica concentrado na leitura.
Bons Estudos!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

NADA DO QUE FOI SERÁ IGUAL OU DO JEITO QUE JÁ FOI UM DIA


Por Julio César Gonçalves

Estamos vivendo uma crise na ética atualmente. O que isso significa? Significa que nossa sociedade vem passando por transformações em seu arcabouço moral, de modo que muitas mudanças podem ser percebidas e sentidas diariamente.
Nossos valores estão se transformando e, por consequência, causando tal sensação. O que era, não é mais (ou está deixando de sê-lo) e, substituído por novos valores que ainda não foram assimilados. Completamente pela sociedade.
Estamos no meio dessas mudanças. Exatamente no meio... O passado ainda não passou completamente e o futuro ja chegou, porém, não plenamente (daí a sensação de que o certo é o errado e vice-versa).
Um exemplo claro desta fase crítica que vivemos é a ruptura das sólidas instituições tradicionais de nossa sociedade, tais como: a família, a religião, a economia, a justiça entre outras.
Na família percebemos nitidamente uma reconfiguração estrutural, reflexo da emancipação da mulher, da dissolução dos casamentos (divórcio), da diminuição ou ausência total do número de de filhos, união homoafetiva etc.
A crença também passa por tais reconfigurações quando, para muitos, já não dá conta de responder os conflitos subjetivos de outrora. Do mesmo modo, o sistema judiciário, altamente burocratizado e falho (quando não, contraditório). As crises econômicas globais que nos afeta a todos, uma vez que não somos mais uma ilha isolada das outras ilhas (países desenvolvidos).
Enfim, esta caótica situação nos impõe, sobretudo para nós brasileiros, a sensação de que a própria ética não é mais capaz de nos nortear para a solução dos problemas que nos envolvem e é a participação efetiva na política, nas decisões coletivas, econômicas, religiosas, familiares e na justiça que vai possibilitar a todos nós maior consciência e esperança para se construir e aguardar esse futuro que já se apresenta.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

SOMOS TODOS "JUÍZES"

Por Carolina Mussolini
 
Uma imagem que vi recentemente define bem a atual situação que vivemos, algumas pessoas leem uma situação, ou veem uma imagem nas redes sociais e já começam a “atacar” lançando suas opiniões, muitas vezes venenosas. Como mostra a imagem (acima), entram nas redes sociais e já se tornam “juízes”.
Não condeno as pessoas expressarem suas opiniões, e acredito que isso é muito válido para a discussão de conceitos e crescimento dos próprios seres, mas julgar sem saber a real história e lançar ataques, muitas vezes, preconceituosos, isso sim eu reprovo. Os exemplos são vários, o caso da apresentadora do quadro do tempo do Jornal Nacional, da Rede Globo, Maria Júlia Coutinho, que recebeu comentários racistas na rede social é inadmissível. Ou então, as pessoas que ridicularizam o bolo feito por uma confeiteira voluntária para uma garota em estado terminal.
Mesmo após revelado o motivo da produção do doce, as pessoas ainda avacalhavam com a aparência do produto. Acredito que isso ocorra, nas redes sociais, pois lá as pessoas se encorajam a tomar uma voz, já que estão “escondidas” pela tela do computador ou smartphone. Todos se tornaram “juízes” e “avaliam” tudo, sem nem ao menos saber o que é ou não verdade.
Mas o meu questionamento é o seguinte, o que essas pessoas que saem julgando a esmo sem ao menos saber o porquê, têm a ganhar? E volto a falar da imagem, todos se tornaram “juízes”, mas sem conhecimento da real história que o fato carrega. Não é preciso que todos sejam jornalistas para esgotar as versões dos fatos, mas ao menos certificar-se se é ou não verdade, antes de “julgar um fato”. E esta ação deve ser muito bem pensada, pois além de magoar a vítima pode render para o provocador um processo por cyberbulling. Mas, podem acreditar, as marcas que essas vítimas de preconceito sofrem são bem maiores que o resultado de um processo judiciário. E você, também é um desses “juízes”?
 
CAROLINA MUSSOLINI é Jornalista, Mestre em Literatura, especialista em Comunicação Empresarial. Atua como docente com as disciplinas de Jornalismo Impresso e On line, Marketing e Empreendedorismo, além de ser uma colaboradora do nosso blog.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO E A FAMÍLIA

A família por ordem de natureza é a primeira célula de organização social, mais antiga que as ciências e o Direito e mais preciosa que a descoberta mais revolucionária. Passou pelas organizações matriarcais, patriarcais, pagã até o advento da Revelação onde o Cristianismo elevou o casamento a sacramento. O homem e a mulher selam a sua união sob as bênçãos do céu, transformando-se numa só entidade física e esperitual e de maneira indissolúvel. O sacramento do casamento não pode ser desfeito pelas partes, somente a morte separa a união entre um homem e uma mulher (por isso indissolúvel), simbolizada pela troca de alianças. 
Esta, portanto, trata-se de uma perspectiva Cristã da família. O “tempo”, por outro lado, foi
sentenciando evoluções para este projeto de Deus. Em 1977entrou em vigor a Lei 6.515 no Brasil, conhecida como a Lei do Divórcio, permitindo a apartação da união entre o homem e a mulher que juraram diante de Deus uma união até a morte. Tornando dissolúvel juridicamente o indissolúvel aos olhos de Deus.
Em 2013, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os cartórios civis Brasileiros foram obrigados a aceitar a celebração de casamentos gays. Posição ante-evangélico-Cristã.
Agora, porém, vivemos mais um ataque aos princípios Cristãos e a vontade de Deus, o “tempo” que outrora se levantou contra família hoje se levanta contra a própria natureza humana. Não é preciso ser um gênio para saber que o sistema XY de determinação de sexo é biológico, e, portanto divino.
A Ideologia de gênero, na verdade é uma ausência de gênero, onde o sexo feminino e masculino se torna uma das construções culturais e sociais do individual; em poucos miúdos o ‘cabra’ decide se é homem ou mulher.
Diante o exposto, cabe lembrar que o grande idealizador do gênero homem e mulher foi o Criador, o Grande e Verdadeiro Arquiteto do mundo, o Senhor dos Exércitos, o Autor da Vida, o Senhor da paz, o Deus absoluto, o Senhor das montanhas, a Luz da Luz, o Deus de Israel, e nada que se inicia nas mãos deste Todo Poderoso pode acabar nas mãos de uma pobre criatura.
A Lei Natural é a vontade divina já se manifestada na revelação; o Santo Padre Papa Francisco se manifestou dizendo que a Ideologia de Gênero é um “erro na mente humana” além de “Contrária aos planos de Deus”. O Bispo de Córdoba (Espanha) Dom Demétrio Fernández adverte que “a ideologia de gênero destroça a família, rompe todo o laço do homem com Deus através da sua própria natureza”. O Papa Emérito Bento XVI se pronunciou em 2012.
"De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Deixou de ser válido aquilo que se lê  na narração da criação: 'Ele os criou homem e mulher' (Gn 1,27). Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação".
A lei natural deve  ser a diretriz dos pensamentos de um cristão, sendo mais efetiva que a Lei dos homens e mais bem guardada que as vontades humanas. Não é preciso ser um grande cristão para entender que a ideologia de gênero destroça a família e distancia o amor, fazendo-nos perder contato com nossa primeira sociedade, destruindo a sensibilidade, condenados a uma solidão de morte.
 

CAUÊ VIÚDES é aspirante ao sacerdócio. É crstão Católico Apostólico Romano e colabora com nosso blog.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

AFINAL, O PAPA ACEITOU OU NÃO O PRESENTE DE EVO MORALES?

UM TEXTO SEM CONTEXTO VIRA UM PRETEXTO...

Por Julio César Gonçalves
 
Desde pequeno ouvi dizer que a palavra tem poder. Desde então, cresci acreditando que a palavra possui uma força superior transcendental, benigna ou maligna, mas, não somente; também há outro tipo de força (do qual trata este post). Me recordo que as mulheres da minha casa (avós, tias e tia-avós) não gostavam que nós falássemos da possibilidade de nossa própria morte, ou de acidentes (às vezes mandava a gente bater na boca 3 vezes antes de falar). Também, até hoje minha avó evita pronunciar a palavra "C.Â.N.C.E.R", por medo da própria doença. Ela diz: "aquela doença ruim", evitando atrair a maldição da palavra. Mas a reflexão que venho propor hoje, não trata desse poder sobrenatural da palavra, mas antes, de outro tipo de poder: o poder ideológico que ela carrega consigo.
Nenhuma palavra é neutra ou destituída de significados, justamente porque uma palavra sem sentido não tem serventia. A palavra está a serviço da comunicação humana. Por esse motivo, sempre que uma palavra é escrita, ou dita, ela traz consigo uma ideia ou um conjunto de ideias (ideologia) que muitas vezes não está explícita, mas discreta, escondida na própria palavra. Outras vezes, a carga de significados que a palavra porta consigo é tão forte que nem cabe nela própria...

O fato é que, num caso ou noutro, a palavra por si só de nada valeria se não existisse aqueles que a dizem ou a escrevem (conferindo-a um sentido), e àqueles que vão resignificá-la ao ler o que foi escrito ou escutar o que foi dito.
O ressignificar também não pode ser neutro ou destituído de intenção, posto que vem de alguém, de uma cultura, de um padrão linguístico e emocional. E é exatamente por isso que a linguagem carrega suas ambiguidades na comunicação.
O que dizer então, das palavras que não são ditas nem escritas? Das palavras sob a forma de  expressões corporais?
Será o Papa um comunista?
Hoje, fiquei incomodado com os vários posts que li sobre a notícia do polêmico presente de Evo Morales ao Papa. Vi postagens bastantes divergentes e comentários prá lá de extremistas e fundamentalistas, e outras babaquices acerca da postura do Papa... 
Assisti ao vídeo do momento em que Sua Santidade recebe os presentes das mãos de Evo Morales... Bem, penso que não podemos apenas julgar os fatos pelo que se vê, afinal, nem sempre aquilo que se vemos, de fato é, realmente. Em nenhuma das postagens e comentários que li, levou em consideração o lugar de onde está o Papa e o que ele estava fazendo naquele momento. Ora, se faz necessário entendermos o contexto em que as palavras foram ditas (ou não ditas - no caso de expressões fisionômicas), entendermos o porquê dos gestos e ações, para só então tirarmos algumas conclusões. Na ocasião, Morales presenteou o Papa com uma imagem de Cristo crucificado sobre uma foice e um martelo (símbolo do comunismo); entretanto, este símbolo seria uma reprodução do objeto criado pelo padre jesuíta espanhol Espinal, morto em 1980 por paramilitares contrários às suas lutas sociais, por quem o Papa rezou até pouco antes do polêmico encontro.
É evidente que Evo Morales lhe entregou presentes comunistas, uma vez que acredita e vive esta ideologia. Mas daí a colocar o Papa como adepto dessa corrente de pensamento com base na atitude de aceitar um presente-símbolo do comunismo, acho um pouco exagerado...
A primeira pergunta que me vem à mente (e encerro essa reflexão com possíveis respostas a ela)  é: Francisco aceitou mesmo o crucifixo comunista? Penso que pouco provável... Pouco provável por três motivos: primeiro porque o comunismo foi responsável por uma das maiores perseguições contra o catolicismo na década de 1920; segundo  pelas expressões faciais e corporais do Papa (demonstrou, ao menos um desconforto com aquela situação); e, pouco provável também, pelas parcas palavras que saíram de sua boca, num áudio em que quase nada dá para entender: “No está bien eso”  ("Isto não está bem"). "A comparação possível é tentar unir a cruz de Davi com uma suástica nazista e presenteá-la a um rabino" (Igor Gielow - Diretor da Sucursal da Folha de S. Paulo em Brasília).
Gosto de acreditar que naquele momento ele estava recebendo das mãos de Morales, palavras esculpidas em madeira, de um padre torturado e morto por lutar por um ideal de justiça...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

DISPENSO MODINHAS


Por Neto Salvatore

Recentemente a Suprema Corte dos EUA aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo. Várias personalidades americanas saudaram com clamor a decisão do governo, postaram fotos e frases elogiando Barack Obama e a Suprema Corte pela decisão.
A notícia percorreu o mundo, inclusive o Brasil, que por meio de uma ferramenta do facebook coloria a foto das pessoas cor do arco íris em ato de comemoração. Personalidades brasileiras aderiram à moda e contagiaram grande parte dos usuários. O fato é que ao estar navegando pela internet me deparei com a seguinte imagem:

"Dispenso Modinhas"...
Havia prometido que não me manifestaria sobre o assunto, mas pensei bastante e encontrei uma resposta menos agressiva.
O motivo pelo qual as pessoas mudaram a foto do perfil no facebook foi em comemoração a mudança da legislação dos EUA que só firmaram a ideia de igualdade, pois, independente de raça, cor, credo ou orientação sexual, somos a mísera mesma coisa. No caso, casais do mesmo sexo terem os mesmos direitos, perante a lei, que um casal heterossexual.
As pessoas de orientação homossexual não querem entrar de véu e grinalda na Igreja Católica Apostólica Romana ou qualquer outra crença que não aceita esse tipo de união. Querem apenas se unir com os mesmos direitos que outros casais possuem perante a Constituição do seu país. O fato de copiarem noivas e noivos entrando na Igreja são apenas para firmar a ideia de casamento (pelo menos eu acho... Por que iria me unir com a pessoa que eu amo em um lugar onde não sou bem vindo? Que diferença fará isso para mim se meu Deus se encontra ao meu lado e não apenas na Igreja?).
Existem várias ONGs, telefones e endereços para doações em prol das crianças africanas ou até mesmo de sua cidade. Basta pesquisar e contribuir para a conquista de tal proeza.
Então, se não for mudar a cor da foto do seu perfil em qualquer rede social, se não for doar para instituições que necessitam, faça somente um favor: permaneça em silêncio.

NETO SALVATORE é estudante do último ano de Comunicação Social - Jornalismo e também colabora com nosso blog.
 

 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

(IN)FELIZ DIA DOS PROFESSORES

Por Fernando Garrido - estudante de Jornalismo
 

No decorrer do ano, nos deparamos com datas esdrúxulas. O calendário todo é preenchido por comemorações vazias que pouco acrescentam ao cotidiano, senão na mais indigesta arte de parabenizar a esmo, sem qualquer convite a reflexões. Neste 15 de outubro, será diferente. Apesar de, injustamente, não ser respeitado como um feriado nacional, trata-se de um dia especial. Uma das profissões mais importantes do planeta, regente de mestres e norteadora para grandes estudiosos, será lembrada pelos que valorizam a classe de professores. 
A cultura luta para não ser extinta e o saber já respira por aparelhos, temendo o desaparecimento. Há algumas décadas, logo que surgiu o contestado método de progressão continuada, rotulado como um avanço no ensino para que os alunos não reprovassem mais pelo desempenho ruim, senti um pesado declínio. Mais do que isso, um golpe letal nas articulações dos colegas docentes. A função, antes avaliatória, se restringiu ao simples manuseio da caneta para comprovar ausência ou presença dos alunos. 
Não tardou para que os efeitos fossem alarmantes. Posto que, se o estudante comparecesse a um percentual x de aulas, poderia deixar de se aplicar nas tarefas, na compreensão e nas respostas para exercícios. O desafio de ser professor tornou-se cada vez mais desgastante e, sobretudo, prejudicado pelo cerceamento do seu controle. Lutando, também, contra um baixo salário, o 15 de outubro quase teve outro significado: a memória de uma batalha como a de Canudos, Malvinas e Farrapos. Pois a guerra fria tem transformado indivíduos de potencial em meros coadjuvantes de uma educação miserável. Caso sejam exigentes, são taxados de ditadores. No mais brando comportamento, chamados de omissos.
Ser professor no Brasil, com o desinteresse apoiado pela política preguiçosa de retrocessos, compromete a formação de pessoas mais críticas e cumpridoras de dever cívico. O mestre perdeu o giz, a lousa, a régua e grande parte do respeito da sociedade. Ao passo, ironicamente, que sua responsabilidade como pai, mãe, psicólogo, autodefensor e terapeuta, aumenta. Precisamos não só parabenizar pelo dia, um a mais no ano. Mas pela resistência em acordar e levar para dentro das salas o que já foi prestigiado: a arte de passar e corrigir lições, antes que a vida faça o mesmo, porém, sem amor.  

Tenho amigos professores e agentes penitenciários, há alguns comentários parecidos na gestão de ambas competências. Os estudantes cumprem a rotina letiva como se fossem enjaulados (sentenciados), já os docentes têm que se preocupar mais com a segurança do que com a metodologia de ensino. Cada um na sua esfera de atuação, como se não fossem parte alavanca de um todo, ameaçado pela desordem dos que são eleitos para não pensar na educação.

sábado, 6 de abril de 2013

LEI CAROLINA DIECKMANN - CRIMES DE VIRTUAIS

A atriz sofreu tentativa de extorsão por hackers
Recentemente, entrou em vigor e tomou o noticiário nacional a Lei 12.737/2012, também conhecida como Lei Carolina Dieckman. A referida Lei trata dos crimes virtuais, com enfoque maior na obtenção, de maneira ilícita, de informações das vítimas.
Importante ressaltar que a Lei já era discutida há vários anos, entretanto, tomou maior visibilidade com a caso da atriz global Carolina Dieckman, após esta sofrer com a publicação indevida de cerca de 36 fotos em que aparece nua. Tendo em vista a repercussão que o caso tomou, apelidou-se a Lei com o nome da atriz.
Sobre o caso: Hackers violaram a caixa de e-mails da atriz para conseguir as fotos. Com as fotos em mãos, os delinquentes tentaram extorquir Carolina a pagar R$ 10.000,00 para que as fotos não fossem divulgadas. Imagino que ela não tenha pago (risos). Entretanto, vem-me à cabeça a seguinte questão: Se ele tivesse pago aqueles que a extorquiam, as fotos realmente não seriam divulgadas? Acompanhe meu raciocínio. A atriz paga a quantidade solicitada para os hackers e espera apenas a boa vontade dos mesmos. Quem poderia garantir que eles realmente apagariam para sempre os arquivos? Já não é mais mistério para ninguém que, uma vez publicado qualquer material na internet – se se tratar de pornografia, a coisa piora – as chances do material desaparecer são praticamente nulas.
A Lei: Fiz uma análise da letra da lei, da legislação seca, e encontrei algumas brechas. O artigo 2º da Lei Carolina Dieckman altera o artigo o Código Penal e acrescenta o artigo 154-A, que terá a seguinte redação:
“Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:”.
 Acredito que caso aconteça de uma pessoa levar o seu computador à assistência técnica e durante o conserto o técnico tiver acesso a informações comprometedoras – inclusive fotos pornográficas – e “subtraí-las”, ele não estaria sujeito às penas da lei. (Faço um parênteses necessário. Observo que em outros tempos quem mais sabia da vida das pessoas era o padre ou o analista psiquiátrico, hoje, amigos, o técnico em informático é quem detém informações preciosas a respeito da vida das pessoas, afinal, confiamos coisas secretíssimas ao nosso HD). Afirmo e explico: O artigo requer que a invasão ao dispositivo seja feita “mediante violação indevida de mecanismo de segurança”, e na situação narrada por mim, o computador pessoal de uma pessoa é confiado ao técnico e este não precisa burlar nenhum sistema de segurança para conseguir arquivos comprometedores. Entendo que a lei visa proteger as vítimas de ataques via internet – como foi o caso da atriz, mas, a meu ver, as situações são equivalentes, uma vez que o espírito dessa lei é proteger as informações sensíveis das pessoas e coibir possíveis subtrações de arquivos.
Outro ponto falho da legislação é criminalizar o uso de programas que sirvam obter senha de outras pessoas. Todavia, os profissionais de segurança da informação usam os mesmos programas para trabalhar. Segunda a lei, os profissionais seriam criminalizados pelo uso dos programas.
Acho totalmente válida a iniciativa do legislador em tentar “colocar ordem” na internet. Também não é segredo que a internet funciona como um lugar sem leis. O tempo inteiro os Direitos Humanos são gritantemente violados; pessoas usam a internet – e mais ainda as redes sociais – para caluniar, injuriar ou difamar seus desafetos. Este tipo de comportamento não deve ser admitido, uma vez que, apesar de se tratar de um ambiente virtual, as regras do mundo real devem ser respeitadas.
A internet é a chance de ouro que a nossa geração possui para fazer a diferença e ser potencialmente melhor em todos os quesitos. Falando por mim, eu uso a internet diariamente para enriquecer meus estudos e aprender cada vez mais sobre os conteúdos ministrados na faculdade. Consigo enriquecer o que me foi passado pelos professores – sem desmerecer o que por eles é ensinado, evidentemente. Mas, infelizmente, o que tem se observado é o mal uso da internet. Esta está sendo utilizada para cometer crimes cada vez mais complexos e, principalmente, está sugando o cérebro dos jovens. Eu fico a imaginar daqui a 15 anos duas pessoas conversando e uma delas recebe a iluminação divina e confessa: - pois é, perdi a minha juventude vendo porcarias na internet.
Para finalizar, teço a crítica no sentido de que é necessário uma discussão mais aprofundada para a elaboração do texto da lei para que não se deixe brechas como as mencionadas acima. Viver em qualquer lugar que não haja regras é impossível e como a internet passou a fazer parte das nossas vidas, necessário se faz que ela também possua regras e que – mais importante ainda – seus usuários as respeitem.
MARCO AURÉLIO DOS SANTOS é estudante do curso de bacharelado em Direito e também colaborador do nosso Blog.

Contatos:
http://www.facebook.com/ocramaurelio
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

"DEUS NÃO MORREU. ELE TORNOU-SE DINHEIRO"

"O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro", afirma Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News, em 16 de agosto de 2012.
Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de Heidegger, Giorgio Agamben foi definido pelo Times e por Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo ele transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista.
Segundo ele, "a nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas". Assim, "a tarefa que nos espera consiste em pensar integralmente, de cabo a cabo,  aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”, afirma Agamben.
A tradução é de Selvino  J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
 

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