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terça-feira, 3 de julho de 2012

A LINGUAGEM POLÍTICO-ECONOMÊS


Por Luciane Carvalho

A leitura do caderno econômico de determinado jornal do interior paulista frustrou-me a tentativa de prosseguir.
“O  IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) encerrou o mês de abril em alta de 0,43%, ficando acima dos 0,25% apurados em abril, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).”
Ufa, conclui o primeiro parágrafo! O texto do economista e articulista Luís Nassif tratava da variação dos preços durante um ano, entre 2011 e 2012, tendo abril por mês base.
E não apenas as escritas de economia que assustam os pobres mortais leigos no assunto. A linguagem política é outra menina dos olhos dos dificultadores do entendimento mor. Como lembra Orwell, esse tipo de escrita “destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. Dessa forma fica mais fácil a manipulação pública com meia dúzia de “embromações” de especialistas na área.
Se já é difícil a compreensão para quem tem um mínimo de conhecimento acadêmico, imagino para a dona de casa, com o estudo muitas vezes defasado das escolas públicas, mas que precisa educar e alimentar sua família com os produtos da cesta básica.
Cadê o compromisso com o princípio jornalístico de proximidade com todos os públicos dos nobres colegas? As Marias e Josés da Silva questionam se eles têm o mesmo direito à informação dos principais assuntos que movimentam as diretrizes administrativas do país. É quase uma falta de “austeridade”, que é o respeito ao próximo.
Por qual motivo os especialistas de determinadas editorias necessitam expor suas habilidades de maneira tão complexa em que seja necessária a ajuda de um dicionário?
Os índios não conheciam pão quando foram evangelizados, então os jesuítas tiveram que explicar por analogias. Assim, Jesus foi o “aipim da terra.” Não é apenas explicando as siglas que o texto se faz entendível, mas com a aproximação de uma realidade brasileira, de um povo trabalhador que faz a economia, bem como a política, circular as riquezas do nosso país. 

LUCIANE CARVALHO é estudante de Comunicação Social - Jornalismo, pela FAPEPE e também colaboradora do nosso Blog.

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