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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DEUS É MESMO BRASILEIRO???



Ultimamente os meios de comunicação de massa, sobretudo a televisão, têm dado grande ênfase aos desastres causados pela “fúria da natureza” em diversas cidades do Brasil. Engraçado, há pouco tempo tínhamos a impressão de que problemas como terremotos, furacões, tempestades estavam bem distantes de nosso país. Falávamos: “Deus é brasileiro”... O que aconteceu? Deus resolveu escolher outro lugar para morar? Acho que não é bem assim...
A discussão que quero fazer com vocês é outra. Na verdade trata-se mais de uma provocação aos nossos conceitos “bem-formados” e acomodados. É também uma crítica ao modo como temos assumido uma visão passiva ao receber informações dos meios de comunicação quando o assunto é desastre da natureza.O meio ambiente é, sem dúvida, um dos assuntos mencionados com grande expressividade nos últimos anos, pelos meios de comunicação, sobretudo no que diz respeito aos problemas de ordem natural ou antrópico – como o superaquecimento global, os furacões e tornados, as chuvas e os alagamentos, os desmatamentos, a desertificação de regiões inteiras, a perda da biodiversidade, a depleção da camada de ozônio, o efeito estufa, a crise da água potável, a cultura consumista, a produção de enormes quantidades de lixo, biopirataria, falta de planejamento urbano, descaso político e tantos outros complicadores.
Da mesma forma, não são raras as vezes em que ao ser noticiadas tais catástrofes, evidencia como grande vilã a fúria da natureza. Mas e o homem? Qual o seu papel diante do cenário ambiental atual? Seria muita ingenuidade acreditar nessa premissa, uma vez que o homem faz parte da natureza, é natureza e com ela interage.
É necessário, antes de tudo, entender o papel da humanidade diante do seu meio, isto é, entender como se dão as relações humanas (de ordem econômica, política, cultural, normativa e outras) com o meio ambiente em que vive.
Dentre todos os problemas que foram referidos acima, nenhum é tão preocupante quanto a falta de envolvimento da população e dos líderes políticos com vistas a erradicá-los. Será que a natureza tem que levar a culpa pelas inúmeras casas submersas ou arrastadas pela lama, pelas águas das enchentes? Será que a natureza é culpada pelas encostas e barrancos deslizarem arrastando tudo o que encontra pela frente? Ora, até quando vamos ficar pondo a culpa na natureza e deixando de chamar a responsabilidade para nós?
Onde estão os prefeitos e planejadores da cidade que não percebem por onde a cidade está crescendo? Onde foi que se formaram os engenheiros e arquitetos que não sabem o óbvio - que construir em fundo de vale e encosta, além de proibido é risco de vida? Cadê nosso compromisso enquanto cidadão que participa das decisões importantes do nosso município e cobra os seus governantes?
Devemos pensar: a quem beneficia ficar apenas lamentando o número de mortos e de casas arrasadas e colocando a natureza como a madrasta má dessas trágicas histórias? Qué é lamentável as mortes e a perda dos bens materiais conquistados, muitas vezes com grandes esforço, isso é fato. O que estou dizendo é que a culpa não é da natureza; ela é natural. O máximo que pode acontecer é ela devolver as agressões que recebe dos seres "racionais" que povoam o planeta!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ONDE MORA O PAPAI NOEL?



Final de ano, festas, Natal, Ano Novo... que época boa não é mesmo!
Das poucas lembranças que tenho da minha infância a respeito dessa época, a imagem que fica latente em minha mente é a da unidade da família. O povo reunia por dias na casa da vó. Ali revíamos os parentes que há muito não víamos, conversávamos, (nós, os primos, brincávamos e mais nada).
Lembro-me do "forró" no quintal noite adentro... isso pra não falar da comilança! Tinha toda uma magia em torno do final de ano (que demorava um ano inteiro pra chegar).
Era gostoso receber cartão dos tios de longe e colocar na árvore de natal...
Pois é! Alegria mesmo era esperar o Bom Velhinho, pegar no sono e acordar no outro dia decepcionado de não tê-lo visto, mas contente com o presente - que nem sempre (no meu caso, nunca) era o que havíamos pedido.
É caros amigos, os tempos mudaram! Longe de mim tecer um discurso saudosista sobre as festas de final de ano, porém, não dá para não notar as transformações a que nossa sociedade vem sendo submetida.
Os dias, hoje em dia, têm passado mais rápido. Será que as horas estão com defeito? Acho que não...
Nossa percepção do tempo e das atividades diárias mudaram radicalmente.
Da mesma forma, mudaram também nossas posturas diante das relações sociais e convivência familiar. E o final de ano não passou incólume à essas tranformações.
Vejam que engraçado. Fui brincar de amigo secreto numa confraternização e, antes, correu uma lista de "qual presente você quer ganhar?" (acabei ganhando o presente que pedi...). Achei meio sem magia, sem encantamento. É como se eu comprasse o meu próprio presente e a surpresa fosse apenas a cor e quem me tirou.
Antes fazíamos um "junta panela" na ceia, hoje, "buffet de Natal".
Parei mesmo para refletir sobre esta fase que estamos passando quando minha filha (um ano e sete meses) me respondeu com seu pouco vocabulário onde mora o Papai Noel: "No shop papi, no shop".
Fica, a partir dessas lembranças, um convite a todos a relembrar os momentos vivenciados nos Natais passados e reavaliar os valores que estamos criando e seguindo agora. Por que não aproveitar a oportunidade para voltarmos às nossas raízes? À nossa família?
Não devemos querer voltar no tempo, pois como falei, os tempos são outros, contudo se faz necessário repensar o presente com base no passado para que possamos criar um futuro menos traumático, mais acertivo...
Quem sabe assim, podemos melhor acomodar o Papai Noel entre tantas lojas e escadas rolantes!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DAVID ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)



Émile Durkheim, sociólogo francês, nasceu em Épinal em 15 de Abril de 1858. Estudou na École Normale Supérieure de Paris, doutorando-se em Filosofia.Em 1887, assumiu a primeira cátedra de Sociologia criada na França, na Universidade de Bórdeus. Aí permaneceu até 1902, quando foi convidado a lecionar Sociologia e Pedagogia na Universidade Sorbonne, em Paris. É considerado o fundador da Sociologia moderna. Foi um dos primeiros a estudar mais profundamente fenômenos sociais como suicídio, o qual, segundo ele, é praticado na maioria das vezes em virtude da desilusão do individuo com relação ao meio social em que vive.
Para Durkheim, o objeto da Sociologia são os fatos sociais, que devem, ser estudados como “coisas”, isto é, como algo com existência própria, objetiva, e que atua de forma coercitiva sobre os indivíduos.
O sistema sociológico de Durkheim baseia-se em quatro princípios fundamentais:
1. A sociologia é uma ciência independente das demais Ciências Sociais e da Filosofia.
2. A realidade social é formada pelos fenômenos coletivos (ou fatos sociais), considerados “coisas”.
3. A causa de cada fato social deve ser procurada entre os fenômenos sociais que o antecedem.
4. Os fatos sociais são exteriores aos indivíduos e formam uma realidade específica que exerce sobre eles um poder coercitivo.
Segundo Durkheim , o homem é um animal que só se humaniza pela socialização.
Suas principais obras são: A Divisão do trabalho social (1893), As regras do método sociológico (1894) e O suicídio (1897).

MAX WEBER (1864-1920)



Nascido em Eufurt, na Turingia, Alemanha, em Abril de 1864, o sociólogo e cientista político Max Weber foi professor de Economia nas universidades alemãs de Freiburg e Heidelberg.
Considerado, com razão, um dos mais importantes pensadores modernos, ele foi um dos fundadores clássicos da Sociologia. Dotado de espírito investigativo particularmente aguçado e de grande erudição, criou uma nova disciplina, a Sociologia da Religião, na qual desenvolvia estudos comparados entre a história econômica e a história das doutrinas religiosas.
Weber foi também um dos primeiros cientistas sociais a chamar a atenção para o fenômeno da burocracia, não só no Estado moderno mas também ao longo da História.
De acordo com ele, a Sociologia deveria estudar o sentido da ação humana individual, que deve ser buscado pelo método da interpretação e da compreensão. Weber preocupava-se ainda com a responsabilidade social dos cientistas políticos e defendia a busca da neutralidade na vida acadêmica e na investigação cientifica.
As teorias de Weber exerceram grande influencia sobre as Ciências Sociais a partir da década de 1920. Em uma de suas obras mais conhecidas, procurou demonstrar a existência de uma estreita ligação entre a ética protestante e a ascensão do capitalismo.
Suas principais obras são: A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905) e Economia e sociedade (publicada postumamente e 1922).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

AUGUSTO COMTE (1798-1857)







Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, filósofo e matemático francês, nasceu em Montpellier em 19 de janeiro de 1798. Fez seus primeiros estudos no Liceu de Montpellier e ingressou depois na Escola Politécnica de Paris. Entre 1830 e 1842, publicou sua primeira grande obra, na qual expõe os princípios fundamentais de sua filosofia e de sua teoria da História: Curso de Filosofia Positiva, composto de seis volumes. A partir de então, sua doutrina passou a ser conhecida como Positivismo.
Comte afirmava que a sociedade funciona como um organismo, no qual cada parte tem uma função especifica, contribuindo para o funcionamento do todo. Segundo ele, ao longo da Historia a sociedade teria passado por três grandes fases: a teológica, a metafísica e a positiva (ou cientifica). Na primeira, as pessoas recorriam à vontade dos deuses para explicar os fenômenos naturais; na segunda, utilizavam conceitos abstratos, como “natureza”; na terceira, que corresponderia à sociedade industrial, o conhecimento se baseia na descoberta das leis objetivas que determinam os fenômenos.
Comte foi o criador da expressão sociologia para designar a ciência que deveria estudar a sociedade. Sua doutrina, o positivismo, exerceu forte influência sobre a oficialidade do Exército brasileiro nas ultimas décadas do século XIX. Por isso, um dos lemas positivistas, “Ordem e progresso”, figura na bandeira do Brasil.

KARL MARX (1818-1883)





Filósofo, cientista social, economista e revolucionário alemão, Karl Heinrich Marx nasceu em Trier, Alemanha, a 5 de maio de1818. Estudou na Universidade de Berlim, interessando-se principalmente pelas idéias do filósofo Hegel. Formou-se pela Universidade de Iena em 1841.
Em 1843, transferiu-se para Paris. Lá conheceu Friedrich Engels, um radical alemão de quem se tornaria amigo íntimo e com quem escreveria vários ensaios e livros. De 1845 a 1848, viveu em Bruxelas, Bélgica, onde participou de organizações clandestinas de operários e exilados.
Em 1847, redigiu com Engels O Manifesto do Partido Comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada de marxismo ou materialismo histórico. Nesse texto, Marx e Engels explicam que a historia da humanidade é a história da luta de classes e convocam o proletariado à luta pelo socialismo.
Em 1848, quando eclodiram movimentos revolucionários em vários países europeus, Marx voltou à Alemanha, onde editou a Nova Gazeta Renana, primeiro jornal diário francamente socialista e que procurava orientar as ações do proletariado alemão. Com o fracasso da revolução, Marx e Engels fugiram para Londres, onde viveram pelo resto da vida.
Em 1864, fundaram a Associação Internacional dos Trabalhadores – depois denominada Primeira Internacional dos Trabalhadores- com o objetivo de organizar a conquista do poder pelo proletariado em todo o mundo. Em 1867, Marx publicou o primeiro volume de sua obra mais importante, O Capital, no qual faz uma crítica radical ao capitalismo e à sociedade burguesa.
Marx foi o principal idealizador do socialismo e do comunismo revolucionário. Sua doutrina propõe a derrubada da classe dominante (a burguesia) por meio de uma revolução do proletariado e a criação de uma sociedade sem classes, na qual os meios de produção passam a ser propriedade de toda coletividade.
Entre suas principais obras estão: Miséria da Filosofia (1847), O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte (1852), O Capital (1867-1894). Em parceria com Engels, escreveu: A sagrada família (1844), A ideologia alemã (1845-1846) e O Manifesto do Partido Comunista (1847).

Texto extraído do livro: OLIVEIRA, Pérsio Snatos de. Introdução à sociologia. São Paulo: Ática, 2000.

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